A PALAVRA É: FAKE NEWS

“Quod sit verum?”


“A essência da fake news é a distorção da verdade, que é algo muito mais sério”. Foi com base neste pensamento, que Lucas E. S. Galon, doutor e mestre em artes - filosofia da música, participou do debate sobre um dos temas mais espinhosos da atualidade, considerado por ele próprio, como um fenômeno psicossocial


O debate sobre uma das palavras mais comentadas nos dias de hoje, fake news, começou com uma pergunta que existe há mais de 2 mil anos: “quod sit verum?” (o que é a verdade?), questionamento feito por Pôncio Pilatos a Jesus de Nazaré, segundo relato no Evangelho de São João (18:38). “A pergunta ecoa durante esse tempo”, disse o Dr. Lucas E. S. Galon, pesquisador em filosofia da arte, que esteve no palco do Theatro Pedro II, na noite da sexta-feira (18) – último dia do evento ‘20 Horas de Literatura’, ao lado da jornalista e professora universitária, Flávia Martelli, que mediou o encontro.

“Ouvir a verdade e reconhecê-la sempre foi uma tarefa difícil. O próprio Jesus Cristo foi vítima de uma enxurrada de fake news: em meio ao clima de subversão política e incerteza”, mostrou o pesquisador após fazer uma narrativa histórica sobre a presença de histórias falsas, como na época do comunismo, com Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista de Adolf Hitler, durante a tentativa de genocídio na Alemanha nazista.


Além da Alemanha, o professor lembrou ainda fatos falsos divulgados por Josef Stálin, que inaugurou a manipulação de fotos para fins políticos, e o massacre de Ruanda, resultando no pior genocídio pós-Segunda Guerra no mundo. “Fatos que acabaram em morte, influenciadas por notícias falsas e mal intencionadas. Esse é o fator mais triste da fake news”, mostrou. Para ele, uma mentira contada mil vezes, vira verdade, o mesmo que acontece hoje, através dos robôs e algoritmos. “É uma distorção da verdade do produto”.


Flávia Martelli destacou as várias formas de verdade, não verdades ou pós-verdades. A verdade existe? Para Galon, existem noções que implicam numa verdade – em vários períodos do mundo. “O que existe agora é que a ideia de fake news é uma distorção de verdade desta tradição”, destacou. Funciona assim: a pessoa recebe uma mensagem no celular, sem data, sem referência. Ela acredita nesta verdade e propaga. “É a supremacia do emissor: ele não precisa nem falar quem é, e como a pessoa está propensa àquela verdade e ela crê”, mostrou. Segundo ele, há ainda uma noção um pouco fabulosa do fato, que é a pós-verdade. “É a era da mentira.


A verdade existe, os fatos acontecem, mas eles são distorcidos e acabam sendo inacessíveis”.

A mediadora Flávia Martelli fez um questionamento ao palestrante: como identificar uma fake news? De acordo com Lucas Galon, a ausência de um autor é uma delas, assim como a falta de data, do nome do jornalista que escreveu e os erros de português propositais. Para ele, nestes tempos atuais de disseminação de notícias falsas, principalmente neste período de pandemia e distanciamento social, o jornalista e a ciência viraram um monstro. “A imprensa está sendo demonizada, assim como a ciência. Só que agora eles se encontram no subterrâneo da internet”, alertou.


É a militância da verdade alternativa, ou seja, a tribo das fakes. “E a pandemia veio bem nesta hora. Estamos vivendo um momento sem precedentes. Acho difícil nos recuperarmos disso, que potencializou muito a visão dos outros, porque todos estão nas redes sociais. E o fenômeno das fake news vai ganhando o status de correio das desgraças mundiais”, definiu.


As palestras de 20 autores convidados para falar sobre 20 palavras relevantes para o Brasil e o mundo nas últimas duas décadas tiveram transmissão ao vivo pela plataforma de conteúdo da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto (www.fundacaodolivroeleiturarp.com) e por suas redes sociais, como Facebook e YouTube. A agenda completa do evento contou com profissionais especializados em tradução e interpretação em Libras.


O evento foi uma ação comemorativa aos 20 anos da FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto). Os participantes inscritos contaram com certificado online.

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