A PALAVRA É: EMPATIA

‘Ela diz mais sobre ‘mim’ do que do ‘outro’


O último painel do segundo dia do evento (15/9) - a oitava das 20 Horas de Literatura - reuniu no palco Theatro Pedro II, a jornalista Dulce Neves mediando a psicóloga especialista nas questões relacionadas aos direitos humanos e na redução da desigualdade, Mafoane Odara. A conversa da noite foi sobre a palavra empatia e sua necessária nova interpretação nos dias de hoje


O conhecimento coletivo sempre entendeu o termo empatia como o exercício de se colocar no lugar do outro: a atitude de imaginar e tentar sentir o que outra pessoa sente em determinada situação. Mas esse conceito, segundo a psicóloga Mafoane Odara, caiu por terra. Ela trouxe uma reflexão importante durante as 20 Horas de Literatura: o significado deste substantivo feminino tem necessidade de mudança, já que passa a ser destinado ao “eu” ou a “mim”. Para a psicóloga, o novo desafio é assumir o lugar em que o outro ocupa e impactar positivamente na vida de outras pessoas e, não mais, só tentar imaginar o que o outro precisa.

“Por mais que tenhamos vivências parecidas, nunca vou saber como é ser você”, explicou dirigindo-se à mediadora Dulce Neves. Mafoane disse que trata-se de uma mudança de olhar para quem é o interlocutor e quem é o ator. “Não é sobre o outro, mas sobre mim. É uma mudança muito importante para viver e vivenciar as adversidades que temos”, explicou.

A psicóloga ainda citou que a conversa com pessoas que pensam de forma diferente tem sua importância na empatia. Há quatro pontos que dificultam a construção desse processo: o radicalismo do outro; a falta de bons argumentos do outro; a agressividade do outro; e a falta de paciência com o outro. “Mas e eu? Eu sou ótima, o problema é a outra pessoa. Nos podemos esquecer que somos o outro de alguém. E essa discussão dificulta e cria muros, ao invés de pontes”, afirmou instigando a plateia online.


A reflexão mostrou que o desenvolvimento da empatia pressupõe a construção de um mesmo lugar, mas não de uma mesma posição. Ou seja, não há necessidade de dois lados opostos concordarem entre si, mas sim caminharem para o mesmo lugar. Como exemplificação deste raciocínio, Mafoane Odara citou a polarização entre “esquerda” e “direita”, “homem e mulher”, “branco e negro” e outras. “Cada um vê coisas que o outro não consegue ver. A visão dos pontos cegos é muito importante”, explicou.


Entrelaçando sua visão ao questionamento direcionado à autora convidada, a mediadora Dulce Neves trouxe à tona do debate a reflexão de que todos os polos buscam o mesmo objetivo, mas com caminhos e formas diferentes. “A maturidade está aí: sentar-se ao lado de quem pensa diferente e poder conversar”, destacou Dulce.


A abordagem do debate online apontou para a necessidade do exercício diário para se adquirir a habilidade de ser empático. Mafoane recomendou um passo a passo para começar a atitude proposta pela palavra: “coloque-se como o agente da transformação e não para culpar o outro pela condição que ele tem; não use da sua posição para dar conselhos à outra pessoa; e por último: precisamos assumir que às vezes reproduzimos a violência que tentamos combater todos os dias. Não dá para a empatia ser natural. Somos testados em vários momentos, de formas diferentes. Nós não somos as mesmas pessoas que éramos ontem, estamos vivendo uma fluidez que nos transforma”, recomendou a autora.


Como recado final ela deixou o questionamento: como se disponibilizar para o outro? E sinalizou : é preciso saber o que o outro precisa. “Isso é fundamental, pois a empatia é uma habilidade muito importante neste caminho. A empatia te coloca no seu lugar e abre espaço para a escuta real de outra pessoa. É uma chance para que você saia do lugar de superioridade do saber. É uma habilidade muito importante de ser ouvida, quando você pensa em processos realmente de desenvolvimento.


A ação “20 Horas de Literatura” aconteceu de 14 a 18 de setembro. O evento foi promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, em parceria com o Sesc-SP e a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. As palestras 100% on-line de 20 autores convidados para falar sobre 20 palavras relevantes para o Brasil e o mundo nas últimas duas décadas foram transmitidas ao vivo pela plataforma de conteúdo da Fundação (www.fundacaodolivroeleiturarp.com) e por suas redes sociais, como Facebook e YouTube.

Os participantes que se inscreveram pela plataforma da Fundação do Livro e Leitura podem baixar seu certificado online e fazer impressão pessoal.

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