25ª FIL encerra programação com humor, reflexão e encontros entre diferentes gerações
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Último dia da Feira Internacional do Livro de reuniu atividades sobre autocuidado, arte, tecnologia, literatura e criação; encerramento teve Sessão Abayomi com Hélio de La Peña e espetáculo “Pirou na Batatinha”

O último dia da 25ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto reuniu diferentes formas de encontro com a cultura, o conhecimento e a criação. Neste sábado (5), a programação durante a passou pelo cuidado com o corpo, pelas artes visuais, pela literatura, pela tecnologia e pelas experiências lúdicas, antes de chegar a um dos destaques do encerramento: a Sessão Abayomi com Hélio de La Peña.
Com o tema “Rir, resistir e ocupar espaços – humor, negritude e criação artística”, o encontro levou ao público uma reflexão sobre o humor como linguagem, expressão e também como espaço de representação. Ao longo da conversa, Hélio de La Peña compartilhou experiências de sua trajetória e discutiu as relações entre criação artística, identidade e presença negra nos diferentes espaços da cultura e da comunicação.
Irreverência e Literatura

O humor como ferramenta de crítica social, resistência e representatividade guiou o bate-papo com Hélio de La Peña, durante a Sessão Abayomi. O ator, roteirista e escritor revisitou sua trajetória da engenharia ao Casseta & Planeta, refletindo sobre racismo, criação artística e as transformações do humor ao longo das últimas décadas. Ao falar sobre a carreira, ele deixou um recado aos jovens. “Não adianta você ir para uma profissão que supostamente dá muito dinheiro, mas você não gosta daquilo. É mais fácil ser bem-sucedido fazendo uma atividade de que você realmente gosta”.
Além de compartilhar os bastidores da televisão e lembranças da carreira, Hélio falou sobre a importância da representatividade e explicou porque mudou sua posição em relação às cotas raciais, destacando que compreender diferentes realidades também significa rever opiniões. “Achei importante mostrar que é possível mudar de opinião”, afirmou.
Cinema Brasileiro

O cinema como instrumento de leitura da realidade brasileira deu o tom do bate-papo com o cineasta e escritor João Batista de Andrade, um dos principais nomes da cinematografia nacional. O cineasta revisitou sua trajetória, das reportagens do Globo Repórter aos filmes marcados pela crítica social, e relembrou o enfrentamento a censura durante a ditadura militar. “Eu só sei fazer filme assim: crítico, para revelar o país”, afirmou ao contar como insistia em abordar temas sociais mesmo sob constantes suspensões e perseguições políticas.
Em uma conversa marcada por memória e reflexão, o diretor também emocionou o público ao recordar a amizade com o jornalista Vladimir Herzog, morto pela ditadura em 1975, e destacou a importância de preservar essa história por meio do cinema. Ao responder a um jovem interessado em seguir na carreira audiovisual, deixou um conselho direto. “Se você quer fazer cinema, faça cinema. Pegue um celular, filme, entreviste, edite. A força de vontade de realizar a sua aspiração é humana”.
Do cuidado com o corpo à troca

Na Biblioteca Sinhá Junqueira, a programação abriu espaço para uma experiência voltada à pausa e à percepção corporal. A terapeuta corporal Miriam Carla Carneiro conduziu a atividade ‘Vivência de Toque Terapêutico’, com técnicas de automassagem, estímulos corporais e massagem em dupla.
A proposta convidou os participantes a desacelerar e voltar a atenção para o próprio corpo, em uma experiência que também estimulou a troca e a integração entre as pessoas. A atividade apresentou diferentes recursos, como bolinhas de tênis, bastões e exercícios de automassagem. “Desde o momento que a pessoa tem um contato com alguns elementos ela já começa a se perceber e sentir que está se voltando para si”, ensinou Miriam.
O fio como arte, escrita e reflexão
No Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), a programação aproximou literatura e artes visuais com a apresentação da obra “Fio Escrita Contínua”, da artista e autora Mariana Guimarães. A publicação nasce de uma pesquisa teórico-artística que utiliza o fio como elemento de conexão, investigação e reflexão sobre práticas historicamente associadas ao feminino e ao espaço doméstico. Durante a atividade, o público também acompanhou trechos do documentário “Sentidos do Fio”, produzido a partir da pesquisa conduzida pela autora.
O encontro apresentou o fio não apenas como matéria ou técnica, mas como elemento capaz de estabelecer relações entre pessoas, palavras, memórias e experiências. “O público pode levar aqui uma forma de pensar nessa relação entre o coletivo, uma reflexão, e também pensar no fio como uma prática, como uma forma de unir, mas também de ser crítico”, explicou Camila Paulucci, assistente de ateliê e integrante da editora Biblioteca-Floresta.
Literatura diante das novas tecnologias

O futuro da criação também esteve entre os temas do último dia da FIL. No espaço Autores da Casa, o bate-papo “Gerações pós-humanas – literatura, tecnologia e criação” reuniu Regina Baptista, Gisele Amorim Zwicker, Matheus Viana Machado, Aron Hussid Ferreira e Marlene Marques. A conversa discutiu os impactos da inteligência artificial nas formas de produzir, consumir e pensar a literatura. Entre as questões levantadas esteve o próprio conceito de autoria em um cenário no qual ferramentas tecnológicas já são capazes de gerar textos, imagens e diferentes tipos de conteúdo.
Para a coordenadora do projeto Autores da Casa, Juliana Judice, o debate sobre as gerações pós-humanas também envolve a maneira como as novas tecnologias podem interferir na educação, na criação e na relação das pessoas com a leitura. “É muito necessário discutirmos o que vem depois do humano, quem são esses pós-humanos e como isso vai interferir na literatura, na educação, na nossa forma de criar e pensar”.
A discussão trouxe ainda uma questão que permanece aberta para escritores e leitores: diante de ferramentas capazes de reproduzir estruturas de linguagem, qual é o lugar da experiência, da subjetividade e da criação humana?
Do papel ao movimento
A programação também mostrou que a tecnologia nem sempre é necessária para criar encantamento. Na oficina “Brinquedos Ópticos: Flip Book”, crianças e adultos foram convidados a conhecer os princípios da animação por meio de uma sequência de desenhos feitos em papel. Orientados pela docente de Computação Gráfica Thais Schiavinotto, os participantes produziram pequenos livros com imagens sequenciais que, ao terem as páginas folheadas rapidamente, criavam a sensação de movimento.
A atividade apresentou de forma prática um dos princípios fundamentais da animação e do cinema. Cada desenho representava uma etapa diferente de um movimento e, juntos, davam origem à imagem animada. “Cada desenho é um fragmento de um movimento. Então, eles são desenhos sequenciais. Esse é o princípio da animação. Para que uma animação aconteça, precisamos de várias imagens de um mesmo movimento, só que em diferentes etapas desse movimento”, explicou Thais Schiavinotto.
10 anos do Era Uma Vez... Brasil
Quem conta a história do Brasil? E quais vozes ficaram de fora dessa narrativa ao longo do tempo? As perguntas estiveram no centro do lançamento do livro e bate-papo “Quem conta a nossa história? 10 anos do projeto Era Uma Vez... Brasil”. O encontro reuniu estudantes autores da edição de 2026 e jovens que participaram do projeto em anos anteriores para compartilhar experiências e refletir sobre os caminhos percorridos pela iniciativa de arte-educação ao longo de uma década. Entre pesquisas, histórias em quadrinhos e produções artísticas, os participantes discutiram as diferentes formas de olhar para o passado e a importância de reconhecer perspectivas historicamente silenciadas.
Durante a conversa, os jovens compartilharam como a experiência alterou sua forma de compreender a história do país. As reflexões também se voltaram para permanências que atravessam o tempo, como o racismo, o preconceito e outras formas de violência. Para os estudantes, conhecer essas histórias também significa compreender melhor a realidade contemporânea e reconhecer que a construção de uma sociedade diferente depende da forma como cada geração se relaciona com o passado.
Bárbara Scatena, produtora do projeto, destacou a forma como as pesquisas realizadas pelos estudantes aparecem nas reflexões compartilhadas pelos próprios jovens. “É muito potente ouvir essa visão crítica que os alunos já têm nessa idade. São jovens que podem contribuir para que outras pessoas ao redor também pensem sobre a nossa realidade e o nosso passado de uma forma diferente, sem reproduzir preconceitos”, afirmou.
Para a produtora, esse processo de reflexão também amplia o papel dos estudantes dentro e fora da escola. “É importante ter jovens com essa visão crítica, porque eles podem ajudar colegas que também estão nesse processo de entender melhor a nossa história e contribuir para transformar as pessoas”.
Encerramento com música, teatro e imaginação
Depois de uma semana de encontros, conversas e atividades distribuídas pelos espaços da cidade, a 25ª FIL encerrou sua programação com o espetáculo “Pirou na Batatinha”, apresentado pela Banda Pequeno Cidadão e pela Cia. de Teatro Pia Fraus. A apresentação reuniu música, teatro e imaginação no encerramento da Feira, levando ao palco uma experiência voltada a públicos de diferentes idades.






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