Estudantes ocupam a FIL em dia de encontros com autores
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Programação desta segunda-feira (31) reuniu formação de leitores, literatura oral, debates sobre arte e diversidade, apresentações artísticas, show de Tiê e conferência com Rita von Hunty

Estudantes de diferentes escolas ocuparam, nesta segunda-feira (31), a Praça XV de Novembro, a Esplanada do Theatro Pedro II e outros espaços do centro de Ribeirão Preto. Entre encontros com autores, contações de histórias, oficinas e apresentações artísticas, crianças e jovens participaram da programação da 25ª FIL – Feira Internacional do Livro voltada ao público escolar. Ao longo da tarde e da noite, a agenda reuniu literatura oral, discussões sobre mediação cultural e transformações digitais, literatura fantástica, música e conferência.
Combinando Palavras promoveu três encontros

O primeiro dia de atividades presenciais do Combinando Palavras teve três encontros. Luiza Romão e Márcio Fabiano receberam os alunos simultaneamente, às 8h30, enquanto Ilustralu participou da programação à tarde. Na Sala Principal do Theatro Pedro II, mais de mil estudantes da rede estadual apresentaram a Luiza Romão poemas, músicas, zines e pinturas produzidos a partir de suas obras. Nascida em Ribeirão Preto, a poeta recordou que também já esteve no lugar ocupado pelos jovens.
“Eu também sou de Ribeirão Preto. Eu estava aí no lugar onde vocês estão, pensando que um dia talvez pudesse estar aqui no palco. É muito emocionante estar aqui não só como artista, mas principalmente como homenageada”, afirmou.

Ao falar sobre o impacto da literatura entre as novas gerações, Luiza definiu a escrita como uma elaboração alimentada por memórias, pessoas e territórios. “As nossas palavras sempre serão coletivas. É muito bonito poder semear algumas palavras que, quem sabe, vocês colham e façam continuar existindo em outros corações e em outros corpos”, disse. A participação encerrou a agenda de Luiza no Brasil antes de seu embarque para um estágio de doutorado na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

No Teatro do Sesi Ribeirão Preto, Márcio Fabiano acompanhou quadrinhos, perguntas, dança e outras criações inspiradas em seus livros. “Eu, como escritor, não podia imaginar onde chegaria isso. Ver cada apresentação, cada pergunta, cada quadrinho, a própria dança, é muito emocionante”, afirmou.
Para o escritor, o contato com o público amplia os sentidos da obra. “O autor só existe se existir um leitor. A obra só é concluída quando ela é lida”, ressaltou. Diante dos trabalhos, perguntou: “Quantos escritores será que não estão aqui adormecidos entre eles?”

Às 14h, Ilustralu foi recebida por mais de 600 alunos da Etec José Martimiano da Silva, na Sala Principal do Theatro Pedro II. Teatro, dança, música, pintura e culinária estiveram entre as linguagens escolhidas para recriar principalmente o universo de Arlindo.
Sem conhecer previamente a dimensão da homenagem, a quadrinista reagiu com surpresa. “Eu não fazia a menor ideia. Estou chocada, meu Deus do céu, ninguém me deu spoiler de nada”, disse, entre risos.
Para Ilustralu, o encontro permitiu perceber o alcance da história entre os leitores. “Saber que alguém leu o meu livro e se sentiu acolhida com ele vale mais do que qualquer prêmio. Esse é o maior prêmio que tem”, concluiu.
Histórias, poesia e ancestralidade
Durante a manhã, estudantes também participaram de atividades sobre trânsito, educação financeira, história da cidade, meio ambiente, poesia e realidade virtual.
Na oficina Semeando Trovas, da seção de Ribeirão Preto da União Brasileira de Trovadores (UBT), os participantes conheceram essa forma de composição poética. A iniciativa leva trovas às escolas e busca retomar os Jogos Florais. “Para escolher um tema e criar uma trova, é preciso ler. A leitura estimula a criatividade e permite que eles se expressem pela palavra”, afirmou Helena Agostinho, presidente da entidade.
Foram distribuídas trovas relacionadas ao tema da 25ª FIL. “Nossa missão é semear trovas para colher os frutos no futuro”, disse Marcos Moreira, vice-presidente da UBT Ribeirão Preto.
À tarde, o sarau Futuro ancestral, conduzido por Vinícius Preto e convidados, reuniu literatura oral, rap, poesia e música na Tenda Sesc Senac. “O passado e o futuro têm uma conexão no presente”, afirmou Vinícius.
Na sequência, Gracyela Gitirana e Tânia Alonso apresentaram A saga da Cambaxirra, inspirada na obra de Ana Maria Machado. A história de um pássaro que luta para preservar a árvore onde construiu seu ninho mobilizou a plateia infantil. “Eles entram no universo da história e seguem junto com a gente”, contou Gracyela. “A leitura abre portas para recriarmos o mundo ao nosso redor”, acrescentou Tânia.
A programação teve ainda palestra sobre poluição dos rios, oficinas de artesanato afro e empreendedorismo, distribuição de livros e visitas mediadas.
Arte e público em diálogo

Às 17h, o bate-papo “Públicos em emergência”, com Diogo de Moraes Silva e Nilton Campos e mediação de Adriana Terra, discutiu as relações entre instituições culturais, obras de arte e espectadores, além dos desafios para acolher quem chega pela primeira vez a museus e espaços expositivos.
“A obra de arte é para qualquer pessoa, em qualquer instância da vida dela”, afirmou Nilton. Para ele, a renovação ocorre quando novos visitantes passam a ocupar esses locais. “É excelente quando eu olho e falo: ‘Nunca vi essa pessoa’. Porque, quando você vê os mesmos, não está acontecendo.”
Diogo defendeu a participação do público na elaboração dos significados produzidos pela arte. “A arte só existe relacionalmente. Eu, na função de artista, mostro algo para alguém que vai me responder à sua maneira. E essa é a existência pública da arte”, disse. Segundo ele, desconhecer os protocolos tradicionais dos museus “não deve funcionar como um pedágio” para participar do debate proposto pela obra.
Na sequência, Célia Felipe Silva conduziu, no Centro Cultural Palace, o encontro “Entre telas e gerações”, sobre as mudanças provocadas pelas tecnologias nas formas de aprender, trabalhar, comunicar-se e estabelecer vínculos.
Literatura fantástica, música e política
À noite, a sessão “Gerações jovens que escrevem”, da Editora Rocco, reuniu Ariani Castelo e Giu Murakami para uma conversa sobre literatura fantástica, processo criativo e representatividade.
Autora de O Abismo de Serena e Coração de Cristal, Ariani falou sobre a liberdade de transitar por diferentes vertentes da fantasia. “Eu gosto de ir para onde eu desejo, para onde eu posso explorar o tema que desejo trabalhar”, afirmou.
Giu apresentou As Frotas de Mabu, aventura que combina mitologia japonesa e elementos da Amazônia. Sua experiência como descendente de japoneses e mulher do Norte do Brasil influenciou a construção de Aiko, protagonista que vive no Pará. “Escrever As Frotas de Mabu também foi uma forma de preencher um vazio de narrativas em que eu pudesse me enxergar como protagonista”, contou.

No mesmo horário, Tiê ocupou a Tenda Sesc Senac com o show que celebra seus 15 anos de carreira. Em formato intimista, a cantora revisitou músicas como “A Noite”, “Amuleto” e “Mexeu Comigo”.
Às 20h30, Rita von Hunty e Renan Quinalha participaram, na Sala Principal do Theatro Pedro II, da conferência “Desejos em revolução: homossexualidades e mudanças políticas”. O encontro analisou a construção histórica das identidades e das formas de viver a sexualidade, o emprego da homofobia por regimes autoritários e as mobilizações da população LGBTI+.
Fotos:
@stefranteschi
@eubabifotografa
@vikkafaustini







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