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“Está vivo? Está na missão!”

  • pauta15
  • 23 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Em conferência realizada na noite de sexta-feira na 24ª FIL, o jornalista André Trigueiro chamou a atenção do público para a urgência de condutas ambientais mais responsáveis e coerentes, destacando a educação como ferramenta de transformação para a construção de futuros possíveis no planeta


Conferência com André Trigueiro (Foto: Alessandra Rotolo)
Conferência com André Trigueiro (Foto: Alessandra Rotolo)

A conferência “Alerta vermelho no planeta azul - cenários e perspectivas”, encerrou a agenda de sexta-feira na 24ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. Realizada na sala principal do Theatro Pedro II, a atividade contou com a participação do jornalista André Trigueiro, especialista e referência nacional em temáticas ambientais, que centrou a palestra em dois pontos: educação como ferramenta de transformação, e futuros possíveis - conforme proposta central da feira -, ambas voltadas ao recorte ambiental. Trigueiro abriu sua fala citando pesquisas do cientista sueco Johan Rockström que apontam para um colapso estabelecido ou em curso de vários biomas e ecossistemas ao redor do mundo. “Rockström fala que falhar com o planeta é uma escolha. E isso é muito perturbador”, iniciou o jornalista, enfatizando a urgência de transformação do olhar humano para as questões ambientais diante das projeções sombrias e hostis que miram a Terra.


Com mais de 30 anos de carreira como jornalista ambiental, André Trigueiro possui experiências profissionais e pessoais das mais diversas - como a cobertura da Rio 92 e o acompanhamento da seca de rios amazônicos -, e foi enfático ao afirmar que a Amazônia, maior floresta tropical do mundo, está queimando. “Cerca de 19% desse bioma foi perdido. Reduzir essa floresta é reduzir o volume hídrico do país. É a chuva produzida na Amazônia que rega os canaviais de Ribeirão Preto e a soja do Mato Grosso. Ou seja, o agronegócio precisa da floresta, mas o Brasil está secando”, disse Trigueiro.



Conferência com André Trigueiro (Foto: Alessandra Rotolo)
Conferência com André Trigueiro (Foto: Alessandra Rotolo)

Em sua análise sobre a crise climática sem precedentes históricos enfrentada pela humanidade, o conferencista apresentou outros dados de alerta, como a mudança no cenário do bioma pantaneiro, afetado pelas PCH - Pequenas Centrais Hidrelétricas; o atraso de 80% dos países em apresentar as metas de esforços para redução de gases de efeito estufa, conforme prevê a NDC - Contribuição Nacionalmente Determinada, definida no Acordo de Paris; e a banalização do uso do plástico, entre outras pontuações. “As metas NDC eram para ter sido entregues em fevereiro passado. O plástico, em determinado momento se transforma em nanoplástico e entra em nosso corpo sem pedir licença, gerando doenças degenerativas como demências. São avisos de que precisamos parar de retardar ações em favor de nós mesmos”, salientou.


Idealizador, repórter, editor-chefe e apresentador do programa Cidades e Soluções (GNT), Trigueiro também pontuou a inexistência de ações preventivas a desastres ambientais no Brasil. “Aqui, as ações sempre chegam depois da tragédia. A hecatombe hídrica em Porto Alegre tinha riscos previstos que foram desprezados. Gestores públicos não podem ser analfabetos ambientais e flertar com o risco de priorizar projetos de visibilidade eleitoral em detrimento de movimentos de socorro estrutural. Nosso país ainda tem 100 milhões de pessoas sem esgoto tratado. Precisamos ter mais senso de urgência para a questão do meio ambiente como um todo”, falou o jornalista.


Responsabilidade coletiva: fazer mais e melhor


Conferência com André Trigueiro (Foto: Alessandra Rotolo)
Conferência com André Trigueiro (Foto: Alessandra Rotolo)

No viés da educação, o palestrante ressaltou que “estamos imersos numa cultura insustentável” e destacou que há uma urgência de iniciativas, comportamentos e escolhas que tenham comprometimento ético tanto com o tempo atual, como com as futuras gerações, que precisam de exemplos na jornada. “Cumprir a cartilha do cidadão verde é importante, como inutilizar o uso das infames bandejas de isopor, separar o lixo, consumir de forma consciente, etc. Mas isso não é suficiente. Precisamos ousar, arriscar e ampliar espaços de ação. Precisamos fazer mais e fazer melhor.”, advertiu Trigueiro, incisivo também em relação a responsabilidade de educar ambientalmente crianças e adolescentes. “Não podemos descuidar das crianças e adolescentes que se tornaram reféns de algoritmos e redes sociais. A alienação do tempo de tela torna todo o restante desimportante e é preciso despertar o senso de urgência nas novas gerações. Nesse sentido, nada supera a pedagogia do exemplo, que é o que fica entranhado na memória”, orientou.


Entre as ações relacionadas por André na educação, ele enfatizou as experiências sensoriais como visitas a Estações de Tratamento de Água e de Esgoto (ETA’s e ETE’s), a facilitação de acesso a informações globais como o lixão da indústria têxtil no deserto do Atacama, a urgência do combate ao uso do plástico em todas as instâncias, o conceito de cidadania presente no pedido de notas fiscais e o olhar para o consumo como ato político. “Conhecer o que é chorume, metano, diferença entre lixão e aterro sanitário, quem está sendo beneficiado pelo seu consumo e entender que ruas e calçadas são espaços comuns que devem ser cuidados por todos, são saberes que ajudam a aferir valor, não desperdiçar, construir novas prioridades e ter outras escolhas”, apontou André Trigueiro.


O jornalista encerrou sua fala com uma convocação. “É um privilégio existir nesse nosso tempo histórico em que temos acesso a possibilidades de escolhas e podemos mudar nossos comportamentos e atitudes. Usar a desculpa do ‘eu não tenho mais idade para o mudar o mundo’ é uma covardia. Se você está vivo, você está na missão”, finalizou.


A 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão preto termina neste domingo (24) e a programação completa está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com. A realização da feira conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.


 
 
 

958 comentários


Ashley. David.
Ashley. David.
01 de dez. de 2025

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