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Concepção indígena sobre tempo e futuro pontuou a conferência de quarta-feira na 24ª FIL

  • pauta15
  • 22 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Com participação de Geni Núñez e Auritha Tabajara, a atividade destacou questões como luta anticolonial, etnogenocídio, ideia de progresso e desenvolvimento, e reconhecimento dos povos indígenas como guardiões da diversidade do planeta


Geni Núñez e Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)
Geni Núñez e Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)

De volta à FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, a psicóloga e ativista indígena guarani Geni Núñez dividiu o palco da sala principal do Theatro Pedro II com a também indígena, Auritha Tabajara, cordelista e contadora de histórias, ganhadora do Prêmio Jabuti 2024, na abordagem do tema Futuros Possíveis - Povos Indígenas, um desdobramento da temática central da 24ª edição do evento. Na abertura, Auritha Tabajara cantou uma música tradicional de seu povo, em reverência à sua ancestralidade, à ancestralidade guarani de Geni Núñez, e à ancestralidade de todos da plateia.


A psicóloga Geni iniciou sua fala agradecendo o convite da FIL. “É muito especial estar novamente nesta feira, ao lado da Auritha, uma das nossas grandes referências da literatura indígena, e cuja relação com a escrita e com a palavra é também fruto da nossa luta”. A ativista falou sobre o que ela acredita ser a maior força colonial sobre os indígenas. “Creio que essa força esteja naquilo que é posto em nome do bem, do amor, da família, de Deus, do futuro. E esse nosso encontro aqui é para, também, nos voltarmos à questão de avaliar o grau de alegria em nossa vida não pelo que virá, pelo progresso, mas pelo que temos agora. Se gostamos da nossa vida como ela está hoje, a propaganda de ter uma vida melhor não fica tão forte”, disse Geni Núñez, inserindo a reflexão sobre o que é progresso, o que é ser um povo desenvolvido, o que é ter vida melhor, a partir das crenças e conceitos impostos pela população não indígena.



Geni Núñez e Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)
Geni Núñez e Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)

A palestrante citou a fala de um cacique de seu povo sobre não haver indígenas batendo às portas das casas tentando impor sua palavra a quem quer que seja. “Isso não acontece porque nós, indígenas, não achamos que nosso modo de pensar é superior ao do mundo todo. Não cremos nessa monocultura de pensamento e de existência”, salientou. Outro aspecto abordado foi a visão de que indígenas precisam aprender, crescer e se desenvolver. “É a ideia que o povo indígena precisa evoluir, progredir e melhorar porque somos atrasados. Tudo sob uma capa de ser tudo isso algo bom. Mas a gente tem certa desconfiança com o que é chamado de progresso e evolução. E isso também tem ligação com a questão do tempo, do futuro”, pontuou Geni Núñez, que é doutora em Ciências Humanas, destacando a luta do movimento indígena para que vozes como a sua e de Auritha sejam escutadas.


Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)
Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)

Queria ser um grão


Auritha Tabajara falou sobre os conceitos de erro e sobre seu desejo de florescer dentro dos ensinamentos de seu povo. “Sempre acompanhei meus avós e pais no remexer da terra e adorava revirá-la dias depois do plantio para ver o crescimento das sementes. E pensava que também queria ser semente e brotar”. Na escola regular, ela conta que era colocada de castigo por ser inquieta. Na aldeia, ela explicou que não existe essa prática: “as crianças aprendem por meio da contação de histórias, com respeito à sua voz”. Foi nesse contraste que, aos nove anos, Auritha escreveu seu primeiro texto, chamado Grão, como forma de expressar o desejo de brotar.


Etnogenocídio


Geni Núñez na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)
Geni Núñez na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi)

Geni Núñez abordou as consequências históricas do Estatuto do Índio, lembrando que, antes de sua criação, eram profissionais não indígenas que definiam quem era ou não indígena, com base em critérios considerados científicos. Segundo ela, essa prática comprometeu a autonomia dos povos originários e invisibilizou suas narrativas. Em sua participação, destacou que sua pesquisa se concentra nas perspectivas Guaranis sobre a colonização e compartilhou alguns de seus poemas com o público.


A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com. A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

 
 
 

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