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- “Minha lágrima é um gatilho para a escrita”, desabafou Stefano Volp
Escritor, roteirista, tradutor e produtor editorial, Volp falou sobre suas obras, sentimentos e experiências profissionais durante encontro mediado por Adonai Ishimoto e participação do público online e presencial no auditório do espaço A Fábrica Leveza na escrita, vivências, experiências e resistência. Esses foram os temas do bate-papo com Stefano Volp, no terceiro dia (01/05) do Revolução Poética na Fábrica Literária. Escritor de quatro livros de ficção (O Beijo do Rio, Homens Pretos (Não) Choram, O Segredo das Larvas e outros), Stefano Volp também atua com projetos audiovisuais, além de ser roteirista, tradutor, produtor editorial e fundador da editora Escureceu, que publica clássicos de autores negros inéditos. O encontrou foi conduzido pelo bibliotecário Adonai Ishimoto, a partir das 15h e aconteceu de forma híbrida. Trabalhando atualmente na plataforma Netflix, Stefano Volp detalhou, com bastante humor, alguns processos de sua escrita e rotina de trabalho. Formado em jornalismo, o escritor de 30 anos já atuou como repórter nas editorias de petróleo e gás, em agência de publicidade e hoje se dedica 100% à escrita profissional. “Viver de arte no Brasil é muito difícil. Preocupa qualquer família. Mas acreditei e trabalhei muito”. Uma de suas novas propostas profissionais é o Caixa Preta, iniciativa da Editora Escureceu que resgata e promove contos clássicos de ficção escritas por autores negros, com início em 2020. Masculinidade e sensibilidade Pontos potentes, complexos e com fantasia são destaques nas obras de Volp, além de abordagens visuais e narrativas estratégicas. “Tento trabalhar isso em mim: a tentativa da escrita ser visual, junto com uma ideia de profundidade nos meus personagens”, disse o escritor que não se intitula como um especialista das masculinidades negras. “Não construo uma narrativa linear, subjetiva ou multi explicativa, porque realmente nunca foi minha pretensão. Pretendo trabalhar com a masculinidade negra nos meus livros, mas sempre vou optar por contar histórias de ficção”. Choro de resistência Ao falar da sua vida pessoal, Volp relembrou que já teve muita vergonha de mostrar o choro e os sentimentos. “Já vivi situações em casa, de violência: meu pai era um homem bastante violento. E isso me fazia muito mal. Chorava muito”. E destacou que aquele choro, não podia ser de sofrimento – queria que fosse um choro de mudança. “Sou uma pessoa sonhadora. O sonho, para mim, sempre foi uma forma de fugir da realidade e proporcionar uma nova realidade para minha mãe, principalmente. Meu choro era resistência.” A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária contou com oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividades intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. O bate-papo completo com Stefano Volp pode ser conferido no canal do Youtube da Fundação.
- Para a ciberativista Triscila Oliveira, “o trabalho doméstico tem cor e gênero”
Resistência, racismo, preconceito e o poder das redes sociais foram alguns dos assuntos que a roda de conversa com a escritora trouxe. Sua recente obra, "Confinada", também esteve no centro das discussões No Dia da Literatura Brasileira (01/05), o Revolução Poética na Fábrica de Ideias, promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Instituto SEB – A Fábrica, começou com uma roda de conversa com a ciberativista Triscila Oliveira – autora, ao lado de Leandro Assis - da HQ "Confinada" – obra que escancara as desigualdades enraizadas na história do Brasil ao colocar lado a lado, durante a pandemia, as personagens Fran (uma influenciadora digital) e Ju (uma empregada doméstica), em um confinamento expondo racismo e interesses econômicos que alimentam a injustiça social. O encontro foi mediado por Jéssica Machado, cientista social pela Unesp de Marília e criadora do projeto Negras Ginga. "Confinada" foi um dos lançamentos de 2021, considerado o mais relevante no mercado de HQs nacionais e tornou-se livro no início de novembro pela Editora Todavia. A obra é um relato da dor de viver no Brasil nos anos de 2020 e 2021, durante a pandemia, em especial para as classes mais marginalizadas. “Nos inspiramos em todos os episódios da pandemia, principalmente na falta de humanização das pessoas que tinham o privilégio de ficarem confinadas, mas que não queriam seguir sua rotina de luxo em casa. Por outro lado, os profissionais que estavam na linha de frente, que precisavam realmente trabalhar, foram desvalorizados. Isso conta a história do nosso país que não remunera dignamente os trabalhadores dos serviços essenciais que contribuem para que o País continue funcionando”, alertou a escritora em pleno Dia do Trabalho, também comemorado na data. Conflitos de classe Ao falar sobre “Confinada”, Triscila Oliveira detalhou as etapas de todo o enredo do livro – centrado no confinamento da patroa e empregada e na exaustão de um dos personagens a cada episódio - desde o confinamento, a contaminação por Covid-19, a demissão e todo o “perrengue” que a personagem vive e, claro, o protagonismo que ela ganha no final do livro. “O trabalho doméstico a gente sabe muito bem. Tem cor e tem gênero. São pessoas que vão morar no trabalho e ficam à disposição 24 horas para servir uma família, vendendo seu tempo sem viver com sua própria família. Não há nada mais colonial no Brasil do que isso”, desabafou. Racismo “Vivemos diariamente vendo nossa dor sendo comercializada, mas nossa alegria nunca é valorizada”, disse Triscila ao comentar o enredo do livro – o puro racismo. Para ela, a existência das pessoas pretas é combatida, exemplificando a diferença de uma pessoa branca e uma negra ao relatar sua existência nas redes sociais. “Vivemos em um país preconceituoso e racista, onde uma pessoa abertamente preconceituosa, ganha fama. Nós, que falamos de racismo todos os dias, vivemos um forte enfrentamento online. A nossa dor viraliza. Toda vez que uma pessoa preta mostra que ela é humana – o que sente, o que ela vive, que ama ou chora - as pessoas simplesmente não gostam. Mas, se você resolver “repostar” sobre a dor do racismo, ela vira entretenimento, ou seja, nossa alegria sempre é combatida”. A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária contuo com oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento trouxe a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividades intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. O bate-papo completo com Triscila Oliveira pode ser conferido no canal no Youtube da Fundação.
- Lola Salgado fala sobre suas obras, carregadas de representatividade
Autora publicou seus primeiros livros na plataforma Wattpad. Na Amazon, suas obras ultrapassam 10 milhões de leituras O segundo dia do Revolução Poética na Fábrica Literária, no sábado (30/4), contou com a participação da escritora Lola Salgado para um bate-papo sobre o poder da literatura, cultura, histórias e um resgate de sua realidade pessoal. O encontro foi mediado pela bibliotecária Gabriela Pedrão. Lola Salgado, autora de "A Linguagem do Amor", "Sol e Júpiter", "Quanta coisa pode estar logo ali", entre outros, publicou seus primeiros livros na plataforma Wattpad – foi lá onde ganhou o prêmio internacional Wattys com uma de suas obras. Na plataforma Amazon, seus livros ultrapassam 10 milhões de leituras. Durante a roda de conversa, Lola Salgado relembrou sua infância, quando começou a escrever, ainda com 10 anos de idade, época que tinha como referência a banda emo “My Chemical Romance”. “Procurei um fórum dos fãs da banda e encontrei algumas fanfics, ainda não conhecia, mas fiz uma e mandei para a equipe. Me responderam que eu poderia melhorar, e esse foi o meu primeiro conselho na vida”, contou. Foi a partir desse momento que Lola passou a escrever com mais frequência - ainda na plataforma Orkut (rede social inativa no momento). Durante essa época, a escritora foi amadurecendo conforme recebia o feedback dos seguidores. Com o fim da rede social Orkut, Lola disse que chegou até a pensar em abandonar a carreira de escritora. Mas, após um tempo, retomou a escrita e, no primeiro momento, surfou na onda do sucesso de “50 Tons de Cinza” (2012), de Erika Leonard James. “Mas cada livro foi me aproximando um pouco mais de como eu queria ser como escritora, da voz que eu queria encontrar. Hoje em dia, eu nem gosto muito desse livro que eu escrevi, mas ele foi importante para minha carreira”, destacou. Hoje, Lola tem nove livros lançados. Inspirações Lola revelou ainda que quando jovem escrevia sobre pessoas mais velhas e após uma ida a Bienal do Livro no Rio de Janeiro, em 2019, mudou o foco para o público jovem. “Fui para divulgar meu livro e lá eu percebi que consegui conversar com os jovens que foram na Bienal. Quando cheguei em casa e pensei em tudo o que aconteceu, mudei minha linha.” Hoje, as obras de Lola Salgado são carregadas de representatividade da comunidade LGBTQIAP+ e dos jovens fanfiqueiros (que fazem "fanfics", do inglês - "história inventada”). Mas, a mudança de enredo ocorreu quando ela leu a obra “Por Lugares Incríveis” (2015), de Jennifer Niven. O livro conta a história de um personagem que tem transtorno bipolar, mesmo distúrbio que Lola sofre. “A identificação com a história me fez mudar de pensamento sobre as obras que escrevia. Eu queria que todos os meus leitores se sentissem contemplados, eu não queria escrever para um único tipo de pessoa”, disse. Plataformas digitais A escritora destacou que a internet é democrática por dar voz a vários pensamentos diferentes. Outro ponto favorável a web, é de facilitar o caminho para os escritores independentes e que, às vezes, não conseguem espaços nas editoras físicas. “Existem pessoas que encontram voz nas redes e para os adolescentes que não têm poder aquisitivo, eles encontram ali produtos gratuitos que os escritores disponibilizam”, lembrou Lola. A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividades intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. O bate-papo completo com Lola Salgado pode ser conferido neste link.
- Revolução Poética na Fábrica Literária ofereceu oficina de conto com Matheus Arcaro
Atividade, com referências clássicas e dinâmicas práticas, aconteceu durante dois dias A oficina “Escrita Criativa para Conto”, com o escritor Matheus Arcaro, foi uma das atrações do Revolução Poética na Fábrica Literária, evento promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e A Fábrica – Instituto SEB. A atividade aconteceu de forma presencial, em dois dias: no sábado (30/4) e domingo (1/5). Dividida em dois momentos: teórico - mas com foco na história geral da literatura e as características essenciais do conto e prático, em que os participantes leram alguns autores e contos clássicos. “A proposta foi incentivar os participantes a escreverem alguns contos”, disse Matheus Arcaro. Para o escritor, eventos como o Revolução Poética na Fábrica Literária apresentam uma importância cultural e social, por promover o retorno social e a convivência das pessoas. “Inclusive para nossa saúde mental. É a arte e a cultura, a serviço da sociabilidade, em uma cidade como Ribeirão Preto que merece um evento desse porte”, destacando que a arte é fundamental para um dia a dia mais leve e fácil de lidar. “É uma forma de deixar os horrores e absurdos da existência mais suportáveis e fazer enxergar as possibilidades do mundo a partir da arte”, complementou. Matheus Arcaro é mestrando em filosofia contemporânea pela Unicamp. Pós-graduado em História da Arte. Graduado em Filosofia e também em Comunicação Social. É professor, artista plástico, palestrante e escritor, autor de cinco livros: dois de contos - “Violeta velha e outras flores” (Patuá, 2014) e “Amortalha” (Patuá, 2017); um romance - “O lado imóvel do tempo” (Patuá. 2016); um de poesia - “Um clitóris encostado na eternidade” (Patuá, 2019) e um de Filosofia “Nietzsche: verdade como metáfora, linguagem como dissimulação” (Amavisse, 2022). A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski.
- “Ler é mais importante que escrever”, disse Jeferson Tenório durante evento literário
No primeiro dia do evento, o autor de “O Avesso da Pele” conversou com público presencial e online direto do auditório do espaço A Fábrica, abordando temas como literatura, educação e negritude Crédito Foto: Ana Martinez A segunda edição do Revolução Poética, realizado neste ano em parceria da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e do Instituto SEB - A Fábrica, trouxe na noite desta sexta-feira (29), uma saborosa conversa literária com o escritor Jeferson Tenório sobre seu premiado romance “O Avesso da Pele” (Companhia das Letras, 2020). O evento, realizado presencialmente no auditório do espaço A Fábrica, no Centro da cidade, e com transmissão online em tempo real, contou com a participação do professor e pedagogo Marcelo Müller na condução do bate-papo. O escritor carioca radicado em Porto Alegre falou da alegria em estar no Revolução Poética na Fábrica Literária, festejando a literatura e, ressaltou a importância da sala de aula em sua construção como autor. “Me tornei escritor porque fui professor. As histórias vividas com meus alunos não só me tornaram uma pessoa melhor, como me trouxeram uma visão de mundo sem a qual eu não conseguiria escrever”, afirmou Tenório. Referência nacional e internacional por conta de “O Avesso da Pele”, o escritor contou que sua relação com a literatura não guarda tradições e o despertar para esse mundo veio da música. “Eu não era um leitor e meu letramento poético veio do rap. Minha escrita criativa começou com imitações de textos de autores que eu ia descobrindo e gostando”, contou Tenório, lembrando o Magma Rap, grupo que fez parte em Porto Alegre. Para ele - hoje doutorando em Teoria Literária pela PUCRS - a função essencial da literatura é formar leitores e sua escolha por privilegiar a linguagem acessível é focada nisso. “A escrita impacta o mundo, mas ler é mais importante que escrever”, afirmou o autor. A questão do racismo estrutural que permeia a sociedade brasileira em diferentes instâncias é o eixo em torno do qual se desenrola o enredo de “O Avesso da Pele” e, sobre o assunto, o escritor abordou alguns pontos centrais: educação, violência policial, religiosidade afro e humanidade negra. Racismo e descolonização Recentemente vítima de ameaças de morte em Salvador/BA, após anúncio de sua palestra numa escola, exatamente sobre o livro “O Avesso da Pele”, Jeferson Tenório reforçou a importância da literatura - e de todas as artes - no processo de transformação de mentalidades, embora não acredite na mesma como instrumento prático de mudanças rápidas nesse cenário. “A literatura age num outro tempo, que é subjetivo. A mudança é interna e demora. Por outro lado, a literatura é poderosa, como todas as artes, e incomoda as pessoas. Meu livro não é um manual antirracista, mas as pessoas podem ler e se dar conta de algumas coisas”, pontuou. Tenório também comentou a diferença de tratamento dispensada aos negros pela polícia, ponto central na história apresentada pelo romance em debate. “Infelizmente, a violência policial faz parte do cotidiano da população negra e vivemos num país onde se autorizou o discurso de ódio e a intimidação. Estamos num processo de descolonização das mentalidades e isso sempre é violento”, enfatizou o escritor. Religiosidade e afetos A referência às religiões de matriz africana na construção do personagem Pedro - protagonista do livro -, ao mesmo tempo em que tem caráter literário, também não deixa de ser um registro importante, já que o espaço que essa temática tem ganhado na mídia, em sua maioria, trata de situações de violência contra essas religiões. “É importante ressaltar que o que está no livro é literatura. É um arquétipo. E não religião. No entanto, há a realidade que nos cerca como, por exemplo, a do Rio Grande do Sul, um lugar contraditório nessa questão porque tem grande presença de espaços religiosos de matriz africana, mas é também um Estado que promove um apagamento da identidade negra, com muita ênfase ao orgulho da herança europeia”, explica Jeferson Tenório. Outro ponto abordado pelo autor foi a relação de afetividade que se desenvolve no romance, entre pai e filho negros. “Quanto tratamos das questões raciais, o mais importante não é a pele visível, mas o avesso dela, que é nossa humanidade, nossos afetos, nossos conflitos. Um lugar único, isolado, que ninguém tem acesso. É isso o que importa ser preservado na sobrevivência quando o mundo quer te reduzir à cor da sua pele”, concluiu Tenório. Tela grande A contundente denúncia à violência policial e à desigualdade racial que habita as estruturas sociais do Brasil deu ao livro “O Avesso da Pele” não somente o Prêmio Jabuti 2021 na categoria romance literário, como está em andamento o projeto de adaptação da história para o cinema. “Será uma outra obra, uma outra apropriação. Mas creio que o público vai gostar e se emocionar muito também”, adianta Jeferson Tenório, que tem a próxima obra formatada. Sem revelar detalhes, ele apenas deixou escapar que o ambiente do enredo será uma universidade e que o foco será na história intelectual dos negros. “O beijo na parede” e “Estela sem Deus” são outros títulos do escritor. A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. A abertura completa do evento pode ser conferida no site no canal da Fundação no YouTube.
- Revolução Poética na Fábrica Literária começa com eco à obra de Noel Rosa
Após breve cerimônia, o evento apresentou show de Jacque Falcheti em homenagem à extensa obra de Noel Rosa. Festival de Ideias segue até o próximo dia 3 de maio Crédito Foto: Ana Martinez “Quando uma ideia revoluciona, por si só, poetisa”. Essa é mais uma vez a mensagem central do “Revolução Poética na Fábrica Literária” para o público - que nesta edição pode acompanhar de forma presencial ou pela internet. O evento teve abertura na sexta-feira (29 de abril), a partir das 20h, no auditório do espaço A Fábrica, na presença da presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Dulce Neves, e do diretor do Instituto SEB – A Fábrica, José Luiz do Carmo, com mediação da jornalista Julia Baldin. O festival de ideias é realizado neste ano pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Instituto SEB – A Fábrica. As duas instituições uniram forças para celebrarem juntas a literatura nacional. Durante cinco dias (até o dia 3 de maio), o evento oferece uma programação intensa e gratuita: 14 autores se revezam para conversas literárias e debates com participação do público - presencialmente e online. Para oficializar a abertura, José Luiz do Carmo deu boas vindas à plateia. “Literários, poetas, sonhadores, sejam bem-vindos. De uma maneira inédita temos uma parceria para pulsar a comunicação, para viver a literatura, para degustar a poesia. Vamos fazer uma revolução!”, convidou. A presidente da Fundação, Dulce Neves, destacou a importância da parceria, lembrando o ditado, ‘um sonho que sonha sozinho é só um sonho; mas um sonho que se sonha junto é realidade’. Ela destacou o objetivo do evento de celebrar a literatura e democratizar o acesso ao livro e à leitura. “Escolhemos a poesia para efetivar esse propósito”, destacando o pensamento do sociólogo Edgar Morin em sua obra “A Via”, escritor que inspirou a criação do Revolução Poética. “A poesia é a palavra vestida de beleza, de arte, de sentimentos e sensações. O que precisamos trazer para esse momento é a reflexão. Que todos tenham uma grande revolução de ideias”, propôs aos participantes. Espetáculo Noel Cronista Para relembrar clássicos de Noel Rosa, a cantora Jacque Falcheti apresentou, na sequência, o show “Noel Cronista”, acompanhada pelos músicos Alan Silva, no violão de sete cordas, e Rafael Martelli, no cavaquinho. A cantora possui cinco CDs gravados, incluindo dois em tributo ao carioca Noel Rosa, e relembrou clássicos do poeta do morro, um dos maiores compositores brasileiros. Noel deixou um legado com mais de 250 letras musicais – a maioria escrita num espaço de cinco anos. Jacque mostrou parte deste acervo musical, com interpretações que traduziram o olhar e a sensibilidade do músico. Um repertório escolhido a dedo com músicas repletas de humor e da veia crítica, como “Com que roupa”, “Três apitos”, “Conversa de botequim”, “Último desejo”, entre outras. Crédito Foto: Ana Martinez O “Revolução Poética na Fábrica Literária” aconteceu no auditório do espaço A Fábrica, na rua Mariana Junqueira, 33, no centro de Ribeirão Preto, até o dia 3 de maio. O festival homenageou seis poetas brasileiros: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. A produção deu destaque para um poema de cada escritor, utilizando-os como base para refletir sobre os sentimentos: incompletude, ausência, completude, amplitude, intensidade e contradição – temas chaves do encontro. A abertura completa do evento pode ser conferida no site no canal da Fundação no YouTube.
- Escola recebe contação de história sobre Ariano Suassuna
A programação do mês de abril da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto foi aberta com uma contação de história pra lá de especial sobre a vida do escritor pernambucano Ariano Suassuna – autor homenageado neste ano pela 21ª FIL – Feira Internacional do Livro. No dia 9/4 (sábado), o músico e ator Márcio Bá apresentou “Histórias de Suassuna” para os alunos do Cemei Dr. João Gilberto Sampaio, na Vila Mariana, em Ribeirão Preto. A atividade foi exclusiva para os estudantes. As sessões de Contação de História são realizadas em parceria com escolas municipais de Ribeirão Preto e São Joaquim da Barra e com o projeto educacional “Educando para o Futuro”, criado pela Usina Alta Mogiana. Autor de “O Auto da Compadecida”, Ariano Suassuna deixou obras que, além da capacidade imaginativa, oferecem conhecimentos sobre o folclore nordestino. O poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, professor e advogado foi eleito em 1989 para a cadeira Nº 32 da Academia Brasileira de Letras. Em 1993, para a cadeira Nº 18 da Academia Pernambucana de Letras e em 2000 ocupou a cadeira Nº 35 da Academia Paraibana de Letras. Faleceu em 23 de julho de 2014, aos 87 anos, em Recife. Para conhecer outros projetos da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, acesse o canal do Youtube e a plataforma digital da entidade.
- São José da Bela Vista e São Joaquim da Barra ganham novas bibliotecas
Três novas bibliotecas da região foram revitalizadas e entregues nesta semana pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Usina Alta Mogiana, por meio do projeto Revitalização de Bibliotecas, que conta com o incentivo do Programa de Ação Cultural (Proac ICMS e Proac Editais) através da Lei de Incentivo à Cultura. No dia 5 e 6 de abril, as cidades de São José da Bela Vista e São Joaquim da Barra abriram as portas de seus novos espaços de leitura à comunidade, com a presença de diretores escolares, autoridades, professores, estudantes e convidados. O presidente da Usina Alta Mogiana, Luiz Octávio Junqueira Figueiredo, um dos grandes incentivadores do projeto, esteve presente nas inaugurações e deixou um recado importante aos estudantes: “para quem sabe ler e escrever, nada é impossível. Melhor dizendo, tudo é possível, para quem sabe ler e escrever”. O empresário também recomendou aos alunos que frequentem as escolas. “Aqui vocês vão se tornar cidadãos e conquistarão os seus sonhos”. Em São Joaquim da Barra foram duas reinaugurações. No dia 5 de abril, a entrega aconteceu na E.E. Profa. Elza Miguel Francisco. Durante a cerimônia, o diretor Washington Tapajós Floriano Rosa mencionou que a escola é feita de um trabalho árduo e necessita de parcerias, como as mantidas com a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e a Usina Alta Mogiana. Durante sua fala, lembrou da professora Maria Aparecida de Junqueira – mãe do presidente da Usina Alta Mogiana, Luiz Octávio Junqueira Figueiredo – também presente no evento. “Ela foi uma pessoa de destaque na nossa cidade e tive a satisfação de homenageá-la quando montamos uma sala com seu nome, que ficou aqui gravado”, afirmou. No dia 6, durante a entrega da Biblioteca Municipal - Dr. Carlos de Rezende Enout, o prefeito de São Joaquim da Barra, Wagner José Schmidt, mencionou que uma biblioteca representa tudo na vida de uma pessoa. “A prefeitura é a gestora da biblioteca, mas a parceria que tivemos com a Usina Alta Mogiana e a Fundação do Livro e Leitura é para somar e proporcionar mais estrutura e condições às nossas crianças”. O prefeito também anunciou sua parceria com a Fundação do Livro e Leitura no sentido de promover a Feira do Livro da cidade, que acontecerá no mês de setembro. A presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Dulce Neves, destacou que, quando um leitor abre um livro e se depara com as várias histórias, ele encontra algo dentro desse livro que, com certeza, o transformará. “Essa é nossa proposta: oferecer, através de parcerias, cada vez mais bibliotecas com acervos incrementados e espaços reformulados, para que a comunidade e os jovens se interessem em ler e em ampliar seu leque de oportunidades de contato com diferentes obras e autores”, disse. O projeto Revitalização de Bibliotecas Desde 2019, a Fundação mapeia espaços e bibliotecas. Com o início da pandemia, em março de 2020, a execução ficou para o segundo semestre de 2021. A instituição tem a intenção de atuar nas cidades da região e qualificar e otimizar o funcionamento dos espaços e aparelhos que apoiam o livro e a leitura. Para planejar a revitalização das bibliotecas é realizada uma pesquisa de levantamento de dados que norteia a ação através de um estudo do público atendido e o perfil da comunidade em que a biblioteca ou sala de leitura se encontra. Atividade na reinauguração Durante as três ações de lançamento foram realizadas contações de histórias com Fernanda Soto e Gabriel Galhardo, da Cia Zero, com a história “Malala para o mundo” - uma narrativa da paquistanesa e vencedora do prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, que ficou conhecida mundialmente após ser baleada por talibãs, ao sair da escola em outubro de 2012, quando tinha 15 anos.
- Semana de Arte Moderna foi tema de debate
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto sediou no dia 31/3 a palestra “Semana da Arte Moderna de 22: Ecos e Ressonâncias”, com a professora doutora Marisa Giannecchini. O evento foi promovido pela Alarp – Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto, em celebração aos seus 40 anos de existência. Marisa Giannecchini abordou a tradição e invenção da Semana de Arte Moderna de 1922. Da tradição do século XIX, com referências ao Simbolismo, Impressionismo, Sigmund Freud e a Psicanálise como porta de entrada para o século XX, no contexto nacional e internacional, foram alguns dos pontos da discussão, mesclando o centenário da Semana com a celebração dos 200 anos da Independência do Brasil (1822). “A Independência foi relevante do ponto de vista político, mas não de um movimento de independência: 100 anos depois aconteceu a Semana de 22. Vamos debater esses temas no contexto contemporâneo neste ano”, comentou a professora. Sobre o tema da palestra, Marisa explica que os ecos e ressonâncias da Semana de 22, vistos 100 anos depois, é o sincretismo cultural. “Estamos vivendo um tempo sem unilateralidades. O conhecimento é um todo de referência e a arte é a forma, modalidade elaborada de tentar traduzir por meio da ficção a nossa realidade”, completou Marisa. Para conhecer outros projetos da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, acesse o canal do Youtube e a plataforma digital da entidade.
- Biblioteca das Artes “Lucília Junqueira de Almeida Prado” é reinaugurada
Novo espaço cultural, que reúne mais de 4 mil títulos para públicos de todas as idades, já está aberto à população de Ribeirão Preto A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto reinaugurou a Biblioteca das Artes Lucília Junqueira de Almeida Prado no dia 26/3 (sábado), instalada em um espaço totalmente reformulado dentro da sede da entidade (Rua Professor Mariano Siqueira, 81, Jd. América). Para marcar a reinauguração do espaço público foi realizada a atividade infantil “Histórias de Suassuna”, com o músico Márcio Bá. O evento contou com a presença da diretoria da Fundação do Livro e Leitura, além de pessoas ligadas ao universo cultural, educacional e social da cidade. A escritora infantojuvenil de Ribeirão Preto, Lucília Junqueira de Almeida Prado, de 98 anos e que dá nome à biblioteca, também esteve presente. Lucília foi nacionalmente premiada - inclusive com um Jabuti: é autora de mais de 60 livros publicados, além de 10 contos e um romance para o público adulto. “Nossa homenagem hoje é para essa escritora, que temos o prazer imenso de recebê-la aqui. Aprendi a ler com os livros dela, pois foi ali que descobri como a literatura era fantástica. Quando a Fundação do Livro resolveu homenagear a escritora, na primeira versão dessa biblioteca, sempre tivemos a absoluta certeza que essa era a mais bela e necessária homenagem”, destacou Adriana Silva, vice-presidente da entidade. A BIBLIOTECA Após um ano de obras, o projeto de revitalização do espaço transformou o próprio acervo da Fundação do Livro e Leitura em uma biblioteca, com nova pintura, novas estantes e adequação para receber o público também em atividades complementares à consulta dos livros, como teatro, música, cinema, palestras, contações de histórias, saraus, oficinas e lançamentos, com participação de artistas e escritores de Ribeirão Preto e cidades vizinhas. Viabilizada por meio do Edital ProAc 17/2020 – Manutenção e Modernização de Espaços Culturais Independentes no Estado de São Paulo, o trabalho de reestruturação e revitalização teve início em março de 2021. A biblioteca oferece um acervo físico com mais de 4.500 mil volumes, todos disponíveis para pesquisa e leitura no local, com foco na literatura produzida por autores de Ribeirão Preto e região, além de literatura de ficção, nacional e estrangeira. A biblioteca tem capacidade de receber 35 pessoas sentadas e 70 de público volante. “Toda biblioteca, seja ela pública ou privada, é um espaço que deve ser festejado, pois acreditamos que o livro exerce um papel fundamental na abertura de novos horizontes, no pensamento crítico, em novos vocabulários e como uma ferramenta importante para educação”, disse Dulce Neves, presidente da Fundação.
- Cinema, literatura e contação de história
A agenda de atividades culturais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, no dia 19/3 (sábado), contou com várias atrações para diversos públicos. A primeira atividade do dia foi com o Clube do Livro, mediado pela bibliotecária Gabriela Pedrão, que discutiu a obra “Agnes Grey” (1847), de Anne Brontë. No romance, que retrata a era pós-Vitoriana e sua temática realista, a autora criou uma protagonista disposta a enfrentar as convenções sociais da época e se firmar como uma mulher corajosa e dona de si, contrapondo a ideia das “mocinhas românticas” do período. A obra narra a trajetória da caçula, governanta de famílias da classe aristocrática inglesa, suas lutas, questionamentos e a relação com o amor. O encontro aconteceu de forma remota, através da plataforma de reuniões ZOOM. Também às 16h, aconteceu a contação de histórias em homenagem a Mário de Andrade, com a contadora Thayene Alves, na Biblioteca Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto. Retratando a vida e obra do escritor, a história passou pelo folclore brasileiro, que tanto inspirou as obras de Mário de Andrade, que foi uma das figuras mais importantes da Semana da Arte Moderna de 22, autor de “Pauliceia Desvairada”. O último encontro do Cine Fórum também foi realizado no sábado (19/3), com o filme “O Beco das Ilusões Perdidas”, de 1947, que conta a história de Stanton Carlisle e da psicóloga Lilith, que aplicam golpes nos milionários da cidade, argumentando que podem ler mentes. Assim que a fraude é descoberta, com a traição da psicóloga, Stanton é perseguido pela polícia e acaba se tornando um alcoólatra sem perspectivas. O encontro foi mediado pelos Gêmeos do Cinema, André e Marcos de Castro. Para conhecer outros projetos da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, acesse o canal do Youtube e a plataforma digital da entidade.
- Áurea Laguna lança livro sobre Monteiro Lobato
Aconteceu no dia 10 de março, na sede da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, o lançamento do livro “Os Ilustradores das Obras de Monteiro Lobato”, de Áurea Laguna. A obra foi elaborada com a intenção de mostrar os perfis dos profissionais das artes que estiveram com Monteiro Lobato, no período de 1920 a 1947, além de um levantamento da relação do autor com seus ilustradores e da convivência dos artistas entre si. A autora Áurea Laguna é formada em Serviço Social e criou a Logus, primeira livraria de livros usados em Ribeirão Preto, em 1983. É especialista em Monteiro Lobato e desde 1998 publica artigos para jornais e revistas, além de projetos e oficinas literárias sobre o autor. Escreveu, em 2013, um livreto, “Homenagem a Monteiro Lobato”, e agora “Os Ilustradores das Obras de Monteiro Lobato”. Para conhecer outros projetos da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, acesse o canal do Youtube e a plataforma digital da entidade.
- Ni Brisant participa de oficina de mediação para estudantes e professores
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto realizou, nos dias 15 e 16 de março, uma oficina de leitura para o projeto social Sociedade Espírita Obreiros do Bem, em Ribeirão Preto, com o poeta Ni Brisant. Durante dois dias, estudantes e educadores da entidade participaram de uma dinâmica diferente que envolveu poesia e literatura. Nivaldo Brito é artista, professor, poeta, itinerante e possui diversos livros, como “Tratando Sobre o Coração das Ditas” (2011), “Para Brisa” (2013), “Se Eu Tivesse Meu Próprio Dicionário” (2014) e “Revolução dos Feios” (2016). Além disso, o poeta já se apresentou em diversos Estados brasileiros e países da América do Sul. Para conhecer outros projetos da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, acesse o canal do Youtube e a plataforma digital da entidade.
- Renan Inquérito leva “Parada Poética” para crianças e jovens de Ribeirão Preto
Atividade foi exclusiva para estudantes do projeto social Obreiros do Bem e no Marista Escola Social Ir. Rui, na zona Oeste da cidade Jovens do projeto social Sociedade Espírita Obreiros do Bem e do Marista Escola Social Ir. Rui tiveram uma experiência única nos dias 10 e 11 de março, em Ribeirão Preto. Em parceria com a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, o rapper, doutor em geografia e arte-educador, Renan Inquérito, levou seu projeto “Parada Poética” para os jovens das duas instituições. Mais de 200 alunos participaram das atividades. “Assim como as folhas das árvores fazem a fotossíntese e liberam o oxigênio, a poesia se torna um fôlego para esses estudantes. Quem lê alguma coisa, numa folha de papel, que vem de uma árvore, também é oxigenado. Acredito na poesia como uma fotossíntese, sem lida, não há escrita”, disse Renan Inquérito que define a escrita da poesia como um ato de libertação, lembrando a escritora Eliane Brum, “eu escrevo para não morrer, mas também para não matar”. Segundo ele, a ideia da Parada Poética é desmistificar a literatura como algo inacessível, acadêmico e erudito. “Tento apresentar para eles a literatura sem terno e gravata, longe da torre de marfim, da Academia Brasileira de Letras. A literatura simples, do dia a dia, para eles verem que tem poesia em tudo, nas músicas, nos grafites da cidade, nos para-choques de caminhões e portas de banheiros”. Para Renan Inquérito, o poder da poesia não é mudar o mundo, mas sim transformar os jovens, os responsáveis por mudarem o planeta ou mesmo a rua onde vivem. “Como diz Paulo Freire, ‘as palavras não mudam o mundo, as palavras mudam as pessoas e essas pessoas mudam o mundo’”. A mudança Para os estudantes do Marista Escola Social Ir. Rui, Evellyn Lima de Santana, 15 anos, e Hevelyn Palma Tobias, 16, a participação no projeto foi definida como emocionante e inspiradora. “Eu não entendia a importância dos poemas e poetas. Mas no momento que ele começou a falar, eu senti essa emoção e importância”, relatou Evellyn. Com a dinâmica do “Menor e Enorme”, o rapper propôs que todo “menor” – termo usado para identificar jovens com menos de 18 anos – na verdade, é “enorme” e ele deve se sentir assim. “Eu me inspirei muito, sobre o ‘menor e enorme’ e isso me motivou bastante”, contou Hevelyn. Os educadores Para Diego Bueno, coordenador pedagógico da Sociedade Espírita Obreiros do Bem, a “Parada Poética” ofereceu aos estudantes a oportunidade de contato mais próximo com a poesia. “Quando os escritores vêm até as instituições e nos bairros, eles promovem o desenvolvimento cultural da localidade. É essencial”, afirmou. O projeto existe há 42 anos no Parque Ribeirão Preto, na zona oeste da cidade – atende 150 estudantes (todos do bairro) e oferece atividades socioeducativas, habilidades socioemocionais, coral, judô, entre outras atividades culturais. Já a professora de literatura do Marista Escola Social Ir. Rui, Ester Moreira, destacou que os jovens não têm acesso ao lazer e entretenimento, apenas ao que é acessível no celular. “Quando há atividades com a presença de poetas, como o Renan Inquérito, ela se torna um complemento para as matérias dadas na sala de aula”, comentou a professora. A diretora do Marista Escola Social Ir. Rui, Neuzita de Paula Soares, destacou o fortalecimento e todas as possibilidades que os alunos podem ter com a atividade e ainda desconstruir os paradigmas que são impostos a eles. “Propostas como essa ampliam o repertório dos nossos estudantes e ampliam o repertório cultural fazendo com que eles compreendam a vida sob outros olhares”, destacou a diretora.
- Homenagem a Tarsila do Amaral
Em 2022 é celebrado o centenário da Semana da Arte Moderna de 1922. Com isso, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto preparou uma agenda especial de contações de histórias para a data, com a curadoria da produtora cultural e educadora, Carolina Leopoldo Gregório. O primeiro, aconteceu no dia 5/3 (sábado), na Biblioteca Sinhá Junqueira (Rua Duque de Caxias, 547, Centro), com a professora, escritora e contadora de histórias, Elis, homenageando uma das mais importantes artistas plásticas da primeira fase do Modernismo no Brasil, Tarsila do Amaral. Tarsila foi integrante do Grupo dos Cinco, junto de Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, os grandes influenciadores no movimento da arte moderna no Brasil. Inclusive, foi através da obra “Abaporu”, da artista, que Oswald – seu futuro marido – produziu o “Manifesto Antropófago”. Ela deixou 230 pinturas, centenas de desenhos, ilustrações, gravuras, murais e cinco esculturas. Para conhecer outros projetos da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, acesse o canal do Youtube e a plataforma digital da entidade.

















