“A arte é livre”

Essas foram as primeiras palavras de Arnaldo Antunes dirigidas à plateia no Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto (SP), em noite de poesia e música. O bate-papo musical encerrou a agenda de quinta-feira (25) da FIL. Um encontro de celebração da vida, da cultura brasileira, da alegria e da esperança



Arnaldo Antunes na FIL

Os pulsos do público da FIL pulsaram mais forte e ganharam uma recarga extra de fôlego e resistência no encontro entre Arnaldo Antunes e o público que lotou a sala principal do Theatro Pedro II na noite de quinta-feira (25), encerrando as atividades do dia na 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL). Inquieto, irreverente, inteligente, consciente, tímido e muito simpático, o poeta, cantor, compositor e escritor se revelou sem reservas à plateia presencial e on-line, numa noite de celebração ao talento, à genialidade e à criatividade do artista brasileiro que, de sua parte, celebrou com a cidade a realização da Feira Internacional do Livro. “Vamos ler, gente”, convocou o ex-Titã.



Arnaldo Antunes na FIL

O bate-papo musical com Antunes teve participação do violonista Chico Salem, mediação de Lucas Molina, gerente adjunto do SESC Ribeirão, e mais de uma hora de conversa sobre processos criativos, carreira de mais de 40 anos, envelhecimento, Brasil, pandemia, nova turnê, músicas poéticas e poesias musicais. “Meu trabalho acontece de forma mais fragmentada, com cortes, mudanças na ordem dos versos, uma coisa bem corpo a corpo com a linguagem. A canção tem essa coisa da espontaneidade e tenho momentos de me despejar, seja a partir da melodia ou dos versos”, contou o artista logo na primeira parte da conversa.


A conversa seguiu por caminhos diversos. Para responder à pergunta a respeito de suas fontes inspiradoras, Arnaldo Antunes abriu ainda mais o sorriso para compartilhar seu leque valioso. “As referências são muitas. The Beatles, Led Zepellin, Bob Marley, Caetano, João Gilberto, Tom Zé, Erasmo Carlos, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, festivais de música brasileira, Tropicália. Sou curioso e gosto de ouvir música étnica - da africana, da Tailândia, enfim, são vários experimentos”, revelou.


Baú da hora fértil


O diálogo fluente da atividade percorreu os caminhos do artista entre a música e a poesia. Arnaldo Antunes transita entre composições musicais e escrita de poemas de forma tranquila e sem regras fechadas sobre como cada produção vai chegar ao público. “Às vezes, o poema vira canção. Em outras, a canção vira poema. Em outras, vira poema visual e não escrito. É um diálogo frequente porque tem a palavra. Há canções inteiras que acabo não gravando e esses rascunhos vão ficando no arquivo, no baú da hora fértil esperando seu momento de aparição”, pontuou.



Arnaldo Antunes na FIL

Artista múltiplo, Antunes é ganhador de dois prêmios Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, mas enfatizou que ter sua poesia estudada em livros didáticos, em salas de aulas, motivando as crianças a curtir poesia é o que considera como maior prêmio de todos. “Escrever, para mim, poema ou música, é muito prazeroso. Mesmo que seja uma experiência dolorosa quando falo de assuntos duros. Mas o prazer é tanto que transforma o sofrimento em riqueza. A arte é livre e pode comentar uma relação de amor, política, o universo, etc. Muitas vezes, a arte se junta com as necessidades do cidadão”, enfatizou o pluriartista, declamando na sequência o poema “A Boca Ôca”.


Resistências


Às vésperas de completar 62 anos, Arnaldo Antunes afirma que envelhecer não tem sido um fator de grandes alterações em seu processo criativo. “Continuo acreditando na mesma coisa e os impulsos que me movem são muito parecidos. O espírito de jovialidade é impulso sempre”, enfatizou. Um exemplo dessa postura é o álbum “Ao Vivo lá em casa”, gravado na casa de Antunes quando ele fez 50 anos. “Isso foi uma mistura de boas coincidências. Desde a minha mudança para esta casa, enxerguei um bom palco no terraço, até a oportunidade de fazer um show da turnê “Iê Iê Iê”, passando pelo meu aniversário. Foi uma comemoração reflexiva a respeito da passagem do tempo”. Dez anos mais tarde, a pandemia impediu repetir a dose para comemorar os 60 anos. Mas a produtividade do tempo de isolamento rendeu o documentário “Arnaldo 60”, gravado no SESC Pompéia, em São Paulo. “É muito importante o trabalho do SESC, cultivando todas as áreas culturais. Essa instituição é um oásis para nós. Nosso ministério da cultura informal”, disse o artista sobre uma das entidades parcerias da FIL. Outra produção deste período é o documentário Arnaldo, Sessenta, disponível na Globoplay.


Desde março, Arnaldo Antunes roda o Brasil com a turnê de “Lágrimas no Mar”, seu novo projeto musical, em parceria com o pianista Victor Araújo. Ele contou que a canção título foi escrita como “uma forma de a gente desaguar”, referindo-se ao isolamento da pandemia. Nesse contexto, o compositor comentou outra música que fez parte do roteiro da noite, “O Real Resiste”. “Essa canção é uma resposta ao momento político que o Brasil atravessa. A escrevi imediatamente na noite do resultado das eleições de 2018, expressando minha perplexidade”, entregou.


O bate-papo musical com Arnaldo Antunes foi aberto com a música “Pulso” e teve mais seis canções: “Socorro” (letra de Alice Ruiz), “A Casa é Sua”, “O Real Resiste”, “Lágrimas no Mar”, “Envelhecer” e “Põe fé que já é”. “Vamos terminar com uma música positiva para a gente confiar no futuro”, finalizou Antunes.


Sobre a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto


A 21ª edição da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto aconteceu de 20 a 28 de agosto de 2022 e trouxe como proposta de reflexão o tema “Do Caburaí ao Chuí: a força da Literatura Brasileira”. A proposição embasou todas as atividades e debates do evento. A feira consagrou-se como um dos maiores eventos culturais do país: 21 anos de história e 20 edições realizadas. Em 2020, a feira tornou-se internacional e em 2021 realizou sua 20ª edição, pela primeira vez, no formato on-line, devido à pandemia do Coronavírus. Realização: Ministério do Turismo, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Usina Alta Mogiana, GS Inima Ambient e Fundação do Livro e Leitura apresentam a 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL). Patrocínio Diamante: Usina Alta Mogiana e GS Inima Ambient. Patrocínio Ouro: GasBrasiliano e Savegnago. Patrocínio Prata: Passalacqua, Premier Pet, Pedra Agroindustrial, Ribeirãoshopping e Riberfoods, Usina Vertente,Tereos e Vittia. Patrocínio Bronze: Supermercados Gricki, MazaTarraf, Tracan, Santa Helena. Patrocínio: Madeiranit, Usina São Martinho, Tarraf. Instituição Cultural: SESC. Parceria Cultural: Fundação Dom Pedro II – Theatro Pedro II, Alma – Academia Livre de Música e Artes, Biblioteca Sinhá Junqueira, Centro Cultural Palace, Instituto do Livro, CUFA, A Fábrica, IPCCIC – Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais, Teatro Municipal de Ribeirão Preto, AbaCare, Associação de Surdos, CAEERP, FADA, Fundação Panda, Ribdown, SOMAR. Apoio: ACIRP, Base Química , Cenourão, Combustran, DTEK, Durati Distribuidora, Lopes Material Rodante,Molyplast, Mialich supermercados, Santa Emília, Transmogiana,Tonin, Vantage – Geo Agro, ViaBrasil, Coderp, Transerp, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Secretaria de Cultura e Turismo, Secretaria de Educação, Secretaria do Meio Ambiente, Secretaria de Infraestrutura. Apoio Cultural: Convention Bureau, Colégio Marista, Diretoria de Ensino – Região de Ribeirão Preto, ETEC – José Martimiano da Silva, Educandário, SESI, Barão de Mauá, Centro Universitário Moura Lacerda, Unaerp, NW3, Grupo Utam, Monreale Hotéis, Painew, Verbo Nostro Comunicação Planejada e Instituto Unimed.

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