“A palavra empodera e traz altivez”, afirmou a poetisa Elisa Lucinda em bate-papo online

Live foi realizada no Dia dos Professores (15) pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto para discutir o tema “Crítica na Poesia”. Elisa relembrou o papel transformador da educação e indicou que a poesia, sempre ‘anti-bélica’, tem de ser trazida para as salas de aula


O projeto 40tena Cultural da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promoveu no dia 15 de outubro o Bate-Papo com o tema “Crítica na Poesia”, com a poetisa, escritora, jornalista, cantora e atriz, Elisa Lucinda. A autora já tem 18 livros publicados, entre eles “Menina Transparente”, que ganhou o selo “Altamente Recomendado” pela Fundação Nacional do Livro em 2002. Na live, ela falou sobre a força da poesia e da educação, contou sobre suas criações e explicou alguns de seus projetos educacionais. O encontro teve início às 19h pelo Instagram e plataforma oficial da Fundação, e foi mediado por Brenda Falcão, artista visual, tatuadora e integrante da coletiva de rua Sarau DisseMinas, que atua na divulgação da literatura marginal, arte e cultura local de Ribeirão Preto.

Brenda Falcão Elisa Lucinda

Elisa é reconhecida como uma das escritoras que mais popularizam a poesia atualmente, e sua atividade vai além da literatura: pode ser encontrada nos palcos de teatro, cinema e televisão. Por isso, não foi com surpresa que o público viu a live ser aberta com uma canção de Leci Brandão, cantada pela voz de Lucinda. “Sempre começo cantando, e canto por uma questão de ancestralidade: porque tenho muito indígena e muito preto na minha linha. Essa gente canta para tudo: para orar, para a vida, para a chuva, para a morte”, disse ela. Para Elisa, essa cultura dos povos originários faz muita falta na vida intelectual. “Quando a gente canta, recita um poema, a gente acessa outros lugares e afasta essa má-fama que os intelectuais têm. Os acadêmicos são muito chatos, muito arrogantes, muito pedantes, e não é para isso que a palavra serve”.


Em comemoração ao Dia dos Professores, 15 de outubro, Elisa também prestou sua homenagem. “Antes de tudo, quero oferecer minhas palavras e meu máximo respeito ao professor hoje. Eu sei que há professores que são verdadeiros centros culturais, que fazem encontros, debates, teatros. E eu sei que não há resultado na sala de aula sem o afeto. É preciso coragem e amor”, afirmou.


Elisa mencionou que é preciso toda uma aldeia para educar uma criança. Na visão dela, um professor ou professora é capaz de entender que a poesia é um incrível equipamento para acessar a empatia das crianças, e que por isso precisa voltar para a escola rapidamente. “Poema é conversa, ele flui. O professor precisa voltar para a sala de aula com essa potência. Precisa ser atraente, não pode ser a mesma aula de ontem. Nenhum aluno é obrigado a aguentar professor chato. Esse professor vivo é o que a gente não se esquece”.

Elisa recomendou a professores que conheçam o Casa Poema (@casapoemaoficial), instituição de ensino que fundou junto com a atriz Geovana Pires. “Entre na sala de aula cantando poema. Professor que não sabe direito, pode conferir na nossa escola, que ensina a falar poesia de um jeito coloquial”.


Ela explicou que sua escola ministra cursos online nesta fase de pandemia do Coronavírus. As aulas de poesia falada são para todos os públicos, de qualquer profissão. “Já tivemos moradores de rua, temos uma turma só de pessoas trans. O projeto é lindo e você prepara essa pessoa também para uma oportunidade de emprego”, contou.

Entre suas reflexões, Elisa comentou que não se tem notícia de nenhum poema que mande matar as criancinhas e garantiu: “a poesia é anti-bélica”.

Encontro com a poesia

O contato da autora com a poesia veio cedo. Aprendeu o primeiro poema aos oitos anos, em seu colégio de freira [para você ver que não adianta nada”, brincou]. Os pais achavam que ela tinha que estudar declamação e foi assim que começou a ter aulas desde pequena. “Na base da minha subjetividade só tem poesia. Quando comecei a escrever, foi como se eu descobrisse uma mágica. Desde pequena eu tenho um espanto pelas coisas, no bom sentido: me espanto com o meu jardim, com uma flor que se abre e enche o meu coração, com o céu quieto e nublado. E quando eu comecei a escrever, eu percebi que tinha aprendido pelos poetas a ferramenta para me espantar. Com a poesia eu declaro o meu amor por todas essas coisas”.


A escritora e professora vê também na poesia um papel social. Ela contou que já presenciou situações em que a pessoa não recebia uma educação real da escola ou dos pais, mas a poesia conseguiu acessá-la. “Esse cara que não é escutado e não tem lugar (a não ser que ele seja bandido, ganhe dinheiro e tenha um carrão), faz uma reviravolta com uma coisa invisível que é a palavra. Hoje moram nas favelas os filhos do sistema de cotas e eles transformaram suas famílias (continuam morando na periferia, mas criaram bibliotecas em suas casas). Então, acredito muito na palavra no Rap, da palavra do funk. A palavra empodera e traz altivez”.


Elisa disse ainda que é importante que a periferia tenha acesso a todos os tipos de cultura. “Eu quero todas as vozes, não quero um lado só mandando no outro. O menino aqui da zona sul ouve o rap, mas o menino da periferia não ouve outras coisas, porque acha que não é para ele”. Ela terminou a live também cantando.

40 tena cultural

A Fundação do Livro e Leitura de RIbeirão Preto é a principal responsável pela realização da Feira Nacional do Livro, a segunda maior feira a céu aberto do país. Em decorrência da pandemia do coronavírus, as atividades de sua primeira edição Internacional tiveram de ser adiadas para agosto de 2021. Com isso, a Fundação tem propiciado diversos encontros em plataformas digitais para que as atividades culturais não deixem de estar presentes, na chamada “40tena cultural”.


O projeto também tem como proposta incentivar as pessoas a ficarem em casa durante o período de isolamento social. Semanalmente são divulgadas atividades que abrangem desde as transmissões ao vivo com artistas e convidados até contação de histórias para crianças, show, dicas e discussões de livros. O cardápio de eventos é bem diversificado e usa tecnologias diferentes, mas todas com acesso fácil.


Para a diretoria da Fundação do Livro e Leitura, em todo este tempo de quarentena, a principal busca tem sido focada na continuidade das atividades promovidas, de maneira a assegurar os valores do DNA da instituição. A 40tena Cultural possibilitou à toda equipe da instituição continuar seu trabalho em home-office numa operação estruturada dentro dos protocolos da OMS (Organização Mundial de Saúde) e das autoridades brasileiras, em nível federal, estadual e municipal.

Como acessar a agenda cultural

A 40tena Cultural está sendo divulgada semanalmente nas redes sociais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Para participar, basta acessar os endereços online da instituição.

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