Literatura, juventude e diversidade marcam a quinta-feira na 24ª FIL
- pauta15
- 23 de ago. de 2025
- 6 min de leitura
Quinta-feira (21) movimentada na FIL combina atividades culturais, lançamentos literários, encontros estudantis, atividades artísticas e reflexões sobre temas sociais na 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

Atividades infantis, saraus, poesias, oficinas, contações de histórias, encontros com estudantes, intervenções artísticas, lançamentos de livros, prêmio literário, debates sobre: bullying, floresta Amazônica, jornalismo, romances e premiações literárias. Esse foi o resumo da quinta-feira (21) na 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto que trouxe Raphael Montes, Mílton Jung, Milton Hatoum, Leny Kyrillos, entre outros nomes da literatura.
Encontro com estudantes

No Theatro Pedro II, o Projeto Combinando Palavras reuniu cerca de mil estudantes com o escritor Milton Hatoum, eleito no início de agosto para a cadeira Nº 6 da Academia Brasileira de Letras. À tarde, o palco recebeu o quadrinista e escritor Rafael Calça, autor de Jeremias: Pele, que dialogou com alunos de diferentes escolas. A programação também trouxe a palestra “Fala, que o mundo escuta”, com a poeta Luz Ribeiro, no auditório Meira Junior. Em tom de incentivo, ela ressaltou a importância de ocupar os espaços da arte. “Desejo que a palavra, a dança, qualquer manifestação artística de vocês ganhe corpo, voz, movimento. Que a gente se encontre nos sonhos por aí”, disse.
Limites do bullying

No decorrer do dia, houve ainda oficinas práticas, lançamentos literários, contações de histórias e debates temáticos. Entre eles, uma discussão sobre bullying, com o professor e pesquisador Cláudio Romualdo, autor do livro Influência Silenciosa. Segundo o professor, o conceito deve ser compreendido dentro da literatura especializada, lembrando que as primeiras pesquisas sobre o tema surgiram na Noruega, na década de 1970. Romualdo destacou também a dificuldade de identificar o problema no ambiente escolar. “O bullying causa muitas dores e uma delas é o silêncio. A vítima tende a se calar. Pais, professores e profissionais de saúde precisam da voz da vítima para perceber sinais. Não é só pelos fatores externos”, disse.
Entre esses indícios, o professor apontou mudanças de comportamento e somatizações físicas. “É possível observar crianças e adolescentes que começam a evitar a escola, relatando febre, dor de cabeça ou de estômago. Muitas vezes, isso reflete um ambiente hostil. Também pode haver queda de desempenho escolar e, em alguns casos, evasão, sobretudo no ensino público e entre populações mais vulneráveis”, destacou.
Para Romualdo, compreender essas nuances é essencial para prevenir casos e oferecer apoio. “É preciso atenção permanente. Só assim conseguiremos identificar sinais e enfrentar a influência silenciosa que o bullying exerce sobre crianças e adolescentes”, concluiu.
Povos originários

Na Tenda Sesc Senac, o público se reuniu para conhecer o trabalho do arqueólogo Eduardo Neves e do indigenista Daniel Cangussu, que trouxe para a FIL o lançamento de seu livro “Vestígios da Floresta - povos indígenas isolados da Amazônia”, tema homônimo ao do bate-papo mediado pela jornalista Maria Zulmira de Souza, idealizadora do programa Repórter Eco, da TV Cultura. Na conversa, Neves e Cangussu explicaram como se desenrola, na prática, os trabalhos de garimpar informações sobre os povos indígenas isolados, especialmente na região da Amazônia.
Daniel Cangussu revelou que o Brasil possui 130 grupos indígenas em situação de isolamento somente na região amazônica, mas que apenas 30 são identificados. “São povos brasileiros refugiados dentro do próprio país, que optaram por não ter contato externo em função de fatores diversos, que incluem até experiências traumáticas com situações de violência e extermínio”, explicou Cangussu.
Eduardo Neves, que também é professor na USP, lembrou dos impactos das doenças trazidas pelos europeus durante a colonização, que tiveram efeitos avassaladores aos indígenas brasileiros. “Hoje, a população indígena no país é estimada em 30 milhões de pessoas, praticamente um terço do que havia na época do descobrimento”, disse o arqueólogo. Outro ponto abordado no encontro foi a política do Não Contato, adotada pelo Brasil em 1987, que respeita o direito de isolamento dos povos indígenas. “Nosso trabalho não é localizar as pessoas, mas, sim, tentar entendê-las aprimorando nosso olhar sobre o que elas expressam pelos vestígios e rastros que deixam na floresta para, em última instância, protegê-las”. Segundo ele, o importante é tirá-los da invisibilidade, os mantê-los invisíveis porque são povos que decidiram não aceitar o mundo como possibilidade viável. “Contamos histórias escondidas e que foram apagadas, por meio de vestígios materiais deixados por diversas populações”, completou Eduardo Neves. No Maranhão, por exemplo, a extração do mel é o principal vestígio monitorado pelas expedições que trabalham com povos indígenas isolados.
Desmistificar a ideia de indígenas bravos e selvagens é outro recorte do trabalho de Daniel Cangussu. “Essas pessoas se isolaram porque sofreram alguma agressão. Há grupos indígenas formados por apenas uma ou duas pessoas, que viram toda a tribo ser exterminada”, contou o indigenista, que alertou sobre as novas ameaças que cercam essa população brasileira.
Literatura

A agenda noturna de quinta-feira na 24ª FIL promoveu Salão de Ideais com Milton Hatoum, um dos mais renomados escritores brasileiros, recentemente imortalizado pela Academia Brasileira de Letras. Autor de romances, contos, crônicas, obras infantis e traduções, o também professor manauara falou sobre seus processos de escrita, geralmente longos, de sua paixão pelos romances de formação, modismos literários e sobre seu novo título - “Dança dos Enganos” -, que completa a trilogia O Lugar Mais Sombrio, considerado o trabalho mais ambicioso de Hatoum.
O mediador Felipe Narita abriu a conversa abordando justamente com o desenvolvimento deste trabalho. Em resposta, Milton Hatoum contou que reescreveu muita coisa de Dança dos Enganos em função do momento histórico brasileiro durante o período em que trabalhava no livro. “Fiquei muito tocado com o que aconteceu no Brasil durante as duas pandemias. Uma da covid e a outra daqueles quatro anos nefastos e nada saudosos do Governo anterior. Às vezes, o momento histórico influi muito no que estamos escrevendo e, sim, reescrevi muita coisa nesse livro”, atestou o escritor.
Apaixonado por romances de formação - em que se aborda a vida dos personagens e também do país -, Milton Hatoum assumiu um fascinado pela passagem da adolescência para a vida adulta e pelo processo de como os indivíduos se formam nos diversos âmbitos da vida.
Literatura de crime

Raphael Montes também esteve no Teatro Municipal de Ribeirão Preto. A atividade, anteriormente agendada para a sexta-feira (22/08), foi antecipada em um dia devido a alterações na agenda do escritor e roteirista, com trabalhos de sucesso, como os livros Suicidas, Dias Perfeitos e Jantar Secreto, as séries Bom Dia, Verônica e Beleza Fatal, e o filme A Menina que Matou os Pais.
Em bate-papo conduzido por Carolina Freitas, Raphael Montes relembrou os primeiros contatos com os livros. “Em casa, o livro era visto com um produto de elite, não estava presente no ambiente familiar, exceto por uma tia-avó, que um dia me presenteou com uma obra da Agatha Christie, e foi aí que tudo começou, por volta dos 12 anos de idade”, comentou o autor, hoje com 34 anos, que já no início da adolescência tomava contato com outro produto que mais tarde o faria reconhecido em todo o Brasil. “Em casa, o que fazia parte da rotina era a televisão e, em especial, as novelas”, destacou.

Questionado sobre onde se sente melhor, nas páginas de um livro ou na tela da TV, Raphael não teve dúvidas. “A relação do escritor com o leitor é muito mais relevante do que com o telespectador. Nas páginas de um livro há toda uma cumplicidade entre quem escreve com quem lê. Uma obra literária começa com a imaginação, com aquilo que está na cabeça do autor e vai encontrar ressonância no leitor, que vive aquilo que foi imaginado do seu jeito”, declarou.
Sobre os futuros possíveis da literatura de suspense brasileira, o escritor, que já tem obras publicadas em mais de 25 países, incluindo traduções em inglês, espanhol, italiano, francês, alemão e holandês, foi otimista. Ele contou que quando começou a escrever, muitas pessoas o questionavam sobre o fato de querer fazer suspense, histórias policiais no Brasil - “um país solar, de uma imensa alegria - mas os leitores gostaram de ver referências próximas à sua realidade, um crime que aconteceu em Copacabana e não em um bairro de Londres”. Ele relatou que percebe que lá fora as pessoas querem conhecer outras ambientações. “O livro é isso: apresentar outros cenários, despertar a curiosidade sobre outros países. Então, vejo um bom futuro para a literatura brasileira, especialmente no suspense”, finalizou.






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