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“Se eu não escrever, eu morro”, confessou Thalita Rebouças em conferência na FIL

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Uma das homenageadas da 25ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, a escritora envolveu a plateia com histórias e lembranças de seus 25 anos de carreira

A noite de sexta-feira (4/9) na 25ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto ganhou um encerramento descontraído com a conferência 25 Anos de Thalita Rebouças, na Sala Principal do Theatro Pedro II. Homenageada desta edição, a autora infantojuvenil estabeleceu uma relação de proximidade com o público ao recorrer a uma fala performática para relembrar momentos de sua vida na literatura. Também jornalista, roteirista e atriz, revelou que ser escritora era um sonho de infância e que vem construindo a carreira página a página.


Logo no início, ela lembrou que trocou o Jornalismo pela literatura porque sentia que seria mais feliz escrevendo livros. Com persistência e humor, contou como contornou as dificuldades até se tornar conhecida no cenário literário nacional. A plateia, formada por pessoas de diferentes idades, com destaque para a presença de seus leitores, acompanhou e interagiu com as histórias narradas pela autora.

 

“Não decidi que seria autora de livros para adolescentes. Foram os adolescentes que me escolheram para ser escritora de temas que são caros para eles. E fui escrevendo”, afirmou a autora. Entre as lembranças compartilhadas, Thalita recordou o início da carreira, quando subiu em uma cadeira durante uma Bienal do Livro para chamar a atenção dos visitantes. “Depois de um bom tempo sem ninguém se aproximar da minha mesa, entendi que ou eu ia para casa chorar ou encarava a situação. Fiquei com a segunda opção e, de cima de uma cadeira, comecei a chamar as pessoas, dizendo que meu livro era muito bom. Funcionou, fez fila e vendi livros. Foi assim que tudo começou e aquilo que me divertia tanto se tornou meu ganha-pão”, contou.


Ao abordar temas presentes na vida de meninos e meninas entre 11 e 18 anos, como relações familiares, autoimagem, medos, luto e sexualidade, a escritora afirmou que encontrou uma maneira de dialogar com esse público. Vinte e cinco anos depois do lançamento do primeiro título, celebra o contato com diferentes gerações de leitores.

 

“Ao longo desse tempo, tenho dialogado, por meio dos meus livros, com diferentes gerações de adolescentes. E é sempre maravilhoso encontrar minhas crias e perceber que minha obra está atravessando gerações, passando de mãe para filha. É muito lindo pensar que formei muitos leitores, que tanta gente começou a gostar de ler por minha causa e foram para outros autores; justamente na adolescência, quando as transformações estão a todo vapor e os livros perderam o atrativo das ilustrações, desenhos...”, pontuou Thalita Rebouças.


A chegada da menopausa abriu uma nova frente em sua produção. Thalita contou que começou a escrever poemas para se comunicar com mulheres que viviam experiências semelhantes. “Nessa época, lancei o Felicidade Inegociável e Outras Rimas. Foi um sucesso, além de esses textos terem confortado um monte de gente”, destacou a escritora.

 

O impacto de suas histórias na vida dos leitores também foi abordado durante a conferência. “Já recebi mensagem de um leitor que desistiu do suicídio e procurou terapia por conta da frase ‘suicídio é uma solução definitiva para um problema que é temporário’, que ele leu num dos meus livros. Isso é emocionante e eu não tinha ideia que minha escrita faria quando comecei. Por isso, sempre digo que sou a escritora mais feliz do mundo.”

 

Ao falar sobre a necessidade de continuar criando, Thalita resumiu a relação que mantém com a literatura: “Se eu não escrever, eu morro”.

 

Diferentes linguagens


Os livros de Thalita Rebouças também chegaram à televisão, ao teatro e ao cinema. Na conversa com o público da FIL, ela falou sobre o lançamento da produção cinematográfica Era uma vez minha primeira vez, previsto para a segunda quinzena de setembro e baseado em seu livro homônimo.

 

“Não se trata de uma obra sobre sexualidade, mas, sim, sobre amizades, sobre a importância de ter quem não te abandona numa fase tão delicada da vida”, explicou.

 

A escritora adiantou ainda que o livro Diário de uma garota esquisita será adaptado para sua primeira série internacional. Também prepara um novo título no qual abordará o uso de telas. “Essa questão tem me assustado muito porque está fazendo muito mal para a saúde mental de crianças, pré-adolescentes e adolescentes, que estão com o cérebro em formação.”

 

Thalita Rebouças tem 27 títulos publicados, com obras lançadas em mais de 20 países. Seus livros também alcançaram outras linguagens, com adaptações e trabalhos ligados a 12 filmes e 15 séries de televisão. Em 2025, foi semifinalista do Prêmio Jabuti com Falando sério sobre a adolescência.

 

“O que mais gosto em escrever é surpreender e fazer as pessoas felizes. Fazer com que o adolescente veja que ele não está sozinho nas suas dores, angústias, medos. Meu foco é abraçar o adolescente e fazer com que ele goste mais dele, que valorize suas qualidades. Por isso eu escrevo que nem uma louca”, finalizou Thalita.

 
 
 

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