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  • “Comunicação é encontrar-se com o outro”, pontuou Milton Jung em conferência na 24ª FIL

    Em encontro dinâmico no Theatro Pedro II, o jornalista e a fonoaudióloga Leny Kyrillos falaram sobre ética, cidadania, liderança, IA e desafios das mudanças na comunicação jornalística e importância da escuta no processo comunicativo Marcos Felipe, Leny Kyrillos e Milton Jung na 24ª FIL (Foto: Alessandra Rotolo) A 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), recebeu na noite de quinta-feira (21), o jornalista Milton Jung, âncora da rádio CBN; e Leny Kyrillos, fonoaudióloga especialista em voz e colunista da CBN; para uma conversa dinâmica e informativa sobre a comunicação em diferentes recortes. Com mediação do jornalista Marcos Felipe, os convidados falaram sobre ética, cidadania, comunicação empresarial e intergeracional, novos desafios da linguagem jornalística, o papel da escuta ativa, projeções sobre as mudanças que a IA (Inteligência Artificial) traz às diversas formas de comunicação, e sobre o livro como principal plataforma de desenvolvimento humano. Com 41 anos de carreira, Milton Jung destacou as mudanças contínuas que tem vivenciado na forma de levar a comunicação às pessoas e, também, na forma como as pessoas recebem a comunicação. “Especialmente com a chegada da internet, experimentamos muitas mudanças na prática diária do jornalismo”, comentou Jung. Leny - que está há 25 anos na rádio CBN -, destacou as adaptações que os profissionais de rádio e televisão precisaram empenhar em nome de uma comunicação mais assertiva e mais efetiva. “Os jornalistas de rádio e tevê tiveram que se reinventar em relação às mudanças na linguagem utilizada por esses veículos ao longo do tempo. Especialmente porque a linguagem escrita é muito diferente da linguagem oral”, ressaltou a fonoaudióloga. Comunicação e liderança Conferência Milton Joung e Leny (Foto: Alessandra Rotolo) Além de ancorar o Jornal da CBN há 14 anos, Milton Jung também é apresentador do programa Mundo Corporativo, na mesma emissora, em que recebe gestores empresariais para falar de negócios, inovação, liderança e cultura organizacional. Essa experiência revelou ao jornalista tanto a evolução no vocabulário corporativo como o declínio do modelo comando-controle de liderança, com tudo passando pela importância da comunicação. Para Leny Kyrillos, que é coautora com Jung da edição ampliada do livro “Escute, Expresse e Fale!” , as competências de comunicação tornaram-se essenciais para as relações humanas e são fundamentais no mundo executivo.  “O modelo comando-controle não é mais sustentável, especialmente após a pandemia, principalmente em função da saúde mental. De lá pra cá, as relações de trabalho passaram a exigir posturas e tratamentos mais humanizados e lideranças mais acolhedoras. E sem uma comunicação afinada, isso não é possível”, pontuou Kyrillos. “Pesquisas mostram que o Brasil é o país mais ansioso do mundo e é urgente o olhar mais atento para a humanização nas relações de trabalho”, completou a colunista da CBN. Outro recorte abordado pelos conferencistas foi o desafio que envolve a comunicação intergeracional. “Comunicação é a ação de tornar comum, e a forma de fazer isso na diversidade geracional é um desafio para os líderes e gestores organizacionais”, destacou Leny Kyrillos. Para ela, a diversidade traz resultados muito positivos e torna as relações de trabalho mais interessante com a valorização de pessoas mais velhas nas empresas e corporações, junto com os jovens que nasceram com a internet. “Porém, especialmente para liderar a geração Z, os gestores precisam ter muita coerência entre o que falam e o que fazem, além de solidez na forma de se posicionar. Tudo isso é comunicação”, enfatizou. Erros na comunicação Na visão do jornalista Milton Jung, é grande o campo de melhorias a serem buscadas nos processos de comunicação e a escuta ativa é a espinha dorsal nisso. “A todo instante temos que buscar formas mais acessíveis de chegar às pessoas. É um movimento contínuo. Nesse cenário, um erro muito comum é a falta da escuta ativa, tanto na comunicação profissional, como na corporativa e nas relações humanas de modo geral. A dificuldade e a falta de habilidade para escutar o outro geram falhas importantes na comunicação. Por outro lado, ter a escuta ativa afiada amplia os espaços de liberdade”, reforçou o apresentador do Jornal da CBN. Leny Kyrillos chamou ainda a atenção do público para o fato de que a escuta ativa representa mais de 50% de acerto para uma boa comunicação. “Em comunicação não existe o óbvio, o pressuposto de que o outro nos entendeu corretamente. Para ser efetiva, a comunicação precisa ser simples, direta e afetiva, compondo a ação de mostrar ao outro nosso desejo de encurtar as distâncias”, disse Leny. “É preciso abrir a escuta para entender. Sem isso, se perde a chance de crescer”, emendou Milton Jung. Livros, IA e futuro do jornalismo Conferência Milton Joung e Leny (Foto: Alessandra Rotolo) O último tópico abordado na conferência foi a revolução trazida pela IA (Inteligência Artificial) ao universo da comunicação jornalística. Para Milton e Leny, há mais pontos positivos que negativos nesse processo e não é preciso temer a novidade. “Temos que mudar a ideia do isso menos aquilo na relação entre IA e humanos porque não são excludentes. Vamos aprender a fazer coisas e a melhorar nossa comunicação porque a IA é uma ferramenta que, essencialmente, exige boa capacidade de fazer perguntas”, refletiu Jung. “A IA não vai nos substituir. A substituição será entre os humanos que dominam essa ferramenta e os que não dominam”, acrescentou Keny Kyrillos. Os conferencistas encerraram sua participação na 24ª FIL destacando a importância da consciência sobre os sinais emitidos pela comunicação em todas as relações humanas. “A comunicação está presente em todos os momentos e situações da vida e é importante saber se comunicar bem, sem esquecer as subjetividades envolvidas nesse processo”, alertou a fonoaudióloga Leny. Milton Jung se despediu lembrando que “o limite da nossa linguagem nos limita no mundo. A atividade contou com apoio do Grupo EP, do Sesc e rádio CBN Ribeirão Preto. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com . A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

  • Milton Hatoum e Rafael Calça participam de encontro com estudantes durante a 24ª FIL

    Mais de 1600 alunos se encontram com os escritores. Eles se envolveram com suas obras durante o primeiro semestre do ano e apresentaram os trabalhos no Theatro Pedro II Milton Hatoum no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) O Projeto Combinando Palavras reuniu nesta quinta-feira (21) milhares de estudantes no Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto, em uma manhã dedicada à literatura. O escritor Milton Hatoum, eleito no início de agosto para a cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras, participou pela primeira vez da iniciativa e acompanhou apresentações inspiradas em suas obras, entre elas Relato de um certo Oriente  e Dois Irmãos . No mesmo dia, o quadrinista e escritor Rafael Calça, autor de Jeremias: Pele , esteve com alunos em outras apresentações, que abordaram identidade, representatividade e o papel das narrativas visuais. Milton Hatoum Pedro Henrique Carrion Benatti, Mayara Limada Silva e Leandro Negreiros (Foto: Sté Frateschi) Estudantes de mais de 10 escolas de Ribeirão Preto e região subiram ao palco para mostrar produções realizadas a partir da leitura do autor. A estudante Mayara Limada Silva, de 17 anos, relatou que a experiência ajudou no seu desenvolvimento artístico. “Foi desafiador trabalhar com essa obra porque eu não conhecia o autor mais a fundo. Participar três anos seguidos do Combinando Palavras me ajudou a despertar meu lado artístico e aprimorar minha escrita”, disse.  Já o estudante Pedro Henrique Carrion Benatti, também de 17 anos, disse que o projeto ampliou o interesse pela literatura nacional. “Eu não conhecia o autor até então. O Combinando Palavras nos faz conhecer mais sobre a literatura brasileira e me ajudou a gostar mais do teatro, que virou meu sonho. O projeto é fundamental para mostrar que a arte pode fazer parte do futuro de cada estudante”, afirmou. Milton Hatoum no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) Envolvimento é a chave principal do projeto e para o professor Leandro Negreiros, da PEI E.E. Dr. Geraldo Corrêa de Carvalho, o mais significativo neste ano foi a possibilidade de os estudantes entrarem em contato com a literatura de maneira ativa. “Além da leitura da obra, nós pudemos viver muitas emoções. Descobrimos que não estamos sozinhos no mundo”, declarou. Após as apresentações - que reuniram muita música, poesia e dança - a manhã foi encerrada com a fala de Milton Hatoum, que agradeceu aos estudantes e professores pela dedicação às suas obras.  Para o escritor, os livros têm um papel importante na formação dos jovens. “A literatura não é só diversão, não é só entretenimento: ela nos permite conhecer realidades sociais, culturais e históricas”.  Para Hatoum, o programa é uma das coisas mais bonitas que estão acontecendo. “Quem me dera que todos os municípios brasileiros tivessem uma ação como essa”, afirmou, lembrando de sua experiência como professor. “Fui professor durante 15 anos e sei que a formação dos estudantes depende também deles. O que vi aqui foi paixão pelos livros, mas também compreensão da Amazônia, da imigração do Líbano e de diferentes paisagens do Brasil”, disse.  Rafael Calça Rafael Calça no Combinando Palavras (Foto: Barbara Santos) No período da tarde, mais alunos estiveram na sala principal do Theatro Pedro II combinando novas palavras, dessa vez, ao lado do do escritor e quadrinista, Rafael Calça, que viveu momentos de fortes emoções ao lado de 800 jovens do 9º ano do ensino fundamental. Para ele, essa experiência foi marcante, não apenas pelo contato com os estudantes, mas pela intensidade da troca. “Fiquei muito emocionado e, na verdade, foi um momento inesquecível. Nunca entendemos o quanto o nosso trabalho pode chegar nas pessoas e, através dos professores, chegaram a esses estudantes de uma forma incrível”, afirmou. Reconhecido nacionalmente, Rafael Calça é vencedor de importantes prêmios literários e de quadrinhos. Em 2019, recebeu o Prêmio Angelo Agostini de Melhor Roteirista, além de dois troféus HQ Mix (Melhor Edição Especial Nacional e Melhor Publicação Juvenil) e o prestigiado Prêmio Jabuti de Melhor História em Quadrinhos, todos por Jeremias – Pele . No ano seguinte, 2020, conquistou o Prêmio Machado, da Editora DarkSide, consolidando sua relevância no cenário das HQs nacionais. Beatriz Maria no Combinando Palavras (Foto: Barbara Santos) O autor, que se surpreendeu com a forma como os alunos expressaram sua obra, disse que a literatura em quadrinhos abre espaços para múltiplas leituras e novas interpretações. “Teve rap, música, paródia, desenho. Eles leram para além daquilo que eu desenhei, que eu escrevi. Tinha ali a interpretação deles: algo a mais, que eu não disse, mas eles sentiram. Essa é a melhor troca entre um autor e seus leitores”, contou. A emoção tomou conta da estudante Beatriz Maria, de 15 anos, aluna do 9º ano da E.E. Vereador José Velloni, de Ribeirão Preto. Para ela, subir no palco diante de 800 colegas e do Rafael Calça foi uma experiência inesquecível. “Essa emoção foi de felicidade”, contou a jovem. Ao comentar sobre a obra de Rafael, ela destacou o significado profundo que encontrou na narrativa de Jeremias – Pele . “É força e luta, porque ele fez uma obra que realmente diz muito sobre as pessoas negras. Eu e o professor Jefferson queríamos representar essas pessoas na luta, nessa força que elas têm”, afirmou. Beatriz Maria e Jefferson Lopes de Azevedo (Foto: Barbara Santos) O professor Jefferson Lopes de Azevedo participa há seis anos do projeto e acredita em sua relevância pedagógica. “Cada vez que viemos é sempre melhor. Essa formação para os alunos é de extrema importância. É aí que eles veem que existe uma pessoa por trás do livro, que o autor é de carne e osso”, explicou. Para ele, a presença de um quadrinista como Rafael Calça amplia o horizonte dos estudantes. “O texto não verbal fala muito mais do que uma palavra. Os quadrinhos se aproximam da realidade da escola, da vivência dos alunos, que são mais visuais. É uma linguagem contemporânea que os coloca mais à vontade”, concluiu.  O Combinando Palavras integra a 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, promovida pela Fundação do Livro e Leitura, e aproxima autores consagrados de estudantes da rede pública, que apresentam releituras literárias por meio de música, poesia, dança e teatro. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com . A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

  • Literatura, memória e resistência marcam o sexto dia da 24ª FIL

    Mais um dia com programação para todas as idades. A agenda desta última quarta-feira (20) trouxe uma programação que mostrou o livro como instrumento de formação, diálogo e transformação social Rafael Calça e Matheus Arcaro A quarta-feira (20), sexto dia da 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), apresentou uma programação distribuída por diferentes espaços da cidade, com encontros literários, contação de histórias, palestras, oficinas e rodas de conversa. Crianças, estudantes, escritores, artistas e representantes de instituições participaram das atividades, que discutiram temas como memória, resistência cultural, formação de leitores e o papel da literatura na transformação social. Logo pela manhã, mais de mil crianças ocuparam a esplanada do Theatro Pedro II para acompanhar o projeto Combinando Palavras, com a participação da escritora Socorro Acioli. Os autores André Luís Oliveira, Cidinha da Silva e Rafael Calça também participaram do projeto em outros locais.   Márcia Kambeba (Foto: Lucas Batista) No espaço Ambient de Leitura, a escritora e ativista indígena Márcia Kambeba, do povo Omágua/Kambeba, apresentou a contação de histórias “Maqueira de Tucum”. Às 10h, ela conduziu a palestra “Índio eu não sou”,  em que relacionou literatura, resistência e a preservação da língua originária. Márcia relatou o impacto da perda do idioma originário, ainda na infância, e como isso a motivou a transformar a dor em poesia. “Essa foi a minha primeira violência que o contato me trouxe. Quando eu fui crescendo, comecei a entender que eu tinha que fazer algo diferente. A violência que eu passei eu não queria que outros passassem. Comecei então a escrever poesia com 13 anos”, afirmou. Poesia independente Jô Freitas (Foto: Sté Frateschi) Ainda no período da manhã, no auditório Meira Junior, estudantes acompanharam a palestra da poeta e escritora baiana, Jô Freitas, criadora do Sarau Pretas Peri , que apresentou reflexões sobre gêneros literários e sobre seu livro de contos Goela Seca . “Independentemente do que as pessoas conheçam ou não, eu escolhi aquilo que estava mais próximo do meu processo de escrita. A ‘Joana’, personagem que aparece em todos os contos, me persegue. Agora, no próximo livro, ela volta a aparecer”, disse. Jô destacou ainda o papel da poesia no cotidiano. “A poesia me faz olhar o mundo com os meus olhos renovados todos os dias. E talvez isso faça a gente se tornar a gente mesmo. A gente se ilumina mais”, completou. Redação Vestibular A programação da tarde incluiu oficinas práticas, entre elas a de preparo de café e a de produção de aromatizadores. Também houve espaço para estudantes que se preparam para o Enem e vestibulares, em um bate-papo conduzido pelo professor de redação Fábio Itasiki. Ele destacou a importância da leitura como base para a escrita. “O repertório sociocultural é o que dá profundidade à redação. Sem leitura constante, não há como sustentar um bom texto”, afirmou. Itasiki chamou a atenção ainda para a influência do ambiente digital na formação de argumentos. “As redes sociais trazem muita informação, mas é preciso olhar de forma crítica para selecionar o que realmente contribui para a construção de conhecimento”. Segundo ele, a chave é aprender a relacionar referências diversas com os temas propostos nos exames. “Um bom repertório não vem pronto, ele se constrói com tempo, atenção e curiosidade sobre o mundo.” Poder da Literatura no cárcere Na Biblioteca Padre Euclides, uma roda de conversa tratou da leitura no sistema prisional. Representantes da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (FUNAP), da Polícia Penal, de universidades e de organizações sociais debateram temas ligados à humanização, ressocialização e remição de pena pela leitura. O diretor executivo da FUNAP, coronel Mauro Lopes dos Santos, destacou que a leitura é fundamental e indispensável nos processos de ressocialização. “O conhecimento liberta. O livro traz uma perspectiva de vida nova, abre o horizonte, desperta até o gosto pela leitura. A principal importância não é só a remissão da pena, mas a oportunidade de se descobrir e buscar novos caminhos”, afirmou. Já o escritor e presidente do Observatório do Livro, Galeno Amorim, destacou o poder biblioterapêutico do livro. “Quando a gente lê, nunca mais é a mesma pessoa”, disse. Esse impacto foi reforçado no depoimento de Carlos Andrade, ex-detento e agora advogado, que relatou ter encontrado na literatura “uma boia no oceano, capaz de me resgatar do mundo do crime e abrir o caminho para a educação e para uma vida transformada.” Dinâmicas do clima Os desafios climáticos foram o foco do debate de final de tarde na Tenda Sesc. Amanda Costa, do Instituo Perifa Sustentável; e Kamila Camilo, ativista climática e empreendedora social, comentaram os desafios das questões que envolvem os impactos das ações humanas na alteração do clima em âmbito global, e falaram sobre a importância das pequenas ações locais. “Falar sobre clima é falar sobre vida, saúde, moradia, transporte, alimentação sustentável, educação ambiental, porque tudo é atravessado pelas alterações climáticas”, destacou Amanda Costa. Ela também lembrou a relação entre questões climáticas e organizações sociais. “Na sociedade de classes, o dinheiro faz diferença quando há enchentes, por exemplo. Por conta disso, na periferia, esse debate sempre foi uma realidade”, completou.   Para Kamila Camilo, a união local é o caminho antídoto da questão. “Quanto mais as pessoas se unem localmente, mais impactos positivos teremos, mesmo com as demandas globais. Para todos os desafios do mundo, a resposta é comunidade”, destacou. As palestrantes explicaram também o tripé do enfrentamento às questões climáticas: mitigação, adaptação e resiliência. “Mitigar é reduzir movimentos negativos e danosos, como a emissão de CO2. Adaptação climática é a busca por alternativas para que as cidades possam lidar melhor com situações de eventos climáticos extremos. E a resiliência é a união de mitigação e adaptação, com iniciativas como, por exemplo, optar por construções mais sustentáveis antes de os problemas acontecerem”, esclareceu Kamila.  Finanças em ordem Outro bate-papo bacana na agenda de quarta-feira na FIL foi Planeje seu futuro com educação financeira , realizado no Espaço Oficinas Senac. A atividade apresentou conceitos essenciais para organizar as finanças pessoais, com foco num futuro mais seguro e sustentável economicamente. Da inadimplência gerada por consumo de impulso até a definição dos objetivos financeiros a partir de sonhos e metas, a palestra abordou pontos cruciais de educação financeira para quem quer colocar o bolso em ordem. “Compreender o valor do dinheiro é parte fundamental nesse processo, assim como ter clareza do diagnóstico financeiro que se tem no momento. Além disso, as decisões de consumo - que envolvem respostas honestas a perguntas como eu quero? eu posso? precisa ser agora? está no preço justo? - precisam ser consideradas antes de todas as compras”, salientou Thiago Gama, consultor em finanças pessoais e professor do Senac.   Dos livros para as telas Em mais um concorrido Salão de Ideias, a jornalista e escritora cearense Socorro Accioli - vencedora do Prêmio Jabuti 2023 de livro infantil - revelou que dois de seus livros serão transpostos para o cinema. “A cabeça do santo”  e “Oração para Desaparecer”  tiveram seus direitos vendidos para produtores cinematográficos e começam a ser filmados em 2026.  Numa conversa solta, Socorro Accioli falou sobre seu processo de escrita, a insegurança com seu próprio trabalho, e dos desafios e exigências que o ofício da escrita envolve. “A profissão de escritora exige paciência e se constrói lentamente. Antes de colocar o pé na seara, é preciso pensar na identidade como autora, entender o que se quer escrever, organizar o caminho do trabalho, além de ter repertório de leitura e de vida”, alertou Accioli.  A escritora comentou sua ligação com o universo da religiosidade, que pauta algumas de suas obras e sobre o interesse pela escrita desde a infância. “Nasci em uma família bem católica, mas meus questionamentos de fé me levaram a circular por diferentes experiências de religião. Por isso, não admito nenhum tipo de desrespeito com as diferentes formas de fé e  até, com a não fé das pessoas”, pontuou.  Socorro falou também sobre seu novo livro, que tem inspiração em um grupo de pessoas que sai de um hospital psiquiátrico e se instala num prédio abandonado em Fortaleza. “É um livro bastante diferente porque se afasta de cenários e referências religiosas, além de ser ambientado em locais que não existem mais”.

  • Concepção indígena sobre tempo e futuro pontuou a conferência de quarta-feira na 24ª FIL

    Com participação de Geni Núñez e Auritha Tabajara, a atividade destacou questões como luta anticolonial, etnogenocídio, ideia de progresso e desenvolvimento, e reconhecimento dos povos indígenas como guardiões da diversidade do planeta Geni Núñez e Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi) De volta à FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, a psicóloga e ativista indígena guarani Geni Núñez dividiu o palco da sala principal do Theatro Pedro II com a também indígena, Auritha Tabajara, cordelista e contadora de histórias, ganhadora do Prêmio Jabuti 2024, na abordagem do tema Futuros Possíveis - Povos Indígenas , um desdobramento da temática central da 24ª edição do evento. Na abertura, Auritha Tabajara cantou uma música tradicional de seu povo, em reverência à sua ancestralidade, à ancestralidade guarani de Geni Núñez, e à ancestralidade de todos da plateia. A psicóloga Geni iniciou sua fala agradecendo o convite da FIL. “É muito especial estar novamente nesta feira, ao lado da Auritha, uma das nossas grandes referências da literatura indígena, e cuja relação com a escrita e com a palavra é também fruto da nossa luta”. A ativista falou sobre o que ela acredita ser a maior força colonial sobre os indígenas. “Creio que essa força esteja naquilo que é posto em nome do bem, do amor, da família, de Deus, do futuro. E esse nosso encontro aqui é para, também, nos voltarmos à questão de avaliar o grau de alegria em nossa vida não pelo que virá, pelo progresso, mas pelo que temos agora. Se gostamos da nossa vida como ela está hoje, a propaganda de ter uma vida melhor não fica tão forte”, disse Geni Núñez, inserindo a reflexão sobre o que é progresso, o que é ser um povo desenvolvido, o que é ter vida melhor, a partir das crenças e conceitos impostos pela população não indígena. Geni Núñez e Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi) A palestrante citou a fala de um cacique de seu povo sobre não haver indígenas batendo às portas das casas tentando impor sua palavra a quem quer que seja. “Isso não acontece porque nós, indígenas, não achamos que nosso modo de pensar é superior ao do mundo todo. Não cremos nessa monocultura de pensamento e de existência”, salientou. Outro aspecto abordado foi a visão de que indígenas precisam aprender, crescer e se desenvolver. “É a ideia que o povo indígena precisa evoluir, progredir e melhorar porque somos atrasados. Tudo sob uma capa de ser tudo isso algo bom. Mas a gente tem certa desconfiança com o que é chamado de progresso e evolução. E isso também tem ligação com a questão do tempo, do futuro”, pontuou Geni Núñez, que é doutora em Ciências Humanas, destacando a luta do movimento indígena para que vozes como a sua e de Auritha sejam escutadas. Auritha Tabajara na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi) Queria ser um grão Auritha Tabajara falou sobre os conceitos de erro e sobre seu desejo de florescer dentro dos ensinamentos de seu povo. “Sempre acompanhei meus avós e pais no remexer da terra e adorava revirá-la dias depois do plantio para ver o crescimento das sementes. E pensava que também queria ser semente e brotar”. Na escola regular, ela conta que era colocada de castigo por ser inquieta. Na aldeia, ela explicou que não existe essa prática: “as crianças aprendem por meio da contação de histórias, com respeito à sua voz”. Foi nesse contraste que, aos nove anos, Auritha escreveu seu primeiro texto, chamado Grão , como forma de expressar o desejo de brotar. Etnogenocídio Geni Núñez na 24ª FIL (Foto: Sté Frateschi) Geni Núñez abordou as consequências históricas do Estatuto do Índio, lembrando que, antes de sua criação, eram profissionais não indígenas que definiam quem era ou não indígena, com base em critérios considerados científicos. Segundo ela, essa prática comprometeu a autonomia dos povos originários e invisibilizou suas narrativas. Em sua participação, destacou que sua pesquisa se concentra nas perspectivas Guaranis sobre a colonização e compartilhou alguns de seus poemas com o público. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com . A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

  • Literatura ganha voz, corpo e expressão no Combinando Palavras da FIL

    Estudantes que participaram do projeto nesta quarta-feira, 20 de agosto, transformaram leitura em arte no Theatro Pedro II, recriando a literatura de Socorro Acioli em múltiplas linguagens Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) Como sementes, as palavras encontraram terreno fértil nos jovens leitores que participaram do projeto Combinando Palavras nesta 24ª FIL   (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) .  Ao longo do semestre, cada texto lido germinou novas formas de criação: da leitura nasceram canções, coreografias, filmes, colagens, poemas, encenações, artesanato e até culinária. A literatura revelou-se como ponto de partida - um convite para que os estudantes desnudassem sua veia autoral. Desse processo, nasceram narrativas reinventadas e interpretações estudantis que se tornaram uma poderosa ferramenta de expressão artística. Desde sua criação, o Combinando Palavras  já envolveu mais de 50 mil alunos de escolas municipais, estaduais e particulares de Ribeirão Preto e região, além de mais de 300 professores em 230 escolas participantes. Ao longo dos anos, o projeto se consolidou como um espaço de encontro entre leitura e expressão artística, abrindo caminhos para que estudantes se tornem protagonistas do próprio processo criativo. Em 2025, cerca de 9 mil alunos mergulharam nas obras de autores convidados e  deram vida a novas formas de sentir e comunicar a literatura — reafirmando a força da palavra como ponte para múltiplas linguagens. Entre o livro e a cena Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) Para muitos dos estudantes envolvidos no projeto, subir ao palco foi a primeira experiência diante de uma plateia numerosa. Yasmin Alves Leite Corrêa ,  16 anos, da Escola Estadual Djanira Velho, lembra que já havia interpretado na escola, mas destaca a sensação de estar diante do público na FIL. “É totalmente diferente. Dá vergonha, mas também é muito especial. Depois do projeto, a leitura ganhou outra dimensão. Gostei muito”. Assim como Yasmin, outros alunos também descobriram novas conexões entre literatura e arte. Para Ryan Gomes da Costa, 15 anos, da mesma escola, o projeto abriu horizontes inesperados. “Foi uma alegria muito grande - minha primeira vez no teatro. Ver todo mundo aplaudindo foi especial. Eu já canto sertanejo e percebi que o  poema, o texto, tudo pode se transformar em música. A arte é muito linda e esse projeto mostra isso”. Se a música abriu caminhos para uns, a dança foi a linguagem escolhida por outros. Heylin Maria Faltão Calegari, aluna do 3º ano do Colégio Otoniel Mota, contou que transformar poemas em movimentos corporais exigiu improviso e sensibilidade. “Costumo dançar movida pela música, mas dançar também a partir de um poema foi muito diferente. A obra ajudou muito a entender sentimentos como mistério, tristeza, felicidade e empatia. Foi uma aprendizagem muito rica”. Socorro Acioli no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) Outros descobriram na literatura a porta de entrada para a criação autoral. Foi o caso de Denilson Oliveira , da Escola Estadual Jovem Felipe Gui Rocha,   que encontrou nos livros o impulso para escrever seus primeiros poemas. “Foi emocionante estar ao lado da autora. Eu comecei a fazer poemas a partir das leituras. Pretendo continuar, porque a literatura me inspirou a criar”. Para Matheus Rodrigues, também aluno da mesma escola, o processo coletivo foi o que mais marcou. “Trabalhar com a obra, do começo ao fim, trouxe repertório. Fizemos até uma canção autoral a partir do livro, com apoio da inteligência artificial para criar música com as palavras que escolhemos do texto. Foi uma experiência incrível”. Entre música, dança, teatro, cinema, poesia, artes plásticas e até artesanato, os estudantes mostraram que, quando a leitura encontra a criatividade, nascem novas linguagens, que emocionaram  não apenas os colegas e professores, mas também a própria autora. O olhar dos professores Socorro Acioli com os professores no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) Para os educadores, o projeto é também um exercício de transformação. A professora Débora Lino Giustin,da  Escola Estadual Jovem Felipe Gui Rocha admite que o início foi desafiador, já que os estudantes não conheciam a obra da escritora trabalhada. Mas, pouco a pouco, o envolvimento cresceu. “Eles se mostraram muito parceiros, dedicados e mergulharam na pesquisa sobre o livro e sobre a vida de Socorro Accioli. O resultado foi um trabalho emocionante”. O professor Alexandre Augusto dos Santos ,  da Escola Estadual Serra Azul, revela que a participação constante no Combinando Palavras tem proporcionado experiências únicas aos alunos. “Eles se transformam, se envolvem bastante e querem saber mais. Essa curiosidade gera muita criatividade na hora das releituras”. O professor  contou que, neste ano, em especial, eles ficaram fascinados pelo tom de mistério da obra de Socorro  e conseguiram relacioná-la com diferentes períodos da literatura, como a geração de 30, o pré-modernismo e a produção do Nordeste. “Foi muito rico acompanhar esse processo”. Já o professor Murilo Fernando Pereira, de Arte e Filosofia, da Escola Estadual Professora Neusa Maria do Bem, ressalta que o projeto foi além da leitura. “Os alunos não apenas leram, mas viveram o livro. Essa edição despertou a habilidade autoral dos alunos, que escreveram a Oração para Reaparecer  em resposta ao livro Oração para Desaparecer . Eles trouxeram de dentro o que tinham de mais íntimo”. Nesta quarta-feira (20) participaram das apresentações no Theatro Pedro II estudantes de diferentes cidades da região. De Ribeirão Preto, estiveram presentes alunos da Marista Escola Social Ir. Rui, da E.E. Professora Djanira Velho, da E.E. Alberto Santos Dumont, da E.E. Otoniel Mota, da E.E. Prof. Walter Ferreira, da E.E. Jovem Felipe Gui Rocha, da E.E. Vicente Teodoro de Souza e da E.E. Vereador Orlando Vitaliano. Também marcaram presença a E.E. Profª Neusa Maria do Bem, de Serrana, a E.E. Serra Azul, de Serra Azul, a E.E. Abel dos Reis, de Cássia dos Coqueiros, e a E.E. Dr. Washington Luís, de Batatais. A emoção da autora Apresentação dos alunos no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) Nascida em Fortaleza, Ceará, em 1975, Socorro Acioli é jornalista, mestre em Literatura Brasileira e doutora em Estudos de Literatura. Reconhecida pela produção de livros infantojuvenis premiados e traduzidos em diversos países, ela venceu o Prêmio Jabuti com Ela tem olhos de céu e também é autora de obras como A bailarina fantasma, A cabeça do Santo e Oração para desaparecer. Professora da Universidade de Fortaleza, onde coordena a especialização em Escrita e Criação, atua ainda como tradutora, ensaísta e palestrante. Com a experiência de quem conhece tanto o silêncio da escrita quanto a expectativa da recepção de um livro, Socorro se emocionou ao ver suas obras ganhando novas leituras pelos estudantes. “Estou muito admirada com a coragem de todos que subiram ao palco. A vida de um escritor é solitária, a gente escreve sem saber como o livro vai ser recebido. E hoje eu vi vocês reinventando as histórias, deixando os livros muito melhores do que são. Ninguém fez exatamente o que está no livro, todos recriaram, trouxeram para a realidade. Isso mostra que o livro foi lido e sentido. Só tenho a agradecer”. A autora homenageada pelo projeto Combinando Palavras reconhece que esse encontro teve um peso especial também para sua trajetória. “Para mim, esse momento é ainda mais importante do que para os estudantes.  O que eles fazem é o que realmente importa: ler e recriar. Ver essa semente germinar é o maior presente que posso levar dessa experiência”. Uma grande celebração da palavra O Combinando Palavras  confirma, ano após ano, que a literatura é um fio condutor capaz de costurar mundos e linguagens. “O projeto cresceu com a FIL e se tornou uma das nossas ações mais potentes. Ele cria vínculos reais entre os jovens e a literatura, formando professores e alunos como mediadores culturais em suas comunidades”, destaca Adriana Silva, curadora da FIL e vice-presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Para a gestora executiva da Fundação, Priscilla Altran, que conduz os encontros do projeto nesta edição da FIL, no palco do Theatro Pedro II, é nítido o crescimento que a experiência proporciona aos alunos. “Entre a leitura silenciosa e a criação coletiva, nasce a celebração da palavra. É o momento onde a solidão do autor provoca uma explosão criativa nos alunos. É um processo orgânico, multifacetado  e transformador”, conclui.

  • FIL celebra inclusão, diversidade e memórias em um dia de múltiplas experiências

    Terça-feira na 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto reuniu oficinas sensoriais, performances poéticas, atividades infantis, projetos sociais, debates, entre várias atividades  O quinto dia da 24ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto reforçou o caráter plural da feira, com atividades para todos os gostos e idades. A programação espalhada pela cidade mobilizou escolas, famílias, leitores, pesquisadores e amantes da cultura em oficinas, bate-papos, contações de histórias e intervenções artísticas. Para a curadora da FIL, Adriana Silva, “a diversidade é uma marca da FIL e está presente em toda a programação e nos espaços, tornando o evento um encontro cultural e socialmente inclusivo.”   Logo cedo, a energia contagiante de centenas de estudantes movimentou a feira. No Theatro Pedro II, eles se reuniram para um encontro do projeto Combinando Palavras com a autora Marília Marz, enquanto, na Praça XV de Novembro, múltiplos espaços fervilhavam com atividades simultâneas. Já no Teatro Sesi, a manhã ganhou novos contornos com a presença da escritora Cidinha da Silva, que conversou com os jovens e acompanhou a apresentação de trabalhos preparados em sua homenagem. Poesia em corpo e voz No auditório Meira Junior, a poeta e performer  Natasha Félix apresentou a palestra “Dançar o Poema”, explorando a relação entre palavra, corpo e oralidade. Em sua fala, destacou como a performance é um exercício de presença. “Pode ser um verso de uma música ou de um poema. Mas ajuda a gente a viver, a se sentir presente também. É raro, mas no palco, com o microfone ou quando estou escrevendo, sinto que estou no meu corpo, no meu lugar. É bom a gente se sentir vivo.” Natasha também refletiu sobre o risco criativo e a liberdade da performance. “Sempre tenho medo de mostrar um texto novo, mas eu gosto de sentir medo, porque tem o lugar de se sentir vivo”. Entre improvisos e jogos vocais, a poeta mostrou como a leitura oral dá nova vida aos textos e destacou ainda como a escrita é atravessada por parcerias e trocas: desde gravações caseiras durante a pandemia até diálogos com artistas do rap, do slam e da cena contemporânea, como Luna Vitrolira e Mel Duarte. Para ela, a poesia falada é viva, mutante e coletiva: “Essa escrita é sempre alimentada. A invenção, para mim, é uma saúde. Criar alianças, imaginar junto, sonhar junto — acho que é um pouco por aí.” Bem-estar em pauta A Jornada Sensorial: explorando o futuro através da Aromaterapia, realizada a partir das 14h e conduzida pela equipe do Senac Ribeirão, no Espaço Oficinas Sesc Senac, ofereceu ao público uma experiência prática e reflexiva sobre o poder dos aromas no cotidiano, sinalizando como eles podem influenciar emoções e memórias.  A proposta despertou curiosidade e abriu espaço para reflexões sobre como práticas sensoriais podem ser incorporadas ao cotidiano para ampliar qualidade de vida e equilíbrio pessoal. A fisioterapeuta e professora Juliana Santos Moraes, responsável pela oficina, explicou que a proposta foi “trazer uma vivência sensorial e aromática para desmistificar os conceitos da aromaterapia e mostrar a diferença entre óleos essenciais e essências sintéticas”.  Os participantes puderam produzir seus próprios aromatizadores — com opções calmante, energizante ou ansiolítica — e confeccionar pindas terapêuticas, feitas com especiarias como camomila, sal grosso e óleos essenciais, tradicionalmente usadas em massagens para proporcionar rejuvenescimento e bem-estar. Para Juliana, compartilhar esse conhecimento em um espaço como a FIL foi uma experiência valiosa. “Os óleos essenciais têm um poder terapêutico e precisam ser administrados com conhecimento. Estar aqui é uma possibilidade de orientar, esclarecer dúvidas e mostrar como as práticas integrativas podem ser incorporadas ao dia a dia, servindo como ferramenta de saúde e qualidade de vida”.  Encantos e sorrisos para o público infantil Histórias e brincadeiras marcaram a programação voltada às crianças. A contação “Histórias e Brincadeiras Africanas”, com Lorena Ramos, emocionou o público ao valorizar afeto, ancestralidade e orgulho da identidade negra. Já o espetáculo circense “Inutensílio”, da Cia Terrível, transformou objetos cotidianos em números de malabarismo e palhaçaria. Na contação “Miscelânea Literária”, Evaristo Moura conduziu crianças e adultos por uma jornada lúdica que misturou histórias, poesias e cantigas. Artes plásticas e meio ambiente Na Tenda Sesc, a vida, a obra e o ativismo ambiental de Frans Krajcberg foi o tema do bate-papo com João Meirelles, ambientalista e escritor, autor do livro “Frans Krajcberg - A Natureza como Cultura ”, biografia do pintor, escultor e fotógrafo polonês naturalizado brasileiro. Após 110 entrevistas com 80 pessoas e 40 anos de trabalho, o livro retrata a vida de Krajcberg a partir de diferentes perspectivas, todas vivenciadas pelo autor em sua caminhada de vida junto ao artista retratado. “É uma biografia vivida. Krajcberg era um incansável defensor da vida e um artista integral. Sem nunca abrir mão de seus princípios, ele deu os primeiros gritos ferozes no Brasil em defesa da natureza”, contou João Meirelles. Construtor de um acervo artístico que reúne trabalhos com materiais diversos como madeira, barro, papel e cerâmica, manipulados em diferentes técnicas, Frans Krajcberg foi, segundo o autor da biografia, um artevista , na medida em que sempre utilizou sua arte como forma de militância nas questões ambientais. “Não dá para dissociar a arte da natureza e, por isso, precisamos falar de Krajcberg hoje. A dimensão da sua obra é imensa e ele conseguiu, não sendo brasileiro, tirar o Brasil de dentro de nós”.  Realidade fantástica A agenda noturna começou com a palestra “Afrofuturismo” , que trouxe à FIL os autores Lu Ain Zaila e Fábio Kabral, para uma conversa sobre o gênero da literatura futurista a partir de referências e parâmetros da cultura e filosofia africana. Com curadoria do Instituto Abayomi e mediação de Lubicélia Santana e Helen Caetano, a atividade destacou a  produção literária negra no Brasil dentro do recorte específico da realidade, com os convidados contando sobre suas experiências nesse ambiente. “Todos os meus livros giram em torno da filosofia africana, dos orixás, do candomblé. Os terreiros aparecem como grandes corporações ou como reinos mágicos. Os jogos e desenhos animados - que via e lia desde criança - são minhas principais referências”, explicou Fábio Kabral, que se define como um escritor 100% afrocentrado. A pedagoga, professora e mestranda em Letras Lu Ain Zaila, destacou as dificuldades com as quais lida no processo de publicação de seus livros independentes. “É um processo de reconhecimento de possibilidades em contar histórias de lugares fantásticos com cenários e personagens que remetem à história do povo negro”, pontuou Lu Zaila, que atualmente escreve sobre Estudos Literários Negros no Brasil. Perguntado sobre dificuldades e/ou preconceito em torno da utilização de referências das religiões de matriz africanas em sua produção, Fábio Kabral foi pragmático. “Ninguém precisa saber nada de mitologia grega para ler os clássicos cheios de deuses e heróis. E ninguém precisa saber nada sobre orixás para ler meus livros. São apenas histórias”, finalizou. Show À noite, a atriz e cantora Mayana Neiva emocionou o público, na Tenda Sesc Senac, ao apresentar faixas de seu álbum Tá Tudo Aqui Dentro , em um mergulho pelas raízes nordestinas e latino-americanas. No Centro Cultural Palace, o Coral Sincovarp celebrou a força do canto coletivo, enquanto a Biblioteca Sinhá Junqueira recebeu o projeto Cine Barão, que exibiu o filme Hoje eu Quero Voltar Sozinho , seguido de debate com professores e alunos da Barão de Mauá. O encerramento ficou a cargo da psicanalista Maria Homem, que lotou a Sala Principal do Theatro Pedro II em um bate-papo instigante sobre gênero e identidade no mundo contemporâneo, fechando a terça-feira da FIL com reflexão, emoção e diálogo.

  • 24º FIL: Construções e desconstruções de masculino e feminino no mundo contemporâneo

    Bate-papo com a psicanalista Maria Homem encerrou a agenda de terça-feira (19) na 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) com reflexões, questionamentos e provocações sobre os papéis de homens e mulheres na sociedade atual Maria Homem (Foto: Sté Frateschi) O conceito, as construções e as desconstruções de papéis de homens e mulheres através da história da humanidade balizou o bate-papo da psicanalista e escritora Maria Homem com o público da 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), na noite desta terça-feira (19/8), encerrando a agenda do dia. Além da sala principal do Theatro Pedro II lotada, a atividade contou com público externo, que acompanhou o encontro por meio de telão na Tenda Sesc Senac. Maria Homem na FIL (Foto: Sté Frateschi) De maneira tranquila e raciocínio organizado, Maria Homem conduziu a plateia por uma viagem histórica sobre a evolução humana em relação ao lugar do masculino e do feminino, desde eras primitivas até novidades do momento como os movimentos TradWife  (esposas tradicionais) e Tinderela (busca digital por homens príncipes). “Esse lugar de homem e mulher na sociedade é um debate de milênios e que continua presente sem fechamento”, comentou a psicanalista. Para contextualizar a proposta temática do bate-papo (Coisa de menina e menino: o que significa ser homem e ser mulher no mundo de hoje?) , a palestrante abordou as questões de gênero e adequação social, pontuando fatos históricos como a chamada virada cristã, que tirou a humanidade de um conceito politeísta e evoluiu para o monoteísmo, desembocando em padrões patriarcais e absolutos para o funcionamento da existência humana. “Essa mudança religiosa também impacta o conceito de feminino e masculino”, explicou. Ao alcançar a contemporaneidade, Maria Homem abordou o esforço que as pessoas atualmente empenham para construir a individualidade, considerando a liberdade, a autonomia, a consciência, os desejos e os sonhos humanos. “Há diferentes formas de se construir e a grande problematização do contemporâneo é como se encontrar. Vivemos uma época de declínio dos contos de fada. A menina não é mais submissa e o menino não é mais o homem de ferro”, disse a psicanalista, reforçando que não há mais a polarização entre ser só razão ou ser só emoção. “Mulheres e homens podem sentir e fazer as mesmas coisas e a questão central agora é o que queremos construir no labirinto da contemporaneidade”, finalizou Maria Homem, que também é professora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), onde integra a equipe de pesquisadores do Núcleo Diversitas. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com . A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

  • Combinando Palavras reúne estudantes em encontros com Marília Marz e Cidinha da Silva na 24ª FIL

    Estudantes de escolas públicas e particulares apresentaram, nesta terça-feira (19), releituras e trabalhos inspirados nas obras das duas autoras durante a programação da Feira Internacional do Livro Combinando Palavras com Marilia Marz (Foto: Sté Frateschi) O projeto Combinando Palavras - que conecta escritores a estudantes da rede pública e particular, realizou nesta terça-feira (19), durante a 24ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, mais encontros com escritores – dessa vez com Marilia Marz e Cidinha da Silva. As duas atividades reuniram cerca de mil alunos em dois espaços da cidade: Theatro Pedro II e Teatro Sesi. Dos quadrinhos para o palco Combinando Palavras com Marilia Marz (Foto: Sté Frateschi) No Theatro Pedro II, cerca de 800 estudantes de 12 escolas da região participaram da atividade dedicada à ilustradora e quadrinista Marilia Marz, autora do livro Indivisível . Durante o encontro, os jovens apresentaram releituras, performances e produções inspiradas na obra da escritora.  Emocionada com as apresentações, Marília Marz ficou agradecida pela dedicação das escolas e carinho dos alunos. “Cada olhar e cada esforço direcionado ao meu trabalho é muito significativo. É por isso que escrevemos: porque o público ressignifica o nosso trabalho a cada leitura e apresentação. Saber que minha obra pode fortalecer esses jovens de alguma forma dá sentido ao que faço”, afirmou. Fabiana de Jesus Pereira, é professora da E.E. Deputado José Costa (Serrana), e participou pela primeira vez do projeto. “Os alunos se envolveram de uma forma que surpreendeu. O livro Indivisível  trouxe questões que impactaram até nossa equipe pedagógica. Foram 18 alunos no palco, mas trabalhamos o projeto com cerca de 360 estudantes”, contou. A professora Marisa Padilha, da E.E. Dr. Guimarães Júnior, também acredita no poder do Combinando Palavras por valorizar talentos muitas vezes ocultos no dia a dia da sala de aula. “É um projeto que abre espaço para que os alunos mostrem suas habilidades artísticas. A cada edição, voltamos para a escola com novas experiências e maior reconhecimento do potencial deles.” E.E. Deputado José Costa (Serrana) Experiência dos alunos Sabrina Bernardino da Silva, 18 anos, aluna da E.E. Francisco Ferreira de Freitas (Serra Azul), estava feliz em conhecer a autora de perto. “Foi uma experiência incrível, ainda mais para quem está terminando o ensino médio. É algo que vou guardar para a vida”, disse. A estudante Dinah Jaden, 17, da mesma escola, relacionou o livro à própria vivência de transição capilar. “Passei por esse processo recentemente e apresentar essa história no palco foi muito emocionante. O tema combinou diretamente com a minha vida.” Cidinha da Silva no Sesi A escritora Cidinha da Silva também esteve no Combinando Palavras nesta terça-feira (19) e se encontrou com cerca de 200 alunos da rede Sesi de Ribeirão Preto e região. Essa foi a segunda vez que a autora participou do projeto. “O que a gente mais quer é ser lida, dentro e fora da escola. Para muitos jovens, o contato com a literatura acontece apenas no ensino fundamental. Essas experiências se tornam memórias marcantes e podem ser o início de uma vida inteira de literatura”. A autora também relacionou o trabalho desenvolvido à necessidade de despertar o interesse pela leitura. “Acredito muito mais no gosto do que no hábito. O Combinando Palavras abre essa possibilidade, instiga perguntas e amplia horizontes”, completou. João Pedro Tavares Rios da Silva, de 13 anos, é aluno do Sesi Castelo Branco e conheceu a obra da autora neste ano. Após ler Os Nove Pentes da África , o aluno produziu quatro poemas. “Com a obra dela, aprendi a valorizar o que temos agora, porque às vezes não dá tempo de deixar para depois”, disse. O bibliotecário Adonai Takeshi Ishimoto, também do Sesi Castelo Branco, avaliou que o projeto cria uma experiência de leitura afetiva. “Aqui, eles escrevem não para serem avaliados, mas para serem afetados pela literatura”, conclui. Sobre o Projeto O Combinando Palavras chegou à sua 8ª edição consolidado como um dos projetos centrais da FIL. Com foco na formação de leitores, envolve professores de diferentes disciplinas em atividades pedagógicas que aproximam literatura, escola e vida cotidiana.  Os encontros com autores do projeto continuam até a próxima sexta-feira (22).

  • Combinando Palavras emociona estudantes e escritores na 24ª FIL

    Crianças, adolescentes e professores participaram do projeto da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto nesta segunda-feira (18/8). Os encontros com autores aconteceram no Theatro Pedro II, Teatro Municipal e no auditório do Colégio Moura Lacerda   Djamila Ribeiro no Combinando Palavras (Foto: Sté Frateschi) A 8ª edição do Combinando Palavras, atividade de formação de leitores que integra a programação da 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), iniciou os trabalhos com força e sensibilidade nesta segunda-feira (18/8). Mais de 1.700 alunos da rede estadual, municipal e particular de Ribeirão Preto e região se reuniram para celebrar a literatura e homenagear os autores Djamila Ribeiro, André Luís Oliveira e Luiz Puntel, em três espaços da cidade: Theatro Pedro II, Teatro Municipal e Colégio Moura Lacerda. Djamila Ribeiro: emoção e consciência no Theatro Pedro II Filósofa, ativista social, professora e autora homenageada desta edição da FIL, Djamila Ribeiro abriu a série de encontros ressaltando a importância da educação de base. Diante de uma plateia lotada, destacou o impacto do projeto promovido pela Fundação do Livro e Leitura. “Quero parabenizar quem realiza este projeto, que incentiva os estudantes a lerem e envolve educadores no trabalho com temas em sala de aula, nas escolas de Ribeirão Preto e da região. Isso é educação de base.” Joyce Mara de Oliveira e Manuela Ramos Santos da Silva (Foto: Sté Frateschi) Segundo a escritora, iniciativas como o Combinando Palavras ajudam a formar cidadãos conscientes.“Quando esse tipo de discussão começa cedo, criamos pessoas que entendem a educação como ferramenta de transformação.” Visivelmente emocionada, a autora também destacou a alegria de ver suas obras trabalhadas pelos jovens. “Estou profundamente emocionada. É um dos dias mais felizes da minha vida. Sinto que tudo valeu a pena.” A estudante Manuela Ramos Santos da Silva, de 17 anos, do PEI Cônego Barros, reforçou o impacto da experiência. “Sem a arte, a gente não vive, só sobrevive. É ela que ressignifica a nossa vida.” Augusta Raimo Rocha de Abreu e Sylvia Faria de Freitas (Foto: Sté Frateschi) A professora Joyce Mara de Oliveira, coordenadora de Língua Portuguesa na mesma escola, contou que o livro Cartas para Minha Avó  foi escolhido por permitir que os alunos explorassem suas próprias memórias. “Muitos se emocionaram durante o processo e reunimos uma coletânea dessas cartas para entregar à autora.” Já Sylvia Faria de Freitas, 16 anos, estudante do PEI Dr. Francisco da Cunha Junqueira, relatou o significado pessoal do encontro. “O Combinando Palavras me ensinou que nem sempre as coisas saem do jeito que queremos, mas que é preciso aprender a lidar, respeitar e crescer junto.” André Luís Oliveira: literatura viva no Teatro Municipal Combinando com André Luís Oliveira (Foto: Vikka Faustini) Outro homenageado da 24ª FIL, o escritor André Luís Oliveira reuniu mais de 700 crianças no Teatro Municipal em duas sessões marcadas por apresentações musicais, teatrais e raps, além de perguntas preparadas pelos alunos. “Saio daqui nutrido. O livro acontece quando chega às mãos das professoras e contadoras de histórias, porque é aí que ele ganha vida na alma e no coração das crianças. Fiquei maravilhado.” Mais do que o reconhecimento da FIL, foi o contato direto com os estudantes que emocionou o autor. “Meu trabalho foi dignificado pelas crianças e professoras que tornaram tudo isso possível.” A professora Jaqueline Sara (Jahnavi), da EMEF Sebastião de Aguiar Azevedo II, destacou o impacto coletivo do trabalho em sala. “A atividade envolveu todos os alunos, inclusive os da educação especial. O projeto deu espaço para cada um se expressar e descobrir talentos que talvez nunca tivessem mostrado.” Luiz Puntel: recepção calorosa no Moura Lacerda Veterano do Combinando Palavras, o escritor Luiz Puntel participou pela quinta vez da atividade, desta vez com estudantes do Colégio Moura Lacerda. Inspirados em Açúcar Amargo , os jovens prepararam uma recepção especial: horta, jardim sensorial e instalações táteis recriaram a atmosfera da obra. “Tudo foi feito pelos alunos, com apoio dos professores. Foi uma emoção muito grande.” Dentro do auditório, Puntel foi recebido ao som de “Maria, Maria”,  de Milton Nascimento, interpretada pelos próprios estudantes, e assistiu a um curta-metragem inspirado em sua obra. A programação ainda incluiu cordéis, caricaturas, releituras gráficas e até um painel baseado em Operários , de Tarsila do Amaral, reconstruído com rostos de boias-frias — personagens centrais do livro. “É maravilhoso ver que o livro deixa de ser apenas um objeto de prova e passa a ser algo vivo. Os meninos trabalharam de verdade, se envolveram, explicaram cada etapa. No final, ninguém queria ir embora. Nem eu”, afirmou Puntel. Até 2025, o Combinando Palavras acumulou a participação de 230 escolas, 300 professores, 50 mil estudantes de 14 cidades da região e 40 escritores. O projeto é realizado também nas feiras de livro de São Joaquim da Barra, Morro Agudo e Guará, e neste ano, estreia em Jardinópolis.   Nesta edição, os alunos estudam obras de 11 autores brasileiros: André Luís Oliveira, Marilia Marz, Rafael Calça, Milton Hatoum, Raphael Montes, Socorro Accioli, Stella Maris Rezende, Cidinha da Silva, Mauricio Negro, Luiz Puntel e Djamila Ribeiro, todos presentes na FIL para os encontros com os alunos.

  • “Ler é uma revolução”, enfatizou Leandro Karnal em conferência na 24ª FIL

    Na sala principal do Theatro Pedro II, o historiador, pensador e escritor destacou a leitura como caminho essencial para a construção de futuros melhores, afirmando que uma sociedade que lê “se torna mais pensante e mais crítica” Leandro Karnal na FIL (Foto: Sté Frateschi) A 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) recebeu na noite de segunda-feira (18) Leandro Karnal, reconhecido como um dos mais destacados pensadores brasileiros contemporâneos. Diante da plateia que lotou a sala principal do Theatro Pedro II, o historiador – também doutor em História Social – centrou sua fala na leitura como pilar fundamental para a construção de futuros menos temerosos. Karnal iniciou citando o escritor e filósofo português Padre Antônio Vieira, para introduzir sua primeira reflexão: “o futuro não pertence à humanidade, embora saber dele seja o desejo mais genuíno e coerente com a natureza humana” . Para o palestrante, a ficção científica costuma projetar futuros sombrios, com robôs, destruição, violência e ausência de esperança. “São raros os otimistas. Mas falar do futuro é importante, especialmente entre tantas utopias e distopias atuais”, afirmou. Ele lembrou que a utopia representa uma proposta de sociedade ideal, enquanto várias distopias escritas no passado já se materializam, como no caso da sociedade regida por telas descrita por George Orwell em 1984 . Livros, telas e futuros possíveis Leandro Karnal (Foto: Sté Frateschi) Em sintonia com o tema central da FIL – “Futuros Possíveis: entre linhas e parágrafos”  – Karnal defendeu o livro e a leitura como protagonistas na construção de alternativas menos sombrias. Ele citou a experiência da Finlândia, que por duas décadas substituiu os livros físicos por telas no processo de alfabetização. Segundo o pensador, no início da pandemia, percebeu-se que crianças haviam perdido a mobilidade fina, incapazes de realizar microoperações com os dedos. “Isso aconteceu porque deixaram de usar objetos simples como lápis, régua e borracha. O manuseio do livro físico, portanto, continua sendo essencial para o desenvolvimento humano”, destacou. Sementes, saúde e kairós Na parte final de sua conferência, Karnal abordou a leitura sob três perspectivas: promotora de saúde, semente de transformações e prática que qualifica o tempo presente. “Quanto mais interesses você tem, mais interessante você se torna. Lendo, formamos uma sociedade mais crítica e capaz de pensar bem. Nunca imaginei que, na minha idade madura, teria que lembrar às pessoas que vacinas funcionam e que a Terra é redonda”, disse. Leandro Karnal (Foto: Sté Frateschi) O historiador revelou sua prática de doar livros a bibliotecas como a da Fundação Casa, de penitenciárias e de trabalhos sociais como o do padre Júlio Lancelotti, todos na cidade de São Paulo.  O historiador também compartilhou sua prática de doar livros a bibliotecas de penitenciárias e instituições sociais. “A leitura nas prisões reduz o tempo de pena. Se existe algo capaz de tirar alguém da rua, é o livro. Livros não são peças de ouro: são sementes que precisam germinar em muitos lugares”, afirmou. Sobre a relação entre leitura e saúde, foi enfático: “Não quero que minha família me olhe como um inútil porque perdi a memória ou não consigo me mover sozinho. Quero continuar presente. A morte não me assusta, mas o pedágio dela, sim. Por isso, leio: quero que a morte me encontre vivo”. Encerramento Leandro Karnal (Foto: Sté Frateschi) Leandro Karnal encerrou sua participação expressando o prazer em integrar a programação da FIL e como recado final incentivou a leitura como prática cotidiana. “Leiam bastante, leiam com amor, leiam o que é necessário e o que não é também. Leiam sozinhos ou em grupos de discussão. Leiam por resistência humanista”, afirmou. Para ele, participar de uma palestra em plena segunda-feira à noite é uma decisão estratégica de aproveitamento do kairós  – o tempo qualitativo, da experiência significativa. “Me emociona ver este espaço lotado. Isso significa que todos aqui fizeram uma escolha de tempo caridoso, aproveitando o kairós ”, concluiu. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com . A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

  • 24ª FIL tem segunda-feira movimentada com palestras, bate-papos e atrações artísticas

    Programação trouxe também atividades variadas para as crianças, como oficinas, contações de histórias e teatro educativo, além de muita conversa literária. A agenda cultural segue até o próximo domingo (24), com opções para públicos de todas as idades A programação da 24ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto iniciou a semana recebendo público de todas as idades em suas diversas atrações. Oficinas, contações de histórias, teatro educativo e bate-papos literários marcaram a segunda-feira, que movimentou a feira com a participação de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Até o próximo domingo (24), a festa literária segue oferecendo, de forma gratuita, um leque plural de experiências culturais à população. Manhã educativa e musical A equipe da NeuroRib trouxe uma reflexão sobre o impacto das telas no cotidiano, especialmente entre crianças e adolescentes. O terapeuta ocupacional Lucas Pistori destacou a necessidade de resgatar a presença real nos encontros familiares e sociais. “ Hoje, vemos jovens constantemente conectados ao celular, mas pouco conectados às pessoas à sua volta. Precisamos resgatar vínculos de qualidade e interações mais profundas” , afirmou. A psicóloga Mariela Malveste reforçou os prejuízos do uso excessivo das telas desde a primeira infância . “O excesso de exposição digital faz com que muitos percam a dimensão do que é real e do que é possível. A melhor alternativa é oferecer presença de qualidade: dividir momentos, retomar valores, mostrar que aquilo que eles veem nas redes pode ser vivenciado também no mundo real” , explicou . Já a gestora Solani de Paula ressaltou a importância de ampliar esse debate para além do consultório, envolvendo escolas, famílias e espaços culturais. “Participar da feira nos permite desenvolver temas que são relevantes para estudantes e pais. É uma oportunidade de mostrar que existe outro tipo de conteúdo e que o contato humano continua sendo insubstituível” , completou. O grupo resumiu sua mensagem em uma frase-síntese: “Desconectar para conectar” ,  defendendo a busca por um equilíbrio saudável entre o digital e o humano. MC Marcelo Gugu (Foto: Bárbara Santos) Também na manhã, o MC Marcelo Gugu conduziu o público a uma viagem pela história do rap, mostrando como o gênero sempre foi usado como ferramenta de protesto e voz das periferias. Ele citou influências de grupos norte-americanos e destacou a chegada dos Racionais MC’s, lembrando que músicas como Diário de um Detento , escrita por Mano Brown, narram de forma visceral episódios marcantes como o massacre do Carandiru. “A palavra sempre foi usada para comunicar, para dar voz e fazer com que as pessoas se sintam parte da história” , afirmou. Gugu destacou ainda a técnica do storytelling  no rap — a capacidade de transformar letras em narrativas que transportam o ouvinte para dentro da realidade contada, quase como em um filme. “ Quando você ouve, parece que está vendo uma cena, vivendo aquilo. É a narrativa do povo, contada de dentro” , completou. Livros vivos À tarde, os bate-papos ganharam espaço na Tenda Sesc Senac. A mesa “Futuro Sustentável” reuniu as lideranças indígenas Alessandra Munduruku e Elisangela Baré ,  com mediação de Tatiana Amaral. O debate trouxe reflexões sobre preservação das florestas, das águas e dos territórios sob a perspectiva dos povos originários. “Nós também somos livros vivos. A oralidade é um livro: memória que cuida, ensina e cura”, afirmou Alessandra. A palestra “Inclusão é Ação”, promovida pela equipe do Programa Educação para o Trabalho – Trampolim, do Senac Ribeirão Preto, apresentou experiências de jovens participantes do projeto. Entre os destaques, estiveram um jogo interativo criado pelos alunos, o projeto Semáforo que Fala  – que conecta frutas a circuitos para acionar mensagens de alerta – e trabalhos nas áreas de confeitaria e moda. O aluno Luís Felipe compartilhou sua trajetória, e professores mostraram como o programa incentiva a interdisciplinaridade, a inovação e o protagonismo juvenil. Ainda no espaço do Senac, a professora Silmara Cristiane Gomes, doutora e pesquisadora em Administração, apresentou sua obra “Trabalho tanto, mereço um agrado” . No bate-papo, a autora discutiu o consumo como forma de compensação do trabalho e os impactos da falta de equilíbrio entre valores do trabalho e valores da vida. “ Tudo o que é não inteligente e não consciente está na esfera do consumismo, enquanto que, na esfera da compensação, há o consumo consciente, mais econômico e mais responsável” , explicou. Silmara destacou ainda a importância do autocuidado sem culpa, dos riscos de viver para atender expectativas externas e da necessidade de compreender o que realmente motiva cada indivíduo. Outro momento relevante foi o bate-papo “Entre Asfalto e Favela” ,  realizado com Aline Rocha e a equipe da CUFA Ribeirão Preto. O encontro abordou cultura, resistência, desigualdade e os caminhos de transformação social a partir das periferias. “Essa narrativa que propusemos é a junção do asfalto e da favela. Nós temos que andar juntos. A favela não é carência, é potência” ,  disse Aline. Potência feminina negra No início da noite, o auditório Meira Junior recebeu a Sessão Abayomi, com a filósofa e doutora em Filosofia Africana Katiúscia Ribeiro, que discutiu o pensamento africano contemporâneo e saberes filosóficos ancestrais como ferramentas de transformação social. “ Para muito além de um espaço físico, o quilombo é onde o povo preto está. Porque onde o corpo preto está, ali ele é. Rodas de samba, slams, espaços de movimentos negros diversos, tudo é quilombo, esse lugar de reorganização territorial” , afirmou. Katiúscia também abordou o conceito de mulherismo afreekana, que, segundo ela, propõe uma nova forma de pensar a vida a partir de um paradigma africano. “O papel das mulheres é transformador e, por isso, a cultura ocidental as apaga. Mulherismo afreekana é uma proposta política para que mulheres e homens caminhem juntos na tarefa de desafiar a lógica vigente de subalternização social” ,  explicou. Empréstimo de livros A Biblioteca Sinhá   Junqueira também integra a programação da FIL e disponibiliza ao público um acervo especial com obras dos autores presentes no evento. O cadastro para empréstimos é gratuito, ampliando o acesso às leituras apresentadas na feira e estendendo a experiência literária para além dos espaços oficiais. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site oficial da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com  . A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura do Governo Federal, da Secretaria Estadual da Cultural, Economia e Indústria Criativa, Sesc e Senac.

  • Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas anuncia vencedores em quatro modalidades

    Premiação foi realizada neste domingo (17), no Auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira, durante a 24º FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto  Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas (Foto: Bárbara Santos) O Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas, realizado pela Academia Ribeirãopretana de Letras (ARL), em parceria com a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, anunciou na manhã deste domingo (17) os vencedores do prêmio, durante a 24ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. Neste ano, a iniciativa recebeu mais de 500 inscrições de participantes de 77 cidades brasileiras e de países como Portugal, Alemanha e França. A premiação contemplou quatro modalidades – desenho, poema, conto e crônica – com temas inspirados em obras dos escritores homenageados desta edição da FIL. Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas (Foto: Bárbara Santos) Na categoria Desenho, voltada a crianças de seis a 10 anos, o primeiro lugar ficou com Thales Paixão Spirlandeli, da EMEF Eneida Pereira dos Santos de Aguiar, de Ribeirão Preto, com orientação do professor Vinicius Patrick de Pádua. O tema foi “Brincar com as nuvens e viver os sonhos”, baseado no livro O menino que andava sobre hipopótamos , de André Luís de Oliveira. Na categoria Poema, estudantes de 11 a 13 anos escreveram sobre “Cartas para o futuro”, também inspirado na obra de André Luís de Oliveira. O trabalho vencedor foi “O futuro veste esperança”, de Maya Yamasita Faraoni, do Colégio Ideal, de Ribeirão Preto, sob orientação da professora Larissa Fernandez. Na modalidade “Conto”, o tema foi “O silêncio das palavras”, com referência ao livro “Lugar de Fala”, de Djamila Ribeiro. A primeira colocada foi Sophia Sakamoto Giglio, do Colégio Athenas, de Cajuru (SP), autora de “O direito de dizer EU”, orientada pela professora Mirela Gisela de Oliveira Braga. Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas (Foto: Bárbara Santos) Já a categoria “Crônica”, voltada a autores adultos, teve como tema “À margem da vida”, inspirado em “O lado imóvel do tempo”, de Matheus Arcaro. O vencedor foi Lúcio Rodrigues Junior, de Tatuí (SP), com o texto “Vida à Beira: Nem Dentro, Nem Fora”. Durante a premiação, a professora e coordenadora do concurso, Rosa Maria de Britto Cosenza, também representante da Academia Ribeirãopretana de Letras, destacou a importância de manter o diálogo em torno da literatura. “Mais uma vez, agradeço pela organização e pela oportunidade de refletirmos juntos sobre a produção literária. É fundamental que possamos conversar a respeito do que está sendo criado”. No encerramento do concurso, o escritor Matheus Arcaro, homenageado nesta edição da FIL, deixou duas reflexões aos participantes: uma sobre educação e outra sobre literatura. “A educação é feita pelas pessoas, que são capazes de transformar o mundo. A literatura não salva o mundo, ela salva o minuto. E isso é suficiente: que os nossos minutos sejam salvos pela arte, pela literatura e pela cultura”. Coordenadora do concurso desde 2017, Bettina Pedroso, do Núcleo de Projetos da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, afirmou que o alcance desta edição superou as expectativas e acredita que a participação será ainda maior no próximo ano. “Recebemos mais de 500 inscrições do mundo todo. É sempre uma surpresa ver novos autores, professores e escolas participando. Essa troca nos impulsiona a fazer melhor a cada ano”. Sobre o concurso Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas (Foto: Bárbara Santos) Criado em 2000, o Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas faz parte da programação oficial da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. A iniciativa aproxima estudantes e público em geral da literatura e incentiva a produção artística inspirada em autores contemporâneos. Vencedores: DESENHO  1- Thales Paixão Spirlandeli 2- Sara Garcia Cáceres Pádua 3- Isabela Nader Lépore POEMA 1 - Maya Yamasita Faraoni 2- Samyra Beatriz Alves Oliveira 3- Lorenzo Mininati Gutierrez  CONTO 1- Sophia Sakamoto Giglio 2- Luiz Carlos de Arruda Junior 3- Guilherme Philipe de Almeida CRÔNICA 1- Lúcio Rodrigues Junior 2- Luíza Porfírio Martins Ferreira 3- Manuela Del Lama Titoto A programação completa da FIL 2025 está disponível no site oficial da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com   A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura do Governo Federal, da Secretaria Estadual da Cultural, Economia e Indústria Criativa, Sesc e Senac.

  • Show de Hélio Ziskind encerrou segundo dia da 24ª FIL

    Evento movimentou o domingo (17/8) com bate-papo sobre envelhecimento, futuro do trabalho, música para infância, show infantil, intervenções, mesas literárias, premiação de Concurso Literário e música que valoriza a cultura popular Hélio Ziskind (Foto: Sté Frateschi) A programação da 24ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto movimentou o último domingo (17/8) com atrações para toda a família. A esplanada do Theatro Pedro II, a Praça XV e os locais culturais do centro da cidade receberam atividades culturais e literárias, com destaque para o show de Hélio Ziskind e Banda com o show “Frevo é Muito Bom!” , que reuniu crianças em um repertório marcado por canções conhecidas da infância. Mesa Autores da Casa: Literatura Infantil (Foto: Sté Frateschi) A Biblioteca Sinhá Junqueira trouxe atividades voltadas para diferentes públicos. Pela manhã, a Mesa Autores da Casa: Literatura Infantil reuniu escritores independentes da região para discutir o papel da literatura na formação das crianças e a valorização da produção local. “A troca proporcionada por este encontro nos incentiva a mostrar nosso trabalho. Essa convivência gera amizades, parcerias e curiosidade do público, que acaba conhecendo obras diferentes”, disse. Para o escritor José Hilton, que participa pela terceira vez na FIL, o espaço é relevante para os autores independentes. “Falamos que o coração da FIL é a Praça XV, mas o estande dos autores locais é a alma. Aqui me senti mais acolhido do que em grandes bienais”, declarou. Para a autora Karina Gera, a literatura infantil tem impacto direto na formação educacional das novas gerações. “O livro se tornou o tijolo que vai construir os caminhos que a minha filha vai trilhar. Vejo que, a partir de uma história, ela muda a forma como enxerga o mundo. Por isso, agora também estudo Pedagogia, para colocar nos meus livros elementos que ajudem na parte educacional”, explicou. “Ver o trabalho de outros autores inspira e amplia as possibilidades criativas. Essa convivência nos ajuda a construir uma literatura melhor para as crianças”, completou a escritora Kátia Sentinaro. Reflexão e testemunho Ainda durante o período da manhã, o Salão de Ideias, com o ator e cineasta Evandro Manchini, trouxe reflexões de sua obra “Poder Falar – Quebrando o silêncio em torno do HIV”, lançada pela Cândido Editora, com prefácio da infectologista Marcia Rachid. O autor, que é portador do vírus HIV há 10 anos, destacou a importância de romper o silenciamento imposto pelo estigma, trazendo a literatura como espaço de reparação histórica e diálogo afetivo sobre HIV e Aids. “A maior cura que precisamos buscar é a do preconceito e da desinformação. Hoje, já é possível viver plenamente com HIV, mas ainda falta naturalizar essa conversa na sociedade”, afirmou o autor, que compartilhou sua própria trajetória para mostrar que é possível viver com qualidade de vida e dignidade. A gente envelhece porque deu tudo certo! Outra atividade que a FIL trouxe foi um debate sobre envelhecimento com a escritora Lena Nóbrega, no Quintal da Biblioteca Sinhá Junqueira. A obra A gente envelhece porque tudo deu certo - Viva , foi inspirada em seu livro (Não) quero me aposentar . O encontro reuniu leitores interessados em refletir sobre a passagem do tempo como parte natural da vida. “Envelhecer é sinal de que conseguimos superar desafios, escrever a nossa história e seguir vivendo. É preciso enxergar esse momento não como um fardo, mas como uma conquista que merece ser celebrada”, afirmou a autora. Premiações O domingo marcou também a premiação do Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas, promovido pela Academia Ribeirãopretana de Letras (ARL) em parceria com a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. A edição deste ano reuniu mais de 500 inscrições, com participantes de 77 cidades brasileiras e de países como Portugal, Alemanha e França. Habilidades para o Futuro  A escritora e especialista em inovação, Martha Gabriel, trouxe na Tenda Sesc Senac reflexões sobre seu mais recente livro A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial  e destacou que a humanidade vive hoje uma aceleração tecnológica sem precedentes, que exige novas formas de enxergar o futuro. Para ela, não basta mais reagir às mudanças, como se fazia até o século passado: é preciso aprender a antecipar cenários possíveis, prováveis e desejáveis, para que escolhas feitas no presente conduzam a caminhos melhores no futuro. Como exemplo, Martha citou a pauta climática, trabalhada por estudiosos desde as últimas décadas. “Falamos de sustentabilidade há 30, 40 anos porque lá atrás já existiam cenários mostrando o que aconteceria se não cuidássemos do planeta. Isso permitiu avanços importantes. Agora, é a mesma coisa: precisamos enxergar cenários futuros e agir no presente para que daqui a 10 anos estejamos no caminho certo”, explicou. Para a autora, “a chave é entender que não se trata apenas de prever futuros possíveis, prováveis e plausíveis, mas também de atuar nos futuros preferíveis”. A especialista também reforçou que a discussão sobre o futuro não deve estar limitada a profissões, mas sim às habilidades necessárias em qualquer área. “Não faz mais sentido falar de profissões, porque elas mudam muito rápido. Faz sentido falar de habilidades que permitem a qualquer profissional enxergar o que está acontecendo e se adaptar”, afirmou. Ao abordar o impacto da inteligência artificial, Martha alertou para o risco de priorizar apenas a produtividade. “Não é sobre fazer mais, é sobre fazer melhor. Nem tudo que é mais é bom", concluiu. Pensando a educação No início da tarde, a Tenda Sesc Senac ficou lotada para ouvir o autor homenageado pela FIL, Matheus Arcaro. O professor, escritor e filósofo ribeirão-pretano conduziu o bate-papo “Educação: Formação ou Formatação?” que abordou em uma conversa com o público os sentidos da educação, crescimento, repressão, escolas e desafios. Em um apanhado histórico, Arcaro trouxe nomes que, com seus pensamentos, ajudaram a moldar a educação que permanece até hoje, como Francis Bacon, René Descartes, Isaac Newton, Auguste Comte, passando por pensadores que propõem novos modelos de pensar o ensino, como Michel Foucault, Edgar Morin e Paulo Freire. “O que vemos hoje em sala de aula é que alunos, professores e currículos não estão no mesmo mundo. Os alunos são do século XXI, os professores são do século XX e o modelo pedagógico é do século XIX. Assim, não é possível diálogo e sem diálogo não existe educação”, refletiu o autor. Música para crianças Encantamento e nostalgia definem a passagem do compositor Hélio Ziskind pela FIL no domingo. Enquanto os pequenos tinham a oportunidade de ver de perto o músico responsável por sucessos como “Ratinho tomando banho”  e “Que som é esse?” , os pais reviviam uma trilha sonora que marcou gerações em programas da TV Cultura, como Castelo Rá Tim Bum, X-Tudo e Cocoricó. “Compor para criança exige que você a conduza, em qualquer tema que seja. É preciso conhecer a visão de mundo das crianças, as histórias que interessam a elas, pois a música vai ser sempre como um brinquedo”, disse Ziskind no bate-papo “Música para infância”, conduzido pelo cantor e compositor Márcio Coelho, na Tenda Sesc Senac. “No meu trabalho, eu sempre senti essa conexão. As crianças percebem que têm algo em comum entre o que eu crio e o que elas sentem”, completou o músico que, mais tarde, voltou ao palco principal do Theatro Pedro II para a apresentação do show “Frevo é muito bom!”, título de seu novo álbum, em que mostra canções inéditas, mas também revisita alguns de seus clássicos no ritmo da música tipicamente pernambucana.  Vidas Narradas No final do dia, a jornalista e escritora Daniela Penha conduziu a palestra “Vidas Narradas: o que aprendi escrevendo 500 trajetórias fantásticas de pessoas comuns”, no auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira. A atividade reuniu leitores e interessados em compreender como as narrativas de vida podem se transformar em pontes de empatia e conexão. “Somos afetados pelas histórias e elas aproximam mundos e dissolvem preconceitos. Não adianta pensarmos que não existe, mas existe preconceito sim. Quando temos a possibilidade de ler a história de alguém, ela pode dissolver isso”. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site oficial da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com   A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura do Governo Federal, da Secretaria Estadual da Cultural, Economia e Indústria Criativa, Sesc e Senac.

  • Durante o primeiro dia da FIL, Djamila Ribeiro reforça luta por igualdade por meio da educação

    Conferência com a professora, escritora e filósofa lotou a sala principal do Theatro Pedro II no encerramento do primeiro dia da 24ª FIL. Na ocasião, a autora homenageada desta edição também recebeu o título de cidadã ribeirão-pretana. Durante a tarde, a conferência internacional com Camila Sosa Villada e Amara Moira, promoveu um debate reflexivo sobre experiências socias, processos criativos e linguagem Djamila Ribeiro (Foto: Sté Frateschi) Numa atividade que reuniu homenagens e abordagem de temas que atravessam a história brasileira em diferentes perspectivas convergentes, a Conferência com a professora e filósofa Djamila Ribeiro lotou a sala principal do Theatro Pedro II no encerramento do primeiro dia da 24ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto). A programação teve ainda a Conferência Internacional com a autora argentina Camila Sosa Villada e Amara Moira, também escritora e doutora em Teoria Crítica. Djamila Ribeiro (Foto: Sté Frateschi) Referência nacional e internacional na esfera do ativismo social e da intelectualidade negra brasileira, Djamila Ribeiro - que é a autora educação homenageada pela 24ª FIL -, abordou questões diversas que foram desde a amplitude do conceito lugar de fala até a interseccionalidade dos desafios estruturais da sociedade. “É importante reconhecer o lugar de onde falamos, a partir de onde partimos socialmente. Não há como falar de classe sem falar de gênero, não há como falar de habitação e não falar de classe ou falar de economia e não falar de sexo. São dimensões interligadas e não dá para compreender uma sem a outra”, pontuou a filósofa.  Outro destaque de sua abordagem foi sobre a compreensão do lugar de fala como silenciamento. “ O lugar de fala não é calar os outros, mas entender que todos falam a partir de um ponto social. Muitas pessoas dizem que estão sendo silenciadas quando continuam usufruindo de privilégios. Escuta ativa também é lugar de fala e temos que estar dispostos a ouvir coisas que nos incomodam e a não tratar como inimigo quem discorda de nós. Silenciamento é diferente. É não ter oportunidades, é não ser publicado, é não poder ocupar espaços”, destacou.  A escritora também trouxe à sua fala os impactos das teorias raciais que ainda permeiam a sociedade. “As ideias absurdas do racismo científico do século 19 continuam influenciando a memória social. A sociedade ainda lida com a dificuldade de imaginar a mulher negra em determinados lugares de poder, as vendo somente em papéis estereotipados. Por isso, conhecer de onde vêm essas ideias é fundamental para desconstruí-las”, alinhavou Djamila. A escritora ressaltou a importância da educação como direito estruturante, inclusive desconstruindo a ideia do identitarismo. “Se hoje estou aqui, é porque tive a oportunidade de estudar. Não venho de uma família acadêmica e precisei aprender tudo dentro do movimento feminista e com políticas públicas de acesso. Educação é um direito coletivo que pode transformar a sociedade”. Sobre identidade, Djamila Ribeiro lembrou que, até 2016, 90% dos livros publicados no Brasil eram escritos por pessoas brancas, a maioria homens. “Como dizer que falar de raça e gênero é identitarismo, se o que está em jogo é a economia, a habitação, o acesso a políticas públicas? Essas questões não são acessórios. Elas são o núcleo da desigualdade no Brasil”, alertou. A conferência terminou com uma homenagem artística apresentada por artistas do Coletivo Abayomi. Entre homenagens e memórias  Djamila Ribeiro recebe título de Cidadã Ribeirão-pretana de Duda Hidalgo (Foto: Sté Frateschi) Na abertura da noite, Djamila Ribeiro recebeu o título de cidadã ribeirão-pretana, entregue pela vereadora Duda Hidalgo, proponente do projeto que representou a Câmara Municipal. A parlamentar ressaltou a importância do reconhecimento conferido à escritora. “Temos a honra de te chamar para ser cidadã da nossa cidade, Djamila. Todos os dias você transforma realidades. Escolheu não deixar o conhecimento restrito à academia e, por isso, é também uma educadora popular. Combater o apagamento da história dos negros e, sobretudo, das mulheres negras, é fundamental, e hoje deixamos marcada na história de Ribeirão Preto a sua contribuição”, disse a vereadora. Emocionada, a escritora contou sobre sua proximidade com a cidade - onde vive a família de seu companheiro - suas participações na FIL desde 2019, e falou sobre a responsabilidade de se tornar representante de uma cidade onde há muitas pessoas e movimentos de batalha por justiça social. “Estar aqui, na 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, um dos maiores encontros literários do nosso país, sendo homenageada na categoria Educação, é algo que me comove e me honra imensamente. Ribeirão Preto foi se colocando em minha vida de forma definitiva e receber esse título me traz lembranças muito fortes da minha própria trajetória”. A filósofa dedicou o título aos pais, reverenciando a história de quem atribui o sucesso do caminho que percorreu. “Sou filha de uma trabalhadora doméstica e de um estivador, pais que não puderam concluir seus estudos, mas sabiam o que a educação poderia significar na vida de seus filhos negros. Assim como sabiam da importância de levar cultura para dentro da nossa casa. Eles empenharam o esforço de uma vida inteira para que eu tivesse oportunidade”. Segundo a escritora, assumir essa cidadania é uma honra e um desafio. Precisamos de coragem para enfrentar as estruturas dominantes e precisamos de amor para construir uma sociedade mais justa. Para isso, o conhecimento, a cultura, a solidariedade e a luta coletiva são os instrumentos mais fortes que temos”, sublinhou. Conferência Internacional Amara Moira e Camila Sosa Villada (Foto: Sté Frateschi) A escritora argentina Camila Sosa Villada, autora de “Sou uma Tola por te Querer”, e Amara Moira, doutora em teoria crítica e autora de “Se eu fosse puta” e “Neca: romance em bajubá”, também participaram da primeira Conferência Internacional da programação. O encontro teve como eixo a literatura e trouxe reflexões sobre experiências sociais, processos criativos e linguagem. Camila Sosa Villada destacou a influência da cultura brasileira em sua trajetória. “As novelas brasileiras me marcaram muito na infância. A oralidade da televisão e da música popular foram uma escola para mim”, afirmou. Para a autora, foram esses elementos que a ajudaram a construir sua escrita: “Aprendi a contar histórias ouvindo antes de escrever. A palavra falada é uma herança que atravessa os livros que público hoje”. Amara Moira enfatizou a potência de ampliar o repertório sobre narrativas trans. “Não somos só histórias de dor, de marginalidade ou de violência. Também temos amores, cotidianos, desejos, afetos. Isso precisa estar nos livros”, disse. Amara ressaltou ainda a importância de romper com imagens cristalizadas sobre travestis. “A literatura abre espaço para mostrar que nossas vidas não cabem nos estereótipos que nos foram impostos”. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com . A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria Estadual da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Sesc e Senac.

  • 24ª FIL movimenta o primeiro sábado com debates, contações, saraus, música e dança

    O dia (16/8) terminou com a plateia lotada na conferência de Djamila Ribeiro, seguida dos shows da Banda Cidda e de Diego Figueiredo, além do espetáculo da Cia Cisne Negro no Teatro Sesi – um encerramento que reuniu diferentes linguagens artísticas para celebrar a diversidade da 24ª FIL Djamila Ribeiro (Foto: Sté Frateschi) O primeiro sábado da 24ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto foi marcado por uma programação cultural intensa, espalhada por diferentes espaços da cidade. Desde as primeiras horas da manhã, contações de histórias, oficinas, saraus, doação de mudas, lançamentos, debates, atividades interativas e exposições aproximaram públicos de todas as idades da leitura, da literatura e de experiências coletivas. Educação, Cultura e Cidadania (Foto: Sté Frateschi) Logo cedo, os debates da manhã se voltaram ao eixo central da Feira – “Futuros Possíveis: Educação, Cultura e Cidadania”  – com a participação do diretor acadêmico do Centro Universitário Senac, Eduardo Mazzaferro Ehlers, e o diretor regional do Sesc SP, Luiz Galina; mediados pela presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Dulce Neves . Para Ehlers, metodologias ativas deveriam ser prioridade nas escolas. “Isso incentiva o estudante a gostar de estudar e a ter espírito investigativo, além de estimular a capacidade de análise, trabalho em grupo e soluções criativas. Os projetos do Senac mostram isso de forma clara, porque despertam esse interesse”, afirmou. Já Galina citou Paulo Freire para reforçar a centralidade da cultura no processo educativo: “ A leitura do mundo precede a leitura da palavra. Antes do desenvolvimento educacional de qualquer pessoa, é preciso conhecer e interagir com o mundo em que se vive, E afirmou que isso orienta o trabalho no Sesc: “Oferecemos tudo para que a pessoa se desenvolva, mas ela precisa se entender como ser social, influenciado pelas tradições, pela história e pela cultura. A cultura é um modo de viver”, destacou. Olhar internacional Abou Kassoum (Foto: Vikka Faustini) Entre os destaques da manhã, a presença internacional do escritor marfinense Abou Kassoum trouxe um olhar ampliado no auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira, na palestra “ Literatura e Interculturalidade: Construindo Pontes por meio da escrita” .  Em sua fala, Kassoum destacou o papel da literatura como ponte cultural e de resistência: “Escrever, para mim, é uma forma de manter viva a memória do meu povo e, ao mesmo tempo, dialogar com outras culturas. A imigração, o deslocamento e a busca por identidade atravessam a minha obra porque também atravessam a vida de milhões de pessoas no mundo”. O autor que já passou por vários países e hoje vive na Colômbia, expressou que a literatura abre caminhos de compreensão entre realidades diferentes e, por isso, tem um papel fundamental na atualidade. “A palavra constrói e a palavra cura. Eu sou um africano que escreve para o mundo. E essa realmente é a ponte mais bonita que eu posso construir para conectar também essas culturas” , afirmou. Vozes da resistência No Salão de Ideias ,  às 11h, a escritora e ativista Mônica Benício lançou seu livro Marielle e Mônica: uma história de amor e luta  e compartilhou uma fala marcada pela emoção e pela memória de Marielle Franco, assassinada em 2018. “ Na verdade, eu ainda não sei exatamente o que estou fazendo. Se alguém tivesse me dito, na manhã do dia 14 de março de 2018, o que aconteceria naquela noite, eu teria dito que não daria conta. Mas naquela noite, morre uma Marielle e nasce outra, e morre uma Mônica e nasce outra. A busca por respostas e por justiça foi o que me fez me reorganizar” , declarou . Mônica Benício (Foto: Sté Frateschi) A vereadora também contou como sua história de amor com Marielle foi determinante para a construção de sua identidade: “A nossa relação teve um papel fundamental na minha vida, em especial pela construção da identidade e da sexualidade, que por muitos anos eu não nomeava nem de uma coisa, nem de outra. Eu entendi que ser uma mulher que ama outras mulheres é também subverter uma lógica de mundo que nos quer em um não-lugar, o lugar do servir e do doar” , afirmou. Mônica ressaltou ainda o papel da escrita e da memória como formas de resistência: “Contar nossa história, escrever nossas dores e afetos é também uma forma de lutar contra o apagamento. O livro nasceu da necessidade de manter viva essa trajetória de amor e luta, que é também coletiva” ,  disse, emocionando o público. Palavra do autor homenageado local Matheus Arcaro (Foto: Vikka Faustini) O escritor Matheus Arcaro, homenageado local desta 24ª edição, abriu sua participação com uma reflexão sobre a filosofia da linguagem a partir de Nietzsche. Ele explicou que as primeiras palavras nasceram da necessidade de sobrevivência, como gritos de alerta, mas logo se transformaram em metáforas para representar o mundo. “ Nietzsche vai dizer: a raiz de toda palavra é uma raiz artística, uma raiz metafórica. Quando eu digo ‘microfone’, não são microfones que saem da minha boca; é apenas um objeto que corresponde a outro objeto do mundo. São metáforas. E a hora que chega ao seu ouvido, é uma segunda metáfora” , destacou. A partir dessa reflexão, Arcaro percorreu a tradição filosófica de Sócrates, Platão e Aristóteles, ressaltando como cada um contribuiu para a tentativa de “congelar os significados” e estabelecer limites para o que pode ou não ser dito. Com humor, aproximou conceitos clássicos do cotidiano, trazendo exemplos da cultura popular e do esporte. Também destacou como o século XX foi decisivo para a virada dos paradigmas, além de abrir espaço para reflexões sobre fake news, verdade e manipulação da linguagem: “A filosofia nos mostra que não há neutralidade no discurso. Toda palavra é também um posicionamento” , disse, em interação com o público. A literatura infantil no centro À tarde, a jovem escritora Chiara Belle Accorsini de Carvalho participou de um bate-papo na Biblioteca Sinhá Junqueira, onde compartilhou sua experiência como autora infantil. Aos 12 anos, ela já acumula uma rotina intensa entre estudos e escrita: “ Eu tentava escrever um capítulo por semana. Nem sempre conseguia, mas fui aprendendo a conciliar. Agora, mesmo com mais compromissos, já sei como organizar minha rotina. Escrever virou um caminho sem volta, é viciante” , contou. Encerramento em grande estilo Ao longo do dia, autores, mediadores e o público circularam por espaços como a Praça XV de Novembro, Theatro Pedro II, Biblioteca Sinhá Junqueira e escolas parceiras, em uma agenda que combinou debates intelectuais, fruição artística e ações de formação de leitores. No fim da tarde e início da noite, a programação seguiu vibrante com o lançamento do livro “Oceano em uma Gota” , de Costi Sarantopoulos, o bate-papo sobre ópera da Cia. Minaz, a apresentação musical da Banda Cidda no Coreto da Praça XV e o espetáculo de dança “Que Tal o Impossível” , da Cia Cisne Negro, no Teatro Sesi. O grande momento do sábado foi a conferência de Djamila Ribeiro , referência no feminismo negro e no debate sobre desigualdades sociais, que lotou o Theatro Pedro II. Na ocasião, ela recebeu da Câmara Municipal o título de cidadã ribeirão-pretana e uma homenagem surpresa que celebra seu trabalho como referência de resistência e luta. O encerramento no espaço Ambient de Leitura – na Esplanada do Theatro Pedro II ficou por conta do show de Diego Figueiredo, violonista de renome internacional, que levou ao público uma apresentação marcada pela técnica refinada e pela emoção – coroando um dia que uniu literatura, música e dança. Agenda continua até o dia 24 de agosto As atividades da 24ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto tiveram início neste sábado (16/8). Trata-se de intensa programação cultural e literária, reunindo autores da cena nacional e internacional, além de oficinas, lançamentos, contações de histórias e apresentações musicais. Desde as primeiras horas da manhã, a Praça XV de Novembro, o Theatro Pedro II, a Biblioteca Sinhá Junqueira e outros espaços parceiros recebem um fluxo de atividades para públicos de todas as idades. A programação completa da FIL 2025 está disponível no site oficial da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: www.fundacaodolivroeleiturarp.com   A realização da FIL conta com a parceria da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Governo, Casa Civil, Educação, Cultura e Turismo, Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes, Fiscalização Geral e Saerp; do Ministério da Cultura do Governo Federal, da Secretaria Estadual da Cultural, Economia e Indústria Criativa, Sesc e Senac.

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