Lola Salgado fala sobre suas obras, carregadas de representatividade

Autora publicou seus primeiros livros na plataforma Wattpad. Na Amazon, suas obras ultrapassam 10 milhões de leituras

O segundo dia do Revolução Poética na Fábrica Literária, no sábado (30/4), contou com a participação da escritora Lola Salgado para um bate-papo sobre o poder da literatura, cultura, histórias e um resgate de sua realidade pessoal. O encontro foi mediado pela bibliotecária Gabriela Pedrão.

Lola Salgado, autora de "A Linguagem do Amor", "Sol e Júpiter", "Quanta coisa pode estar logo ali", entre outros, publicou seus primeiros livros na plataforma Wattpad – foi lá onde ganhou o prêmio internacional Wattys com uma de suas obras. Na plataforma Amazon, seus livros ultrapassam 10 milhões de leituras.

Durante a roda de conversa, Lola Salgado relembrou sua infância, quando começou a escrever, ainda com 10 anos de idade, época que tinha como referência a banda emo “My Chemical Romance”. “Procurei um fórum dos fãs da banda e encontrei algumas fanfics, ainda não conhecia, mas fiz uma e mandei para a equipe. Me responderam que eu poderia melhorar, e esse foi o meu primeiro conselho na vida”, contou.

Foi a partir desse momento que Lola passou a escrever com mais frequência - ainda na plataforma Orkut (rede social inativa no momento). Durante essa época, a escritora foi amadurecendo conforme recebia o feedback dos seguidores. Com o fim da rede social Orkut, Lola disse que chegou até a pensar em abandonar a carreira de escritora.

Mas, após um tempo, retomou a escrita e, no primeiro momento, surfou na onda do sucesso de “50 Tons de Cinza” (2012), de Erika Leonard James. “Mas cada livro foi me aproximando um pouco mais de como eu queria ser como escritora, da voz que eu queria encontrar. Hoje em dia, eu nem gosto muito desse livro que eu escrevi, mas ele foi importante para minha carreira”, destacou. Hoje, Lola tem nove livros lançados.

Inspirações

Lola revelou ainda que quando jovem escrevia sobre pessoas mais velhas e após uma ida a Bienal do Livro no Rio de Janeiro, em 2019, mudou o foco para o público jovem. “Fui para divulgar meu livro e lá eu percebi que consegui conversar com os jovens que foram na Bienal. Quando cheguei em casa e pensei em tudo o que aconteceu, mudei minha linha.”

Hoje, as obras de Lola Salgado são carregadas de representatividade da comunidade LGBTQIAP+ e dos jovens fanfiqueiros (que fazem "fanfics", do inglês - "história inventada”). Mas, a mudança de enredo ocorreu quando ela leu a obra “Por Lugares Incríveis” (2015), de Jennifer Niven. O livro conta a história de um personagem que tem transtorno bipolar, mesmo distúrbio que Lola sofre. “A identificação com a história me fez mudar de pensamento sobre as obras que escrevia. Eu queria que todos os meus leitores se sentissem contemplados, eu não queria escrever para um único tipo de pessoa”, disse.

Plataformas digitais

A escritora destacou que a internet é democrática por dar voz a vários pensamentos diferentes. Outro ponto favorável a web, é de facilitar o caminho para os escritores independentes e que, às vezes, não conseguem espaços nas editoras físicas. “Existem pessoas que encontram voz nas redes e para os adolescentes que não têm poder aquisitivo, eles encontram ali produtos gratuitos que os escritores disponibilizam”, lembrou Lola.


A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividades intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas.

O bate-papo completo com Lola Salgado pode ser conferido neste link.

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