Aline Bei, do palco para a literatura

Escritora conversou com o público do Revolução Poética na Fábrica Literária sobre a luta para ganhar o espaço no mercado literário, no teatro e na internet


Conversas literárias com várias ideias. Essa é a proposta do Revolução Poética na Fábrica Literária durante os cinco dias de realização, com programação híbrida e gratuita. No domingo (1/5), o evento trouxe Aline Bei, autora formada em Letras pela PUC-SP e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helena. Seu romance de estreia, "O Peso do Pássaro Morto" (de 2017), foi vencedor do Prêmio Toca de Literatura, de São Paulo. "Pequena Coreografia do Adeus" é seu segundo livro.

A conversa, mediada pela jornalista Érica Amêndola, trouxe um pouco mais sobre o trabalho literário desta jovem escritora de 34 anos que começou fazendo teatro aos 14 anos, onde começou a contar histórias no palco que, segundo ela, teve a certeza que tinha encontrado o lugar que ficaria para sempre. “Mesmo que ainda nova, eu não estava errada. Mesmo migrado para a literatura, eu sinto que jamais abandonarei esse corpo que habitei em cima do palco para contar histórias”, contou.

O modo como a autora enxerga o espaço, o chão do palco e da folha em branco sempre tiveram algo em comum. “Há uma ideia dessa folha em branco, como um espaço ameaçador, que convoca da gente alguma coisa que precisamos entregar. Sinto que ela é um espaço colaborativo”. A escrita, para Aline Bei, é esse lugar de descobrir as histórias para serem contadas, da autoanálise, da investigação do próprio corpo e das dores que cada um carrega.

Contemporaneidade

Para ela, que se considera profundamente inserida na atualidade, a literatura vem ganhando mais força e atingindo cada vez mais pessoas. “Hoje, ser uma mulher escritora, é algo que vem sendo mais acolhido pelas pessoas”, revelou. Segundo ela, durante a pandemia da Covid-19 as pessoas passaram a ler mais, buscando o livro como uma válvula de escape para os problemas encontrados no dia a dia, como o luto e a ausência.

Influenciadora literária digital

A escritora revela que sempre usou a internet como uma forma de divulgar as obras que escrevia. Mas, foi no Facebook, plataforma onde possuía um blog, que começou a escrever nas redes sociais. “Passei a imprimir meus textos e levar nos intervalos da universidade, para mostrar aos meus amigos. É a sede de compartilhamento, nós fazemos algo e queremos mostrar.”

Para ela, a internet sempre foi considerada uma ferramenta, não o fim. “É uma possibilidade de comunicação com as pessoas que gostam da mesma coisa. Marcelino Freire conta, por exemplo, que a maior distribuidora no Brasil, é o ‘sovaco’ – é colocar o livro debaixo dos braços e entregar. Com a pandemia, não pudemos fazer isso, mas caminhamos com o livro no sovaco virtual”, brincou.

A agenda do Revolução Poética na Fábrica contou com oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividades intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas.

O bate-papo completo com Aline Bei pode ser conferido neste link, no canal da Fundação no Youtube.

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