A PALAVRA É: INTOLERÂNCIA

‘A intolerância é a evidência do desconforto. Na tolerância, eu suporto, não transformo’


Para Patricia Teixeira Santos, historiadora e autora de dois livros, as noções de ‘tolerância’ e ‘intolerância’ vêm sempre acompanhadas de uma visão dualista de mundo, que separa pessoas e culturas entre o que é “bom” e “ruim”


Em videoconferência realizada no dia 16/9, quarta-feira, a autora Patricia Teixeira Santos participou de uma discussão sobre o significado da palavra “Intolerância”, tão presente nos debates das últimas décadas. Apesar de todas as críticas que tem a fazer sobre o tema, a historiadora lembra que é a intolerância quem possibilita o confronto e, enfim, a transformação. “Essa palavra indigesta e complicada também traz o convite ao confrontar-se em busca de outros pactos políticos. A rever os processos eleitorais, a se reposicionar”, afirma. Palestras como essa, 100% digitais, de uma hora de duração e com intervenções de vídeos artísticos ALMA (Academia Livre de Música e Artes), compõem o evento “20 Horas de Literatura”, promovido até a sexta-feira (18/9).

Mediada pelo bibliotecário Ciro Monteiro, cuja imagem estava sendo transmitida direto do Theatro Pedro II, a discussão foi apresentada pelas várias plataformas digitais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Com a parceria do Sesc SP e da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, a Fundação é a principal organizadora desse evento promovido em comemoração aos 20 anos da Feira Internacional do Livro da cidade (FIL).


Em primeiro lugar, foram as nuances da palavra “Intolerância” que precisaram ser debatidas por Ciro e Patricia. A historiadora, que além de docente de História da África na Universidade Federal de São Paulo, também é pesquisadora colaboradora do Centro de Investigação Transdisciplinar "Cultura, Espaço e Memória" em Portugal, explica que a ideia de tolerância está intimamente ligada a uma visão dualista de mundo. “Uma coisa que percebi na redação dessa palavra é que o movimento passa pela ideia do desconforto, de uma percepção de dualidade (entre bom e ruim). E a crença na dualidade leva à xenofobia. Então, processos de intolerância são binários, homogêneos, simplificadores. E é bom lembrar que, junto com a tolerância, vem sempre a sombra da intolerância”, afirmou.


Patricia relembrou que o século XXI já começou sendo marcado pela palavra e, desde então, essa tem percorrido todos os campos da cultura. “Começamos esse novo século com o 11 de setembro, em que uma tragédia humana ocorreu e suas vítimas passaram a gerar novas vítimas”. Ela se refere a todos os países e culturas que foram estigmatizados depois do ocorrido. “Começamos a ver as fronteiras físicas, ideológicas, e de conhecimento se erguerem. Um aumento do racismo em relação a árabes, latinos e africanos”.


Para ela, a construção da intolerância passa por questões difíceis de se resolver e de se equilibrar politicamente, em que fica muito evidente a fragilidade das políticas de consenso. “Essas políticas ainda não são consolidadas em modificações sociais, em políticas de promoção de equidade, de valorização da diversidade humana, como algo que promove desenvolvimento, progresso e inovação. Vivemos em um mundo que não aceita essa transformação”.


Mas a historiadora imagina que esse seja um ano de convite à mudança. “2020 é um ano de redescoberta de solidariedade, de reflexão. A intolerância é um duro convite para que a gente se transforme, se questione e questione a vida. As instituições não devem ser toleradas e sim vividas”, destacou.


A ação “20 Horas de Literatura” foi promovida pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, em parceria com o Sesc SP e a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. As palestras 100% on-line de 20 autores convidados para falar sobre 20 palavras relevantes para o Brasil e o mundo nas últimas duas décadas foram transmitidas ao vivo pela plataforma de conteúdo da Fundação (www.fundacaodolivroeleiturarp.com) e por suas redes sociais, como Facebook e YouTube. Toda a agenda pode ser ainda acessada pelos canais da instituição, de forma gratuita e conta com profissionais especializados em tradução e interpretação em Libras.

O evento foi uma ação comemorativa aos 20 anos da FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), que não pôde acontecer neste ano, em função da pandemia do Coronavírus.


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