“Se você não se vê na literatura, escreva”, aconselha Ryane Leão em live da 40tena Cultural

Convidada pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, a poeta e professora Ryane Leão conversou sobre o tema “Instapoetas – autocuidado: a poesia como reAÇÃO” - em bate-papo online, aberto e gratuito realizado no dia 27 de outubro.


O projeto 40tena Cultural da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promoveu nesta terça-feira (27) o Bate-Papo com o tema “Instapoetas – autocuidado: a poesia como reAÇÃO”, com presença da poeta e professora Ryane Leão. Ryane é autora de dois best-sellers: “Tudo nela brilha e queima” (2017) e “Jamais peço desculpas por me derramar” (2019). A autora tem um trabalho pautado na resistência das mulheres e apresenta vários de seus escritos pelo perfil: Onde Jazz Meu Coração. Na live, a escritora contou que tem uma missão no mundo relacionada à palavra, falou das propriedades curativas dos poemas, e ainda acenou para o lançamento de um terceiro livro no início de 2021.


Iniciado às 19h, o encontro gratuito e aberto foi transmitido pelo Instagram (@fundacaolivrorp) e também pela plataforma oficial da instituição. A mediação foi da curadora independente e arte educadora, Natália Marques, que tem uma produção ligada a questões étnico-raciais (em especial à mulher negra do interior paulista). Além disso, Natália é membro-fundadora e curadora do coletivo artístico literário Encontrão Poético - SP.

Ryane Leão, que hoje recita poemas em saraus e slams pelo Brasil, iniciou a live contando que sua autodescoberta na literatura aconteceu pela internet: “Eu sempre digo que foi uma trajetória de caos e flores. Comecei há 12 anos publicando meus escritos em blogs, quando a internet ainda nem era tão forte. E esse foi um processo de aprendizado solitário, mas necessário... não era uma época muito simples para estar nas redes”. Ela conta que teve de ir aprendendo sozinha os horários de postagem, o que cabia ou não como publicação, e que isso acabou levando-a para vários caminhos na literatura: desde slams até o lançamento de seus dois livros.


Por causa deles, a cuiabana já é considerada autora de best-seller, e conta que pretende lançar um novo trabalho no início do ano que vem. “Na pandemia, o processo de escrita tem sido diferente, mais difícil, mas já quero publicar um novo livro em breve. Ainda não sei o nome, porque ele sempre me vem depois”. A autora afirma que suas obras, embora independentes, fazem uma ponte entre si. “A primeira, Tudo Nela Brilha e Queima, era o início do meu recomeço, o ponto de partida de uma mudança, um fogo de artifício. O segundo já é um livro-água, eu já estava mergulhando, me derramando, já me via vento e já aceitava minhas quedas, preparando o chão para que eu pudesse cair confortavelmente. No segundo livro, eu sou exatamente quem eu gostaria de ser no primeiro”, afirma.


Ryane diz que foi pela literatura (pelos saraus e batalhas de poesia) que sua palavra foi ouvida pela primeira vez. “Foi o primeiro momento em que senti que minha história estava sendo validada – e por mim mesma também. A gente espera por muito tempo que as pessoas legitimem a nossa vida e a nossa arte”. Para a escritora, as mulheres (principalmente mulheres negras) são vistas muitas vezes como ouvintes mais do que como comunicadoras. “O processo de escuta não pode abafar o processo de ser ouvida. Eu admito ser uma mulher que ouve, mas eu preciso ser ouvida; a minha história é importantíssima, assim como a de outras mulheres negras”.


Natália Marques também pontuou que a literatura passada nas escolas não é representativa. “Esse processo estrutural é feito inclusive para nos distanciar dos nossos. Quando a gente vai em uma biblioteca, ainda tem muita dificuldade de encontrar livros que nos representem”, afirma a arte educadora. Ryane concorda: “A literatura que nos é apresentada no colégio é muito distante, não é uma literatura que conta a história da minha mãe, minha história: e o personagem negro nunca tem uma classe social bacana, nunca se sente bem consigo mesmo”. Ela contou que viveu anos sem saber da existência dessa literatura, mas hoje tem a sorte de estar dentro das escolas para falar disso. “Não tem como ser a mesma depois de ter contato com uma literatura em que você se vê. E se você não se vê nela, escreva”.


A autora lembra o quanto é difícil que essas mulheres se vejam poetas, e como muitas vezes acabam calando suas escritas e vozes por razões sociais. “Temos que saber a diferença entre timidez e silenciamento. Você não está escrevendo seu texto na internet por que você foi silenciada ou por que tem vergonha? Muitas vezes é porque você foi silenciada”, afirma. Para ela, essa literatura é uma literatura de mudança. “Quando a gente lê algo que não se identifica, é uma pressão no peito. Quando a gente lê mulheres negras, a gente deságua”.

Para ela, dentro dessa mesma literatura ancestral, há também um papel curativo. Ryane diz que no início de sua trajetória, escrevia para se salvar, mas hoje entende que a força da literatura está no seu compartilhamento. “Quando escrevemos, é algo tão forte que é como se a gente tivesse ervas sagradas nas mãos. A literatura precisa ser partilhada, não pode parar em mim. Se eu simplesmente escrever só para mim, não faz sentido, não estou conversando com nenhum ancestral e não estou deixando nenhum legado”.


Recitando um de seus poemas, a escritora reafirma a missão de mundo que tem com a própria palavra. “Poemas são rezas apressadas. O poema tem algo de espiritual, é o momento do afago, o momento de compreender os abismos, de autoconhecimento, de se perdurar”. Ela diz que, quando começou a escrever na internet, estava sozinha entre muitos homens brancos e ficava incomodada pela literatura que “não era de vivência” e muitas vezes tinha um tom impositivo. "’Se ame’, eles diziam, mas eu queria saber como. E é aí que entra a literatura das mulheres negras: eu quero ser ponte. O meu compromisso não é falar da dor pela dor, é importante criar caminhos. Tenho um compromisso de escrever algo e encontrar essa doçura no final. O amargo já existe”.

Como acessar a agenda cultural

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