Crise do Estado é o principal problema da América Latina, segundo Fernando Calderón

O sociólogo boliviano esteve no Salão de Ideias “Para entender melhor o Brasil”, uma das atividades que movimentaram o segundo dia da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

Fernando Calderón

Um dos mais importantes estudiosos sobre a América Latina, o sociólogo Fernando Calderón esteve no domingo, dia 21 de agosto, no Salão de Ideias “Para entender melhor o Brasil”, da 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. Com mediação da professora e também socióloga Mileide Melo, o encontro com Calderón abordou questões importantes da pesquisa realizada por ele junto com o espanhol Manuel Castells, que resultou no livro “A Nova América Latina”, um retrato político, econômico, social e cultural de um continente em ebulição.


Em sua fala, Fernando Calderón citou as novas características da América Latina, como o elevado índice de urbanização que aponta 80% da população vivendo em áreas urbanas, em meio a números exponenciais de desigualdade social; crise do patriarcado, instalação do feminismo e aumento da capacidade de ação e realização das mulheres; economia criminal com tráfico e extrativismo; crescimento de forças conservadores impulsionadas por setores religiosos; força dos povos originários e afrodescendentes e dos movimentos sociais, entre outros dados.


Na opinião do sociólogo, a América Latina tem potencial para ter um papel diferenciado em nível mundial, mas não com o sistema político vigente na maioria dos países latinoamericanos. “Esse é o desafio mais importante na América Latina hoje”, disse Calderón.


Diferenças unificadas


Ao mesmo tempo em que pontua as peculiaridades regionais de um país continental, a diversidade literária brasileira também funciona como elo identitário nacional, como foi visto nas duas sessões do Mapa Literário. Pela manhã, no encontro Vozes do Sul, as escritoras gaúchas Verônica Stigger e Luisa Geisler, conversaram sobre como os deslocamentos impactam e influenciam suas escritas, processos criativos e construção de narrativas. “Me parece que nossa condição humana, hoje, é uma condição de deslocamento, onde se perde o conceito de “nosso lugar”, comentou Verônica Stigger, que vive em São Paulo há 20 anos. “Na condição de uma brasileira deslocada, percebi que perguntas como o que é ser brasileiro e, dentro desse universo, o que é ser gaúcho, por exemplo, não nos ocorre e não nos damos conta antes da experiência do deslocamento”, completou Luisa Geisler, que mora nos Estados Unidos e participou da FIL em conexão virtual.


Em uma nova sessão do Mapa Literário, desta vez, com o tema “Vozes do Sudeste”, a programação trouxe a participação da assistente social e integrante do Quilombhoje, Miriam Alves; a escritora e colunista do jornal Valor Econômico, Tatiana Salem e Érika Chiarello Andrade que mediou o encontro. “Sempre fiquei incomodada com a história do Brasil: esse negócio de conquistadores. Não existem conquistadores, são invasores”, disse Miriam Alves.


Os ambientes ao ar livre da FIL também estiveram movimentados no domingo. No espaço Ambient de Leitura, na Esplanada do Theatro Pedro II, o escritor, rapper e cantor Genival Oliveira Gonçalves, conhecido por GOG, deu voz à população invisível e destacou a importância de a população brasileira enxergar as diferenças existentes no país através das manifestações artísticas e culturais. "Tenho certeza que o Brasil estaria muito pior se não fosse o rap brasileiro", pontuou GOG. No estande CUFA, a conversa abordou assuntos do cotidiano, como sobrevivência, poesia e resistência. Jovens presentes ao espaço falaram sobre a nova geração, o futuro e o caminho para o respeito, a dignidade e a esperança.

Cultura indígena, africana e popular também foi destaque nas temáticas do dia. A pedagoga e multiartista, Aline Nelí mediou uma história para o público infantil. “Percebemos que a sociedade não fomenta essa pluralidade. A FIL é uma ponte com essas práticas nativas, porque são culturas que têm a sua tradição oral”, disse.


A Semana de Arte Moderna foi discutida neste segundo dia da FIL, que teve a participação da arte-terapeuta, Sandra Helena Valadão; da filosofa e artista plástica, Vera Lúcia Borges, e do professor de psicologia social, Sérgio Kodato que, para ele, 1922 trouxe a arte não só como o belo, mas também os conflitos de uma sociedade. “Ser terapêutico não é tanto compreender as suas neuroses, mas sim o fazer artístico. A arteterapia é um ritual de cura e de poder”, comentou.


Sobre a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

A 21ª edição da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto aconteceu de 20 a 28 de agosto de 2022 e trouxe como proposta de reflexão o tema “Do Caburaí ao Chuí: a força da Literatura Brasileira”. A proposição embasou todas as atividades e debates do evento. A feira consagrou-se como um dos maiores eventos culturais do país: 21 anos de história e 20 edições realizadas. Em 2020, a feira tornou-se internacional e em 2021 realizou sua 20ª edição, pela primeira vez, no formato on-line, devido à pandemia do Coronavírus. Realização: Ministério do Turismo, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Usina Alta Mogiana, GS Inima Ambient e Fundação do Livro e Leitura apresentam a 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL). Patrocínio Diamante: Usina Alta Mogiana e GS Inima Ambient. Patrocínio Ouro: GasBrasiliano e Savegnago. Patrocínio Prata: Passalacqua, Premier Pet, Pedra Agroindustrial, Ribeirãoshopping e Riberfoods, Usina Vertente,Tereos e Vittia. Patrocínio Bronze: Supermercados Gricki, MazaTarraf, Tracan, Santa Helena. Patrocínio: Madeiranit, Usina São Martinho, Tarraf. Instituição Cultural: SESC. Parceria Cultural: Fundação Dom Pedro II – Theatro Pedro II, Alma – Academia Livre de Música e Artes, Biblioteca Sinhá Junqueira, Centro Cultural Palace, Instituto do Livro, CUFA, A Fábrica, IPCCIC – Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais, Teatro Municipal de Ribeirão Preto, AbaCare, Associação de Surdos, CAEERP, FADA, Fundação Panda, Ribdown, SOMAR. Apoio: ACIRP, Base Química , Cenourão, Combustran, DTEK, Durati Distribuidora, Lopes Material Rodante,Molyplast, Mialich supermercados, Santa Emília, Transmogiana,Tonin, Vantage – Geo Agro, ViaBrasil, Coderp, Transerp, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Secretaria de Cultura e Turismo, Secretaria de Educação, Secretaria do Meio Ambiente, Secretaria de Infraestrutura. Apoio Cultural: Convention Bureau, Colégio Marista, Diretoria de Ensino – Região de Ribeirão Preto, ETEC – José Martimiano da Silva, Educandário, SESI, Barão de Mauá, Centro Universitário Moura Lacerda, Unaerp, NW3, Grupo Utam, Monreale Hotéis, Painew, Verbo Nostro Comunicação Planejada e Instituto Unimed.

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