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Concurso Professor Electro Bonini premia projetos de leitura na 25ª FIL

  • há 8 horas
  • 4 min de leitura

A 13ª edição da premiação recebeu inscrições de 14 estados brasileiros e teve trabalhos de São Sebastião, no litoral norte, e Ribeirão Preto nas primeiras colocações

Experiências que unem literatura, teatro, escrita e questões da vida contemporânea foram premiadas nesta quinta-feira (3), na cerimônia do 13º Concurso Nacional de Projetos Escolares de Incentivo à Leitura Professor Electro Bonini. Realizado no Quintal da Biblioteca Sinhá Junqueira, o evento integrou a programação da 25ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto.

 

Promovido pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) em parceria com a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, o concurso é voltado a professores dos anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, das redes pública e privada. Nesta edição, recebeu inscrições de 14 estados, com representantes das cinco regiões do país.


O primeiro lugar ficou com a professora Kaylla Ariane Prado Barros Araújo, da Escola Municipal Professora Luiza Helena de Barros, de São Sebastião, no litoral norte paulista
O primeiro lugar ficou com a professora Kaylla Ariane Prado Barros Araújo, da Escola Municipal Professora Luiza Helena de Barros, de São Sebastião, no litoral norte paulista

O primeiro lugar ficou com a professora Kaylla Ariane Prado Barros Araújo, da Escola Municipal Professora Luiza Helena de Barros, de São Sebastião, no litoral norte paulista. Ela apresentou o projeto “Ecos de Desdêmonas e Capitus: literatura e teatro como defesa da vida”. A proposta parte de personagens de Otelo, de William Shakespeare, e Dom Casmurro, de Machado de Assis, para discutir com os estudantes questões relacionadas à violência contra a mulher. Além da leitura das obras, os alunos participaram de atividades teatrais e escreveram uma peça como conclusão do percurso.

 

Para Kaylla, o resultado também valoriza o envolvimento dos estudantes. “O professor faz o trabalho, mas se o aluno não aceita, se a gente propõe e o aluno não aceita e não compreende, não tem sentido”, afirmou.mProfessora de literatura há 22 anos, ela associou a premiação à própria formação como leitora. “Eu também estudei na escola pública e eu posso dizer que a leitura me salvou.”


Chegar ao primeiro lugar, segundo a educadora, representa uma conquista e, ao mesmo tempo, reforça a necessidade de dar continuidade às atividades. “É um sentimento de conquista e é um sentimento de que o trabalho tem que continuar também. É uma semente lançada”, disse.

 

A segunda colocação foi conquistada pela professora Paola Gabriele Fialho, do Colégio Bento Benedini, de Ribeirão Preto, com “Ler para Não Abandonar: a literatura como caminho para formar leitores e dar voz à escrita”. “É uma sensação de dever cumprido, porque é um reconhecimento muito grande. É muito bom a gente ser reconhecido pelo trabalho que faz. É um sinal de que eu estou no caminho certo”, afirmou Paola.


Também de Ribeirão Preto, o projeto “Escola Lê Carolina Maria de Jesus”, desenvolvido no Centro Educacional SESI 298 – Castelo Branco, ficou em terceiro lugar. O bibliotecário do SESI, Adonai Takeshi Ishimoto, destacou a participação conjunta dos educadores e alunos. “Foram muitas mãos envolvidas no projeto, muita execução, muita ação, mas também muito gratificante”, disse.

 

A proposta começou com turmas do 8º e do 9º ano e, posteriormente, foi ampliada para o 3º ano do Ensino Médio. “Com a competição com o celular e as mídias, os alunos vão deixando os livros. Então, o nosso foco foi realmente oitavos e nonos para resgatar, e deu muito certo.”

 

Os trabalhos classificados foram submetidos à avaliação às cegas por uma banca formada por profissionais das áreas de Pedagogia e Letras, sem a identificação prévia dos participantes.

 

Alcance nacional e valorização dos professores

 

Durante a cerimônia, João Flávio de Almeida, um dos coordenadores do concurso pela Unaerp, chamou a atenção para o alcance nacional obtido nesta edição. Ele também explicou que o processo de avaliação foi estruturado para assegurar que as propostas fossem analisadas sem a identificação de seus autores.


A presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Adriana Silva
A presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Adriana Silva

A presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Adriana Silva, ressaltou que a premiação ajuda a dar visibilidade às experiências construídas por professores e alunos no cotidiano escolar. “Reconhecer o trabalho do professor junto com os estudantes para a valorização da educação por meio do livro é muito potente - no sentido de formar leitores, de formar pessoas com senso crítico apurado”, afirmou.

 

Segundo Adriana, a divulgação dessas práticas também permite que elas sejam conhecidas e utilizadas como referência por outros educadores. “Não só para ser premiado, mas para ser reconhecido, para ser visto, para ser aplaudido, para, de uma certa forma, servir de referência, de estudo de caso, de avaliação”, disse.

 

O reitor da Unaerp, Sebastião Sérgio da Silveira, dirigiu parte de sua fala aos estudantes presentes e relacionou o hábito da leitura à continuidade da formação educacional. “Acreditem na escola, acreditem nos professores e acreditem que esse caminho pode levar à realização de todos os sonhos de cada um de vocês”, afirmou. O reitor também abordou o papel da universidade na aproximação com alunos da educação básica e defendeu a ampliação das oportunidades de acesso ao ensino superior.

 

A presidente da Associação de Ensino de Ribeirão Preto (AERP) e chanceler da Unaerp, Vanessa França Panico, relembrou a trajetória de Electro Bonini, patrono da Universidade e homenageado pela premiação. Ao recordar sua relação familiar com o educador, associou a continuidade do concurso à defesa da educação e do conhecimento. “É uma sementinha que a gente continua colocando para que todos acreditem na leitura, acreditem no livro, acreditem no conhecimento, para que a gente possa efetivamente transformar as nossas vidas e as possibilidades do nosso país”, afirmou.

 

Criado em homenagem a Electro Bonini, o concurso tem como objetivo identificar e divulgar experiências de incentivo à leitura realizadas nas escolas. A 13ª edição fez parte da programação da 25ª FIL, que segue até 5 de setembro em diferentes espaços de Ribeirão Preto.

 
 
 

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