A PALAVRA É: HUMANIZAÇÃO

“Projetar valores humanos salvam o coletivo”


Para César Nunes, um dos mais destacados palestrantes e conferencistas em educação no Brasil, o que desenvolve a humanização é a educação. Dentro dela, estão a ética e ao mesmo tempo a ação política no mundo


O filósofo, historiador e pedagogo, César Nunes, doutor em educação pela Unicamp, esteve na quinta-feira (17) no palco do Theatro Pedro II, ao lado da jornalista e escritora Daniela Penha, para falar sobre humanização – tema foco de seus estudos ao longo de toda sua trajetória. A 15ª palavra do evento “20 Horas de Literatura”, é para o professor, uma tentativa de definir o ser humano. O debate deste penúltimo dia começou com uma reflexão do filósofo São Tomás de Aquino: “quereis alguém superior a um anjo, procurai um homem. Quereis alguém pior que um demônio, procurar um homem”. César Nunes ainda definiu o homem com a frase: “um ser histórico com valores pessoais subjetivos, com os quais ele lida com a família, com os pais, com o mundo. Mas, que vive sobre uma condição humana, que é uma condição construída”.

O filósofo, que também é coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas PAIDEIA, explicou que a humanização é a construção continua da condição humana. “Porém, as ações procuram fazer a condição humana melhor”, disse exemplificando que esse processo é nítido no desenvolvimento infantil. “Deixe uma criança sozinha e ela não se desenvolve humanamente”. Segundo ele, a constituição do ser humano deve ser feita na narrativa de laços. “Uma criança deve ser elogiada, amada, orientada. A educação familiar deve ser pautada por essa palavração da afetividade”, orientou.


Durante o bate-papo, a mediadora Daniela Penha lembrou que, em tempos atuais – de pandemia, redes sociais, imediatismo - a internet acabou aproximando as pessoas. E ao mesmo tempo, a consulta aos conhecimentos humanos perdeu um certo valor. “Este cenário atual, nos afasta, nos aproxima ou nos desumaniza?”, questionou a jornalista. César Nunes explicou que as relações humanas que se desenvolveram do século passado para cá, foram pautadas por um determinismo, ou seja, pelas relações do capital e da modernidade. “Essa perda feita por um desenvolvimento acelerado da industrialização e urbanização que deve ficar na pandemia. A pandemia, para mim, é filha da mercadoria, do capitalismo industrializado. Se nós não mudarmos a forma de viver, a médio e longo prazo, teremos um ‘big’ vírus que um dia poderá, inclusive, ameaçar a humanidade. O planeta não precisa de nós. Mas, se a gente conseguir compreender a biodiversidade e o ecossistema, poderemos mudar”.


Nunes mostrou que a pandemia marca o começo do século XXI e disse que a solução após esse acontecimento é o ser humano encontrar um novo modelo de sociedade e cultura que diminua as desigualdades. “O ser humano para encontrar-se na totalidade, precisará fazer a crítica do modelo de cultura que tem feito até agora. E, se conseguirmos sair desta pandemia, com esta crítica, teremos ganhado nossa vida e nossa civilização”, alertou.


Sairemos melhores? “Se quisermos ser revolucionários, teremos que ser no conteúdo e na forma. Fomos surpreendidos por um vírus. E não vemos hoje um movimento, no Brasil, para cuidar da nossa biodiversidade. Só poderemos mudar esse cenário se começarmos a fazer um debate, com crianças e jovens, sobre a causa da Covid e não dos sintomas”. Para ele, ainda existem discursos negacionistas, com orientações irresponsáveis que fazem com que soframos muito mais do que se tivéssemos tido uma orientação adequada. “Quem acredita, sempre alcança. Essa hora é a hora de acreditar na condição humana e nos valores humanos. Teremos que ressignificar”, destacou.


O professor lembrou ainda que, neste cenário atual, a arte e a educação mantiveram seu papel, levando discussões e debates, mesmo que de forma online. “A esses profissionais, nós devemos nossa saúde psíquica”.


As palestras de 20 autores convidados para falar sobre 20 palavras relevantes para o Brasil e o mundo nas últimas duas décadas foram transmitidas ao vivo pela plataforma de conteúdo da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto (www.fundacaodolivroeleiturarp.com) e por suas redes sociais, como Facebook e YouTube e ainda podem ser assistidas. Toda a agenda contou com profissionais especializados em tradução e interpretação em Libras.


O evento, que aconteceu de 14 a 18 de setembro foi uma ação comemorativa aos 20 anos da FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto). Os participantes que se inscreveram com antecedência vão receber certificados online.

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