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Encontros com os escritores Raphael Montes, Stella Maris Rezende e Mauricio encerraram 8ª edição do projeto Combinando Palavras

  • pauta15
  • 25 de ago. de 2025
  • 7 min de leitura

O projeto - que é espinha dorsal da FIL no cumprimento de sua missão de fomentar a paixão pelos livros e pela literatura e incentivar a formação de leitores - começou a ser desenvolvido no primeiro semestre junto a alunos de escolas públicas e particulares de Ribeirão Preto e região, e envolveu cerca de 9 mil estudantes


Combinando Palavras com Raphael Montes (Foto: Sté Frateschi)
Combinando Palavras com Raphael Montes (Foto: Sté Frateschi)

A 24º FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) encerrou nesta sexta-feira (22) o ciclo de 11 encontros entre autores e estudantes de escolas públicas e particulares de Ribeirão Preto e região, no projeto Combinando Palavras, que este ano realizou sua oitava edição. O programa busca transformar textos literários em experiências coletivas, estimulando a interpretação e a reflexão sobre os temas das obras estudadas por meio da apresentação de trabalhos inspirados nos livros lidos durante o processo. Três autores se encontraram com estudantes nesta sexta: Raphael Montes, Stela Maris Rezende e Mauricio Negro.


Combinando Palavras com Raphael Montes (Foto: Sté Frateschi)
Combinando Palavras com Raphael Montes (Foto: Sté Frateschi)

Com base na obra do escritor Raphael Montes, mais de mil alunos estiveram non Theatro Pedro II participando das apresentações de dança, música, teatro, poesia e leitura de livros. Um dos grupos, da Escola Geraldo Sorrano, de Cajuru, escreveu um livro baseado na obra do autor e em histórias reais, que recebeu elogios de Montes. “Eu não conhecia a obra dele, mas pesquisamos, assistimos a filmes e lemos parte de ‘Bom Dia, Verônica’ para entender como Rafael escreveria cada capítulo”, contou a estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, Milena Franciele Nunes. “A partir de histórias reais de conhecidos, construímos um final investigativo no livro”, completou Milena.


A professora Tatiana Regina Beneduso, que acompanha o projeto há várias edições, destacou a proximidade da realidade dos alunos com os temas abordados. “Eles presenciam situações de violência e problemas relacionados a drogas. Para eles, isso causou um impacto e despertou um interesse ainda maior”, disse a professora, explicando que cerca de 30 alunos participaram das atividades. “Foi tudo muito grandioso e proveitoso para todos. A literatura provoca essa curiosidade sobre o que vai acontecer e, em dias em que tudo é tão rápido, tudo foi muito importante”.


Combinando Palavras com Raphael Montes (Foto: Sté Frateschi)
Combinando Palavras com Raphael Montes (Foto: Sté Frateschi)

O professor de artes da Escola Galdino de Castro, de Cajuru, Sebastião Fernandes Guimarães Júnior, acompanhou os alunos do ensino médio na apresentação e destacou o caráter coletivo do trabalho. Segundo ele, a experiência foi marcante principalmente por ser a primeira vez de muitos estudantes no palco do Theatro Pedro II. “Quando eles chegam aqui e veem outras escolas se apresentando com ideias diferentes, isso amplia ainda mais o aprendizado. Foi um momento especial e muito enriquecedor para todos”, afirmou.


Após cerca de duas horas de apresentação, Raphael Montes ficou surpreso. “Ainda não tenho filhos, mas tenho livros. E cada um dos estudantes, hoje, me trouxe uma alegria. Momentos como este alimentam a vontade de escrever”.  Para ele, ver os estudantes interpretarem e criarem a partir de seus textos é parte da consagração do projeto. “Eles pegaram personagens do meu universo e fizeram arte em cima da arte. Isso motiva, reconhece e transforma a leitura em experiência coletiva. Foi uma experiência maravilhosa porque pude perceber como as minhas histórias podem se transformar”, afirmou o autor.


Mauricio Negro


Mauricio Negro no Combinando Palavras (Foto: Vikka Faustini)
Mauricio Negro no Combinando Palavras (Foto: Vikka Faustini)

Também durante a manhã da sexta-feira, o Teatro Municipal recebeu mais de 400 estudantes da ETEC José Martimiano da Silva para o encontro com o escritor Mauricio Negro. Na conversa com os jovens, ele revelou a emoção do momento e relembrou experiências que teve durante sua juventude. “Estar aqui é como estar de volta a esse tempo, é a mesma sensação”, contou. Sobre o significado do projeto, Mauricio foi enfático. “O Combinando Palavras combina sentimentos. Nessas ações, todo mundo se envolve: bota a mão na massa e, assim, o legado dessa experiência fica para sempre, para os alunos e para nós autores”, destacou.


Para o coordenador pedagógico Rodrigo Silva, que o projeto desde 2018, o Combinando Palavras aproxima os jovens de uma literatura atual e ligada às suas realidades. “Ele permite contato com temas que dizem respeito à vida dos alunos e quebra a ideia de que literatura está apenas no passado, com autores clássicos. Literatura é viva, faz parte da essência humana, e os alunos têm acesso direto a quem a produz”, disse.


Mauricio Negro no Combinando Palavras (Foto: Vikka Faustini)
Mauricio Negro no Combinando Palavras (Foto: Vikka Faustini)

O estudante Leonardo Correa Francisco da Costa, 17 anos, do curso de Automação Industrial, contou que ficou impactado ao conhecer a obra de Mauricio Negro. “Eu não conhecia, mas achei fascinante trazer personagens femininas indígenas e falar da defesa da natureza. Isso me fez pensar muito sobre preservação e sobre como somos explorados até hoje.” Para ele, o projeto amplia horizontes ao valorizar escritores que fogem do cânone tradicional. “Às vezes focamos só nos grandes nomes e esquecemos autores que trazem representatividade, como o Luiz Puntel, que conheci ano passado, ou o Mauricio Negro, que trabalha tão bem os povos originários.”


Victoria da Costa Aguiar, 17, estudante de Nutrição, contou que a experiência a fez olhar para a literatura indígena de forma prática e criativa. “Foi muito interessante porque nunca tínhamos visto obras com esse foco. Exploramos os alimentos e a cultura indígena na cozinha, o que trouxe novas descobertas e até desafios. Ver a reação do autor ao nosso trabalho foi muito gratificante,” disse. Para ela, o projeto é um espaço necessário, que une leitura, reflexão e experiência coletiva. “Eu definiria como um privilégio. Ele nos lembra da importância da leitura num tempo em que a tecnologia muitas vezes ocupa esse espaço.”


Encantamento


Combinando Palavras com Stella Maris (Foto: Vikka Faustini)
Combinando Palavras com Stella Maris (Foto: Vikka Faustini)

A escritora mineira Stella Maris Rezende descreveu sua terceira experiência no Combinando Palavras como momentos mágicos. “Cada vez que participo é um tempo fantástico porque as pessoas mudam, as visões de mundo mudam e, cada vez mais, a qualidade artística dos estudantes está melhor. Foram conversas maravilhosas, memoráveis, de alto nível. Estou emocionadíssima e quero voltar outras vezes”, disse a escritora.


No palco do Teatro Municipal, cerca de 60 alunos da Fundação Educandário, de Ribeirão Preto, - representando uma comunidade escolar de 500 estudantes - apresentaram suas releituras das obras de Stella Maris, por meio de encenações diversas e leitura de poemas. Patrícia Liberatore é professora de Língua Portuguesa e comentou a experiência. “Participamos do Combinando Palavras há algum tempo e esse ano foi uma vivência maravilhosa. A autora é magnífica, as histórias são engraçadas e até a presença do mineirês nos livros cativou os alunos”, afirmou Patrícia, ressaltando que, anualmente, os estudantes aguardam o projeto com ansiedade. “Eles ficam na expectativa de saber quem será o autor, quais livros irão ler e o que vão montar para apresentar. Isso é fantástico porque o livro, a leitura e a literatura são primordiais no desenvolvimento humano, abre portas para sonhos profissionais e pessoais. O ser humano precisa dessa aventura através da leitura”, concluiu a professora.


Combinando Palavras com Stella Maris (Foto: Vikka Faustini)
Combinando Palavras com Stella Maris (Foto: Vikka Faustini)

A fala de Patrícia Liberatore é confirmada nos depoimentos dos alunos. Brian Rafael Mendes da Cunha, aluno 9ª ano do Ensino Fundamental, esteve no Combinado Palavras pela segunda vez. “Tivemos a oportunidade de experimentar o teatro, por exemplo, e tudo o que aprendemos é muito importante”, disse. Também do 9º ano, Kaíque Miguel de Oliveira Reis, está no projeto pelo quarto ano consecutivo. “É uma experiência muito legal que nos traz coisas novas e estimula muito a leitura e a escrita. Esse incentivo da FIL é muito legal e necessário”, comentou o aluno. 


Ler mais


Gabriel Esteves Leite, 15, 9º ano na Fundação Educandário, participou de uma das encenações de teatro. Para ele, o impacto do Combinando Palavras é sempre muito positivo. “Nos preparamos muito e cada esforço valeu a pena. O livro que lemos - A Sobrinha do Poeta - me interessou demais, nossas leituras compartilhadas foram preciosas, conhecer a Stella foi muito legal e estou bastante estimulado a ler não só outros livros dessa autora, como de outros escritores também”. 


Stella Maris Rezende confirma a percepção dos estudantes. “Quanto mais leem livros e conversam com autores, mais eles aprimoram as linguagens e a maneira de ver o mundo. A mente se abre”, ponderou a escritora. Ela revelou que o alcance do projeto tem duas vias. “Meu ofício mudou muito depois do Combinando Palavras porque são experiências especiais, que não vi em nenhum outro lugar do Brasil e fora do país. Após o Combinando Palavras, vamos combinar que a literatura ficou muito mais importante para mim. Eu também cresço, minha cabeça também muda, passo a ver a literatura sob outros ângulos, enfim, é uma iniciativa que enriquece demais o meu trabalho e onde todo mundo sai ganhando”.


Para escritores que ainda não estiveram no projeto, Stella avisa: “preparem o coração porque vão se encantar e se emocionar muito, além de se sentirem ainda mais entusiasmados para continuar a escrever”. Sobre os futuros possíveis a partir da literatura, a autora se diz otimista. “Sempre pensamos que há muitas impossibilidades diante do futuro, mas há alegrias possíveis quando a gente cria as possibilidades. A literatura não dá respostas, ela faz perguntas, é provocadora, transforma e liberta. É possível ler mais, ser mais feliz, haver mais dignidade, mais consciência crítica, mais amor entre as pessoas, mais justiça social através da leitura literária. Entre linhas e parágrafos, os futuros possíveis estão aqui, com essas crianças e jovens que vão tornar este mundo mais interessante e mais digno”, finalizou a autora.


A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com. A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

 
 
 

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