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Literatura, memória e resistência marcam o sexto dia da 24ª FIL

  • pauta15
  • 22 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Mais um dia com programação para todas as idades. A agenda desta última quarta-feira (20) trouxe uma programação que mostrou o livro como instrumento de formação, diálogo e transformação social


Rafael Calça e Matheus Arcaro
Rafael Calça e Matheus Arcaro

A quarta-feira (20), sexto dia da 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), apresentou uma programação distribuída por diferentes espaços da cidade, com encontros literários, contação de histórias, palestras, oficinas e rodas de conversa. Crianças, estudantes, escritores, artistas e representantes de instituições participaram das atividades, que discutiram temas como memória, resistência cultural, formação de leitores e o papel da literatura na transformação social.


Logo pela manhã, mais de mil crianças ocuparam a esplanada do Theatro Pedro II para acompanhar o projeto Combinando Palavras, com a participação da escritora Socorro Acioli. Os autores André Luís Oliveira, Cidinha da Silva e Rafael Calça também participaram do projeto em outros locais.  


Márcia Kambeba (Foto: Lucas Batista)
Márcia Kambeba (Foto: Lucas Batista)

No espaço Ambient de Leitura, a escritora e ativista indígena Márcia Kambeba, do povo Omágua/Kambeba, apresentou a contação de histórias “Maqueira de Tucum”. Às 10h, ela conduziu a palestra “Índio eu não sou”, em que relacionou literatura, resistência e a preservação da língua originária. Márcia relatou o impacto da perda do idioma originário, ainda na infância, e como isso a motivou a transformar a dor em poesia. “Essa foi a minha primeira violência que o contato me trouxe. Quando eu fui crescendo, comecei a entender que eu tinha que fazer algo diferente. A violência que eu passei eu não queria que outros passassem. Comecei então a escrever poesia com 13 anos”, afirmou.


Poesia independente

Jô Freitas (Foto: Sté Frateschi)
Jô Freitas (Foto: Sté Frateschi)

Ainda no período da manhã, no auditório Meira Junior, estudantes acompanharam a palestra da poeta e escritora baiana, Jô Freitas, criadora do Sarau Pretas Peri, que apresentou reflexões sobre gêneros literários e sobre seu livro de contos Goela Seca. “Independentemente do que as pessoas conheçam ou não, eu escolhi aquilo que estava mais próximo do meu processo de escrita. A ‘Joana’, personagem que aparece em todos os contos, me persegue. Agora, no próximo livro, ela volta a aparecer”, disse. Jô destacou ainda o papel da poesia no cotidiano. “A poesia me faz olhar o mundo com os meus olhos renovados todos os dias. E talvez isso faça a gente se tornar a gente mesmo. A gente se ilumina mais”, completou.


Redação Vestibular


A programação da tarde incluiu oficinas práticas, entre elas a de preparo de café e a de produção de aromatizadores. Também houve espaço para estudantes que se preparam para o Enem e vestibulares, em um bate-papo conduzido pelo professor de redação Fábio Itasiki. Ele destacou a importância da leitura como base para a escrita. “O repertório sociocultural é o que dá profundidade à redação. Sem leitura constante, não há como sustentar um bom texto”, afirmou. Itasiki chamou a atenção ainda para a influência do ambiente digital na formação de argumentos. “As redes sociais trazem muita informação, mas é preciso olhar de forma crítica para selecionar o que realmente contribui para a construção de conhecimento”. Segundo ele, a chave é aprender a relacionar referências diversas com os temas propostos nos exames. “Um bom repertório não vem pronto, ele se constrói com tempo, atenção e curiosidade sobre o mundo.”


Poder da Literatura no cárcere


Na Biblioteca Padre Euclides, uma roda de conversa tratou da leitura no sistema prisional. Representantes da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (FUNAP), da Polícia Penal, de universidades e de organizações sociais debateram temas ligados à humanização, ressocialização e remição de pena pela leitura. O diretor executivo da FUNAP, coronel Mauro Lopes dos Santos, destacou que a leitura é fundamental e indispensável nos processos de ressocialização. “O conhecimento liberta. O livro traz uma perspectiva de vida nova, abre o horizonte, desperta até o gosto pela leitura. A principal importância não é só a remissão da pena, mas a oportunidade de se descobrir e buscar novos caminhos”, afirmou.


Já o escritor e presidente do Observatório do Livro, Galeno Amorim, destacou o poder biblioterapêutico do livro. “Quando a gente lê, nunca mais é a mesma pessoa”, disse. Esse impacto foi reforçado no depoimento de Carlos Andrade, ex-detento e agora advogado, que relatou ter encontrado na literatura “uma boia no oceano, capaz de me resgatar do mundo do crime e abrir o caminho para a educação e para uma vida transformada.”


Dinâmicas do clima


Os desafios climáticos foram o foco do debate de final de tarde na Tenda Sesc. Amanda Costa, do Instituo Perifa Sustentável; e Kamila Camilo, ativista climática e empreendedora social, comentaram os desafios das questões que envolvem os impactos das ações humanas na alteração do clima em âmbito global, e falaram sobre a importância das pequenas ações locais. “Falar sobre clima é falar sobre vida, saúde, moradia, transporte, alimentação sustentável, educação ambiental, porque tudo é atravessado pelas alterações climáticas”, destacou Amanda Costa. Ela também lembrou a relação entre questões climáticas e organizações sociais. “Na sociedade de classes, o dinheiro faz diferença quando há enchentes, por exemplo. Por conta disso, na periferia, esse debate sempre foi uma realidade”, completou.

 

Para Kamila Camilo, a união local é o caminho antídoto da questão. “Quanto mais as pessoas se unem localmente, mais impactos positivos teremos, mesmo com as demandas globais. Para todos os desafios do mundo, a resposta é comunidade”, destacou. As palestrantes explicaram também o tripé do enfrentamento às questões climáticas: mitigação, adaptação e resiliência. “Mitigar é reduzir movimentos negativos e danosos, como a emissão de CO2. Adaptação climática é a busca por alternativas para que as cidades possam lidar melhor com situações de eventos climáticos extremos. E a resiliência é a união de mitigação e adaptação, com iniciativas como, por exemplo, optar por construções mais sustentáveis antes de os problemas acontecerem”, esclareceu Kamila. 


Finanças em ordem


Outro bate-papo bacana na agenda de quarta-feira na FIL foi Planeje seu futuro com educação financeira, realizado no Espaço Oficinas Senac. A atividade apresentou conceitos essenciais para organizar as finanças pessoais, com foco num futuro mais seguro e sustentável economicamente. Da inadimplência gerada por consumo de impulso até a definição dos objetivos financeiros a partir de sonhos e metas, a palestra abordou pontos cruciais de educação financeira para quem quer colocar o bolso em ordem. “Compreender o valor do dinheiro é parte fundamental nesse processo, assim como ter clareza do diagnóstico financeiro que se tem no momento. Além disso, as decisões de consumo - que envolvem respostas honestas a perguntas como eu quero? eu posso? precisa ser agora? está no preço justo? - precisam ser consideradas antes de todas as compras”, salientou Thiago Gama, consultor em finanças pessoais e professor do Senac.

 

Dos livros para as telas


Em mais um concorrido Salão de Ideias, a jornalista e escritora cearense Socorro Accioli - vencedora do Prêmio Jabuti 2023 de livro infantil - revelou que dois de seus livros serão transpostos para o cinema. “A cabeça do santo” e “Oração para Desaparecer” tiveram seus direitos vendidos para produtores cinematográficos e começam a ser filmados em 2026. 


Numa conversa solta, Socorro Accioli falou sobre seu processo de escrita, a insegurança com seu próprio trabalho, e dos desafios e exigências que o ofício da escrita envolve. “A profissão de escritora exige paciência e se constrói lentamente. Antes de colocar o pé na seara, é preciso pensar na identidade como autora, entender o que se quer escrever, organizar o caminho do trabalho, além de ter repertório de leitura e de vida”, alertou Accioli. 


A escritora comentou sua ligação com o universo da religiosidade, que pauta algumas de suas obras e sobre o interesse pela escrita desde a infância. “Nasci em uma família bem católica, mas meus questionamentos de fé me levaram a circular por diferentes experiências de religião. Por isso, não admito nenhum tipo de desrespeito com as diferentes formas de fé e  até, com a não fé das pessoas”, pontuou. 


Socorro falou também sobre seu novo livro, que tem inspiração em um grupo de pessoas que sai de um hospital psiquiátrico e se instala num prédio abandonado em Fortaleza. “É um livro bastante diferente porque se afasta de cenários e referências religiosas, além de ser ambientado em locais que não existem mais”. 

 
 
 

952 comentários


Сергей Белов
Сергей Белов
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