“Meu livro é para quem desconfia que o sistema em que vivemos está errado”, disse Bárbara Santos

Durante bate-papo, realizado pelo Instagram e site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, a autora debateu sobre seu livro com a ativista cultural, Adriana Scannavez




A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto recebeu, na noite do dia 12 de novembro, Bárbara Santos, atriz e autora da obra “Teatro das Oprimidas: estéticas feministas para poéticas políticas” para um debate sobre seu livro, mediado pela ativista cultural, Adriana Scannavez. A atividade fez parte da agenda semanal do projeto 40tena Cultural e foi transmitido ao vivo pelo Instagram e site da entidade.



Bárbara Santos é atriz, dramaturga, performer, diretora teatral, autora de três livros e fundadora da Rede Ma(g)dalena Internacional de Teatro das Oprimidas, formada por grupos de artistas-ativistas da América Latina, África e Europa. A atriz vive em Berlim desde 2009, onde é diretora artística do espaço teatral KURINGA.


Durante o encontro, Bárbara Santos explicou que seu livro é destinado para pessoas que desconfiam que o sistema em que vivem está errado: “São pessoas que já se deram conta ou desconfiam que o sistema em que vivemos não é justo. Esse é o livro destinado para as pessoas que estão esperando encontrar alguma esperança”, comentou. Durante a conversa, a ativista cultural, Adriana Scannavez, revelou que durante a leitura do livro, se descobriu feminista e que apesar de ter ações a favor do movimento, nunca teve coragem de se declarar uma feminista. “Aí, eu vou ler esse livro e me deparo com a frase ‘é preciso nomear as coisas’. Foi onde tudo mudou”, declarou.


Sobre o desenvolvimento do Teatro das Oprimidas, metodologia teatral de perspectiva feminista, não ter se prorrogado, Bárbara Santos explicou que o motivo principal foi a desconfiança dos maridos das atrizes que não aceitaram as mulheres com tanto destaque, como ocorreu com a companhia. “Estava indo tudo bem. Então ficou para nós o dilema - ficar no teatro ou salvar o casamento. A companhia acabou, mas eu divorciei”, revelou a autora.


Questionada sobre o que mudou desde a década de 1990, quando participou do Teatro das Oprimidas, Bárbara mostrou que além das fichas terem caído, os espaços de trocas e discussões sobre o assunto aumentaram. “A companhia, por exemplo, foi a criação de um espaço de troca, para mostrar que você não está sozinha e que as coisas que acontecem não são culpa sua”.


O livro fala da superação do patriarcal, que traz uma metodologia específica com questionamentos sobre opressão progressista, racismo, ceticismo, trazendo vivências de realidades próximas das mulheres.


O bate-papo também está disponível no Instagram (@fundacaolivrorp) e no site da Fundação, no link acima.

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