“A crise moral é mais urgente do que a financeira”, disse Michel Laub

Durante bate-papo realizado nas redes sociais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão, jornalista discutiu sobre seu livro “Solução de Dois Estados”


A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promoveu no dia 1º de dezembro um bate-papo com o jornalista Michel Laub, autor do livro “Solução de Dois Estados”. O encontro, que faz parte da agenda semanal da 40tena Cultural, foi mediado pelo também jornalista João Carlos Borda.

A conversa tratou desse novo romance de Michel Laub, que traz uma abordagem sobre ódio e perdão e os modos como a intimidade das pessoas é definida pela política e pela barbárie dos últimos tempos. Segundo o autor, a produção de “Solução de Dois Estados” levou cerca de três anos - de 2017 a 2020 – e vivenciou momentos marcantes da história brasileira e mundial: as eleições de 2018 e a recente pandemia da Covid-19. Para ele, de todas as crises que vivenciamos ao longo desse tempo, a pior delas, é a crise moral e cultural. “Mesmo que ainda tenhamos uma crise econômica grave, a que sempre considero a pior é a cultural e moral”, disse.


O mediador, João Carlos Borda, ressaltou que os acontecimentos registrados na obra por Michel Laub são vistos hoje, como racismo, machismo e violência sexual, além da polarização política acentuada. E citou um verso do livro, em que Raquel (personagem criada por Michel), fala sobre Monteiro Lobato, que criou a personagem do famoso Sítio do Pica-Pau Amarelo, Tia Anastácia, uma mulher negra e escravizada.


João Carlos Borda destacou ainda um outro ponto abordado no livro: o bullying, mais especificamente ainda, a gordofobia. “É um assunto difícil para o autor e uma pincelada mais acentuada pode causar um problema muito grande”, disse o jornalista. Diante disso, o autor revelou que a melhor maneira de “se sair bem” é apresentando personagens cativantes e que as pessoas se identifiquem. “A ficção é o espaço que temos para dizer coisas desse tipo, que não entram geralmente nos debates políticos”, relatou Michel.


“Solução de Dois Estados” narra a trajetória de uma cineasta alemã na preparação de um documentário sobre a violência brasileira. Os principais entrevistados são dois irmãos: Raquel, artista de 130 quilos, cujo trabalho se baseia em episódios que a levaram a detestar o próprio corpo, e Alexandre, empresário que atua no ramo fitness na periferia de São Paulo. Ambos foram escolhidos por causa da repercussão mundial de uma agressão que Raquel sofreu, no início de 2018, durante um debate sobre arte e política em um hotel da capital paulista. Diante das câmeras, os segredos dessa história íntima que envolve bullying de adolescência, uma disputa por herança e diferentes visões sobre temas como sexo, religião e responsabilidade individual são pontuados por flashes da história recente do país ― com foco no Plano Collor, que iniciou a ruína da família dos protagonistas e nas eleições de 2018 que mobilizaram o ódio de uma sociedade profundamente dividida. “É uma história familiar, mas que de algum modo representa a divisão que acabou tomando conta do país nesses últimos 30 anos”, comentou Laub.


O bate-papo na íntegra está disponível no canal da Fundação no Youtube.

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