“A gente é palavra que pede encontro”, poetizou Luiza Romão

Convidada da noite, a poeta movimentou a roda de conversa com falas cheias de responsabilidade, reflexões e questionamentos

Uma potente noite feminina regada à poesia de Ferreira Gullar, um dos fundadores do neoconcretismo. Assim foi a penúltima noite no Revolução Poética, evento promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Instituto SEB - A Fábrica, em celebração ao Dia da Literatura Brasileira, festejado em 1º de maio. As mulheres deram o tom das conversas literárias: a primeira delas foi em torno do tema Completude.


Depois da abertura com a pulsante e vigorosa apresentação “Atalhos”, pela Cia. Pé na Tábua, de Ribeirão Preto, o palco do espaço A Fábrica foi ocupado pela poeta, atriz, slammer e autora dos livros ‘Sangria’ e ‘Coquetel motolove’, Luiza Romão.


O poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar, foi a baliza condutora da roda de conversa. Luiza Romão abriu a noite com uma intervenção poética declamando “Sangria”, poema autoral que aborda questões femininas, e ampliou o debate sobre a presença da mulher na poesia - desde o processo produtivo até a efetiva inserção na cena literária do país -, e nas batalhas de poetry slam - competição em que poetas leem ou recitam poesias -, em que a visibilidade feminina ainda é recente no Brasil. “Uma mulher descende do sol, ainda que forçada a sombra. Tem palavra que pede um pedaço da gente, que diz incompletude”, poetizou logo no início da conversa.


Provocada pelos debatedores, Luiza Romão falou também sobre outras dimensões da poesia, como a de guerrilha, de resistência, de enfrentamento e da tradição da oralidade. "Quem são as gargantas de carne? Existe alguém que fala sem recorte de cor, de gênero, de raça, de geografia, de corpos padrões que impõem uma certa beleza padrão? Estamos em um momento que está sendo reivindicado espaços que historicamente foram negados. A identidade também se produz a partir das relações sociais", disse.


A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de Maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividade intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas.

O bate-papo completo com Luiza Romão pode ser conferido no link.


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