“Cassandra Rios fazia ficção de uma maneira sublime”,disse Tatiany Leite durante encontro na 40tena

A jornalista e criadora do canal “Vá ler um livro” conversou com a professora de História, Flávia Mantovani, sobre a vida e obra Cassandra Rios, primeira escritora a vender 1 milhão de cópias no Brasil e a mais censurada durante o período da Ditadura Militar



As redes sociais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto receberam na quinta-feira (24/06), a jornalista e criadora do canal “Vá ler um livro”, Tatiany Leite, e a professora de História, Flávia Mantovani para um bate-papo sobre “Memórias: Cassandra Rios”. O encontro on-line, que fez parte da 40tena Cultural, abordou a vida e obra da escritora Cassandra Rios, destacando sua relevância na literatura LGBTQIAP+ brasileira.


Cassandra Rios (1932-2002) foi a primeira mulher a alcançar 1 milhão de vendas no Brasil, em 1970, superando autores destacados na época, como Jorge Amado, Clarice Lispector e Érico Veríssimo. Ela foi uma escritora lésbica que abordava abertamente sobre toda a Comunidade LGBTQIAP+. “Às vezes com uma perspectiva complicada. Mas fazia ficção de uma maneira sublime”, lembrou Tatiany Leite. Segundo a jornalista, seus livros eram classificados como pornográficos, com cenas abertamente sexuais e vendidos a preço comunitário nas bancas. “Por conta disso, muitos achavam que suas obras eram de uma qualidade inferior. Ela foi muito censurada, principalmente por ser na época da Ditadura Militar e por ser uma mulher lésbica”, comentou.


Tatiany Leite lembrou que, devido a essa censura que Cassandra sofreu, poucas pessoas conhecem a sua história, ao contrário de outros escritores brasileiros, que ficaram conhecidos nacionalmente, como o autor Jorge Amado. “Nunca é tarde para relembrar quem foi essa mulher tão importante para a história da literatura LGBTQIAP+ no Brasil”, alertou a jornalista.


Segundo ela, os livros de Cassandra Rios tinham grande saída por serem baratos e fáceis de encontrar, além de conterem, em sua maioria, algumas histórias ‘mais quentes’. "Como era uma época que não havia internet, nem revistas Playboy, os livros da autora chamavam a atenção, até porque traziam uma certa pornografia. Eram livros baratos e fáceis de comprar. Muito marmanjo adquiria", relembrou Tatiany.


Para conhecer mais sobre a vida e obra de Cassandra Rios, assista o vídeo acima ou acesse o canal do Youtube da Fundação.


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