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Mia Couto quer apagar o tempo que está na obra que o consagrou como romancista

Autor moçambicano falou sobre “Terra Sonâmbula” e pediu mais esperança para o Brasil durante sua fala na FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto



Salão de Ideias com Mia Couto

Depois de estrear no meio literário com o livro Raiz de Orvalho, em 1983, o escritor moçambicano seguiu pelo caminho da poesia até 1992, quando escreveu seu primeiro romance, “Terra Sonâmbula”. “Vivíamos uma guerra civil de 16 anos em Moçambique - uma guerra que matou um milhão de pessoas, que matou colegas e amigos. Eu queria pensar em outras coisas, sabia que não conseguiria escrever enquanto não houvesse paz, mas eu não conseguia dormir. Os mortos que tive me batiam à porta. Eu precisava escrever sobre aquele momento. Mas hoje não consigo entrar novamente em “Terra Sonâmbula”. Não reli sequer um capítulo desde o seu lançamento. Eu sempre quis apagar aquele tempo que está no livro”, disse.


Em conversa mediada pela educadora, socióloga e poeta Neide Almeida, no auditório Meira Júnior, no Theatro Pedro II, Mia Couto participou de forma on-line, direto de Moçambique, de um salão de ideias no sábado, 27/8, dentro da programação da 21ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto.


Vencedor de prêmios literários como o Nacional de Ficção, da Associação dos Escritores Moçambicanos (1995), União Latina de Literaturas Românicas (2007), Prêmio Camões (2013), e Albert Bernard (2021), Mia Couto elencou os autores brasileiros que mais o influenciaram. “Meu pai, também poeta, foi quem me apresentou nomes como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade. Depois conheci a obra de Guimarães Rosa, de Manoel de Barros e, principalmente Jorge Amado – eu preciso dizer”, reforçou.


Salão de Ideias com Mia Couto