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Primeiro dia da 25ª FIL reúne gerações no centro de Ribeirão Preto

  • há 1 dia
  • 7 min de leitura

Público acompanhou encontros com escritores e debates sobre bibliotecas, infância, finanças e sustentabilidade, além de cinema, ações educativas e apresentações musicais

Neste domingo (30), logo nas primeiras horas da manhã uma cena chamou a atenção no centro de Ribeirão Preto: mães e pais caminhavam de mãos dadas com os filhos pequenos em direção às atividades da 25ª FIL – Feira Internacional do Livro. Aos poucos, crianças, jovens, adultos e idosos ocuparam os espaços do evento. O encontro entre gerações, tema desta edição, ganhou forma entre livros, debates, cinema, esporte e música.

 

Ao longo do dia, a Feira se espalhou pela Esplanada e pelo Theatro Pedro II, Tenda Sesc Senac, Biblioteca Sinhá Junqueira, Centro Cultural Palace, Cineclube Cauim e outros pontos da região central. Literatura, formação de leitores, infância, cultura afro-brasileira, finanças, meio ambiente e saúde mental estiveram entre os assuntos abordados.

 

Na Praça XV de Novembro, uma contação de histórias dedicada às narrativas orais abriu a agenda às 8h30. A manhã também teve iniciativas culturais e educativas, como a intervenção “Ginga que Educa”, que aproximou capoeira, cidadania e enfrentamento ao racismo, e a intervenção “Pescaria Literária Esportiva”, do Grupo Urutau de Teatro Experimental.

 

Para Edgard de Castro, vice-presidente da FIL, a diversidade de linguagens amplia as possibilidades de participação. “A FIL cria espaços para que gerações e repertórios distintos se encontrem e ampliem nossa maneira de interpretar o mundo”, afirma.

 

Bibliotecas, leitores e novos autores


Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo e patrono da 25ª FIL
Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo e patrono da 25ª FIL

Na Tenda Sesc Senac, Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo e patrono da 25ª FIL, conversou com Adriana Silva, presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e curadora da Feira. Mediado por Thaís Heinisch, o bate-papo “Literatura e bibliotecas em ação: Sesc e Fundação do Livro e Leitura em diálogo” discutiu o acesso às obras, a formação de público e os desafios enfrentados por esses equipamentos culturais.

 

Galina e Adriana ressaltaram que as bibliotecas vão além da guarda e do empréstimo de títulos e que também funcionam como ambientes de convivência, descoberta e participação comunitária. A mediação realizada por bibliotecários, professores, educadores e agentes culturais apareceu como um dos caminhos para aproximar as pessoas da literatura.

 

Também às 10h, o auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira recebeu a premiação do Concurso Literário Professora Zoraide Rocha de Freitas, promovido pela Academia Ribeirãopretana de Letras (ARL). A cerimônia reconheceu trabalhos nas categorias estudantil e adulto e contou com uma homenagem à educadora, feita pela escritora Fernanda Ripamonte. Nesta edição, o concurso reuniu mais de 350 inscrições e a participação de 16 escolas. Na categoria adulto internacional, chegaram produções de várias regiões brasileiras e de países como Portugal, Moçambique, Alemanha, Coreia do Sul e Angola.

 

O vencedor foi Marco Antonio Coelho Moraes, de Mococa, com a crônica “O escritor e suas gerações”. Juliana Babuja, de São Paulo, conquistou o segundo lugar com “Herança de Fogo”, enquanto Lucas Cirillo Sampaio Cruz, também da capital paulista, ficou na terceira colocação com “A dedicatória”.

 

Segundo o presidente da ARL, Elias Antônio Neto, a iniciativa estimula a criatividade e o pensamento crítico. “O importante não é apenas o livro, mas a troca de ideias sobre o que foi lido. É nas diferentes visões de mundo que o ser humano evolui”, disse.

 

Na modalidade desenho, Cecília Rosa Oliveira, de 10 anos, estudante do Colégio Ideal, venceu ao interpretar o tema “Minha terra é um coração”, inspirado no hino de Ribeirão Preto. Já na modalidade conto, Maria Luiza Soares da Costa, de 15 anos, da Fundação Educandário – Colégio Camillo de Mattos, escreveu sobre as memórias e os sentimentos que ligam as pessoas à cidade. “Leia. Os livros abrem portas, e escrever é uma forma de colocar a sua voz no mundo”, aconselhou a jovem.

 

A manhã prosseguiu com oficinas, intervenções e apresentações coletivas. Na Tenda Sesc Senac, Kiara Terra conduziu a contação “Minha pessoa preferida”, sobre a relação entre um menino e a avó. Memória familiar, afeto e convivência entre idades atravessaram a narrativa.

 

Proximidade com o público


Patricia Lages
Patricia Lages

No início da tarde, a escritora paulista Patricia Lages apresentou, no Auditório Meira Júnior do Theatro Pedro II, a palestra “Economia Emocional – Os segredos para uma vida financeira saudável e equilibrada”. O tema foi a influência das emoções na relação das pessoas com o dinheiro.

 

Em sua primeira participação na FIL, Patricia ressaltou a presença dos visitantes e a oportunidade de conhecer quem acompanha seu trabalho. “Gostei muito de ver que a Feira é a céu aberto e que as pessoas realmente comparecem, gostam da leitura e participam. A gente sabe quantos livros vendeu, mas não sabe quem comprou. Aqui, a gente encontra o leitor. Essa aproximação é muito rica”, afirmou.

 

A infância como território de criação

Às 14h, Flávia Lins e Silva e Ilan Brenman participaram, na Tenda Sesc Senac, do bate-papo “Entre histórias e travessuras: encontros que viram livro”. Os autores falaram sobre a criação literária para crianças e jovens e sobre experiências cotidianas que podem dar origem a personagens e narrativas.

 

Denise Nobre
Denise Nobre

Criadora de séries como “Diário de Pilar” e “Detetives do Prédio Azul”, Flávia abordou as conexões entre literatura e audiovisual. Autor de mais de 80 obras, Ilan compartilhou aspectos de sua relação com a oralidade e com a escrita voltada a leitores de várias idades.

 


Às 15h, também na Tenda Sesc Senac, Denise Nobre, idealizadora do portal e podcast Sarangbang analisou o crescimento da literatura da Coreia do Sul no Brasil. Ela explicou que o interesse foi impulsionado pela expansão da cultura pop do país asiático, mas que os livros conquistaram espaço próprio entre os brasileiros. “Os leitores estão procurando cada vez mais narrativas diferentes. Tem muita gente que chega pelo K-pop e pelo K-drama, mas a literatura é um lugar muito próprio”, afirmou.

 

Futebol, infância e educação sentimental


Luiza Romão
Luiza Romão

No Auditório Meira Júnior, Luiza Romão apresentou a palestra “Infância, futebol e literatura: Ontem eu vi meu pai chorar”. A partir de seu primeiro livro infantil, a escritora e poeta abordou as lembranças ligadas ao esporte, as relações familiares e as barreiras enfrentadas pelas mulheres no futebol.

 

Na obra, a protagonista procura compreender por que encontrou o pai chorando pela primeira vez. Ao comentar a cena, Luiza questionou a ideia de que os homens devem esconder fragilidades e conter as emoções. “Eu fico pensando como o futebol poderia ser um espaço de educação sentimental. Está tudo bem chorar quando você tem uma frustração na vida. É possível elaborar essa emoção de outra forma”, declarou.

 

No mesmo horário, o nadador Nicholas Santos compartilhou sua trajetória no Ambient de Leitura. Ele relembrou o início na natação, aos seis anos, por influência do pai, e falou sobre conquistas, dificuldades e incertezas vividas durante a carreira.

 

Nicholas Santos
Nicholas Santos

Nicholas relacionou a alta performance ao cotidiano, mostrando que disciplina, planejamento e persistência não estão restritos aos atletas profissionais. “A gente pode decidir viver em alta performance”, resumiu.

 

Literatura, natureza e transformação social

A programação das 15h também ocupou diferentes ambientes da Biblioteca Sinhá Junqueira. No auditório, Clarice Sumi Kawasaki, Fernanda Keila da Silva, Ruy Ferreira e Marcelo Kuno apresentaram o processo de criação de “Arboretos Literários: árvores descritas, escritas e imaginadas”.

 

A obra reúne literatura, botânica e artes visuais para refletir sobre as relações entre as pessoas e a natureza. Durante o diálogo, os participantes chamaram a atenção para a presença da pauta ambiental na produção literária e para a necessidade de preservar as florestas urbanas. “A árvore nos conecta com a terra, faz esse aterramento necessário para o mundo”, afirmou Clarice.


Danielle Marques
Danielle Marques

No quintal da biblioteca, Danielle Marques relatou, em “Como a leitura me levou ao Vale do Silício”, sua trajetória de transformação por meio da educação e do empreendedorismo. Ela contou como o acesso ao conhecimento abriu caminhos até um dos principais polos mundiais de tecnologia e inovação e defendeu maior diversidade nos espaços onde são tomadas as decisões sobre o futuro tecnológico.

 

Na Praça XV, a oficina “Arte do Rabisco” convidou os participantes a transformar traços e formas em personagens, letras e ilustrações.

 

Das páginas para as telas

No Cineclube Cauim, a exibição de “Love Kills” foi seguida pelo bate-papo “Dos quadrinhos para o cinema”, com Luiza Tubaldini e Edgard de Castro, sob mediação de Ana Rocha. A adaptação de uma graphic novel para o audiovisual orientou a discussão, que passou pelas escolhas de ritmo, som, movimento, montagem e atuação envolvidas nesse processo.

 

No mesmo período, o sarau da União dos Escritores Independentes ocupou o Centro Cultural Palace. O Ambient de Leitura recebeu o Sarau Autores da Casa, enquanto Vinícius Preto apresentou “Analogia de Quebrada” na Praça XV.

 

Sustentabilidade e justiça social

No final da tarde, a cientista política Sabrina Fernandes e a mediadora Tatiane Bosconi participaram do bate-papo “Reexistências: ecossocialismo”, na Tenda Sesc Senac. A abordagem partiu do livro Ecossocialismo, de Michael Löwy, para relacionar a crise climática às desigualdades sociais e ao modelo econômico vigente.

 

Sabrina defendeu que os problemas ambientais sejam analisados a partir de causas estruturais, como a concentração de riqueza, os modos de produção e consumo e a gestão dos recursos naturais. “Não é suficiente apenas derrotar o capitalismo. É preciso ir além do capital”, afirmou, ao sustentar que justiça social e sustentabilidade dependem de mudanças mais profundas na organização da sociedade.

 

Na Biblioteca Sinhá Junqueira, a palestra “Educação para a democracia e relações étnico-raciais” teve a participação de Silvia Helena Seixas, coordenadora do Instituto Plural. Ela defendeu a educação como instrumento de promoção da equidade, da diversidade e do enfrentamento ao racismo.

 

“A escola é um recorte da sociedade. Tudo que tem na sociedade está dentro da escola. Cultura negra tem que estar no currículo. Combate ao racismo e respeito têm que ser discutidos todos os dias”, enfatizou Silvia.

 

Também na biblioteca, Jenny Rugeroni, Lucas Lotério e Tiago Pratis participaram do encontro “Autores da Casa: literatura e saúde mental”. O grupo refletiu sobre o papel da escrita como instrumento de acolhimento e elaboração das experiências relacionadas ao sofrimento psíquico, além da responsabilidade dos autores ao tratar desse assunto.

 

Em outros locais, rap, poesia falada, canto coral e música de raiz marcaram o começo da noite: o grupo A Viola é a Minha Paixão se apresentou no Centro Cultural Palace e o Coral Pop Minaz ocupou a Praça XV de Novembro.


Guilherme Arantes
Guilherme Arantes

O domingo terminou no Theatro Pedro II, onde Guilherme Arantes apresentou o espetáculo comemorativo de seus 50 anos de carreira. O repertório percorreu diferentes fases da trajetória do cantor, compositor e instrumentista, com canções como “Um Dia, Um Adeus” e “Meu Mundo e Nada Mais”, além de trabalhos mais recentes. A cantora Tiê também subiu ao palco e fez uma apresentação ao lado de Guilherme Arantes.


Guilherme Arantes
Guilherme Arantes

Ao longo do primeiro domingo da 25ª FIL, públicos de diferentes idades acompanharam atividades de literatura, cinema, esporte e música, além de debates sobre temas contemporâneos. A Feira prossegue até 5 de setembro, com programação gratuita em vários pontos de Ribeirão Preto.


Fotos:

@stefranteschi

@eubabifotografa

@vikkafaustini

 
 
 

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