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- Clube do Livro discute obra de Muriel Barbery
Primeiro encontro on-line de 2021 aconteceu no sábado (30/01) pela plataforma de reuniões ZOOM O tradicional encontro do Clube do Livro teve sua primeira edição de 2021 no sábado, dia 30/01. A atividade reuniu cerca de 15 participantes que discutiram a obra da romancista, Muriel Barbery: “A elegância do ouriço”. Mediada pela bibliotecária Gabriela Pedrão, o evento on-line aconteceu na plataforma de reuniões ZOOM, com participação gratuita e aberta. Gabriela Pedrão explica que o próprio grupo decidiu a escolha pelo livro de Muriel Barbery - que foi um grande sucesso na França durante seu período de lançamento, em 2006. “A obra é um retrato do cotidiano, em que ela conta a história por diversos pontos de vista”. Para a coordenadora do grupo, a discussão do livro foi importante justamente por ter lados da mesma história contados por pessoas normais. Segundo ela, os participantes se identificaram com essa proposta. “Gosto muito dessas visões de famílias, de pontos de vistas diversos”, revela Gabriela. O Clube do Livro, edição de janeiro, também está disponível no canal do Youtube da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.
- Fundação lança Web programa “Conexões Literárias"
Em formato 100% digital, programa debate mensalmente temas importantes na literatura e vai ao ar na plataforma da Fundação, bem como em todas as redes sociais. A apresentação é da produtora cultural Ana Luz A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto lançou recentemente mais um projeto cultural com o objetivo de propiciar entretenimento e informação sobre o universo da literatura. O programa “Conexões Literárias” é apresentado pela produtora cultural Ana Luz e disponibilizado mensalmente pela plataforma e redes sociais da instituição. A segunda edição do programa foi exibida na sexta-feira (29/01) e discutiu o tema “Mercado Editorial”, que trouxe depoimentos de Victor Rodrigues (poeta, educador e produtor cultural) e Ni Brisant (poeta e editor da Selin Trovoar). Os convidados do programa deste mês debateram financiamento coletivo, mercado editorial independente, grandes e pequenas editoras, além da crise do novo Coronavírus que resultou na migração de boa parte dos livros impressos para o digital. “O programa sempre irá trazer para o debate assuntos e notícias do mundo literário e cultural, além do que está acontecendo no Brasil e no mundo. Os temas sempre serão vinculados à nossa grade da programação mensal de atividades”, alerta a apresentadora Ana Luz, que também é produtora cultural. A curadora da FIL e vice-presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Adriana Silva, explica que o projeto Conexões Literárias tem a função de fazer ligações entre as pessoas e os assuntos. “A linguagem digital, já há um ano, tem sido nossa estratégia para seguirmos em frente, formando nosso público e difundindo a literatura. Ainda que voltemos a nos encontrar - e voltaremos – vamos precisar fazer conexões literárias”, explica. Segundo ela, com o tempo e ganhando cada vez mais ritmo, o programa irá diminuir os intervalos de cada edição e tem a proposta de se tornar uma referência em jornalismo digital sobre literatura. Primeira edição Em dezembro foi ao ar o primeiro programa do “Conexões Literárias” com o tema: “FIL e as Feiras Literárias em 2020”. Esta edição do programa contou com a participação da curadora da FIL - Feira Internacional do Livro, Adriana Silva, da presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Dulce Neves, e da superintendente da Fundação, Viviane Mendonça. O programas completos estão também disponíveis no canal do Youtube da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.
- Encontro com Adriano Fromer e Daniel Lameira abordou bastidores da Editora Aleph
Encontro on-line com os escritores abordou, durante um bate-papo descontraído e bem humorado, a história, o surgimento e algumas curiosidades da Aleph, considerada uma das maiores editoras de ficção científica do país Na quarta-feira (27/01), aconteceu mais uma atividade da 40tena Cultural, programação online da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão e Leitura de Ribeirão Preto. A transmissão foi exibida nas redes sociais e plataforma oficial da entidade. Dessa vez, o papo foi sobre “Uma velha utopia: Editora Aleph”, que reuniu Daniel Lameira, cofundador e publisher da Antofágica e editor da Aleph, e o CEO da Editora Aleph, Adriano Fromer - os responsáveis pela condução de uma conversa bem humorada e descontraída sobre o passado, o presente e o futuro da editora. Adriano Fromer iniciou a conversa com um resumo de como foi o início do trabalho da editora e lembrou de sua primeira recordação, ainda criança: a Aleph começou como uma escola de informática com computadores da época, com o nome de Urânia. “Lembro de ir lá e ver um pessoal circulando e também em trabalhar etiquetando cartas. Eram de 4 a 5 mil cartas”, relatou. Mas a ficção científica só entrou mesmo na vida do empresário nos anos 90, quando o escritor começou a publicar títulos desse gênero literário, por incentivo de seu pai. “Antes só tínhamos livros de informática”. Foi em 2000 que Adriano Fromer assumiu, de fato, a editora. Após trabalhar em áreas de marketing, produção e edição de vídeo, o empresário decidiu investir no negócio da família. O primeiro livro editado era sobre turismo e ensinava os brasileiros a viajarem para o exterior. “Eu tinha acabado de voltar ao Brasil. Durante um ano, vivi na Austrália, Inglaterra e Itália. Isso me ajudou na hora de editar. Foi quando minha mãe me convidou para trabalhar na Aleph”. A ficção cientifica veio tempos depois. Inserido nesse universo pelo pai, um grande fã do estilo, o empresário revelou que a editora investiu nas publicações após receber um feeling do mercado editorial. Foi nessa época que alguns grandes títulos do estilo, Neuromancer e Laranja Mecânica, não estavam mais sendo publicados por outras editoras. “Comecei a ficar espantado como esses livros não estavam no radar de nenhuma editora”, mostrou Adriano Fromer. Daniel Lameira também recordou de um momento considerado como uma mudança de ares da editora: o lançamento da edição de luxo do livro ‘Laranja Mecânica’, de Anthony Burgess. Foi neste momento que a editora, segundo Lameira, passou a ser referência na área. “Temos um DNA inovador, de fazer aquilo que não estão fazendo. Então, chamei um designer - que não fazia capas de livros - para fazer a capa dessa edição de luxo”, revelou Fromer. “Foi quando passamos a tratar o livro não só como um objeto de leitura, mas também como algo colecionável. Hoje, a prática se tornou algo comum, mas fomos pioneiros”, comentou o empresário. Segundo ele, existia um mantra na época que dizia que ficção cientifica não vendia e, talvez por isso, muitas obras foram excluídas do radar das editoras. “A ficção científica ser algo legal é muito recente. É uma literatura de vanguarda e de gente bem-informada. Antes era coisa de nerd, não havia jornalistas e influenciadores que liam esse estilo. Hoje, o cenário mudou bastante”, concluiu. O bate-papo completo está disponível no canal do Youtube da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.
- Poeta Alexandre Ribeiro aborda obra de Mia Couto no quadro "Defenda seu Best" da Fundação
Autor abriu o projeto, que faz parte agenda da 40 tena cultural da instituição, no dia 21 de janeiro, com mediação de Priscila Prado Durante transmissão ao vivo pelo Instagram e site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, o poeta Alexandre Ribeiro participou da primeira edição de 2021 do “Defenda seu Best”, atividade fixa da 40tena Cultural da instituição. “E se Obama fosse africano”, de Mia Couto – escritor homenageado pela 20ª FIL (Feira Internacional do Livro) neste ano - foi a obra escolhida pelo autor. O encontro foi mediado pela produtora cultural da Fundação, Priscila Prado. A relação do poeta com o escritor Mia Couto vai além dos livros: a mãe de sua companheira foi militante do movimento da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), ao lado do autor. “Eles cresceram juntos. Minha sogra cresceu com Mia Couto: foram amigos de infância, de militância e de prisões”, revelou Alexandre Ribeiro, lembrando que, ao conhecer os pais da namorada foi apresentado a um dos melhores amigos da família, e se surpreendeu pois era um dos maiores escritores da contemporaneidade. Alexandre Ribeiro é natural de Diadema, já trabalhou com Emicida, foi colunista do Itaú Cultural e publicou seu primeiro romance, “Reservado”, em 2019. Durante o bate-papo, Priscila Prado confessou que ela e o poeta contam com uma escola muito forte de hip-hop. “Esse estilo leva uma bagagem de referências enorme. Se não tivermos o mínimo de conhecimento, dificilmente conseguiremos compreender uma música do Racionais”, disse a produtora. Sobre o trecho preferido do livro “E se Obama fosse africano”, Alexandre Ribeiro citou um conceito criado por Mia Couto logo nas primeiras páginas que trata do idioma do caos. “Quando somos crianças passamos por um momento da vida em que não sabemos falar nenhum idioma, apenas o ‘idioma do caos’. É nesse momento que todos os sons que nos envolvem acabam se transformando em nosso idioma. Isso significa que você pode entender tudo e não entender nada”, explicou. O escritor citou ainda trechos de Mia Couto em que ele traz à tona problemáticas políticas através da manipulação de leis dos candidatos. “Mia Couto questiona como Obama iria surgir onde uma democracia não é funcional. Então, nossa reflexão tem de ser: e se Obama fosse africano, sul-americano ou uma mulher, negra e favelada no Brasil. Ele conseguiria chegar onde chegou?”, questionou o poeta. O bate-papo completo está disponível no canal do Youtube da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto: https://www.youtube.com/watch?v=lVN9DXS1iMs 40tena Cultural A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é a principal responsável pela realização da Feira Internacional do Livro, a segunda maior feira a céu aberto do país. Em decorrência da pandemia do novo Coronavírus, as atividades de sua primeira edição internacional tiveram de ser adiadas para agosto de 2021. Com isso, a Fundação propiciou no ano passado diversos encontros em plataformas digitais para manter sua intensa agenda de atividades culturais e lançou a “40tena Cultural”. O projeto também teve como proposta incentivar as pessoas a ficarem em casa durante o período de isolamento social. Semanalmente são divulgadas atividades que abrangem desde transmissões ao vivo com artistas e convidados, até contação de histórias, shows, dicas de leituras e debates literários. O cardápio de eventos é bem diversificado e usa tecnologias diferentes, mas todas com acesso fácil. Para a diretoria da Fundação do Livro e Leitura, em todo este tempo de quarentena, a principal busca foi focada na continuidade das atividades promovidas, de maneira a assegurar os valores do DNA da instituição. A 40tena Cultural continua neste ano de 2021 e visa possibilitar à toda equipe da instituição continuar seu trabalho em home-office numa operação estruturada dentro dos protocolos da OMS (Organização Mundial de Saúde) e das autoridades brasileiras, em nível federal, estadual e municipal. Como acessar a agenda cultural A 40tena Cultural está sendo divulgada semanalmente nas redes sociais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Para participar, basta acessar os endereços online da instituição. Instagram (@fundacaolivrorp) Facebook (facebook.com/FundacaodoLivroeLeituraRP) Linkedin (fundacaolivrorp), Twitter (@FundacaoLivroRP) Youtube (FeiraDoLivroRibeirao) Site www.fundacaodolivroeleiturarp.com
- "Não temos nem dois anos de existência e estamos com 14 livros lançados", disse Rafael Drummond
Bate-papo, on-line e ao vivo, foi mediado por Ni Brisant, sobre "Uma Nova Utopia: Editora Antofágica" A programação de 2021 trouxe no dia 19/01 um encontro com um dos fundadores da Editora Antofágica, Rafael Drummond, ao lado de Ni Brisant, poeta e editor da Editora Selin Trovoar. A discussão sobre “Uma nova utopia: Editora Antofágica” abordou sobre o momento em que o mercado de editoras está vivendo e a própria história da editora Antofágica. “Mesmo um mercado em crise, é possível evoluir, ter êxito através de boas ideias e feeling”, comentou Rafael Drummond. Para ele, o momento é do aparecimento de novos caminhos para contornar a situação de crise que o mercado atravessa. “Não acho que tudo isso seja uma nova utopia. Pelo contrário, é o momento de focar no trabalho e ter ideias boas, adaptando ao mercado atual e tentando fazer acontecer para que realmente aconteça”, explica. A conversa completa está disponível no canal do Youtube da Fundação do Livro e Leitura.
- “Representatividade deve ser um compromisso das empresas e estruturas”, apontou jornalista em live
Conversa on-line, aberta ao público de forma gratuita, aconteceu simultaneamente no Instagram e site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, no dia 16 de dezembro, encerrando as atividades da 40tena Cultural de 2020 A última atividade do ano do projeto 40tena Cultural da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto aconteceu no dia 16 de dezembro e trouxe o jornalista, diretor e roteirista, Pedro Henrique França, para abordar o tema “Corpos Dissidentes: Representações na literatura e no cinema”. O bate-papo online foi mediado pela atriz, diretora e dramaturga, Eme Barbassa. Representatividade foi o principal tema do bate-papo transmitido pelo Instagram e pelo site da Fundação. Para Eme Barbassa, tanto a literatura, quanto o cinema, possuem um papel importante na representatividade artística, ao passo que também são os que menos apresentam diversidade. “A literatura sempre foi gerida e escrita por homens, heterossexuais, cisgêneros e brancos. E o cinema adiciona uma outra camada: a imagem”, disse. Outro ponto de importância do debate, segundo Pedro Henrique França, foi poder trazer luz a essas questões e reafirmar que todos os espaços precisam ser diversos e que a representatividade deve ser um compromisso das empresas e estruturas. Pedro enumerou algumas dificuldades para alcançá-la no cinema e na literatura. Para ele, o primeiro e grande obstáculo é a visão branca e patriarcal do homem. “Sempre temos essa barreira, de se fazer presente e estar no imaginário das pessoas, porque essa representação sempre acontece com as mesmas pessoas”, destacou. O jornalista lembrou ainda das representações das minorias que acontecem, geralmente nas dramaturgias, com o objetivo de levar as pessoas a terem o pensamento de “dó”. “Com esse intuito, nunca vão conseguir mudar a consciência das pessoas. Isso é um desserviço para a sociedade”, disse. A atriz Eme Barbassa destacou a representatividade que não acontece apenas nas telas do cinema e nas páginas dos livros. “Essa mudança deve começar com quem escreve roteiro ou livros”. O jornalista convidado complementou que as pessoas que querem estar representadas, sejam nas telas ou livros, devem demonstrar o dobro para ter acesso nessas posições. “Tudo que você fizer, precisa ter uma responsabilidade dobrada. Você não pode ser bom, tem que ser muito bom. Para justificar o motivo de seu corpo estar ocupando aquele espaço, você tem que valer por dois”, destacou Pedro. Ele também contou que já tentou fazer cinema, mas nunca houve a oportunidade de trabalhar no meio. “Queremos que as pessoas nos escutem, que nos enxerguem”, comentou. A conversa completa está disponível no canal do Youtube da Fundação do Livro e Leitura: https://www.youtube.com/watch?v=LmnERsx5Sf8 40tena Cultural A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é a principal responsável pela realização da Feira Internacional do Livro, a segunda maior feira a céu aberto do país. Em decorrência da pandemia do coronavírus, as atividades de sua primeira edição internacional tiveram de ser adiadas para 2021. Com isso, a Fundação propiciou neste ano diversos encontros em plataformas digitais para que as atividades culturais não deixem de estar presentes, na chamada “40tena Cultural”. O projeto também teve como proposta incentivar as pessoas a ficarem em casa durante o período de isolamento social. Semanalmente são divulgadas atividades que abrangem desde transmissões ao vivo com artistas e convidados, até contação de histórias, shows, dicas de leituras e debates literários. O cardápio de eventos é bem diversificado e usa tecnologias diferentes, mas todas com acesso fácil. Para a diretoria da Fundação do Livro e Leitura, em todo este tempo de quarentena, a principal busca foi focada na continuidade das atividades promovidas, de maneira a assegurar os valores do DNA da instituição. A 40tena Cultural possibilitou à toda equipe da instituição continuar seu trabalho em home-office numa operação estruturada dentro dos protocolos da OMS (Organização Mundial de Saúde) e das autoridades brasileiras, em nível federal, estadual e municipal. Como acessar a agenda cultural A 40tena Cultural está sendo divulgada semanalmente nas redes sociais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Para participar, basta acessar os endereços online da instituição. Instagram (@fundacaolivrorp) Facebook (facebook.com/FundacaodoLivroeLeituraRP) Linkedin (fundacaolivrorp), Twitter (@FundacaoLivroRP) Youtube (FeiraDoLivroRibeirao) Site www.fundacaodolivroeleiturarp.com
- Clube do Livro conclui encontros de 2020
O tradicional Clube do Livro da Fundação encerrou suas atividades de 2020 no dia 12 de dezembro. A obra escolhida para este último encontro foi “O Primeiro Amor”, do russo Ivan Turguêniev. Segundo Gabriela Pedrão, bibliotecária e coordenadora do Clube do Livro, a obra foi escolhida por ser mais curta e os participantes gostarem bastante do autor, além de apresentar uma vertente mais leve e sentimental, combinando com o mês. A bibliotecária revela que os primeiros encontros de 2021 ainda serão remotos e sem previsão de retorno para os presenciais.
- “Christa Wolf cria narrativas sobre quem eram as mulheres de Tróia”, afirma Luiza Romão
Convidada pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, a poeta, atriz e slammer participou do quadro online e gratuito “Defenda o seu Best” realizado nessa quinta-feira (10), e debateu o seu livro preferido “Cassandra”, da escritora Christa Wolf, com mediação da atriz Fernanda Machado O projeto 40tena Cultural da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promoveu nesta quinta-feira (10) mais um quadro “Defenda o seu Best”. A poeta convidada, Luiza Romão, escolheu o clássico livro mitológico “Cassandra”, de Christa Wolf, para debater e comentar, com a presença da atriz Fernanda Carla Machado como mediadora da atividade. A partir das 19h, a transmissão gratuita foi realizada via Instagram (@fundacaolivrorp), Youtube e também pela plataforma oficial da instituição. O livro “Cassandra” foi lançado em 1983 na extinta República Democrática Alemã. Ele conta a história de uma filha dos reis troianos Príamo e Hécuba que logo no início da trama já se apresenta como prisioneira de Agamenon. Cassandra só tem algumas horas de vida quando chega a Micenas, e então passa a refletir sobre o que foi sua vida em um monólogo poético: fala de sua infância, do rompimento com o pai, de suas visões e dos sofrimentos vividos durante a guerra de Tróia. Autora dessa obra, Christa Wolf é considerada a mais importante escritora da Alemanha Oriental, tendo sido também ensaísta e crítica literária. Ativista contra o partido Nazista, ela foi inclusive filiada ao Partido Socialista alemão. Já Luiza Romão, além de poeta, também é atriz, slammer, performer, feminista, e autora dos livros Sangria e Coquetel Motolove (ambos publicados pelo Selo Doburro). Atualmente, desenvolve mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada, estudando o poetry slam no Brasil. Ela introduziu a live contando sobre sua conexão antiga com a literatura grega, que se iniciou quando ainda era criança. “Meu pai é filósofo, então sempre me contou as histórias de Ulisses, na Odisseia, e sempre me falou sobre a Ilíada”. Foi estudar Artes Cênicas em São Paulo, na USP, e ali também teve um acesso amplo à dramaturgia grega. “Eu pirei lendo sobre Medeia, Orestes, Agamenon… e então li a Ilíada e fiquei ainda mais fascinada”. O que mais a surpreendeu no poema épico homérico foi como essa história de guerra, que funda a ideia de literatura, é justamente a história da dizimação de um povo. “Eu li a Ilíada e pensei: ‘esse é o estudo da virilidade dos corpos masculinos’”. E foi logo em seguida que Luiza teve seu primeiro encontro com a literatura de Christa Wolf, que de alguma maneira representa o oposto da obra de Homero: Cassandra, afinal, descreve a vida das mulheres que viveram a Guerra de Tróia. Para definir a personagem Cassandra, Luiza Romão lança mão de um dicionário de mitologia grega: “A mais infeliz das filhas de Príamo e Hécuba”, citou. Pitonisa, Cassandra era uma sacerdotisa do Deus do Sol, Apolo, que segundo o dicionário teria se enamorado dela. Mas Luiza Romão tem outras palavras para o ocorrido: “O que acontece de verdade é que Apolo tenta estuprá-la. Sendo o Deus das adivinhações, ele tenta se deitar com ela, que se recusa, e então ele cospe nos seus lábios e diz: ‘Você vai adivinhar o futuro, mas ninguém vai acreditar em você’. E o dicionário romantiza isso e ainda diz que ela era louca”, contou na live. A personagem ainda tem passagens com outros nomes conhecidos da história de Troia, como o guerreiro Ajax, que também a teria estuprado. “A Christa Wolf vai reler essa história fazendo um acerto de contas”. As mulheres em Cassandra Com narrativa em primeira pessoa, Cassandra tem contato com inúmeras personagens femininas ao longo da trama – algo que chamou muito a atenção de Luiza Romão quando conheceu o livro. “As mulheres quase não aparecem em Homero, é realmente focado nos guerreiros. Elas só se mostram raramente, entre as batalhas. O interessante da literatura de Christa é que ela vai criar narrativas sobre quem eram essas mulheres: Hécuba, Cassandra, e quantas das outras que estão também fora da cidade de Tróia, que são artesãs, campesinas e não estão dentro dessa aristocracia”. Até mesmo a famosa personagem Helena aparece na obra, mas de forma inusitada. “É óbvio que Homero não ia falar que a Guerra de Tróia foi causada na verdade pela disputa de um canal – Tróia sequer ficaria na Grécia e sim na Turquia – e o que estava em jogo não era uma mulher, era uma rota comercial. Então eles forjam essa ideia de Helena para iniciar a guerra”, contou Romão. Ela lembrou que Páris, filho também de Príamo, chega numa expedição justamente para negociar o comércio dessa região Mediterrânea, e então se apaixona por Helena e a rapta. “Só que ninguém sabe se Helena de fato esteve em Tróia: tem histórias que dizem que ela foi para o Egito. E os gregos começam a guerra supostamente para recuperar a honra de Menelau. É a maior fake news da história da literatura”, brincou a poeta. A mediadora Fernanda Machado, que é atriz, performer e diretora teatral, leu um trecho da suposta chegada de Helena à Tróia em Cassandra, em que na verdade a figura está coberta de véus. “É interessante essa ideia de Helena não estar em Tróia. Eu nunca tinha visto uma versão de que ela tinha sido apenas um truque dos gregos”, refletiu, e Luiza Romão acrescentou: “Pois é, ela é um truque, uma fake news. E Cassandra mostra que, antes de isso se espalhar, as mulheres podiam participar do Conselho, nem eram forçadas a se casar, e após a invenção de Helena há uma virada, uma militarização, e existe uma justificativa para Tróia se tornar uma cidade-Estado”. Apesar do enorme espaço de tempo que separa a Grécia Antiga da atualidade, Luiza comparou essa passagem com a realidade brasileira de hoje. “Tudo isso diz muito sobre o nosso país atual....da criação de mentiras, notícias bombásticas e formulação de discursos que legitimam matanças e guerras”. Ainda sobre a força das mulheres no livro, Fernanda e Luiza discutem sobre a relação entre a personagem Cassandra e seu pai, Príamo. “Ela sempre tinha sido a filha predileta dele, mas cada vez que Tróia vai se militarizando, Príamo fica mais cadavérico, e Cassandra se posiciona contra Tróia”, contou Luiza. Fernanda concordou: “É uma passagem muito interessante, porque ela está ali rompendo com o patriarcado, bancando a sua crença e sua voz”. A viagem para a Grécia e seus frutos Luiza Romão também contou na live sobre o próximo livro que vai lançar no primeiro semestre de 2021, que é também uma releitura da Ilíada. Por causa de sua paixão pelas histórias mitológicas e pela nova obra poética, a escritora alimentou o desejo de conhecer a Grécia pessoalmente. “Eu tinha lido Cassandra antes de ir e depois também. Eu fui no portão de Micenas, onde estão os leões esculpidos descritos no livro, e os museus arqueológicos são muito incríveis. Em Creta, que fica bem no meio do Mediterrâneo, você tem muitas representações de divindades femininas, que depois foram apagadas dos panteões dos deuses”, lembrou. A poeta também citou sua visita à Acrópole grega, em que são desenhados vários murais de gregos vencendo monstros. “Fiquei surpresa quando visitei um dos lados desses murais e encontrei as Amazonas”. Personagens importantes também em Cassandra, essas figuras mitológicas eram mulheres militarizadas, que teriam lutado na Guerra de Tróia apesar de não aparecerem na literatura de Homero. “Elas não performavam feminilidade de forma alguma e foram retratadas como monstros na Acrópole, assim como foram excluídas da Ilíada”. Em homenagem a todas essas personagens, Luiza revelou que, em seu próximo livro, escreveu um poema sobre cada uma. Na live, leu alguns trechos sobre Hécuba, Pentesiléia (rainha das Amazonas), e sobre a própria Cassandra.
- “Meu livro é para quem desconfia que o sistema em que vivemos está errado”, disse Bárbara Santos
Durante bate-papo, realizado pelo Instagram e site da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, a autora debateu sobre seu livro com a ativista cultural, Adriana Scannavez A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto recebeu, na noite do dia 12 de novembro, Bárbara Santos, atriz e autora da obra “Teatro das Oprimidas: estéticas feministas para poéticas políticas” para um debate sobre seu livro, mediado pela ativista cultural, Adriana Scannavez. A atividade fez parte da agenda semanal do projeto 40tena Cultural e foi transmitido ao vivo pelo Instagram e site da entidade. Bárbara Santos é atriz, dramaturga, performer, diretora teatral, autora de três livros e fundadora da Rede Ma(g)dalena Internacional de Teatro das Oprimidas, formada por grupos de artistas-ativistas da América Latina, África e Europa. A atriz vive em Berlim desde 2009, onde é diretora artística do espaço teatral KURINGA. Durante o encontro, Bárbara Santos explicou que seu livro é destinado para pessoas que desconfiam que o sistema em que vivem está errado: “São pessoas que já se deram conta ou desconfiam que o sistema em que vivemos não é justo. Esse é o livro destinado para as pessoas que estão esperando encontrar alguma esperança”, comentou. Durante a conversa, a ativista cultural, Adriana Scannavez, revelou que durante a leitura do livro, se descobriu feminista e que apesar de ter ações a favor do movimento, nunca teve coragem de se declarar uma feminista. “Aí, eu vou ler esse livro e me deparo com a frase ‘é preciso nomear as coisas’. Foi onde tudo mudou”, declarou. Sobre o desenvolvimento do Teatro das Oprimidas, metodologia teatral de perspectiva feminista, não ter se prorrogado, Bárbara Santos explicou que o motivo principal foi a desconfiança dos maridos das atrizes que não aceitaram as mulheres com tanto destaque, como ocorreu com a companhia. “Estava indo tudo bem. Então ficou para nós o dilema - ficar no teatro ou salvar o casamento. A companhia acabou, mas eu divorciei”, revelou a autora. Questionada sobre o que mudou desde a década de 1990, quando participou do Teatro das Oprimidas, Bárbara mostrou que além das fichas terem caído, os espaços de trocas e discussões sobre o assunto aumentaram. “A companhia, por exemplo, foi a criação de um espaço de troca, para mostrar que você não está sozinha e que as coisas que acontecem não são culpa sua”. O livro fala da superação do patriarcal, que traz uma metodologia específica com questionamentos sobre opressão progressista, racismo, ceticismo, trazendo vivências de realidades próximas das mulheres. O bate-papo também está disponível no Instagram (@fundacaolivrorp) e no site da Fundação, no link acima.
- “É importante que as crianças tenham contato com a literatura negra", disse Elizandra Souza
Durante live realizada no dia 23 de novembro na plataforma da Fundação, a jornalista e escritora deixou diversas dicas da literatura infantil A convidada do projeto 40tena Cultural no dia 23 de novembro foi a jornalista e escritora Elizandra Souza que apresentou a atividade “Dicas de leitura para crianças: literatura negra e representatividade”. Durante o bate-papo on-line, realizado no Instagram da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e no site da instituição, a escritora debateu sobre a importância dos pais incentivarem as crianças a lerem autores e histórias negras de modo que essas identidades sejam construídas positivamente. Durante o encontro, Elizandra Souza reforçou a questão de que os jovens e as crianças são movidos pelo exemplo e, por isso, a importância da figura dos pais incentivar esse tipo de leitura. “Mesmo que a criança ainda não tenha entendimento do assunto, é importante esse estímulo, pois aguça a criatividade e ainda constrói um imaginário delas se projetarem nas histórias. Com a leitura, há uma melhora na escrita e na comunicação, além de estimular as atitudes éticas”, comentou a jornalista. Segundo ela, é importante proporcionar a leitura como se ela fosse uma brincadeira, para que o livro ganhe uma relevância para a criança. “Após a leitura, é importante que os pais estimulem uma pintura, um desenho e uma conversa sobre a história que a criança leu”, explicou. Durante a conversa a autora deixou algumas dicas de leituras. A obra “Vermelho”, escrita por Maria Tereza e ilustrada por Andrés Sandoval, foi uma delas. A outra dica literária foi “Adumbi”, de Mel Adún e ilustrações de Reane Lisboa. “Escolhi essa obra porque apresenta de forma lúdica os nossos orixás”, mostrou. “As férias fantásticas de Lili”, de Lívia Natália, também foi uma dica da autora. Confira a lista com outras dicas da jornalista: - “Amora”, de Emicida - “E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas”, de Emicida - “Ibejis: poesias do meu ventre”, de Thata Alves - “Ulomma. A casa da beleza e outros contos”, de Sunny - “Omo-oba: histórias de princesas”, de Kiusam Oliveira - “Contos de Olófi”, de Teresa Cárdenas Ângulo - “Amanhecer Esmeralda”, de Ferréz - “Menino moleque poeta serelepe”, de Rodrigo Ciríaco O encontro completo está disponível no canal da Fundação no Youtube e para assistir, basta acessar o link a cima.
- Kimani e Mari Luz participam do “Defenda seu Best”
A atividade “Defenda seu Best”, quadro fixo da 40tena Cultural, aconteceu no dia 25/11 e teve a participação da poeta Kimani. Nesta edição, o livro defendido foi “Mulheres que amam demais”, de Robin Norwood, e foi mediado pela psicóloga Mari Luz. Durante a atividade, Kimani falou sobre sua vivência como mulher negra e dividiu situações que passou, fazendo relação com algumas partes do livro. “É neste processo que nos identificamos uns com os outros”, disse. Sobre o livro, Kimani mostrou a dificuldade em digerir alguns pontos quando ela se identificou com o enredo. “De modo geral, nós mulheres temos uma tendência a priorizar os relacionamentos e estarmos muito mais disponíveis para as outras pessoas, até mais do que para nós mesmas. É isso que o patriarcado faz conosco”, disse. Para ela, o principal ponto positivo de bate-papos como esse é que as mulheres precisam se identificar e conversar umas com as outras. “É um processo de conscientização”, concluiu. O encontro completo está disponível no canal da Fundação no Youtube e para assistir, basta acessar o vídeo a cima.
- Bate-papo online lança livro sobre luta antimanicomial e feminismo
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto lançou no dia 8 de dezembro o lançamento do livro “Luta antimanicomial e feminismos: formação e militância”, das autoras e organizadoras, Melissa de Oliveira Pereira, Rachel Gouveia Passos, Adelle Nascimento, Ludmila Cerqueira Correia e Olívia Maria de Almeida. O livro ilustra o que se chama de práxis feministas antimanicomial, abordando a reforma Psiquiátrica Brasileira e a emergência de pensar na saúde mental das categorias de gênero, raça e classe. O bate-papo on-line contou ainda com a participação das professoras Melissa e Rachel e teve mediação da advogada, Franciele Balmant, que participou também da organização do projeto e do curso que foi realizado em Ribeirão Preto com o mesmo tema. Segundo Franciele Balmant, o livro ajuda a entender as pessoas que adoecem mentalmente ou as que eram levadas aos manicômios. “Nossa proposta é entender o modelo psiquiátrico que parte de um sistema patriarcal, racista e eugenista nos fazendo compreender que é necessário reconstruirmos essa teoria e prática”, comenta. O bate-papo na íntegra está disponível no canal da Fundação no Youtube.
- Samara Rosa conta “Unu Nile”
Sábado, dia 05/12, foi dia de contação de história com a atriz Samara Rosa, que trouxe seu animal preferido – a tartaruga – para o tema central de sua história “Unu Nile”. “Animais e fábulas africanas são coisas que me encantam bastante. Mas escolhi a tartaruga, personagem de uma história nigeriana para envolver o público. Esse animal é um símbolo muito importante para os povos africanos”, disse. Se você perdeu esse encontro, a contação está disponível na íntegra no canal da Fundação no Youtube.
- Literatura nas escolas foi tema do encontro com a escritora Débora Silva
A convidada da 40tena Cultural do dia 3 de dezembro foi Débora Silva - escritora, poetisa e idealizadora do coletivo “Sarau das Pretas”, que debateu o impacto da literatura nas escolas. A mediação do encontro foi com Leser, educador social, compositor, grafiteiro, produtor musical e cultural. No bate-papo, a escritora destacou o impacto da propagação dos livros no ambiente escolar e o quanto os alunos tornam-se protagonistas da própria história após a introdução da leitura. “Um ponto que reflito com os estudantes é que a nossa vida é um grande livro e, a cada dia que vivemos, escrevemos um capítulo dessa história”, refletiu. Para a autora, transformar-se em um leitor é um processo e, esse percurso, em alguns casos, pode ser traumático. “Todas as pessoas gostam de ler e, às vezes, apenas elas não encontram o gênero que irá tocá-las”, disse. E fez um comparativo da leitura com o trabalho de uma academia esportiva. “O educador físico nunca deve iniciar o aluno com um peso de 100kg para se exercitar. Também não podemos indicar um Guimarães Rosa para um aluno que nunca leu. Isso vai assustá-lo. Para começar, devemos propor uma leitura mais coloquial, mais próxima e aí esse aluno vai criando uma demanda para leituras mais complexas”, alertou. O bate-papo na íntegra está disponível no canal da Fundação no Youtube.
- “A crise moral é mais urgente do que a financeira”, disse Michel Laub
Durante bate-papo realizado nas redes sociais da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão, jornalista discutiu sobre seu livro “Solução de Dois Estados” A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promoveu no dia 1º de dezembro um bate-papo com o jornalista Michel Laub, autor do livro “Solução de Dois Estados”. O encontro, que faz parte da agenda semanal da 40tena Cultural, foi mediado pelo também jornalista João Carlos Borda. A conversa tratou desse novo romance de Michel Laub, que traz uma abordagem sobre ódio e perdão e os modos como a intimidade das pessoas é definida pela política e pela barbárie dos últimos tempos. Segundo o autor, a produção de “Solução de Dois Estados” levou cerca de três anos - de 2017 a 2020 – e vivenciou momentos marcantes da história brasileira e mundial: as eleições de 2018 e a recente pandemia da Covid-19. Para ele, de todas as crises que vivenciamos ao longo desse tempo, a pior delas, é a crise moral e cultural. “Mesmo que ainda tenhamos uma crise econômica grave, a que sempre considero a pior é a cultural e moral”, disse. O mediador, João Carlos Borda, ressaltou que os acontecimentos registrados na obra por Michel Laub são vistos hoje, como racismo, machismo e violência sexual, além da polarização política acentuada. E citou um verso do livro, em que Raquel (personagem criada por Michel), fala sobre Monteiro Lobato, que criou a personagem do famoso Sítio do Pica-Pau Amarelo, Tia Anastácia, uma mulher negra e escravizada. João Carlos Borda destacou ainda um outro ponto abordado no livro: o bullying, mais especificamente ainda, a gordofobia. “É um assunto difícil para o autor e uma pincelada mais acentuada pode causar um problema muito grande”, disse o jornalista. Diante disso, o autor revelou que a melhor maneira de “se sair bem” é apresentando personagens cativantes e que as pessoas se identifiquem. “A ficção é o espaço que temos para dizer coisas desse tipo, que não entram geralmente nos debates políticos”, relatou Michel. “Solução de Dois Estados” narra a trajetória de uma cineasta alemã na preparação de um documentário sobre a violência brasileira. Os principais entrevistados são dois irmãos: Raquel, artista de 130 quilos, cujo trabalho se baseia em episódios que a levaram a detestar o próprio corpo, e Alexandre, empresário que atua no ramo fitness na periferia de São Paulo. Ambos foram escolhidos por causa da repercussão mundial de uma agressão que Raquel sofreu, no início de 2018, durante um debate sobre arte e política em um hotel da capital paulista. Diante das câmeras, os segredos dessa história íntima que envolve bullying de adolescência, uma disputa por herança e diferentes visões sobre temas como sexo, religião e responsabilidade individual são pontuados por flashes da história recente do país ― com foco no Plano Collor, que iniciou a ruína da família dos protagonistas e nas eleições de 2018 que mobilizaram o ódio de uma sociedade profundamente dividida. “É uma história familiar, mas que de algum modo representa a divisão que acabou tomando conta do país nesses últimos 30 anos”, comentou Laub. O bate-papo na íntegra está disponível no canal da Fundação no Youtube.

















