A PALAVRA É: SELFIE

‘Vivemos uma disputa de narrativas em busca de reconhecimento’


Para o jornalista e professor Murilo Pinheiro, imagens pessoais sempre positivas nas redes sociais podem criar algo que não é real e, em algum momento, trazer frustração


O jornalista e professor Murilo Pinheiro participou na noite de sexta-feira (18/9) do evento “20 Horas de Literatura”, promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, em parceria com o Sesc SP e Prefeitura Municipal. Durante uma hora, ele debateu com a fotógrafa Sheila Brandão os significados da palavra Selfie.


“Eu por mim mesmo, ou selfie, é um conceito que se popularizou recentemente, em torno de 10 anos, com a ampliação do uso das redes sociais, impulsionada por aparelhos de telefone com câmeras modernas. Esta junção de elementos - pessoas, celulares, câmeras e redes sociais -, torna possível a difusão de uma visão própria de cada um. Nos tornamos todos narradores de nossa própria história”, avaliou Pinheiro. “E já que estou fazendo uma narrativa própria, vou postar somente imagens positivas, o que me leva ao risco de um descolamento da realidade. Criar uma imagem que não é real pode, em algum momento, fugir ao controle e nos levar à frustração”, completou.

Para embasar sua fala e o texto que escreveu para o e-book “20 Palavras: Leituras sobre o Agora”, lançado em parceria entre a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Edições Sesc, Murilo Pinheiro recorreu a autores como Mario Vargas Llosa e Zygmunt Bauman. “Na obra ‘A Civilização do Espetáculo’, Llosa fala sobre esta tentativa de construção de um mundo sem dor e sofrimento, quando, na verdade, a vida real é feita de conquistas e retrocessos, de alegrias e tristezas.


Já em seus pensamentos sobre a ‘Modernidade Líquida’, Bauman nos lembra que, há poucos anos, era inadmissível alguém tentar invadir nossa privacidade, mas, com o advento das selfies e das redes sociais, as pessoas escancaram suas intimidades em busca do reconhecimento do outro”, disse. “Estamos presenciando um ato individual, mas que só se completa com o reconhecimento do outro”, completou Pinheiro, que admite o poder transformador das redes sociais, mas reconhece seus riscos: “Todo excesso é ruim. Cada pessoa tem que saber identificar seus limites, seus parâmetros. Ninguém tem o poder de julgar se este é um comportamento bom ou ruim, por ser algo ainda muito novo, mas quando a ação parte para o exagero, para a compulsão, cada um tem que parar e refletir sobre o que está fazendo”, aconselhou.


A ação “20 Horas de Literatura”, promovida entre 14 e 18 de setembro, contou com palestras 100% on-line de 20 autores convidados para falar sobre 20 palavras relevantes para o Brasil e o mundo nas últimas duas décadas, com transmissão ao vivo pela plataforma de conteúdo da Fundação (www.fundacaodolivroeleiturarp.com) e por suas redes sociais, como Facebook e YouTube. O evento, na íntegra, ainda pode ser acessado pelo site ou pelas redes sociais da instituição. Toda a agenda conta com profissionais especializados em tradução e interpretação em Libras.

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