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- “Cassandra Rios fazia ficção de uma maneira sublime”,disse Tatiany Leite durante encontro na 40tena
A jornalista e criadora do canal “Vá ler um livro” conversou com a professora de História, Flávia Mantovani, sobre a vida e obra Cassandra Rios, primeira escritora a vender 1 milhão de cópias no Brasil e a mais censurada durante o período da Ditadura Militar As redes sociais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto receberam na quinta-feira (24/06), a jornalista e criadora do canal “Vá ler um livro”, Tatiany Leite, e a professora de História, Flávia Mantovani para um bate-papo sobre “Memórias: Cassandra Rios”. O encontro on-line, que fez parte da 40tena Cultural, abordou a vida e obra da escritora Cassandra Rios, destacando sua relevância na literatura LGBTQIAP+ brasileira. Cassandra Rios (1932-2002) foi a primeira mulher a alcançar 1 milhão de vendas no Brasil, em 1970, superando autores destacados na época, como Jorge Amado, Clarice Lispector e Érico Veríssimo. Ela foi uma escritora lésbica que abordava abertamente sobre toda a Comunidade LGBTQIAP+. “Às vezes com uma perspectiva complicada. Mas fazia ficção de uma maneira sublime”, lembrou Tatiany Leite. Segundo a jornalista, seus livros eram classificados como pornográficos, com cenas abertamente sexuais e vendidos a preço comunitário nas bancas. “Por conta disso, muitos achavam que suas obras eram de uma qualidade inferior. Ela foi muito censurada, principalmente por ser na época da Ditadura Militar e por ser uma mulher lésbica”, comentou. Tatiany Leite lembrou que, devido a essa censura que Cassandra sofreu, poucas pessoas conhecem a sua história, ao contrário de outros escritores brasileiros, que ficaram conhecidos nacionalmente, como o autor Jorge Amado. “Nunca é tarde para relembrar quem foi essa mulher tão importante para a história da literatura LGBTQIAP+ no Brasil”, alertou a jornalista. Segundo ela, os livros de Cassandra Rios tinham grande saída por serem baratos e fáceis de encontrar, além de conterem, em sua maioria, algumas histórias ‘mais quentes’. "Como era uma época que não havia internet, nem revistas Playboy, os livros da autora chamavam a atenção, até porque traziam uma certa pornografia. Eram livros baratos e fáceis de comprar. Muito marmanjo adquiria", relembrou Tatiany. Para conhecer mais sobre a vida e obra de Cassandra Rios, assista o vídeo acima ou acesse o canal do Youtube da Fundação.
- "Vivemos em uma sociedade homofóbica em função de toda uma organização heteronormativa", disse João
Escritor participou de encontro on-line no dia 16/6 e relembrou acontecimentos do passado que marcaram sua vida e a luta da comunidade LGBTQIAP+ Mais um encontro on-line fez parte da programação da 40tena Cultural, desta vez no dia 16/06, com a presença do escritor e fundador do grupo "Somos de Liberação Homossexual" e do jornal "Lampião da Esquina", João Silvério Trevisan, no bate-papo "Luta e respeito a diversidade". A mediação foi do psicólogo Marcelo Augusto. Com 14 livros publicados (entre ensaios, romances e contos), João Silvério Trevisan relembrou como foi viver em um período de conservadorismo extremo. Em 1973 esteve em autoexílio por três anos fora do Brasil – na Califórnia (EUA), período de lutas e protestos estudantis contra a disseminação de informações falsas do vírus da AIDS. "Queria conhecer um pouco do que acontecia no mundo. Porque, aqui no Brasil, a esquerda era muito fechada", revelou. Três anos depois, de volta ao Brasil, Trevisan lembrou que nada havia mudado no País e que a situação havia se agravado. "Tive saudade do que eu tinha encontrado nos EUA: era uma comunidade LGBT que debatia o tempo todo, muito viva e consciente politicamente. Não tínhamos nenhum empecilho para discutir todos os temas que estavam ao alcance". Na época, segundo ele, não haviam espaços para discussões LGBT no Brasil e os únicos lugares onde a comunidade poderia se encontrar eram os parques, clubes, boates e saunas e, mesmo assim, com a possibilidade de ter invasão policial. "As discussões na época eram uma questão de sobrevivência. Não estávamos querendo ser heróis, nós precisávamos sobreviver", disse Trevisan que também é escritor de literatura ficcional, ensaística e infantojuvenil, além de coordenar oficinas literárias. Quem quiser acompanhar o bate-papo na íntegra com João Silvério Trevisan, o link do encontro está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Felipe Cabral, do canal "Eu Leio LGBT", participou do quadro Dicas de Leiturinhas
Felipe Cabral, criador do canal "Eu Leio LGBT, participou no dia 10 de junho da atividade "Dicas de Leiturinhas: livros LGBTQIAP+ para crianças". Ele, que também é escritor, ator, roteirista e compartilha dicas de livros com protagonismo LGBTQIAP+ em seu canal no YouTube, listou durante o bate-papo algumas obras, como "Meu maninho é uma menina", de João Paulo Hergesel; "A princesa e a costureira", de Janaína Leslão; e "Mãe não é uma só, eu tenho duas!", de Nanda Matheus e Raphaela Comisso. Segundo o escritor, as obras foram listadas porque apontam importantes visões para as crianças. "Uma princesa pode não gostar de um príncipe, mas sim de outra princesa. Que um menino que sempre se viu como uma menina, pode ser quem sempre foi. Que famílias não são apenas compostas por um pai e uma mãe. É muito lindo ler uma fábula de castelos e princesas com uma história de amor entre duas mulheres ou uma relação entre duas irmãs, em que uma delas é uma menina trans descobrindo sua própria identidade. Se ver nas histórias é se sentir pertencente ao mundo", destacou. O ator ressaltou ainda que é importante inserir a literatura LGBTQIAP+ na vida das crianças porque a literatura infantil tradicional traz histórias em que o príncipe se casa com a princesa e as famílias retratadas têm um pai e uma mãe. "Mas onde estão representadas as famílias com dois papais e duas mamães ou que um príncipe que se apaixona por outro príncipe?", questionou. Para Felipe Cabral, compartilhar as diversas composições familiares com as crianças é uma forma de naturalizar essas relações. "Temos que mostrar que família é amor, independente de qual seja sua formação. É ensinar o respeito à diversidade. É gerar o sentimento de empatia com o outro", alerta. O roteirista, que já escreveu para novelas como "Bom Sucesso" e "Totalmente Demais", confessa que sempre foi um leitor voraz das histórias da "Turma da Mônica", disse que nunca se viu representado em nenhuma história com personagens LGBTQIAP+. "Quando era criança, eu não conseguia elaborar o que estava sentindo. Talvez, se eu tivesse visto um personagem que passasse pelos mesmos conflitos internos que os meus, eu teria me identificado com ele e me aceitado mais rapidamente como um garoto gay", lembrou. Esse carioca de 35 anos que terá seu 1º romance, "O primeiro beijo de Romeu", lançado neste 2º semestre pela Galera Record, mostrou que essas histórias existem, são legais e diversas. "As pessoas reagem com surpresa quando descobrem esses livros infantis e correm para ler para seus filhos e filhas", concluiu. A atividade foi transmitida ao vivo pelas redes sociais da Fundação. Para conferir todas as dicas de Felipe Cabral, o link do encontro está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- “É um livro que fala sobre o real significado de militância e ativismo”, destacou Vitor Martins
A edição deste mês do Defenda seu Best foi sobre a obra de Abdi Nazemian “Tipo uma história de amor”. Participaram do debate Vitor Martins e Johnatan Marques Mais uma edição do quadro fixo “Defenda seu Best”, do 40tena Cultural, foi realizado no dia 8 de junho. Desta vez, o livro discutido foi “Tipo uma história de amor”, de Abdi Nazemian, com os comentários do escritor Vitor Martins e mediação de Johnatan Marques. Além de escritor, Vitor Martins também é tradutor e um de seus trabalhos foi na adaptação de “Tipo uma história de amor”, para o mercado brasileiro. Porém, a história entre o tradutor e a publicação de Abdi Nazemian começou muito antes, quando Vitor teve contato, pela primeira vez, ainda na versão em língua inglesa. “Quando li, a história me impactou bastante. Na época, falei do livro obsessivamente nas minhas redes sociais”, contou o tradutor. A obra de Abdi Nazemian conta a história por três perspectivas diferentes de personagens adolescentes, que moram em Nova York – Reza, Judy e Art. A história se passa no final da década de 1980, no auge da epidemia de AIDS e HIV. Um momento delicado para a comunidade LGBTQIAP+. Foi nesse período que o imigrante iraniano Reza chega na cidade norte-americana com sua família. Em seguida conhece Judy, uma aspirante a estilista que cria e usa roupas coloridas e que possui um tio gay e soropositivo. Por fim, Art é o único garoto assumidamente gay da escola e que tem um interesse amoroso por Reza. Durante o encontro, Vitor Martins destacou que o livro traz diversos assuntos diferentes, como o significado da palavra militância. “Hoje em dia, a palavra militância é repetida tantas vezes que foi esvaziada”. Outro aspecto retratado é a importância em aprender com o passado e seu impacto na vida da comunidade LGBTQIAP+. “É um livro que vai falar muito sobre a importância de olhar o reflexo do passado e como isso impacta na nossa vida, como comunidade hoje. Aborda a sexualidade, primeiro amor, música e sobre todo esse instinto de rebeldia que a música provoca na gente. Traz também uma abordagem sobre moda, religião e muitos outros assuntos. É uma história encantadora”, destaca o autor. A atividade foi transmitida ao vivo pelas redes sociais da Fundação. Se você quer saber de todos os detalhes da obra de Abdi Nazemian, o link deste bate-papo está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Programação trouxe DaCota Monteiro com a história "O dragão que queria ser dragão"
Para celebrar a diversidade e a tolerância, a programação da 40tena Cultural apresentou no sábado, dia 5 de junho, a contação de história "O Dragão que Queria Ser Dragão", apresentada pela drag queen, atriz, designer, performer e makeup artist, DaCota Monteiro. A história retrata os papéis de gênero e como as pessoas, com escolhas diferentes, são expulsas da sociedade em que vivem. O livro marcou a vida de DaCota Monteiro por não abordar, exclusivamente, o respeito e como as pessoas devem ser aceitas. "É uma obra que fala como isso pode afetar o seu bem-estar e que, para conquistar seus direitos, existe ajuda", disse a atriz que trouxe para a atividade uma visão mais intimista sobre a luta da comunidade LGBTQIAP+. DaCota Monteiro tem mais de 50 mil seguidores em todas as suas redes sociais. Detentora de um humor ácido e político, ela transforma suas discussões em gritos de liberdade e igualdade para a comunidade LGBTQIAP+. A atividade foi transmitida ao vivo pelas redes sociais da Fundação. Mas, quem quiser conhecer a história do dragão que foi punido pelo reino em que vive por ser diferente dos demais, o link está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Isabela Lisboa abre a programação de junho sobre a representatividade LGBTQIAP+
As manifestações de 1969, nos Estados Unidos, durante o mês de junho, marcaram os movimentos LGBTQIAP+ e o surgimento de diversos eventos em todo o mundo para comemorar o orgulho e a cultura dessa comunidade. Para levantar novos debates, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promove neste mês de junho atividades com essa temática, durante a programação da 40tena Cultural. A primeira delas aconteceu no dia 2 de junho, com a jornalista e atriz, Isabela Lisboa que falou sobre o tema “Representatividade LGBTQIA+ nos livros, filmes e séries”. Isabela deu uma aula de cultura com várias indicações de livros e filmes e iniciou o bate-papo contextualizando a palavra “representatividade”, que para ela, é algo prático do seu dia a dia. “Existe uma função social importante da representatividade na cultura, em tornar visível o que a sociedade queria e quer deixar escondido dentro do armário”, comentou a jornalista. “Historicamente, a representatividade tem um poder individual e coletivo de identificação. Quando uma pessoa se vê em uma história, filme ou série, se sente mais fortalecida e no direito de exercer o direito à liberdade de ser quem é”, detalhou. Isabela compartilhou diversos acontecimentos históricos que contribuíram para a representatividade da comunidade LGBTQIAP+ na cultura, como o primeiro romance lésbico, publicado em 1928, “O Poço da Solidão”, de Radclyffe Hall. “Nessa obra, a personagem principal passa, do começo ao final da história, por um processo bastante doloroso de descoberta. Na década de 1920, isso ainda era algo muito sofrido, mas ela só se sente bem vendo pessoas iguais a ela”, explicou. A jornalista, que já atuou em nove curtas-metragens de ficção, entre eles, o “Apartamento”, de 2017, que tem mais de 2 milhões de visualizações no canal do YouTube, citou também algumas produções no audiovisual. Segundo ela, o primeiro beijo entre dois homens aconteceu em 1927, em um filme chamado “Asas”. Já entre duas mulheres, ocorreu quatro anos depois, em 1931, com o longa alemão “Senhoritas em Uniforme”. “Um filme que foi lançado em plena ascensão nazista e, obviamente, foi muito perseguido e censurado, com várias cópias queimadas. É um filme polêmico por duas coisas: mulheres se beijando e um romance entre professora e aluna”, comentou. Em 1999, surgiu a série que representa o universo gay “Queer as Folk”. Já em 2004, a série sobre o universo lésbico, “The L Word”, entrou no ar. “É curioso, porque a série, por ter um tempo de tela maior, permite que você se aprofunde um pouco mais na vida das personagens e no cotidiano, como o que elas fazem, além de serem lésbicas e gays”, ressaltou. Isabela destacou ainda que nos anos seguintes, as produções ganharam qualidade e quantidade de conteúdo cultural da comunidade LGBTQIAP+. “Conseguimos ver que, embora algumas problemáticas ainda apareçam, existe uma tentativa de acertar a partir dos anos 2000. Com isso, as histórias ganham mais profundidade”, afirmou. Para conferir na íntegra este bate-papo e saber de todas as dicas de Isabela Lisboa, o link está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Clube do Livro debate “Torto Arado”
Obra de Itamar Vieira Junior é um clássico contemporâneo da literatura brasileira, vencedora do prêmio Jabuti, na categoria melhor romance, em 2020 Mais um encontro do Clube do Livro, da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, aconteceu no dia 29/5, remotamente. Coordenado pela bibliotecária Gabriela Pedrão, o encontro debateu a obra de Itamar Vieira Junior, “Torto Arado”, vencedora de vários prêmios, entre os mais importantes deles, o prêmio Jabuti de 2020, na categoria de melhor romance. Gabriela Pedrão iniciou o encontro destacando que o livro, mesmo escrito em 2019, é um “clássico” da literatura nacional. “Ficamos curiosos e decidimos trazê-lo ao encontro desse ano, por ser de um escritor jovem e da literatura brasileira. Falamos da nossa cultura, principalmente por ele retratar a nossa realidade”, destacou. O enredo de “Torto Arado” acontece no interior do sertão baiano e retrata a história das irmãs - Bibiana e Belonísia – marcadas por um acidente de infância. As duas vivem em condições de trabalho escravo em uma fazenda no sertão da Chapada Diamantina. Com uma prosa melodiosa, o romance conta a história de vida e morte, de combate e redenção. Quem quiser conferir, na íntegra, o debate sobre o livro e as curiosidades de quem já leu a obra, o encontro está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube
- ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’ fecha o Mês do Orgulho Nerd da 40tena Cultural
Obra bem-humorada de ficção científica, escrita há quatro décadas pelo inglês Douglas Adams, foi o tema do bate-papo entre a jornalista Isabella Grocelli e a professora e sócia do blog ‘Garotas Geeks’, Flávia Gasi Considerada uma das principais obras do mundo nerd, a série de ficção científica “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, criada em 1978, na Inglaterra, junto ao filme Star Wars, lançado um ano antes, estimulou a criação do “Dia do Orgulho Nerd”, comemorado todo dia 25 de maio. Como forma de celebrar a data, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto preparou um mês todo especial em seu projeto 40tena Cultural. Encerrando o mês, o “Defenda seu Best” debateu a franquia criada por Douglas Adams, que já rendeu programa de rádio, adaptações para os palcos, para a televisão, para os quadrinhos, além de cinco livros, lançados entre 1979 e 1992. A atividade, mediada pela jornalista e influencer geek Isabella Grocelli, apresentou a professora fundadora do Grupo JOI (Jogos Digitais e Imaginários) e sócia do blog “Garotas Geeks”, Flávia Gasi. Logo no início do bate-papo, Flávia fez uma revelação: a única pessoa nerd em casa era a sua mãe. “Ela que me apresentou literatura, ficção científica, Star Wars, eu jogava videogame com meu irmão mais novo e achei esquisito quando entrei nesse mundo e percebi que não era um mundo para mim, mulher”, disse. Sobre os livros, ela afirmou que a obra de Douglas Adams traz uma ótima coletânea de tudo o que é nerd. “Acho que o autor estava muito à frente de seu tempo, ele traz assuntos polêmicos e relaciona com a ficção científica, e profana tudo, nos entregando uma trilogia de cinco livros, engraçadíssima”, comentou. “O Guia do Mochileiro das Galáxias” foi apresentado para a professora na década de 1990, e ela não conseguia mensurar que aquela obra era, na verdade, de 20 anos atrás. Muito por conta da linguagem e as metáforas usadas por Adams, ainda estarem presentes poucos anos antes da virada do milênio. “Acho muito incrível como o autor consegue tirar de contexto certas particularidades culturais da humanidade, do momento em que ele está vivendo, e inserir para todos, como uma boa ficção científica faz”, destacou. Flávia e Isabella ainda debateram sobre o número 42, presente em diversas referências da cultura nerd, em filmes, séries e músicas. Essa “mitologia” do algoritmo surgiu na série “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, em que uma civilização busca a resposta para tudo e, para isso, constrói um robô superinteligente e capaz de responder qualquer dúvida. Ao questionar o aparelho sobre qual o sentido da vida, o universo e outras coisas, ele solicita um prazo de milhares de anos para realizar os cálculos e descobrir a resposta que, ironicamente, é apenas 42. Não importa qual a pergunta, a resposta é 42. A professora explicou que os livros de Douglas Adams são indicados para qualquer pessoa que queira se inserir no mundo da ficção científica, uma vez que na obra estão presentes robôs, aliens e viagem no tempo. As pessoas que sabem o mínimo sobre esses assuntos já podem ler e, segundo Flávia, vai valer muito a pena. “Existem livros que são clássicos da ficção científica, mas com uma linguagem mais complicada, como ‘Neuromancer’. Mas ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’ é ótimo para qualquer leitor”, garantiu Flávia. Quem quiser conferir na íntegra este bate-papo, ele está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Último dia de oficina de charges e tirinhas trouxe Carlos Ruas
Atividade da programação da 40tena Cultural complementa a aula ministrada, no dia anterior, pelo chargista Thomas Larson, o Thomate A última etapa da oficina on-line “Processos de Criação de Charges e Tirinhas” contou com a participação do chargista Carlos Ruas, no dia (19/5). A atividade fez parte da programação do projeto 40tena Cultural. Carlos Ruas ficou conhecido pelas webcomis “Um Sábado Qualquer”, “Mundo Avesso” e “Cães e Gatos” – três universos distintos e criativos que compõem a sua obra. Durante a oficina, o chargista abordou um tema importante no processo de criação de charges, quadrinhos, tirinhas e qualquer outra profissão: a identidade. Para ele, “até empresas devem ter sua própria identidade, o que considera mais importante até, do que a marca”, disse. Para o processo de criação de identidade, ele citou dois desenhistas e roteiristas brasileiros que têm os traços marcantes e inconfundíveis: Maurício de Sousa e Ziraldo. No primeiro, segundo ele, é só olhar para os olhos marcantes de seus personagens para saber que estamos visualizando uma obra da Turma da Mônica. “O olho se tornou a parte mais valiosa da Mônica. Já nas artes de Ziraldo, os traços arredondados no rosto são marcas registradas. É muito importante você ter sua própria identidade, ser reconhecido através disso”, explicou Carlos Ruas. Mas como criar minha própria identidade? O chargista deixou uma dica valiosa para conseguir atingir e criar a própria característica de desenho: “tenha sempre um caderninho perto de você, as ideias não têm hora para chegar, então anote. Use suas próprias tragédias, faça uma limonada disso. Quebre as expectativas que as pessoas possam ter da sua obra. Pense como uma criança e quebre aquilo que é ensinado a nós diariamente. Se gosta de um personagem, imagine o dia a dia dele”, pontuou. Carlos Ruas nasceu em 1985, em Niterói (RJ) e, desde cedo, demonstrou interesse e talento para o desenho. É formado em desenho industrial e atua profissionalmente em quadrinhos desde 2010. Em 2012, recebeu o Troféu HQ Mix (o “Oscar” dos quadrinhos brasileiros) e em 2015, o livro “Êxodo: nos bastidores da bíblia” conquistou o 32° Troféu Angelo Agostini. O sucesso das tirinhas que abordavam as religiões com humor e irreverência possibilitou que, em 2011, o “Um Sábado Qualquer” fosse um dos blogs de quadrinhos mais acessados do país, conquistando um público diversificado e aberto à reflexão. Ruas participou do livro em homenagem a Mauricio de Sousa, “MSP novos 50”, e tem sete livros publicados: seu 4° livro, “A infância de Cristo”, arrecadou R$ 280 mil na plataforma Catarse, batendo o recorde de maior arrecadação nerd.
- Thomas Larson participa de oficina de charges e tirinhas
Projeto 40tena Cultural trouxe neste mês de maio oficinas com dois chargistas de renome no cenário cultural: Thomas Larson e Carlos Ruas Fãs de charges e tirinhas puderam participar de duas oficinas incluídas na programação do mês de maio da 40tena Cultural, projeto da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. A primeira aula da oficina on-line “Processos de Criação de Charges e Tirinhas” foi com o chargista Thomas Larson, no dia (18/5). Também conhecido como Thomate, Thomas Larson é de Ribeirão Preto e trabalha com animação, cartuns e ilustrações. Atualmente reside em São Paulo, onde trabalha como diretor de animação em longas metragens e séries. Trabalhou durante 12 anos no Jornal A Cidade, em Ribeirão Preto. Também dirigiu “Rái Sossaith”, curta metragem e série em animação publicada no YouTube, Canal Brasil e Comedy Central. Durante o encontro, o chargista disse que o formato de imprensa em que trabalhava está mudando, por conta do uso de novas tecnologias e a internet na produção de conteúdo. “A mudança não é apenas na mídia, mas na forma de divulgar nosso trabalho”, disse. As vagas da oficina foram limitadas e quem participou das duas oficinas teve direito a certificado.
- “A criança desenvolve o gosto pela leitura através do estímulo dos pais”, disse Adilson Terrivel
Quadrinista, Adilson Terrivel, participou de encontro online e ao vivo durante atividade do projeto 40tena Cultural O quadro fixo da 40tena Cultural, “Dicas de Leiturinhas”, trouxe no dia 12/5 o tema HQs para crianças, com a participação do diretor de arte e quadrinista, Adilson Terrivel, que se declarou um apaixonado pelas histórias em quadrinhos. O convidado do encontro disse que o perfil das histórias está mudando já há um tempo, uma vez que o principal acesso que existia era através das revistas nas bancas de jornais. “Agora os fãs de HQ estão indo para as livrarias. Com a pandemia, estamos caminhando para o virtual, pois não estamos mais conseguindo ir aos lugares e folhear os gibis”, alertou. A primeira dica do quadrinista para o público infantil foi buscar por histórias da Disney que podem ser encontradas em qualquer banca de jornal ou sebos. “Tanto a Disney quanto o Maurício de Sousa apresentam características que possam parecer datado, pois estão sempre antenados ao que acontece no mundo e se atualizam constantemente”, disse. Sobre a “Turma da Mônica”, criação de Maurício de Sousa, Adilson explicou que há uma grande distribuição das revistas, além de o roteiro sempre se manter atualizado com o que acontece no mundo. “O Maurício de Sousa, de uns tempos para cá, começou com iniciativas muito interessantes para a formação de um novo público”, contou. Uma dessas iniciativas mais interessantes, segundo Adilson, foi a criação da Turma da Mônica Jovem, em 2008, destinada para crianças mais velhas, de oito a 10 anos. Outra iniciativa de destaque, apontada por Adilson, foi a criação do selo Graphic MSP, que consiste na releitura dos personagens do Maurício de Sousa por outros artistas de quadrinhos do cenário nacional. “O primeiro foi Turma da Mônica Laços, que até virou filme. É uma história tocante, tem muita aventura, muito clima dos filmes da década de 1980, são bem emocionantes”, destacou. Ele ainda citou outros dois títulos do selo: “Chico Bento: Arvorada” e “Jeremias: Pele”. O quadrinista citou ainda Space Dumplins, de Craig Thompson, que conta as aventuras de uma menina que mora com os pais, no espaço. “É uma história para os pais lerem junto com a criança e também sozinhos. Afinal a criança desenvolve o gosto pela leitura pelo exemplo, seja através da leitura dos pais ou mesmo vendo-os lerem”, alertou o diretor. Veja as dicas de leitura de Adilson Terrivel: - Calvin e Haroldo, de Bill Watterson - Bone, de Jeff Smith - Dr. Slump, de Akira Toriyama - A invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick - Querida Liga da Justiça, de Michael Northrop e Gustavo Duarte - Marvel Action: Vingadores, de Jon Sommariva e Matthew K. Manning - Shazam e a Sociedade dos Monstros, de Jeff Smith - Coleção Histórica Marvel, Stan Lee, Jack Kirby, entre outros autores - Scott Pilgrim – Contra o Mundo, de Bryan Lee Malley e Érico Assis Quem quiser conferir, na íntegra, este bate-papo, ele está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Representatividade das mulheres nas Histórias em Quadrinhos foi tema abordado em encontro da 40tena
A programação do projeto 40tena Cultural trouxe para um bate-papo, no dia 6 de maio, a ilustradora e quadrinista Lila Cruz, autora de “Almanaque de autocuidado” e “Pequeno livro de felicidades”, e a artista Sirlanney, que transita entre as artes plásticas e a literatura, conhecida por sua personagem de quadrinhos “Magra de Ruim”. A mediação desse encontro super bacana foi de Rebeca Puig, ilustradora e roteirista. Na conversa, Lila Cruz resumiu sua vida artística: começou nos desenhos fazendo fanzines em casa - cerca de 900 produções. “Isso me deu conhecimento de produção gráfica. Foi aí que comecei a caminhar para a produção de livros. Em 2017, me aventurei fazendo capas de livros”, disse. A ilustradora comentou que nesse período deixou de pagar muitos aluguéis e contas pela falta de oportunidades. “Existe um mito que só fazemos ilustração. Mas a verdade é que vivemos chorando porque não temos trabalho e chorando porque estamos lotados de trabalhos”, brincou. Já a artista Sirlanney contou que entrou na faculdade de artes com a vontade de fazer quadrinhos. Mas, foi após participar dos eventos e produzir fanzines, que começou a produzir de fato suas HQs. Hoje, segundo ela, as mulheres estão trabalhando mais com os quadrinhos. “Mas, infelizmente, esse trabalho não tem onde ser exibido, a não ser pela internet”. Outro ponto apontado por Sirlanney foi de que as grandes empresas, para fecharem negócio com quadrinistas, cobram que os artistas tenham um público cada vez maior nas redes sociais. Isso, segundo ela, é opressor. Uma saída para ter o trabalho vendido, que não seja pelas redes sociais e engajamento com o público, são as feiras que abordam o tema. “Infelizmente, durante a pandemia, estes eventos não estão acontecendo. Com as feiras, nós vendíamos bem, havia muita procura pelo impresso e as vendas eram garantidas”, disse. Quanto a atuação das mulheres no mercado editorial, Sirlanney disse que as mulheres estão roubando a cena nos quadrinhos. Mesmo citando a criação da personagem Luluzinha, em 1935, pela Marjorie Henderson Buell, segundo a ilustradora, as mulheres como criadoras, até as décadas de 80 e 90, só apareciam em raras exceções. “Aqui no Brasil, por exemplo, só nos últimos seis ou sete anos começamos a sair do armário. Vamos comemorar que estamos tomando esse espaço que sempre deveria ter sido nosso e que nos possibilitou ampliar as narrativas das HQs”, disse prevendo que o futuro das mulheres nos quadrinhos é cada vez mais forte, se for criado por elas. “Vai nos fortalecer cada vez mais e, de certa forma, contribuir para mais igualdade entre homens e mulheres, não só na literatura, mas em tudo na vida. A igualdade de gênero ainda é uma luta. A arte é consequência e ferramenta para ela”, concluiu a artista. Lila Cruz é baiana, ilustradora e quadrinista. Faz quadrinhos desde 2010, tem dois livros publicados e trabalha no mercado editorial desde 2015. Atualmente, mora em São Paulo e tem sua própria loja virtual de produtos ilustrados. Sirlanney Nogueira nasceu no sertão do Ceará, publica textos e desenhos há mais de 15 anos. Artista plural, transita entre as artes plásticas e a literatura e ficou muito conhecida por sua personagem de quadrinhos “Magra de Ruim”. Rebeca Puig é roteirista de cinema, televisão e quadrinhos, atua na área há 9 anos. Criadora de um dos primeiros blogs feministas sobre cultura pop, o Collant Sem Decote. Autora publicada organizou mesas de discussão sobre diversidade e representação na CCXP durante 6 anos. Editora do site nebulla.co. Quem quiser conferir, na íntegra, este bate-papo, ele está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Programação de maio da 40tena Cultural aborda o universo das HQs
Abriram a programação os ilustradores Fido Nesti e Rodrigo Rosa, com mediação de de Ariovaldo Alves, bibliotecário do SESC Ribeirão Preto A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promoveu no dia 4 de maio, um bate-papo sobre "Literatura e HQs", com os ilustradores Fido Nesti e Rodrigo Rosa, mediado por Ariovaldo Alves, bibliotecário do SESC Ribeirão Preto. Filho de publicitário, Fido Nesti contou que sempre ganhou materiais para desenhar durante a infância e tornou-se fã, desde pequeno, de histórias em quadrinhos como "As Aventuras de Tintim" e "Asterix e Obelix". "Eu ganhava revistas estrangeiras, com referências europeias, que na época eram difíceis de se encontrar nas bancas. Desde muito cedo, eu já desenhava e fazia minhas próprias histórias em quadrinhos", revelou o ilustrador que trabalha com ilustração e quadrinhos há mais de 30 anos. Seus desenhos podem ser vistos no jornal Folha de S. Paulo e na revista New Yorker, assim como em capas e livros de várias editoras, incluindo a Companhia das Letras. Ilustrou "Os Lusíadas em Quadrinhos" (Peirópolis, 2006), "A Máquina de Goldberg" (Quadrinhos na Cia., 2012) e "1984" (Quadrinhos na Cia., 2020). Fido explicou que pessoas não consideram as revistas de HQ como uma categoria de literatura. Mas para ele, essas histórias têm características únicas e elementos tanto da literatura como de outras expressões culturais, como por exemplo, o cinema e artes plásticas. "Fico na dúvida em afirmar fielmente se é literatura, já que há muitos quadrinhos com mais textos do que figuras, que podem ser chamados de livros ilustrados. Mas, cada linguagem tem suas características próprias". Outra polêmica sobre os quadrinhos comentada pelo ilustrador é a ideia de que as histórias de HQ são ingênuas, destinadas apenas ao público infantil. Ele considera que este tipo de pensamento no Brasil não deveria acontecer mais, já que o gênero está consolidado para todos os públicos. "São nichos que foram se consolidando, com histórias autorais, adultas e, agora, existem para todos os gostos. Quem ainda tem esse preconceito é que ainda está bem desinformado". O ilustrador apontou como referência os quadrinhos da França, que se tornaram tradicionais na Europa e têm respeito do público. Rodrigo Rosa - cartunista, ilustrador, quadrinista e jornalista - também participou do bate-papo. Ele, que começou cedo na profissão, aos 14 anos, com tiras no jornal "Oi! Menino Deus I", é ex-integrante da Editoria de Arte do jornal Zero Hora e também ilustrador de livros infantis, cartunista e chargista colaborador de jornais e revistas nacionais. Possui mais de 20 prêmios em salões de humor no Brasil e no exterior. O cartunista também teve contato com o mundo da ilustração ainda menino e acredita que o desenho é a primeira forma de comunicação da criança com o mundo, antes mesmo dos aprendizados da escrita e da fala. A sua experiência vem de um processo, que ele considera muito natural, com a demonstração inicial de seu dom para desenhar, mas que com o tempo, foi aprimorado por meio de estudos e da relação com pessoas que contribuíram para sua carreira. "Na minha família tive muita influência do meu pai que foi por muito tempo artista publicitário e trabalhou em diversas agências. Eu o via trabalhando em casa e foi ele quem me deu as primeiras lições e técnicas de desenho", contou. Foi seu pai também que o propiciou a conhecer muitas pessoas do meio, como publicitários, cartunistas e artistas de referência. Rodrigo explicou que começou a ler muito em função dos quadrinhos. "O interesse pela leitura veio pelo fascínio da imagem junto com o texto". Ele se lembra de grandes autores e clássicos que conheceu através de histórias de quadrinhos, tal como Jorge Luís Borges, já que o quadrinista Hugo Prate fazia histórias inspiradas no autor. Quem quiser conferir, na íntegra, este bate-papo, ele está disponível no início do texto 👆🏻 e também em nosso canal do Youtube.
- Velhas e novas utopias foi tema central do primeiro dia do Revolução Poética
Evento online contou com a participação de convidados como o ecólogo Philip Fearnside, do jornalista Zuenir Ventura e de alunos do projeto Alma (Academia Livre de Artes e Música de Ribeirão Preto) que apresentaram o espetáculo “Conglomerados Utópicos, Distópicas Paisagens” A preservação da floresta Amazônica é um sonho? Chegaremos ao dia em que nosso maior bem ambiental estará à salvo da ganância destruidora, observada diariamente por olhares perplexos, seja no Brasil ou na comunidade internacional? Essas foram algumas das perguntas que o ecólogo Philip Fearnside respondeu no primeiro dia (25 de abril), abertura do projeto “Revolução Poética – Festival de Ideias”, promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Abrindo a noite, foi exibido um filme do documentarista Leo Otero. Em “Pioneira Luta”, ele explora o tema de uma das utopias mais antigas da humanidade: a disputa pelo direito à terra, que remonta há milênios e gera guerras até hoje. “Neste vídeo-documentário trouxe um debate para os tempos atuais, com a saga dos povos indígenas que, há 521 anos sofrem um massacre na disputa por território e continuam resistindo e existindo. Mais que uma disputa pela terra, uma disputa física, cultural, espiritual e econômica e que vem em uma escalada muito violenta”, alertou Otero. “É preciso entender que a floresta fornece diferentes serviços essenciais a toda a população brasileira, como a água de outras partes do País, e que são recursos ameaçados em um futuro próximo”, disse o ecólogo norte-americano de 73 anos, 40 deles vivendo no Brasil, onde desenvolveu a maior parte de sua carreira de reconhecimento internacional, que inclui um prêmio Nobel da Paz, em 2007, junto a outros cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Mesmo com tantos desmandos praticados ano após ano contra a floresta Amazônica, Fearnside contina sendo um otimista. “Taxar a manutenção do meio ambiente como utópica é perigoso por transmitir a mensagem que manter ecossistemas naturais é inerentemente impossível, imaginando que ninguém faz nada para conter as perdas, já que vão ocorrer de qualquer forma. Claro que as ameaças são muitas, mas existem grandes áreas de floresta intacta na Amazônia e temos a opção de evitar os erros já cometidos por outros países, e também por outras regiões do Brasil, que já destruíram quase toda a vegetação natural”, avisou. Novas utopias Na sequência da noite, o projeto Alma (Academia Livre de Artes e Música de Ribeirão Preto) apresentou o espetáculo “Conglomerados Utópicos, Distópicas Paisagens”, com a participação de alunos de seu corpo experimental de dança. Em seguida, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, autor de livros como “1968 – O ano que não terminou”, “Cidade Partida” e “Chico Mendes – Crime e castigo”, apresentou sua visão sobre o tema. Para ele, a própria utopia sempre foi algo irônico, já que o filósofo Thomas More, autor do livro “Utopia”, apresentava o cenário de uma sociedade em que todos seriam felizes e ricos. “Porém, o próprio criador desse paraíso utópico morreu infeliz, preso e executado na Torre de Londres”, disse Zuenir. Para o jornalista, o Brasil, de um jeito ou de outro, sempre experimentou um sentimento de utopia, seja olhando para a frente, como “o país do futuro”, ou para trás, com nostalgia dos idealizados “anos dourados”. “Estamos sempre esperando alcançar algo que nunca chega ou que já passou, mas na verdade, hoje, estamos em uma distopia como nunca vivemos, com um acúmulo de crises: de saúde, política, econômica, ética, social e ambiental”, enfatizou. Para acompanhar todas as atividades do primeiro dia do “Revolução Poética – Festival de Ideias”, acesso o vídeo acima.
- Último dia do Revolução Poética debateu a busca por sabedoria
Encontro trouxe o sociólogo e escritor Alfredo Pena-Vega, a geógrafa Maria Adélia de Souza, além dos números artísticos de Ni Brisant, Coletiva de Rua Sarau Disseminas e Leser MC As utopias precisam de uma carga poética para existir? A busca por sabedoria é o que move os pensamentos utópicos? Esses e outros temas foram debatidos no dia 27 de abril, terceiro e último dia do “Revolução Poética – Festival de Ideias”, promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Abrindo a noite, Ni Brisant e a Coletiva de Rua Sarau Disseminas apresentaram “Vozes Bússolas: poesia como arte do risco” no palco do Instituto SEB. “O propósito da apresentação foi estimular reflexões, renovar dúvidas e propor a inauguração de horizontes dentro de cada pessoa”, disse Ni. O primeiro painel, “Necessidades poéticas do ser humano – utopia?”, trouxe o sociólogo e escritor francês Alfredo Pena-Vega, professor e pesquisador do Centre Edgar Morin (EHESS/CNRS), em Paris, que é colaborador do pensador francês Edgar Morin desde os anos 1990. Segundo Morin, o ser humano se alterna entre os estados prosaico e poético. Para ele, o prosaico é o que nos faz sobreviver, o que nos move em busca de nossas necessidades. Já o estado poético é quando as emoções afloram, externando a dimensão verdadeira da humanidade de cada um. A grande pergunta que fica é: como equilibrar estes dois estados em nossas vidas? “Com deslumbramento, curiosidade e sabedoria. É claro, isso não é suficiente, mas acredito profundamente na sabedoria. Concordo com Morin que a sabedoria se encontra na vontade de assumir os diálogos humanos. Algumas pessoas usam o termo sabedoria para aliviar sua consciência, às vezes é hipocrisia”, disse. E como encontrar espaço para a sabedoria, para o poético, em meio ao caos em que vivemos? “Não podemos falar de humanidade, da sabedoria, de uma necessidade poética quando seu país está se aproximando do abismo”, reconheceu o sociólogo francês. Globalização: entre utopias e distopias O músico e produtor cultural Leser MC também subiu ao palco do “Revolução Poética” e apresentou o espetáculo “Do lado de cá”. “O número foi pensado na questão da visão de territórios, uma visão periférica sobre a globalização, como a gente se expressa e comunica com o resto do mundo e se conecta a muitas outras realidades por meio da arte, que é uma ferramenta de sensibilização e de conscientização”, disse Leser. Logo em seguida, a professora e doutora em geografia Maria Adélia de Souza apresentou sua visão sobre o tema “Por uma outra globalização – entre utopias e distopias”, a partir do livro que empresta o nome ao painel, de autoria do geógrafo brasileiro Milton Santos. “Foi uma reflexão sobre como entendemos o processo de globalização e o mundo por ele produzido. Como propõe Milton Santos, um mundo como fábula, fabuloso e enganoso, um mundo como perversidade, criando aceleradamente distopias alimentadas pela submissão ao consumo, que está na ordem do dia do capitalismo contemporâneo. A globalização semeia utopias e distopias em todas as classes sociais, penalizando e constituindo perversidades sobre as classes mais pobres”. Para conferir, na íntegra, o terceiro dia do “Revolução Poética – Festival de Ideias” basta assistir ao vídeo.

















