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  • “Precisamos retomar a capacidade de sonhar”, ressaltou Gregório Duvivier durante a 23ª FIL

    Salão de Ideias com Natasha Félix e Renato Noguera, bate-papo sobre Graciliano Ramos e lançamento de livro sobre Rita Lee foram outros destaques da agenda neste início de semana literária internacional Assuntos como poesia, sonhos e o reencontro com a comicidade balizaram a Conferência do humorista e escritor Gregório Duvivier na 23ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto), na noite desta segunda-feira (5). Na sala principal do Theatro Pedro II lotada, Gregório estabeleceu uma troca divertida e inteligente com a plateia, sem perder de vista reflexões e questionamentos sobre a forma de conduzir a vida cotidiana. A partir do mote da valorização de situações e acontecimentos considerados insignificantes no dia a dia, Duvivier usou seu próprio ofício como pano de fundo para falar sobre a vida, a ludicidade, o Brasil e suas contradições e sobre a importância do fazer e gostar de coisas que não “valem nada” na lógica da dívida, abrindo espaço para a lógica da dádiva. “É legal sairmos da ideia do acúmulo e entrarmos na esfera do encantamento, retomando nossa capacidade de sonhar”, disse o humorista. Duvivier não deixou escapar referências poéticas de diferentes autores brasileiros, reforçando o poder das palavras. “Nascemos engraçados, mas vamos perdendo essa graça ao longo da vida. Vamos esquecendo o poder das palavras”, salientou. No encerramento, uma fala sobre o país. “O Brasil é um país em construção, em invenção. Um país que a gente precisa aprender a sonhar com ele”, finalizou. Pensar é um ato cardíaco! Outro espaço concorrido no dia foi o auditório Meira Júnior, para o Salão de Ideias com o filósofo Renato Noguera. Com mediação festiva da poeta e slammer  Roberta Estrela D’Alva, Noguera abordou a questão central do que é e para que serve a Filosofia - a partir do papel central do afeto nas relações humanas. “Mais que mercadorias, o que trocamos com os outros o tempo inteiro é afeto. O pensamento é um ato cardíaco, um ato afetivo”, disse na abertura de sua participação. O movimento de instigar a plateia com reflexões bem ao gosto da ciência filosófica foi escolhido por Noguera para inserir na conversa recortes da Filosofia Africana, da qual é pesquisador. “Na visão africana, não há cisão entre alma e corpo. Os afetos são divididos em primários, como o medo; secundários, como a ansiedade; e terciários, como os pensamentos. Somos seres narrativos e afetivos”, disse o palestrante, também escritor, dramaturgo e roteirista de histórias infantis. Na abordagem levada pelo público sobre relacionamentos gerais, Renato Noguera foi contundente ao afirmar que em todas as esferas, as relações humanas são desafiadoras porque exigem disponibilidade para amar e para a troca que isso implica. “E elas se tornam difíceis porque as pessoas não têm energia afetiva para essa troca e para lidar com os limites próprios e do outro. O amor é afeto catalisador de bem estar e a gente se organiza pelo amor. Mas no déficit de reconhecimento, a gente grita”, finalizou.   Música no livro O rock e sua rainha brasileira foram o tema do bate-papo com a jornalista e pesquisadora musical Chris Fuscaldo e Júlia e Bárbara Bartsch, filhas do músico ribeirão-pretano Henrique Bartsch, autor do livro “Rita Lee mora ao lado: uma biografia alucinada da rainha do rock” , que teve lançamento de nova edição na FIL. No auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira (BSJ), o público conheceu um pouco mais sobre o processo de produção da obra e sobre o autor, falecido em 2011, engenheiro civil que se dedicou à construção musical no Grupo Nós.   Responsável pelo resgate e reedição do livro, Bárbara Bartsch contou que sempre foi importante para ela fazer uma homenagem ao pai. “Como não toco, nem canto, encontrei na reedição do livro a oportunidade para essa homenagem”, disse a caçula de Henrique, que se surpreendeu ao saber que Rita Lee era para ser chamada Bárbara. Essa história foi contada por Henrique Bartsch em entrevista ao ex-jogador Sócrates, exibida na Biblioteca Sinhá Junqueira. Outros vídeos e várias fotografias mostradas sintetizaram a cronologia da vida pessoal do autor e revelaram curiosidades da relação dele - e da família -, com a roqueira mais famosa e querida do Brasil.   Doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade, Chris Fuscaldo falou sobre sua relação com Henrique Bartsch, no início dos anos 2000, do encontro recente com Bárbara e sobre a reedição do livro, feita por sua editora (Garota FM Books). Um dos artistas locais que ajudaram a recuperar o Theatro Pedro II após o incêndio que o deixou fechado por 16 anos, Henrique Bartsch passou mais de três anos conversando com Rita Lee por e-mail antes de escrever o livro. O encontro contou ainda com participação do fotógrafo Délfico Marques, estudioso da linguagem iconográfica das capas de discos.   Poesia e sonho Outro encontro que movimentou o auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira foi com a poeta Natasha Félix. Processos de escrita e sonhos foram temas colocados na roda de conversa, que começou com a referência à sua própria família, onde o lado materno era formado por professoras e lado paterno por analfabetas. O processo de escrita do seu livro “Use o alicate agora”  também foi abordado. Para Natasha, o poeta é diferente do escritor porque, o segundo, tem a necessidade de ter um livro. “O poeta lida com a palavra de outro jeito, sem depender dela escrita. Você fala o poema e palavra falada é mais poética e mais visceral do que um material físico”, ponderou.   Tenda Sesc Graciliano Ramos foi tema de bate-papo na Tenda do Sesc. O escritor Edilson Dias de Moura e o ator Eduardo Silva abordaram as diferentes facetas do autor brasileiro, a partir do livro “Graciliano: romancista, homem público e antirracista” , de autoria de Moura. A conversa ainda teve leituras de textos extraídos do livro de Edilson e partilhamento da história do autor, que começou a ler aos 29 anos, justamente com livros de Graciliano Ramos. “Foi esse início do meu percurso na leitura que culminou na minha formação na Faculdade de Letras na USP, um sonho que eu tinha desde criança, quando morava próximo à universidade”, contou Edilson Moura.   O texto “Angústia” , escrito por Ramos nos anos 1930, quando foi injustamente preso, também foi lido. “Aconteceu com Ramos e acontece com grande parte de nós, não brancos, em meio à falsa abolição que vivemos. E a partir do momento em que não nos incomodamos com isso, nos tornamos coniventes com o racismo e a escravidão”, finalizou o ator Eduardo Silva.   Visita oficial Nesta segunda-feira, a FIL teve também a visita da secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, Marília Marton. Ela ressaltou a relevância da economia criativa no contexto da educação e da literatura e explicou que essa forma de produção está presente em todos os segmentos culturais. “A cultura, muitas vezes, é vista apenas como o que acontece no palco ou como a ação final. Mas o envolvimento desse setor na cadeia produtiva da indústria criativa gera uma economia significativa", afirmou. Marília também destacou a importância da realização de eventos como a FIL e que o papel da Secretaria é justamente mostrar como a indústria criativa contribui para a geração de renda e riqueza, além de promover o desenvolvimento humano. “A cultura é importante fonte de riqueza e desenvolvimento econômico, seja por meio do trabalho de grandes indústrias audiovisuais ou pequenos empreendedores de feiras. Todos têm papel fundamental nesse processo e a presença de crianças aprendendo. A participação de entidades como o SESC demonstram isso na prática”, finalizou Marton. Organizada e realizada pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, a 23ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto segue até o próximo domingo (11/8), e a programação completa você confere no endereço www.fundacaodolivroeleiturarp.com .

  • Em Salão de Ideias, escritor Stênio Gardel destaca a importância da palavra

    Programação deste domingo (4/8) movimentou o quarteirão Paulista e a Praça XV de Novembro com música, saraus e encontros literários diversos. O dia terminou com show que revisitou a carreira de Dori Caymmi O premiado autor cearense Stênio Gardel esteve neste domingo (4/8), na 23ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto para um encontro poético e contundente com o público do Salão de Ideias. Estreante na cena literária brasileira, com indicação aos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura e vencedor do National Book Awards 2023 , com o romance “A Palavra que Resta” , seu livro de estreia, Gardel não economizou simpatia e profundidade nas reflexões colocadas pelo mediador Nicolas Totti e pela interativa plateia.   “Não imaginava que eu pudesse, de fato, me tornar um escritor. Encontrei nas palavras o meu caminho e ainda me surpreendo com as respostas positivas ao meu trabalho”, entregou Gardel, que é também servidor público do Tribunal Superior Eleitoral do Ceará. O autor também falou sobre “Bento, Vento, Tempo” , seu segundo livro, em que adentra o universo infantil e teve lançamento na FIL no sábado. “Esse livro nasceu da vontade de experimentar algo diferente da prosa e de trazer a cultura popular mais para perto por meio do uso do cordel”, explicou o autor.   Outros encontros Pelo segundo ano na programação da FIL, o escritor Ignácio de Loyola Brandão relembrou o início de carreira no jornalismo, ainda na juventude em Araraquara, e munido de caneta, bloco de anotações e sua perspicácia característica, encarnou o repórter diante do prefeito Antônio Duarte Nogueira Junior, no auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira: “Prefeito, eu passo quatro, cinco anos escrevendo um romance. E quando acaba, sinto um vazio, sinto falta daqueles personagens, daquelas situações que convivi diariamente. Qual sua sensação de estar se aproximando de deixar o poder?”, perguntou o escritor. “Este vazio que você citou vai começar para mim dia 1º de janeiro de 2025. Até lá, seguirei trabalhando e me preparando para este momento, mas com a sensação de ter honrado a memória de meu pai, assim como eu, prefeito de Ribeirão Preto por duas vezes”, respondeu Nogueira. No encerramento deste bate-papo batizado de “Do Cotidiano ao Extraordinário e Vice-versa” , a Academia Ribeirãopretana de Letras entregou ao prefeito o título de membro honorário da entidade. Na Sessão Poesia, o amor pela arte deu o tom do encontro entre a escritora ribeirão-pretana Luiza Romão - consagrada pelo Prêmio Jabuti em 2022 com “Também guardamos pedras aqui” -, e a poeta carioca Bruna Mitriano. Na troca entre as escritoras e o público, a forma de escrever poesia e o universo literário foi um dos pontos abordados. “Faça algo muito bom a ponto de ninguém conseguir ignorar”, disse a poeta. Outro tema central na conversa foi a forma de levar a poesia para o corpo. “Penso na sonoridade das palavras e sempre falando alto. A poesia nasce no corpo, na voz e depois vai para o papel”, detalhou Luiza Romão, antes de declamar um de seus poemas. Autora de “Sangria” , “Coquetel Motolove”  e “Nadine”, Luiza também é atriz e slammer . A mediação foi feita pela poeta e produtora cultural da Fundação do Livro e Leitura, Juliana Judice.   Intercâmbio poético Os visitantes da FIL no domingo tiveram a oportunidade de trocar de lado com os convidados oficiais e se tornarem os protagonistas na intervenção “ Vidas Poéticas: Me conta uma boa história?” , conduzida pela jornalista e escritora Daniela Penha. Nas duas sessões realizadas na Usina do Saber (praça XV de Novembro), a dinâmica foi diferente, com intercâmbio de histórias entre os participantes. As pessoas escreviam sua história num papel que era pendurado num varal e depois retirado e lido por outras pessoas. “Toda história é uma boa história, só depende da forma como que olhamos para ela e, especialmente, da nossa disponibilidade em escutar. A correria desgastante do dia a dia nos torna surdos às histórias cotidianas”, enfatizou a escritora, para quem o componente de dramaticidade não define uma boa história. “Essa é uma percepção falsa. Gosto de trabalhar com as histórias fantásticas das pessoas comuns porque nosso cotidiano é fantástico. Nossa luta diária é incrível e cumpre papel de preservação da memória. Nós fazemos uma boa história e precisamos contá-las para guardar nossos agoras, nossas épocas”, completou Daniela.   Tenda Sesc No bate-papo “Literatura indígena na contemporaneidade” , realizado na Tenda do Sesc, as escritoras Sony Ferseck e Geni Núñez levaram diferentes observações ao público. Uma delas foi sobre como a adjetivação marca diferenças de importância nos tratamentos sociais. “Mestre Bispi dizia que quando uma palavra precisa ser adjetivada significa que ela sozinha é fraca”, iniciou Geni. Ela exemplificou a fala lembrando que tudo que tem origem no homem branco e hétero dispensa adjetivos. “Temos a ideia de que, se é algo do universo do homem branco, não precisa ser nomeado. Mas quando nomeamos algo indígena, somos contestados, como acontece ao falarmos literatura indígena e sermos questionadas da necessidade dessa marcação”, completou Nuñez.   Sony Ferseck enfatizou que a literatura indígena sempre existiu, uma vez que o contar histórias é a base da tribo Macuxi. “Não precisamos dar voz aos indígenas porque essa literatura sempre existiu. Mas só vamos potencializar isso por meio do formato livro”, disse Ferseck, criadora da Wei Editora, para publicação de obras indígenas. “Em Roraima, onde vivo, há muitas culturas indígenas, mas somente duas editoras. Me cansei de enviar meus livros para outras editoras e vê-los presos nos armários do esquecimento. Criei, então, uma cooperativa poética e, depois, a Wei, que é independente”, esclareceu a poeta. Em seguida a esse encontro, a Tenda do Sesc ficou pequena para o forró do Trio Mana Flor. Ao som de clássicos do gênero interpretados com releituras cheias de personalidade por Cimara Fróis, Carolina Guimarães e Talita Larcipretti, o público transformou o espaço em salão de baile, estendido para toda a Esplanada do Theatro Pedro II. Paralelamente a esse arrasta-pé, o quarteto Cora Limã entregava show intimista de música brasileira no quintal da Biblioteca Sinhá Junqueira. Formado pelas irmãs Lígia e Milena de Castro, Vitor Coelho e Felipe Pedroso, o grupo apresentou arranjos e construções refinadas para repertório misto de músicas brasileiras e composições autorais. A noite terminou com o Theatro Pedro II lotado para assistir ao show de Dori Caymmi, filho de Dorival Caymmi, dentro da programação Sesc na FIL. O cantor, produtor, arranjador e compositor veio acompanhado de músicos que referenciam a música brasileira ao lado de sua trajetória expressiva. Com sonoridade preciosa e poesia nas letras, o show sensibilizou o público, com canções como Alegre Menina, Porto, Ninho de Vespa  e Desenredo , com espaço para homenagens a Heitor Villa Lobos e a Antonio Carlos Jobim ao final. Caymmi conversou com o público, falou do quanto dói observar a cidade que o Rio de Janeiro se transformou: “em cada janela, uma favela”, desabafou. Hoje, com 80 anos ele declarou que são 63 anos de trabalho como músico. “Fico tão feliz que faço música brasileira e sou brasileiro”. Até o próximo domingo (11), a 23ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto continua oferecendo extensa programação gratuita para públicos de todas as idades. A agenda integral está disponível no endereço eletrônico www.fundacaodolivroeleiturarp.com .

  • “Francisco, El Hombre” agita a FIL na noite de sábado

    Com apresentação vibrante para casa lotada, grupo abriu a agenda de shows noturnos da 23ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, em dia que teve também Carlos de Assumpção comandando sarau e encontros literários com Ignácio de Loyola Brandão, Amara Moira e a escritora portuguesa Isabel Rio Novo As cadeiras foram desnecessárias na sala principal do Theatro Pedro II para o show “Francisco, El Hombre toca Novos Baianos” , que encerrou a noite de sábado (3/8) na 23ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. Em uma apresentação contagiante, regada à energia potente do início ao fim, a banda entregou sua homenagem a “Acabou Chorare” , álbum clássico do grupo Novos Baianos. Durante pouco mais de uma hora, Juliana Strassacapa, Andrei Kozyref, Helena Papini e os irmãos Sebastián e Mateo Piraces-Ugarte envolveram o público com releituras vibrantes de canções como “Eu ia lhe chamar” , “Preta, Pretinha” , “Besta é Tu” e “Acabou Chorare”  - momento mais poético do show -, e “Brasil Pandeiro” , que abriu a noite em ritmo de bis, anunciando a festança de tropicalismo, rock psicodélico, batucada e ritmos latinos - mistura que define o som da Francisco, El Hombre. Ao convite de alegria e celebração da música brasileira, a plateia - que lotou a parte térrea e os espaços centrais do primeiro e segundo andares da sala principal do teatro -, respondeu em pé, cantando e dançando junto. Os intérpretes de Libras levaram a latinidade baiana para a tradução, temperando esse importante trabalho com diversão e muito alto astral. Debates literários Durante a tarde, três debates literários movimentaram o sábado. Na Tenda Sesc, a escritora e ativista Amara Moira, doutora em Teoria Literária, e o advogado Renan Quinalha, consultor da Comissão Nacional da Verdade para assuntos de gênero e sexualidade, receberam o público numa conversa-troca em torno do livro “Direitos LGBTI+: novos rumos da proteção jurídica” . Amara e Renan abordaram questões diversas, como criminalização da LGBTFobia, direitos fundamentais, avanços e inseguranças legislativas, entre outros temas. “Temos uma década de reconhecimento de direitos e séculos de opressão, exclusão, marginalização e perseguição da população LGBT+. Para além de decisões positivas do Supremo Tribunal Federal, é importante caminharmos para uma legislação protetiva própria para essa população”, ressaltou Quinalha. “Vivemos no Brasil o paradoxo de termos conquista de direitos e aumento da violência por LGBTfobia. Assim, é importante celebrar decisões importantes, mas sem arrefecer a luta, que precisa ser contínua”, destacou Amara Moira.   Lançamento inédito no Brasil No auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira, a escritora portuguesa Isabel Rio Novo, convidada do Salão de Ideias Internacional, falou sobre seu processo criativo com a literatura e fez o lançamento de “Fortuna, Caso, Tempo e Sorte: biografia de Luís Vaz de Camões” , seu novo livro. Durante cinco anos, Isabel se dedicou a pesquisas sobre a vida de Camões, incluindo visitas a diversos locais onde o poeta português esteve e/ou viveu, e que influenciaram sua escrita. “É impressionante como uma pessoa que teve grandes aflições, grandes sofrimentos e grandes dificuldades, como Camões teve, ter conseguido escrever, no século 16, uma obra como “Os Lusíadas”, provavelmente, a obra de uma vida. Certamente, ele poderia ter ido muito mais longe se tivesse tido um acompanhamento direcionado, como Shakespeare teve”, enfatizou Isabel, que aceitou o pedido do público e declamou um soneto de Camões. No ano do 500º aniversário de nascimento do poeta português, a romancista lançou a biografia em Portugal no mês de junho e trouxe para a FIL a primeira apresentação da obra no Brasil.   Envelhecer Em sua já tradicional e aguardada participação na FIL - ele vem desde a primeira edição, realizada em 2000 -, o escritor Ignácio de Loyola Brandão esteve na Biblioteca Sinhá Junqueira para falar sobre um tema inevitável aos 88 anos de vida, mesmo tendo se tornado um “imortal” da Academia Brasileira de Letras: o envelhecimento. “Me perguntaram qual o segredo para se chegar à velhice. Para mim, é viver e fazer aquilo que gosto, que é escrever. Não sei fazer outra coisa. Pode ser que um dia eu nunca mais escreva, mas vou sentir muito. Hoje sei que sempre tem alguém, em algum lugar, de dia ou de noite, que encontra um texto meu, e isso me deixa menos solitário”, afirmou.   O escritor antecipou ao público da FIL que está iniciando a escrita de um romance sobre o envelhecimento, mas que, desta vez, o processo tem se mostrado diferente. “Eu sempre comecei meus romances com uma ideia clara do personagem principal, do início e do final da história. Mas agora, venho construindo a história. Tem horas que travo, mas sei que vou destravar. Não quero um livro clichê, como aquelas plaquinhas do velhinho com uma bengala nas vagas dos estacionamentos”, disse com seu bom humor característico.   Sem parar de gritar O Espaço Ambient de Leitura, na Esplanada do Theatro Pedro II, ficou lotado para o Sarau Protesto, criado pelo escritor Carlos de Assumpção, 97 anos, que por meio da poesia, da música e da arte, levanta a bandeira por melhores dias e igualdade social para a população preta. “O país precisa entender que ele não anda sem o povo preto. O Brasil também é meu, eu ajudo em sua construção desde quando ele nasceu. O racismo não é bom para ninguém. Nem para os negros, nem para os brancos e nem para a sociedade”, declarou Assumpção.   Também homenageado nesta edição da feira, Assumpção conduziu o sarau e leu alguns de seus poemas, como “Protesto” , que batizou o evento e tornou o escritor reconhecido como uma das mais importantes vozes da literatura preta brasileira: “Mesmo que voltem as costas às minhas palavras de fogo, não pararei de gritar. Não pararei. Não pararei de gritar (...)” . Mais uma vez, o grito de Assumpção ecoou forte na 23ª FIL.   Equilíbrios diversos Uma das atividades infantis mais concorridas do dia, o ator circense Fábio Brasileiro (Projeto Angá) reuniu famílias na Oficina de Circo, oferecida no Estande da Prefeitura, na Praça XV de Novembro. A proposta de interatividade foi abraçada pelo público e as crianças descobriram, aprenderam e se divertiram com as diferentes atividades de malabarismo circense. “Diferente de outras oficinas, tivemos grande ajuda dos pais aqui na FIL. Optamos por ensinar os pais a supervisionarem as crianças, entrando junto na brincadeira. Foi uma experiência muito legal e divertida”, festejou Fábio Brasileiro, lembrando que o malabarismo trabalha vários temas da vida. “Da questão da ansiedade, que você precisa respirar, à condição do corpo, de precisar estar relaxado para a execução do malabarismo, passando pelo equilíbrio de lateralidade: tudo está ligado à nossa vida em diversos pontos”, salientou o artista.   Sessão Homenageado O autor local homenageado desta 23ª FIL, Perce Polegatto, falou sobre “A escalada impiedosa da literatura” , durante encontro no auditório Meira Junior. O escritor lembrou como as tragédias humanas inspiraram obras memoráveis. “As coisas ruins da humanidade geraram as melhores obras literárias. O suicídio aparece em ‘Romeu e Julieta’ , em ‘Madame Bovary’ , ‘Crime e Castigo’ , de Dostoiévski. As guerras inspiraram ‘Ilíada’ , de Homero. E o próprio ‘Os Lusíadas’  é um livro sobre guerras. A corrupção aparece em ‘Dom Quixote’ , quando Miguel de Cervantes usou sua vivência como trabalhador em um estoque de grãos onde, sem fiscalização, era fácil desviar o produto e a verba pública. Ele foi preso por isso e escreveu boa parte do livro na cadeia”, exemplificou Perce. Organizada e realizada pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, a 23ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto segue até o próximo domingo (11/08), e a programação completa pode ser acessada em www.fundacaodolivroeleiturarp.com .

  • Vozes negras na literatura: encontro de gerações na Feira Internacional do Livro

    ‘Recital, Rap e Tal: atemporalidade na poesia’ uniu as potências poéticas de Carlos de Assumpção, 97 anos, e MV Bill, um dos grandes nomes da história do rap nacional   A programação da 23ª FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) desta sexta-feira (2/08) teve como destaque o evento " Recital, Rap e Tal: atemporalidade da poesia" , que contou com a presença do poeta Carlos de Assumpção e do rapper MV Bill. O encontro no palco da sala principal do Theatro Pedro II abordou a relação entre música e literatura, destacando temas relacionados à população preta, como representatividade e lutas.   Aos 97 anos, Assumpção relembrou a trajetória de seu primeiro livro "Protesto", lançado em 1982, anos após começar a produzir. “Consequência da invisibilidade que é imposta aos artistas negros, mas hoje vejo que não lutei em vão, temos que resistir e vencer batalhas. Tive a sorte de publicar minha obra em vida, quantos passam a vida toda sem serem reconhecidos. Por isso, essa homenagem que recebo da FIL, estendo a todo o meu povo, que ajudou a construir o país e não é reconhecido”, afirmou o poeta, que é o escritor homenageado nesta edição da feira. Assumpção também mencionou o poder da literatura na vida das pessoas. “A poesia, o livro, deve ser levado para dentro das casas, para dentro da escola. A arte mexe com o coração das pessoas. O livro aponta caminhos, abre os olhos das pessoas”, disse o poeta.   ‘Não podemos nos esconder’ MV Bill, autor de três livros em parceria e do livro solo " A Vida Me Ensinou a Caminhar" , falou sobre a importância da representatividade da população preta na literatura. “Quando se fala de escritores, nunca se imagina pessoas como nós, como o senhor Carlos e eu. Muitos não esperam nos ver nestes lugares, com um produto intelectual em mãos, e é por isso mesmo que temos que estar aqui, não podemos nos esconder”, declarou o rapper, escritor, ator e cineasta, um dos mais importantes nomes do rap brasleiro. Ele também destacou a influência dos livros em sua carreira musical: “O livro traz esse despertar de muitas consciências adormecidas, como aconteceu comigo quando comecei a fazer rap na Cidade de Deus. Percebi que para compor boas letras eu precisaria ser um conhecedor de palavras, e fui buscar esse vocabulário nos livros. Obras como as de Abdias do Nascimento, Darcy Ribeiro e Malcolm X foram minha porta de entrada nesta caminhada”, afirmou.   Sesc na Recreativa Outro evento de destaque na sexta-feira foi a mesa-redonda “O papel do Sesc na requalificação do centro da cidade de Ribeirão Preto”, com a participação de Luiz Deoclecio Massaro Galina, diretor regional do Sesc SP; Paulo César Silva, presidente do Sincovarp; e Sandra Brandani, presidente da Acirp.   Em sua fala, Galina comentou sobre a recente aquisição do imóvel da tradicional Sociedade Recreativa e de Esportes, na avenida Nove de Julho. “Tenho o sonho de ver a Recra com os portões abertos para toda a cidade de Ribeirão Preto. Queremos fazer ali um Sesc quatro vezes maior do que o atual, com mais educação, mais esporte, mais saúde, mais cultura e lazer com a reconhecida qualidade de atendimento do Sesc”, afirmou o dirigente, que ainda comentou sobre o futuro da atual sede da entidade, criada em 1947, apenas um ano após a criação do Sesc: “Não temos planos para uma segunda unidade do em Ribeirão Preto. A sede da rua Tibiriçá funcionará até a entrega da unidade na Recreativa. Há uma lista de cidades que já solicitaram a presença do Sesc e temos que seguir com nosso plano de expansão. Mas, depois de algum tempo podemos voltar a conversar a respeito. A cidade de Ribeirão Preto, assim como Campinas, comporta duas sedes do Sesc, mas no momento não é a nossa ideia”, finalizou.   Poesia Internacional O físico nuclear e professor emérito de Bioética e Estudos Ambientais na Universidade de Waterloo (Canadá), Sehdev Kumar, também escritor, poeta, historiador, filósofo da ciência e pacifista, trouxe para a FIL seu olhar sobre o poeta indiano do século XV, Korsh Kabir. Kumar relatou sobre a vida e obra deste poeta místico com reflexões sobre a importância da jornada espiritual na vida do ser humano. O Salão de Ideias Internacional aconteceu no auditório da Biblioteca Sinhá Junqueira com mediação e tradução simultânea de Costi Sarantopoulos do Ganga Espaço de Vivência do Yoga. Segundo o autor, Kabir iniciou na literatura mesmo sem ser alfabetizado e, apesar de não ter conhecimento, tinha plena sabedoria, o que o tornou um dos poetas mais referenciados na Índia, traduzidos por outros autores como Tagore e pelo próprio Sehdev Kumar. Ele também enfatizou que o poeta fala do medo e da coragem que as pessoas precisam ter para iniciar o caminho da espiritualidade e recomendou: “A água está no fundo do poço, mergulhe lá se vocês estão procurando a verdade”, destacou. O físico comentou que Kabir tinha o olhar do Um, da unidade do ser humano com o universo e difundiu a mensagem de integridade no caminho da verdade. “Eu o descobri nas Montanhas do Canadá, durante uma experiência mística, e depois disso o ouvia em todos os lugares”. Entre as colocações de Kumar, ele afirmou que muitos homens leem muitos livros, mas poucos têm conhecimento. “Para ser um homem letrado é preciso compreender apenas uma palavra: amor. Muitos de nós temos cataratas nos olhos, mas não podemos tê-la no coração. É preciso fazer essa jornada de amor”, conclui.   A Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto continua até o dia 11 de agosto, com mais de 400 atividades culturais e literárias programadas para todas as idades em 20 espaços da cidade. A programação completa pode ser conferida em https://www.fundacaodolivroeleiturarp.com/_files/ugd/bf56d6_8485e55c17ec4e0f9512919eb7d1c713.pdf     Mais informações: www.fundacaodolivroeleiturarp.com Instagram : @fundacaolivrorp Facebook : @fundacaodolivroeleiturarp YouTube : /FeiraDoLivroRibeirao Twitter : @FundacaoLivroRP

  • Música, teatro e poesia conduzem cerimônia de abertura da 23ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

    Com a presença de convidados, autoridades, autores homenageados e público em geral, solenidade aconteceu na sala principal do Theatro Pedro II, com roteiro evocando diversas possibilidades de manifestação literária. Durante os próximos 10 dias, mais de 400 atividades gratuitas esperam os visitantes em 19 diferentes espaços da cidade Com repertório que homenageou o Brasil, Portugal e Itália, o coral da Unaerp - regido por Cristina Modé -, recepcionou um público de cerca de 900 pessoas no Theatro Pedro II na noite desta quinta-feira (1/8), para a abertura oficial da 23ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. O evento contou com presença de autores homenageados, artistas e autoridades locais, regionais, estaduais e internacionais. A solenidade foi iniciada por Dulce Neves, presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto - entidade responsável pela organização e realização do evento -, com leitura de trechos do poema “A Poesia” , do brasileiro Ferreira Gullar; e do soneto “Amor é fogo que arde sem se ver” , do português Luís de Camões, ambos nomes em destaque nessa edição. O tema central da feira - “Cotidianos Poéticos: do épico de Camões às batalhas de rua”  - foi apresentado por meio de roteiro artístico conduzido pelo grupo teatral Divino Ato que, com ludicidade e poesia, mesclou pontos da história que une Brasil e Portugal, referências às obras da filósofa e escritora Sueli Carneiro e do poeta Carlos de Assumpção, e os convites às falas oficiais. Dulce Neves e Adriana Silva, curadora da FIL, falaram sobre a construção desta 23ª edição da feira, destacaram a importância do projeto Combinando Palavras e sobre o fortalecimento que a leitura e a literatura garantem a um povo no enfrentamento de adversidades. “O encontro inusitado que a FIL propõe nesta edição nos trouxe muitas inspirações para esta noite. Poder imaginar e depois fazer é extremamente potente e estamos muito felizes em abrir mais uma Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto”, festejou Adriana Silva, agradecendo à Prefeitura, aos patrocinadores e aos apoiadores. “A FIL sempre celebra o encantamento da palavra escrita. Então, que a magia da literatura nos acompanhe nessa jornada enriquecedora até o dia 11 de agosto”, completou Dulce Neves. O escritor Carlos de Assumpção, de 97 anos, leu um de seus poemas ao lado do Coletivo Abayomi e Afoxé Orunmila que, juntos, fizeram uma apresentação de música e dança, homenagem estendida à Sueli Carneiro, ausente por motivo de saúde. “Não recebo esta homenagem para mim, mas para o meu povo negro. Com a redenção do nosso povo negro, teremos a redenção do nosso país”, disse Assumpção. O embaixador português Luís Faro Ramos agradeceu o destaque dado pela feira à Camões, e o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, patrono da FIL, ressaltou o caráter fundamental da literatura para o desenvolvimento humano e do país, destacando a importância de uma cidade do interior promover eventos da magnitude da feira de Ribeirão Preto. Luiz Deocléssio Massaro Galina, diretor do Sesc São Paulo, entidade historicamente parceira na realização da FIL, fez a última fala da noite, condensando referências à temática do evento, aos homenageados e celebrando a oficialização da aquisição do prédio da Sociedade Recreativa e de Esportes pelo Sesc, que ampliará a oferta de atividades oferecidas pela entidade à população local. “O Sesc é casa da literatura”, pontuou.   A cerimônia teve também a participação da acordeonista Gilda Montans, com execução do clássico “O Trenzinho Caipira” , de Villa-Lobos; de Perce Polegatto e Janaina Tokitaka, respectivamente autor local e autora infantojuvenil homenageados; além da presença de um dos netos de Ferreira Gullar e de representantes das empresas patrocinadoras da FIL.   Até dia 11 de agosto, a 23ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto oferece mais de 400 atividades, todas gratuitas e com recortes para públicos de todas as idades, espalhadas por 19 espaços da cidade (culturais, educacionais e comerciais, públicos e privados). A agenda completa www.fundacaodolivroeleiturarp.com .

  • “AnDança da Morte e dUmZeé” no Sarau Odilon

    No dia 27 de julho, o Centro Cultural Quintino Facci II recebeu a última atividade da agenda do mês de julho da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Nesta edição, o sarau teve o tema “AnDança da Morte e dUmZeé” e contou com a participação do grupo teatral ApanelA. O grupo realizou um jogo cênico em que envolveu o público em um cortejo fúnebre, acompanhando a relação entre duas figuras presentes na realidade popular, a Esperteza e Malandragem. A apresentação foi depois da tradicional roda de poemas dos participantes. O Sarau tem como objetivo realizar rodas de poema e de conversa, com apresentações artísticas e exposições - um tributo a Odilon Ramos de Oliveira, que viveu em Ribeirão Preto pouco tempo após o fim da escravidão no Brasil.

  • “Tangerinas” no Cine Fórum

    Organizado mensalmente pelos Gêmeos do Cinema, o Cine Fórum exibiu no mês de julho o longa “Tangerinas”, de 2013. O encontro aconteceu na sede da Fundação, no sábado (20/7). O filme foi a primeira produção do país a ser indicado ao Oscar, em 2015, como melhor filme estrangeiro, além de também ser listado no Golden Globe no mesmo ano e categoria. Dirigido e roteirizado por Zaza Urushadze, o drama se passa na Guerra da Abecásia, no início da década de 1990, durante uma disputa por um pequeno território que teve início com a dissolução da União Soviética, no final da Guerra Fria (1947-1991).  “Nossa proposta com esse filme foi abordar o colapso que a economia soviética teve com a queda do Muro de Berlim e a degradação que enfrentou no final da década de 90”, explicou Marcos de Castro, organizador do Cine Fórum, sobre a escolha do filme. Em comparação com filmes hollywoodianos que retratam diversas guerras mundiais, André de Castro, da dupla Gêmeos do Cinema, ressaltou uma diferença fundamental na produção: o diretor conseguiu transmitir a essência de um filme sobre guerra sem mostrar nenhum confronto direto. “A diferença é marcante. Um filme de guerra não necessita de trincheiras, grandes batalhas ou explosões para captar a essência do conflito. Vindo de um país não tradicional na indústria cinematográfica, os diretores optaram por uma abordagem mais simples, mostrando o tempo todo que é um filme de guerra”, explicou o cinéfilo.

  • Sarau abre a agenda de julho da entidade

    A abertura da agenda cultural do mês de julho da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto foi marcada por mais um encontro do Sarau do Grupo de Médicos Escritores e Amigos Dr. Carlos Roberto Caliento, no dia 3 de julho. O encontro teve a participação dos entusiastas da cultura, especialmente da literatura, recebendo músicos e artistas de todas as áreas. “Somos o único grupo da cidade que se dedica principalmente à literatura. Apoiamos muitas pessoas que começaram a escrever sem experiência anterior, assim como aqueles que ampliaram seu hábito de leitura", destacou o coordenador do grupo e médico escritor, Nelson Jacintho. Para ele, a singularidade do grupo de Ribeirão Preto é uma das suas principais características.

  • Festa Junina no Sarau Odilon

    Encerrando a agenda de junho, o Sarau Odilon realizou uma edição especial junina no dia 29. O evento foi sediado ao lado do Centro Cultural Quintino II, no espaço onde já acontece o projeto Horta de Cuidados, voltado para idosos e crianças. O Sarau promoveu uma atmosfera festiva com o levantamento do mastro dos Três Santos, decoração temática, fogueira e comidas típicas. A convidada desse mês foi Paula Gualberto, idealizadora do projeto Horta de Cuidados. Reconhecida por seu trabalho no resgate do uso de ervas medicinais, utilizando folhas, flores e raízes para tratamentos, Paula adquiriu conhecimento de seus ancestrais. Além disso, o evento contou com uma Roda Poema, proporcionando momentos de poesia e expressão cultural. O Sarau tem como objetivo realizar rodas de poema e de conversa, com apresentações artísticas e exposições - um tributo a Odilon Ramos de Oliveira, que viveu em Ribeirão Preto pouco tempo após o fim da escravidão no Brasil.

  • Cine Fórum exibe “Terra de Minas”

    O encontro mensal do Cine Fórum, organizado pelos Gêmeos do Cinema, André e Marcos de Castro, aconteceu no dia 22 de junho, na sede da entidade. Neste mês, foi exibido o filme dinamarquês “Terra de Minas”, de 2015: um drama dirigido e escrito por Martin Zadvliet que foi indicado ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro de 2017. Muitos filmes, segundo Marcos de Castro, retratam os horrores e traumas da Segunda Grande Guerra Mundial. Porém, “Terra de Minas” é um dos poucos que retratam o pós-guerra e seus horrores. Outro ponto importante para a escolha do filme, de acordo com Castro, é que, das 26 sessões realizadas desde 2022, apenas uma vez foi exibido um longa estrangeiro – sem ser de língua inglesa. “Queremos nos afastar um pouco das produções norte-americanas. Então, trazer esse filme de língua dinamarquesa e alemã foi uma forma de reconhecer essas produções, já que somos acostumados pelo cinema norte-americano e por suas narrativas”, comentou. Para os coordenadores, os encontros mensais do Cine Fórum são sucesso de público. “É um evento cult, maravilhoso. Criamos uma familiaridade entre os participantes, com grande diversidade de público. Temos aqueles que vão para escutar e assim mudar sua percepção do cinema, até aqueles que vão para debater e conversar sobre a obra”, mostrou André de Castro. É o caso do Marcelo Noccioli, professor e vendedor, que frequenta o grupo desde 2012. “Este encontro é a minha cara. A exposição que os meninos realizam sobre todos os aspectos do filme e o debate subsequente, muitas vezes revelam pontos que passam despercebidos durante a primeira visualização”, destacou o participante que, mesmo sem assistir filmes na infância, cresceu lendo bastante. Porém, segundo ele, foi no Cine Fórum que começou a conhecer mais sobre cinema e a entender as produções que assistia, principalmente na linguagem oculta. “Existem coisas que não estão na primeira camada do filme. É necessário um conhecimento aprofundado e perceber, nas entrelinhas, o que o diretor ou roteiristas queriam dizer em determinada cena. O Cine Fórum abriu minha cabeça para isso”, explicou. Já a administradora pública Juliana Dassoler Figueredo conhece os Gêmeos do Cinema de longa data, mas só foi participar do Cine Fórum no ano passado. “Sempre gostei de cinema, acompanho muitas críticas no Youtube também, mas o Cine Fórum me agradou por ter a visão do Marcos e do André, além da qualidade na seleção dos filmes. Já assisti mais de 400 filmes na minha vida, mas, dois que eu gostaria que estivessem na agenda do projeto é o Cafarnaum (2018) e o Os Banshees de Inisherin (2022) - inclusive esse foi indicado ao Oscar do mesmo ano”, recomendou. A participação nos encontros é gratuita e aberta.

  • Sarau dos Médicos abre agenda cultural do mês de junho

    Reunir entusiastas da cultura para compartilharem suas criações literárias e musicais. Esse é o objetivo do Sarau do Grupo de Médicos Escritores e Amigos Dr. Carlos Roberto Caliento que mensalmente se reúnem na sede Fundação do Livro e Leitura. Neste mês, o encontro aconteceu no dia 5. “Nosso grupo se destaca em Ribeirão Preto por valorizar especialmente a literatura. É uma comunidade que inspira muitas pessoas que não tinham o hábito de escrever ou que liam pouco e passaram a se dedicar mais à leitura”, explica o médico e escritor Nelson Jacintho, organizador do grupo. Segundo ele, alguns dos frequentadores começaram a escrever e já publicaram livros. “No quesito de incentivo à leitura e escrita, acredito que o nosso é o principal grupo de Ribeirão Preto”, explicou Nelson Jacintho, destacando a participação do médico e escritor, Carlos Roberto Ferriani. “Conheço o Nelson há muito tempo. Participamos, uma vez, de um concurso de literatura da USP São Carlos: eu fiz uma poesia e ele uma crônica. Nós ganhamos, cada um em sua categoria. A partir daí, ele me incentivou a ingressar no grupo e a continuar escrevendo”, relembrou Ferriani que conta com três livros publicados - dois de poesia e um de romance. “Escrever é uma arte. Você escreve porque gosta. No grupo, cada um escreve sobre um assunto, lê uma crônica, conversamos sobre livros e então nos aprofundamos muito sobre literatura”, complementou Nelson Jacintho. Os encontros mensais são gratuitos e abertos à população.

  • “Raízes do Sarau” foi o tema do Sarau Odilon de maio

    Em uma noite de celebração cultural, o Sarau Odilon do mês de maio trouxe o tema 'Raízes do Sarau', no Centro Cultural Quintino Facci II, no dia 18 de maio.  O grupo contou com a presença da artista Emaye Natália Marques. A atividade mensal, que traz rodas de poema e de conversa, busca honrar a memória de Odilon Ramos de Oliveira, figura marcante em Ribeirão Preto após a abolição da escravatura no Brasil. Odilon atuou como dentista e professor universitário e deixou um legado de resiliência para sua família. O sarau se tornou uma reverência à sua vida e à sua luta, entrelaçando poesia, conversas inspiradoras e expressões artísticas.

  • Longa “Showgirls” foi destaque do Cine Fórum

    O Cine Fórum do mês de maio exibiu o controverso longa “Showgirls”, de Paul Verhoevez. Os Gêmeos do Cinema, André e Marcos de Castro, conduziram a atividade no dia 18 de maio, com a exibição do filme e debate. O filme rendeu uma boa conversa entre os participantes. No ano de seu lançamento, em 1995, o longa estreou cercado de polêmicas e críticas negativas sobre a temática e algumas cenas. Inclusive, venceu sete Framboesas de Ouro – prêmio dado às ‘piores’ produções cinematográficas – nas categorias de pior filme, atriz, diretor, roteiro, atriz revelação, casal na tela e canção original. Além das ‘premiações’, o filme ainda foi indicado em 13 categorias do Framboesa – um recorde que ainda não foi quebrado. O diretor, Verhoeven, esteve na cerimônia e recebeu os troféus. No entanto, André de Castro lembrou que o filme recebeu grande notoriedade em 2015, quando foi eleito um dos melhores filmes dos anos 1990. A trama retrata algo difícil de acontecer no cinema daquela década: o fato de ter sido pioneiro na época em trazer o conflito de mulheres strippers na busca pelo poder. “Era raro você assistir um filme em que as mulheres não estivessem brigando por causa de homens. Mas esse filme mostra isso: mulheres buscando poder, dinheiro e fama, em um roteiro cheio de reviravoltas, que evolui com os personagens”, completou.

  • Médicos escritores se reúnem na sede da Fundação

    A programação cultural do mês de maio começou no dia 8 com o tradicional encontro do Grupo de Médicos Escritores e Amigos Dr. Carlos Roberto Caliento, na sede da Fundação do Livr, o e Leitura de Ribeirão Preto. Sob a condução do médico e escritor Nelson Jacintho, o evento foi marcado por declamações e leituras de poemas, celebrando a união da arte e da cultura. O encontro, aberto à população, é mensal e gratuito.

  • "Criando sua própria poesia" foi o tema do Sarau Odilon de abril

    No mês de abril, o Sarau Odilon realizou mais um encontro, desta vez com o tema "Criando sua própria poesia", encerrando as atividades da Fundação do Livro e Leitura do mês de abril. O evento, que presta homenagem a Odilon Ramos de Oliveira, dentista e professor universitário conhecido por seu legado de resistência, contou com a participação do artista Akins Kinte, criador do Sarau do Kintal em São Paulo em 2013. "O sarau foi um verdadeiro espetáculo de expressão artística", disse Maria Helena Ramos de Oliveira, curadora do Sarau Odilon e filha de Odilon Ramos de Oliveira. Segundo ela, esta edição teve como proposta a celebração das diversas fases da vida, desde o nascimento até a velhice, todas permeadas pela poesia. Em suas palavras, "nossa jornada, desde bebê até a velhice, é repleta de poesia. Só posso expressar gratidão por essa existência e transformar cada momento em versos e rimas, a poesia da vida", disse.

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