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Literatura ganha voz, corpo e expressão no Combinando Palavras da FIL

  • pauta15
  • 22 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Estudantes que participaram do projeto nesta quarta-feira, 20 de agosto, transformaram leitura em arte no Theatro Pedro II, recriando a literatura de Socorro Acioli em múltiplas linguagens


Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)
Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)

Como sementes, as palavras encontraram terreno fértil nos jovens leitores que participaram do projeto Combinando Palavras nesta 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto). Ao longo do semestre, cada texto lido germinou novas formas de criação: da leitura nasceram canções, coreografias, filmes, colagens, poemas, encenações, artesanato e até culinária. A literatura revelou-se como ponto de partida - um convite para que os estudantes desnudassem sua veia autoral. Desse processo, nasceram narrativas reinventadas e interpretações estudantis que se tornaram uma poderosa ferramenta de expressão artística.


Desde sua criação, o Combinando Palavras já envolveu mais de 50 mil alunos de escolas municipais, estaduais e particulares de Ribeirão Preto e região, além de mais de 300 professores em 230 escolas participantes. Ao longo dos anos, o projeto se consolidou como um espaço de encontro entre leitura e expressão artística, abrindo caminhos para que estudantes se tornem protagonistas do próprio processo criativo. Em 2025, cerca de 9 mil alunos mergulharam nas obras de autores convidados e deram vida a novas formas de sentir e comunicar a literatura — reafirmando a força da palavra como ponte para múltiplas linguagens.


Entre o livro e a cena



Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)
Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)

Para muitos dos estudantes envolvidos no projeto, subir ao palco foi a primeira experiência diante de uma plateia numerosa. Yasmin Alves Leite Corrêa, 16 anos, da Escola Estadual Djanira Velho, lembra que já havia interpretado na escola, mas destaca a sensação de estar diante do público na FIL. “É totalmente diferente. Dá vergonha, mas também é muito especial. Depois do projeto, a leitura ganhou outra dimensão. Gostei muito”.


Assim como Yasmin, outros alunos também descobriram novas conexões entre literatura e arte. Para Ryan Gomes da Costa, 15 anos, da mesma escola, o projeto abriu horizontes inesperados. “Foi uma alegria muito grande - minha primeira vez no teatro. Ver todo mundo aplaudindo foi especial. Eu já canto sertanejo e percebi que o  poema, o texto, tudo pode se transformar em música. A arte é muito linda e esse projeto mostra isso”.


Se a música abriu caminhos para uns, a dança foi a linguagem escolhida por outros. Heylin Maria Faltão Calegari, aluna do 3º ano do Colégio Otoniel Mota, contou que transformar poemas em movimentos corporais exigiu improviso e sensibilidade. “Costumo dançar movida pela música, mas dançar também a partir de um poema foi muito diferente. A obra ajudou muito a entender sentimentos como mistério, tristeza, felicidade e empatia. Foi uma aprendizagem muito rica”.


	Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)
Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)

Outros descobriram na literatura a porta de entrada para a criação autoral. Foi o caso de Denilson Oliveira, da Escola Estadual Jovem Felipe Gui Rocha, que encontrou nos livros o impulso para escrever seus primeiros poemas. “Foi emocionante estar ao lado da autora. Eu comecei a fazer poemas a partir das leituras. Pretendo continuar, porque a literatura me inspirou a criar”.


Para Matheus Rodrigues, também aluno da mesma escola, o processo coletivo foi o que mais marcou. “Trabalhar com a obra, do começo ao fim, trouxe repertório. Fizemos até uma canção autoral a partir do livro, com apoio da inteligência artificial para criar música com as palavras que escolhemos do texto. Foi uma experiência incrível”.


Entre música, dança, teatro, cinema, poesia, artes plásticas e até artesanato, os estudantes mostraram que, quando a leitura encontra a criatividade, nascem novas linguagens, que emocionaram  não apenas os colegas e professores, mas também a própria autora.


O olhar dos professores



Socorro Acioli com os professores no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)
Socorro Acioli com os professores no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)

Para os educadores, o projeto é também um exercício de transformação. A professora Débora Lino Giustin,da  Escola Estadual Jovem Felipe Gui Rocha admite que o início foi desafiador, já que os estudantes não conheciam a obra da escritora trabalhada. Mas, pouco a pouco, o envolvimento cresceu. “Eles se mostraram muito parceiros, dedicados e mergulharam na pesquisa sobre o livro e sobre a vida de Socorro Accioli. O resultado foi um trabalho emocionante”.


O professor Alexandre Augusto dos Santos, da Escola Estadual Serra Azul, revela que a participação constante no Combinando Palavras tem proporcionado experiências únicas aos alunos. “Eles se transformam, se envolvem bastante e querem saber mais. Essa curiosidade gera muita criatividade na hora das releituras”. O professor  contou que, neste ano, em especial, eles ficaram fascinados pelo tom de mistério da obra de Socorro  e conseguiram relacioná-la com diferentes períodos da literatura, como a geração de 30, o pré-modernismo e a produção do Nordeste. “Foi muito rico acompanhar esse processo”.


Já o professor Murilo Fernando Pereira, de Arte e Filosofia, da Escola Estadual Professora Neusa Maria do Bem, ressalta que o projeto foi além da leitura. “Os alunos não apenas leram, mas viveram o livro. Essa edição despertou a habilidade autoral dos alunos, que escreveram a Oração para Reaparecer em resposta ao livro Oração para Desaparecer. Eles trouxeram de dentro o que tinham de mais íntimo”.


Nesta quarta-feira (20) participaram das apresentações no Theatro Pedro II estudantes de diferentes cidades da região. De Ribeirão Preto, estiveram presentes alunos da Marista Escola Social Ir. Rui, da E.E. Professora Djanira Velho, da E.E. Alberto Santos Dumont, da E.E. Otoniel Mota, da E.E. Prof. Walter Ferreira, da E.E. Jovem Felipe Gui Rocha, da E.E. Vicente Teodoro de Souza e da E.E. Vereador Orlando Vitaliano. Também marcaram presença a E.E. Profª Neusa Maria do Bem, de Serrana, a E.E. Serra Azul, de Serra Azul, a E.E. Abel dos Reis, de Cássia dos Coqueiros, e a E.E. Dr. Washington Luís, de Batatais.


A emoção da autora



Apresentação dos alunos no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)
Apresentação dos alunos no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi)

Nascida em Fortaleza, Ceará, em 1975, Socorro Acioli é jornalista, mestre em Literatura Brasileira e doutora em Estudos de Literatura. Reconhecida pela produção de livros infantojuvenis premiados e traduzidos em diversos países, ela venceu o Prêmio Jabuti com Ela tem olhos de céu e também é autora de obras como A bailarina fantasma, A cabeça do Santo e Oração para desaparecer. Professora da Universidade de Fortaleza, onde coordena a especialização em Escrita e Criação, atua ainda como tradutora, ensaísta e palestrante.


Com a experiência de quem conhece tanto o silêncio da escrita quanto a expectativa da recepção de um livro, Socorro se emocionou ao ver suas obras ganhando novas leituras pelos estudantes. “Estou muito admirada com a coragem de todos que subiram ao palco. A vida de um escritor é solitária, a gente escreve sem saber como o livro vai ser recebido. E hoje eu vi vocês reinventando as histórias, deixando os livros muito melhores do que são. Ninguém fez exatamente o que está no livro, todos recriaram, trouxeram para a realidade. Isso mostra que o livro foi lido e sentido. Só tenho a agradecer”.


A autora homenageada pelo projeto Combinando Palavras reconhece que esse encontro teve um peso especial também para sua trajetória. “Para mim, esse momento é ainda mais importante do que para os estudantes.  O que eles fazem é o que realmente importa: ler e recriar. Ver essa semente germinar é o maior presente que posso levar dessa experiência”.


Uma grande celebração da palavra


O Combinando Palavras confirma, ano após ano, que a literatura é um fio condutor capaz de costurar mundos e linguagens. “O projeto cresceu com a FIL e se tornou uma das nossas ações mais potentes. Ele cria vínculos reais entre os jovens e a literatura, formando professores e alunos como mediadores culturais em suas comunidades”, destaca Adriana Silva, curadora da FIL e vice-presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.


Para a gestora executiva da Fundação, Priscilla Altran, que conduz os encontros do projeto nesta edição da FIL, no palco do Theatro Pedro II, é nítido o crescimento que a experiência proporciona aos alunos. “Entre a leitura silenciosa e a criação coletiva, nasce a celebração da palavra. É o momento onde a solidão do autor provoca uma explosão criativa nos alunos. É um processo orgânico, multifacetado  e transformador”, conclui.


 
 
 

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