Renan Inquérito leva “Parada Poética” para crianças e jovens de Ribeirão Preto

Atividade foi exclusiva para estudantes do projeto social Obreiros do Bem e no Marista Escola Social Ir. Rui, na zona Oeste da cidade



Jovens do projeto social Sociedade Espírita Obreiros do Bem e do Marista Escola Social Ir. Rui tiveram uma experiência única nos dias 10 e 11 de março, em Ribeirão Preto. Em parceria com a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, o rapper, doutor em geografia e arte-educador, Renan Inquérito, levou seu projeto “Parada Poética” para os jovens das duas instituições. Mais de 200 alunos participaram das atividades.


“Assim como as folhas das árvores fazem a fotossíntese e liberam o oxigênio, a poesia se torna um fôlego para esses estudantes. Quem lê alguma coisa, numa folha de papel, que vem de uma árvore, também é oxigenado. Acredito na poesia como uma fotossíntese, sem lida, não há escrita”, disse Renan Inquérito que define a escrita da poesia como um ato de libertação, lembrando a escritora Eliane Brum, “eu escrevo para não morrer, mas também para não matar”.


Segundo ele, a ideia da Parada Poética é desmistificar a literatura como algo inacessível, acadêmico e erudito. “Tento apresentar para eles a literatura sem terno e gravata, longe da torre de marfim, da Academia Brasileira de Letras. A literatura simples, do dia a dia, para eles verem que tem poesia em tudo, nas músicas, nos grafites da cidade, nos para-choques de caminhões e portas de banheiros”.



Para Renan Inquérito, o poder da poesia não é mudar o mundo, mas sim transformar os jovens, os responsáveis por mudarem o planeta ou mesmo a rua onde vivem. “Como diz Paulo Freire, ‘as palavras não mudam o mundo, as palavras mudam as pessoas e essas pessoas mudam o mundo’”.


A mudança


Para os estudantes do Marista Escola Social Ir. Rui, Evellyn Lima de Santana, 15 anos, e Hevelyn Palma Tobias, 16, a participação no projeto foi definida como emocionante e inspiradora. “Eu não entendia a importância dos poemas e poetas. Mas no momento que ele começou a falar, eu senti essa emoção e importância”, relatou Evellyn.


Com a dinâmica do “Menor e Enorme”, o rapper propôs que todo “menor” – termo usado para identificar jovens com menos de 18 anos – na verdade, é “enorme” e ele deve se sentir assim. “Eu me inspirei muito, sobre o ‘menor e enorme’ e isso me motivou bastante”, contou Hevelyn.


Os educadores



Para Diego Bueno, coordenador pedagógico da Sociedade Espírita Obreiros do Bem, a “Parada Poética” ofereceu aos estudantes a oportunidade de contato mais próximo com a poesia. “Quando os escritores vêm até as instituições e nos bairros, eles promovem o desenvolvimento cultural da localidade. É essencial”, afirmou. O projeto existe há 42 anos no Parque Ribeirão Preto, na zona oeste da cidade – atende 150 estudantes (todos do bairro) e oferece atividades socioeducativas, habilidades socioemocionais, coral, judô, entre outras atividades culturais.


Já a professora de literatura do Marista Escola Social Ir. Rui, Ester Moreira, destacou que os jovens não têm acesso ao lazer e entretenimento, apenas ao que é acessível no celular. “Quando há atividades com a presença de poetas, como o Renan Inquérito, ela se torna um complemento para as matérias dadas na sala de aula”, comentou a professora.


A diretora do Marista Escola Social Ir. Rui, Neuzita de Paula Soares, destacou o fortalecimento e todas as possibilidades que os alunos podem ter com a atividade e ainda desconstruir os paradigmas que são impostos a eles. “Propostas como essa ampliam o repertório dos nossos estudantes e ampliam o repertório cultural fazendo com que eles compreendam a vida sob outros olhares”, destacou a diretora.

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