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- Em forma de história, alunos aprendem sobre a Semana de 22
No dia 10/6, a escola EMEF Doutor Faustino Jarruche, em Ribeirão Preto, recebeu a contação de história “Ana e a Semana: pequena história do modernismo em 1922”, com a atriz Gracyela Gitirana. A apresentação foi exclusiva para os alunos e foi realizada pela Fundação do Livro e Leitura em parceria com a Secretaria Municipal da Educação de Ribeirão Preto. A história foi baseada no livro “Ana e a semana”, de Kátia Canton, que fala sobre uma pequena história do modernismo de 1922. Através da narrativa, de forma lúcida e interativa, o enredo traz conhecimentos de artistas que marcaram a arte brasileira, relembrando o passado e desvendando uma semana histórica.
- Direitos LGBTQIA+ e as conquistas sociais ao longo do tempo foi tema de palestra
Na quinta-feira (9/6), a Escola Estadual Doutor Guimarães Júnior, em Ribeirão Preto, recebeu a advogada, Maria Eugênia Biffi, para a palestra “Direitos LGBTQIA+ e as conquistas sociais ao longo do tempo”. O encontro foi realizado pela Fundação do Livro e Leitura em parceria com a Diretoria de Ensino de Ribeirão Preto. Além de advogada, Maria Eugênia é mestre em gestão de Políticas Públicas e Projetos de Desenvolvimento, professora universitária e representante regional da Comissão da Mulher Advogada da OAB do Estado de São Paulo. Ela também é idealizadora dos projetos Ribeirão + Colorida, Emprego com Orgulho e do Maria, me explica Direito.
- Circo nas escolas de Ribeirão Preto
O espetáculo de teatro De Lucca Circus Show, em quatro apresentações nas escolas de Ribeirão Preto, nos dias 1 e 2 de junho, levou muita alegria e informações sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 para os estudantes das escolas EMEF Antônio Palocci (CAIC), EMF Professora Maria Ignêz Lopes Rossi e da EMEF Doutor Júlio César Voltarelli. Com uma apresentação cômica, recheada de técnicas circenses que envolvem inúmeras modalidades de equilibrismo com o monociclo girafa, escada acrobática e malabarismo, o espetáculo proporcionou muita interação com os jovens. A atividade, exclusiva para os alunos das instituições, foi realizada pela Fundação do Livro e Leitura em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, como uma ação preparatória para a 21ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto – que acontece de 20 a 28 de agosto de 2022, no formato híbrido. Para acompanhar outras atividades da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, acesse o canal no Youtube da instituição.
- O futuro dos eventos culturais
No dia 31 de maio, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto realizou a live “Retomada do setor cultural”, com os produtores culturais - Priscila Prado, Rogério Ceneviva e Bruna Veiga - e a superintendente da Fundação, Viviane Mendonça. O bate-papo foi transmitido ao vivo pelo Instagram e plataforma digital da instituição. A produtora cultural, Priscila Prado, destacou o crescimento dos eventos virtuais durante a pandemia da Covid-19: uma nova vertente de trabalho que os produtores, assim como ela, tiveram que se adaptar para continuar em funcionamento durante a paralisação. “Há estudos que apontam que, em 2020, esse tipo de evento movimentou 78 bilhões de dólares em todo o mundo. As estratégias de mercado, hoje, vão ser complementares entre o presencial e o on-line”, destacou. A também produtora cultural, Bruna Veiga, abordou os diferentes tipos de público. Para ela, o virtual é mais amplo e seletivo, já que a plataforma possibilita que o conteúdo possa ser consumido em outro momento, sem a necessidade do estar presente ao vivo. “O virtual tem um desafio maior, pois você tem que se conectar muito bem com seu público e ter um conteúdo forte, para que elas parem o que estão fazendo e vão assistir ao evento”, comentou. “O aumento do movimento dos eventos digitais já era previsto”, explicou Rogério Ceneviva. Porém, foi impulsionado pela pandemia, gerando estudo e adaptação por parte dos promotores. “Nem todos os promotores conseguiram fazer essa migração para o universo on-line, como os eventos de cidades menores que necessitavam de uma parte mais técnica e ficaram sem acontecer”, relatou o produtor cultural. Com o aumento da vacinação no país e mantendo as medidas de restrições, como distanciamento e uso de máscaras e álcool em gel, foi possível que os eventos pudessem retornar com capacidade máxima. “A retomada dos eventos presenciais é importantíssima para o setor, uma série de postos de trabalho acontecem só com o presencial. Porém, os eventos virtuais vieram para ficar, de forma que democratizamos o acesso”, disse Viviane. Para acompanhar a conversa completa, basta acessar o link do Instagram.
- Convívio social é tema de atividade em escola de Guará
A cidade de Guará, no interior de São Paulo, recebeu no dia 25 de maio, a contação de história “Revolução do Por Favor”, com a atriz Tânia Alonso. O evento aconteceu presencialmente na Escola Professora Adelaide Garnica, em dois horários, e foi exclusiva para os alunos da instituição. A atividade buscou promover a reflexão nos estudantes sobre as regras básicas de convívio social e relacionamento com os colegas de sala, estimulando o respeito ao próximo. A contação fez parte do “Projeto Educando para o Futuro”, criado pela Usina Alta Mogiana e que acontece desde 2001 com o intuito de promover a diversidade de conhecimentos e interdisciplinaridade, além de estimular o desenvolvimento sociocultural dos estudantes.
- Clube do Livro discute Amós Oz
No mês de maio, o tradicional Clube do Livro, da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, debateu o livro “O mesmo mar”, do escritor israelense, Amós Oz. A mediadora do encontro, a bibliotecária, Gabriela Pedrão, explicou que o livro foi escolhido por se destacar pela poesia, uma das características do escritor. “É uma literatura bastante poética, intimista, uma história sobre conflitos internos e relações familiares, conversamos sobre essas questões mais intimas e interiores, relações familiares e como elas se desdobram”, disse Gabriela. O Clube do Livro é realizado mensalmente de forma on-line através da plataforma de reuniões Zoom. Para assistir o encontro completo, basta acessar o vídeo acima ou o canal no Youtube da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto.
- Crianças aprendem sobre Higiene Bucal
No dia 13 de maio, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Usina Alta Mogiana - parceira da instituição - promoveram mais uma atividade de contação de histórias, dessa vez, na escola Sylvio Torquato Junqueira, em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo. A atividade foi exclusiva para os alunos. “Botando a boca no trombone”, com a Cia Renda de Lenda, teve como principal enredo a importância da higiene bucal e o cuidado com os dentes. A Cia Renda de Lenda, nasceu em 2018, fundada pelos artistas Carol Capacle e Allê Trajan, para criar espetáculos voltados ao público infantil, contribuindo na formação cultural, social e educacional de crianças e adolescentes, através da contação de histórias, do teatro e da música.
- Semana de Arte Moderna é tema de contação de história
Os alunos da EMEF Professor Eduardo Romualdo de Souza, no bairro Vila Virgínia, em Ribeirão Preto, participaram de uma atividade exclusiva promovida pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, no dia 6 de maio. A contação de histórias: “Ana e a Semana: pequena história do modernismo em 1922”, foi contada por Gracyela Gitirana. A proposta da atividade foi proporcionar uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora inspirada nas vanguardas europeias. A contação fez parte da celebração dos 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que reuniu diversas apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de obras – pintura e escultura – e palestras.
- “Eu não escrevo para incendiar casas, mas para acender faíscas aos olhos de quem me lê”, recitou Mel
“Amplitude” foi o tema da roda de conversa com a escritora, poeta, slammer e produtora cultural brasileira, Mel Duarte O Revolução Poética na Fábrica Literária, em seu penúltimo dia (3/5), trouxe também a intervenção cênica de Palmira Osunwende, que apresentou uma livre interpretação do poema “Na Vastidão”, de Cora Coralina. Na sequência, foi a vez de Mel Duarte estabelecer trocas de ideias com as debatedoras da roda. Seu encontro com a poesia ainda na infância, a influência do pai grafiteiro e questionador social sobre sua construção como cidadã e mulher, o desejo de acolher as pessoas com sua escrita, as experimentações poéticas em saraus, o slam como plataforma para sua poesia e as várias personas femininas que a habitam foram alguns dos vários pontos tocados no bate-papo. Mel Duarte, que é escritora, poeta, slammer e produtora cultural brasileira, também falou sobre ancestralidade e a importância de todo mundo conhecer e entender sua própria história para poder definir o que se quer construir a partir da produção de “novos agoras”. “É impossível a gente passar desapercebido por tudo o que está acontecendo se a gente não tiver um pouco de conhecimento, capacidade de ouvir e de aprender com o próximo, e entender que precisamos muito da nossa linguagem e do respeito às novas diferenças”, destacou Mel Duarte, primeira poeta negra brasileira a lançar um disco de poesia falada (“Mormaço - Entre outras formas de calor”). Sobre a poesia de Cora Coralina, a escritora destacou a presença de muitas mulheres – e diversas – no cenário cultural brasileiro. “Acredito que amplitude é uma palavra que contempla muito a história de Cora Coralina. Mas, infelizmente, ainda precisamos, muitas vezes, passar por crivos e por pessoas, principalmente do sexo oposto, para que nosso trabalho seja considerado e que chegue até certos espaços. Acredito que hoje temos uma rede de mulheres, trabalhando e se conectando muito mais do que antes”, disse. Desde setembro de 2021, Mel Duarte escreve uma série de textos curtos para a plataforma Amazon, chamados de ‘Leitura Rápidas’. Sobre sua poesia e a amplitude de ser uma mulher negra escritora, ela destacou que muitas mulheres habitam em seus pensamentos e que, normalmente elas falam ao mesmo tempo – e que, por um tempo, foi difícil organizá-las. Mas, a poesia a ajudou neste processo. “Aprendi que se não soubesse me comunicar com o mundo eu não me faria entender. E eu queria me fazer entender e ser respeitada. A poesia me ajudou a encontrar esse caminho”, explicou. A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de Maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividade intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. O bate-papo completo com Mel Duarte pode ser conferido no link.
- “Eu defendo a literatura como um direito humano”, afirmou José Falero
Escritor participou do Festival de Ideias na Fábrica Literária no dia 30/4 O concerto de viola de 12 cordas do maestro e compositor José Gustavo Julião de Camargo trouxe à noite de sábado (30/4) do “Revolução Poética na Fábrica Literária” um requinte de sonoridades. O encontro com o músico levou a plateia a momentos de introspecção e sensibilidade, possibilitando novos conhecimentos que transitaram entre a música e a literatura. No repertório: composições de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, músicos estrangeiros e autorais. Em seguida, o público esteve frente a frente com o escritor José Falero - que trouxe uma narrativa inspiradora às plateias presencial e virtual do festival. Logo no início da roda de conversa, o autor foi questionado pelo produtor cultural, Eliezer Pereira, com a pergunta: “em que mundo tu vive”? – uma referência direta ao seu mais recente livro. José Falero usou um trocadilho para responder: “é mais fácil dizer colocando em contraste com o mundo que não vivo. Sou um cara de Porto Alegre, não temos acesso ao Rio Guaíba; não há asfalto nas ruas; quando chega o verão, às vezes falta água semanas a fio – é muita precarização. O Estado não chega lá com educação, cultura e lazer, mas chega com a polícia. Esse é o mundo em que vivo”. Falero contou que seu primeiro contato com o livro aconteceu apenas aos 20 anos. Apesar de tardiamente, a leitura fez uma revolução em sua vida. “Foi minha irmã que me incentivou a ler”. Na avaliação dele, a oportunidade só surgiu por conta dos fatos que sua família vivenciou, como a separação dos pais. “Ela foi morar com meu pai e por conta do bairro teve mais oportunidades de estudo. Quando vinha nos visitar, sempre insistia que eu deveria ler”, lembra. A leitura foi trazendo novas inquietações ao jovem Falero, até ele perceber que podia escrever, expressar suas dores, reflexões e, definitivamente, ganhar um espaço reconhecido pelo coletivo: de ex-servente de pedreiro, supridor de gôndola de supermercado, hoje ele é um dos nomes citados como referência na nova literatura brasileira, tendo a sua obra “Os supridores” (Todavia, 2020) entre as finalistas do prêmio Jabuti. É também autor dos contos de “Vila Sapo” (Venas Abiertas, 2019) Sua mais recente obra é formada por crônicas que dão voz ao povo e ao universo que o rodeiam, “Mas em que mundo tu vive?” (Todavia, 2021). Durante o bate-papo, Falero lembrou como foi possível abandonar as suas atividades profissionais até se tornar exclusivamente escritor – tal como continua até hoje. Segundo ele, a drástica mudança profissional sempre causa surpresa nas pessoas. Lugar no mundo Para definir seu estilo de escrita, José Falero disse que começou a carreira de escritor usando uma expressão mais formal. “Eu era um preconceituoso linguístico. Meu processo de escrita era absolutamente elitizado. Eu via as coisas de uma maneira que hoje considero equivocada. Tudo o que eu escrevia era afastado da oralidade”, expôs. Depois, lembrou que conversava com outros escritores pelas redes sociais que tentavam o convencer para trazer o coloquial para os livros, mas no início ele se recusava. Só com o tempo e a prática, Falero percebeu a força deste caminho, o que na sua ótica, foi determinante para seu desenvolvimento na literatura brasileira. O autor se definiu como uma pessoa bastante curiosa, daí sua ligação com várias manifestações de expressão artística. Também confessou que a escola era hostil com ele e a luta contra todas as adversidades o levou para a literatura. “Sou um cara inquieto, sempre remoendo mil coisas e para mim, escrita é filosofia aplicada ao meu processo”. O escritor admitiu que nos tempos de escola detestava o Português e garantiu: hoje é apaixonado pelo idioma e sua gramática. “Quando comecei a escrever estava trabalhando em obra, meus colegas não podiam descobrir, eu tinha que esconder”. Depois que assumiu seu lugar no mundo, não desviou mais da rota literária. “Eu me sinto feliz quando termino um texto, muitas vezes eu choro e me curo. Me faz bem”, concluiu. A roda de conversa com José Falero pode ser acompanhada na íntegra neste link.
- Para Assucena, “a contradição é o único caminho para a autocompreensão”
Cantora e compositora abordou o processo de aceitação da família e amigos, além do tema do debate, a “Contradição” A terça-feira (3/5) marcou o último dia do Revolução Poética na Fábrica Literária. Para encerrar o circuito de atividades, a cantora, compositora, intérprete e atriz, Assucena, participou do debate “Contradição”, logo após a performance do Brilhe Circo Drag, que apresentou o show “Na Contramão”. A convidada da noite já conquistou duas vezes o Prêmio da Música Brasileira e foi indicada também duas vezes ao Grammy Latino, com sua primeira banda - As Bahias. Com o poema de Paulo Leminski, “Incenso fosse música - no trecho “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além” - Assucena relembrou de quando saiu de Vitória da Conquista, na Bahia, como uma fuga para o anonimato que uma cidade imensa como São Paulo, oferecia. “Cheguei em São Paulo em uma exposição de Fernando Pessoa, no museu da Língua Portuguesa. Tomei coragem de me atravessar e me encontrar comigo mesma”, lembrou a atriz, revelando que contou com o apoio da irmã. Mas, antes de externar o processo de transformação que estava passando, houve primeiro um momento de transição interna. “É quando você se redescobre e se aceita. Só depois acontece a externalização”, recordando que neste período ainda houve o impacto com a família e amigos. “Essa transição não é completa se o mundo não transacionar. Então vivemos nesse processo eterno”. Contradição foi o tema do debate e Assucena destacou a contradição como o único caminho da autocompreensão da sociedade. “Uma das grandes questões da filosofia é a contradição, o jogo entre o sujeito e o objeto. Esse debate será eterno. No tempo do capitalismo, prefiro me reencontrar com Karl Marx para tentar entender esse olhar de forma mais concreta”, mostrou. O papel da autoestima no processo de aprendizado - e o quanto ele é transformador, assim como a cultura e arte, sendo um facilitador neste processo – também foi assunto no palco das discussões. "Não existe educação sem cultura. Uma das coisas que mais marcou é que eu pude entrar na casa de várias pessoas com minha música, que jamais eu poderia estar. Eu pude acessar ouvidos, olhos e sensações de pessoas extremamente preconceituosas que jamais assistiriam uma travesti como um corpo possível. A arte tem esse papel de romper muros e portões”, desabafou. A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividade intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. A roda de conversa com Assucena pode ser acompanhada na íntegra neste link.
- A intensidade de Clarice Lispector na jovem produção literária brasileira
Conversa com a escritora cuiabana Ryane Leão movimentou o último dia do evento Revolução Poética com falas potentes, questionamentos incisivos e muita poesia A segunda edição do festival de ideias Revolução Poética na Fábrica de Ideias terminou no dia 3/5, em alta temperatura, com debates inspirados nas obras de Clarice Lispector e Paulo Leminsk, dois dos autores mais intrigantes da história da literatura brasileira. A proposta do evento em celebrar o Dia da Literatura Brasileira teve, com a participação de Ryane Leão, mais um grande momento de realização desse objetivo. A poeta cuiabana abriu a agenda do último dia do evento, conversando com a jornalista, professora e escritora Carmem Cagno; com o músico, compositor e arranjador Jorge Nascimento; e com o produtor audiovisual, roteirista e fotógrafo Matheus Vieira, que produziu o vídeo “Coração em (r) excesso”, sobre Clarice Lispector, especialmente para esse encontro. Muito intensa, combinando com o primeiro tema em debate da noite, Ryane Leão trouxe ao público presente ao auditório do espaço A Fábrica e à plateia que acompanhou o debate online, um generoso compartilhamento sobre sua vida, o encontro com a poesia, a descoberta da produção poética profissional, seus processos criativos, a cura que encontra na literatura e seus projetos futuros. Autora dos livros “Tudo nela brilha e queima” e “Jamais peço desculpas por me derramar”, Ryane contou que apesar do interesse pela escrita ter se manifestado ainda na infância, a mudança de Cuiabá para São Paulo, aos 19 anos, foi um marco divisor para sua entrada integral no universo literário de forma intencional e direcionada. “Inicialmente, São Paulo me engoliu e a palavra se tornou minha maneira de estar viva naquele espaço maluco”, conta a poeta, que adotou o hábito de anotar num caderninho tudo o que lia e via nos muros da cidade. Sem pudores para afirmar que o tempo todo concorda e discorda com Clarice Lispector, Ryane Leão acredita nos impactos e nas alterações que a produção literária pode causar na vida das pessoas. “Não trilho o caminho da arte pela arte. Sempre tenho um objetivo e escrever profissionalmente é uma conquista”, disse a escritora que também é professora. Entre os pontos onde se sente próxima da autora de “Paixão Segundo GH” e “A Hora da Estrela”, Ryane não economizou na segurança: “Somos duas pessoas extremamente corajosas no que se diz e no que não se diz. Clarice Lispector não buscava e eu também não busco explicações para os meus poemas. Procuro ser e estar na literatura da forma em que me sinto confortável”, disse a poeta. Ela também incentivou o público a “enegrecer as estantes”. “As escritas negras são sempre escritas de possibilidades. Ampliem o conhecimento sobre autores negros”, pontuou. No início da carreira, publicando textos em blogues e redes sociais ao reconhecimento atual, Ryane festeja o momento que vive como escritora. “Quanto mais escrevo, mais revolucionária me torno. E quanto mais escrevo, mais me afasto da obrigatoriedade da revolução diária. A literatura me permite dialogar com diversos sentimentos e, a partir disso, chegar em algum ponto de cura”, arrematou, antes de finalizar sua participação com a leitura do poema “Depressão”. A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de Maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividade intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. A conversa com Ryane Leão pode ser acompanhada na íntegra neste link.
- “A gente é palavra que pede encontro”, poetizou Luiza Romão
Convidada da noite, a poeta movimentou a roda de conversa com falas cheias de responsabilidade, reflexões e questionamentos Uma potente noite feminina regada à poesia de Ferreira Gullar, um dos fundadores do neoconcretismo. Assim foi a penúltima noite no Revolução Poética, evento promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Instituto SEB - A Fábrica, em celebração ao Dia da Literatura Brasileira, festejado em 1º de maio. As mulheres deram o tom das conversas literárias: a primeira delas foi em torno do tema Completude. Depois da abertura com a pulsante e vigorosa apresentação “Atalhos”, pela Cia. Pé na Tábua, de Ribeirão Preto, o palco do espaço A Fábrica foi ocupado pela poeta, atriz, slammer e autora dos livros ‘Sangria’ e ‘Coquetel motolove’, Luiza Romão. O poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar, foi a baliza condutora da roda de conversa. Luiza Romão abriu a noite com uma intervenção poética declamando “Sangria”, poema autoral que aborda questões femininas, e ampliou o debate sobre a presença da mulher na poesia - desde o processo produtivo até a efetiva inserção na cena literária do país -, e nas batalhas de poetry slam - competição em que poetas leem ou recitam poesias -, em que a visibilidade feminina ainda é recente no Brasil. “Uma mulher descende do sol, ainda que forçada a sombra. Tem palavra que pede um pedaço da gente, que diz incompletude”, poetizou logo no início da conversa. Provocada pelos debatedores, Luiza Romão falou também sobre outras dimensões da poesia, como a de guerrilha, de resistência, de enfrentamento e da tradição da oralidade. "Quem são as gargantas de carne? Existe alguém que fala sem recorte de cor, de gênero, de raça, de geografia, de corpos padrões que impõem uma certa beleza padrão? Estamos em um momento que está sendo reivindicado espaços que historicamente foram negados. A identidade também se produz a partir das relações sociais", disse. A agenda do Revolução Poética na Fábrica Literária trouxe oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de Maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividade intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. O bate-papo completo com Luiza Romão pode ser conferido no link.
- Ausências, presenças e conexões literárias durante bate-papo com Marcelino Freire
A partir de poema de Drummond, o rapper Vinícius Preto, o MC João D. Deus e o escritor Marcelino Freire debateram os reflexos e os impactos da literatura no cotidiano O poema “Ausência”, de Carlos Drummond de Andrade, foi a referência para a segunda roda de conversa do Revolução Poética na Fábrica Literária na noite de domingo (01/5). O rapper Vinícius Preto, o MC João D. Deus e o escritor Marcelino Freire abordaram a temática retratada num dos mais conhecidos poemas de Drummond, com música, literatura e as conexões entre essas linguagens. No terceiro dia do evento, Vinícius Preto e João D. Deus, amigos e parceiros musicais, escolheram sair do lugar comum de falar da ausência de quem se foi, para tratar da ausência de quem não pode estar. “Nossa perspectiva é a de quem vem da leitura e de quem está à margem, de quem não pertence. E falar de literatura nesse contexto é romper com a academia, porque é escrever fora das linhas”, ressaltou o MC João D. Deus, que tem uma história de mais de dez anos de trabalho com o hip hop e a música autoral independente por meio da Casa do Hip Hop Ribeirão Preto. Vinicius Preto, que é de Itaquera, São Paulo, é historiador e fundador do Zamba Rap Clube, com quem gravou dois discos e seis clipes, além de EP solo. Depois do som provocador da dupla de rapper e MC, o escritor pernambucano Marcelino Freire seguiu a conversa em torno da temática da ausência falando de suas próprias ausências pessoais, da forte referência e inspiração da mãe em sua escrita, das presenças que a ausência traz, da solidão no processo da escrita e do socorro das palavras. “Escrevendo eu compreendo o mundo à minha volta, mas é um momento onde estou muito sozinho. E as palavras me fazem uma espécie de abraço coletivo para me ajudar nesse processo”, disse o autor que é um dos principais nomes da literatura contemporânea brasileira, ganhador de um Prêmio Jabuti com o livro “Contos Negreiros”, em 2006. Para o escritor, a revolução está na poesia e a literatura é patrimônio humano. “Minha poesia é carregada das sonoridades do sertão nordestino, do repente, do falar cantado. E escrevo para dar vexame lírico. Tem o antes, o durante e o depois do poema”, sublinhou o poeta, que gosta de chamar de confluências - e não influências - as conexões literárias que as diferentes linguagens artísticas encontram pelo caminho. “É um contínuo desembocar de um no outro e a gente vai formando nosso repertório com nossos parceiros e parcerias. Uma poesia que desemboca numa música. Uma música que desemboca num filme e por aí vai”, pontuou. Movimentaram a roda de conversa com Marcelino Freire, a professora Heloísa Martins Alves, uma das criadoras do Combinando Palavras, projeto educativo que é destaque na FIL - Feira Internacional do Livro; o MC João D. Deus e o arquiteto e urbanista Cordeiro de Sá, que também é jornalista, gestor social e quadrinista. Vivendo em São Paulo há 30 anos, Marcelino Freire é curador do evento Balada Literária, que reúne artistas de diferentes expressões, e também ganhador do prêmio Machado de Assis com o romance “Nossos Ossos”. Promovido pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e Instituto SEB - A Fábrica, o festival de ideias Revolução Poética na Fábrica Literária foi realizado neste ano em formato híbrido, com plateia presencial no auditório do espaço A Fábrica e transmissão online pelo canal da Fundação no YouTube. O encontro completo com Marcelino Freire pode ser conferido neste link no canal do YouTube.
- Aline Bei, do palco para a literatura
Escritora conversou com o público do Revolução Poética na Fábrica Literária sobre a luta para ganhar o espaço no mercado literário, no teatro e na internet Conversas literárias com várias ideias. Essa é a proposta do Revolução Poética na Fábrica Literária durante os cinco dias de realização, com programação híbrida e gratuita. No domingo (1/5), o evento trouxe Aline Bei, autora formada em Letras pela PUC-SP e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helena. Seu romance de estreia, "O Peso do Pássaro Morto" (de 2017), foi vencedor do Prêmio Toca de Literatura, de São Paulo. "Pequena Coreografia do Adeus" é seu segundo livro. A conversa, mediada pela jornalista Érica Amêndola, trouxe um pouco mais sobre o trabalho literário desta jovem escritora de 34 anos que começou fazendo teatro aos 14 anos, onde começou a contar histórias no palco que, segundo ela, teve a certeza que tinha encontrado o lugar que ficaria para sempre. “Mesmo que ainda nova, eu não estava errada. Mesmo migrado para a literatura, eu sinto que jamais abandonarei esse corpo que habitei em cima do palco para contar histórias”, contou. O modo como a autora enxerga o espaço, o chão do palco e da folha em branco sempre tiveram algo em comum. “Há uma ideia dessa folha em branco, como um espaço ameaçador, que convoca da gente alguma coisa que precisamos entregar. Sinto que ela é um espaço colaborativo”. A escrita, para Aline Bei, é esse lugar de descobrir as histórias para serem contadas, da autoanálise, da investigação do próprio corpo e das dores que cada um carrega. Contemporaneidade Para ela, que se considera profundamente inserida na atualidade, a literatura vem ganhando mais força e atingindo cada vez mais pessoas. “Hoje, ser uma mulher escritora, é algo que vem sendo mais acolhido pelas pessoas”, revelou. Segundo ela, durante a pandemia da Covid-19 as pessoas passaram a ler mais, buscando o livro como uma válvula de escape para os problemas encontrados no dia a dia, como o luto e a ausência. Influenciadora literária digital A escritora revela que sempre usou a internet como uma forma de divulgar as obras que escrevia. Mas, foi no Facebook, plataforma onde possuía um blog, que começou a escrever nas redes sociais. “Passei a imprimir meus textos e levar nos intervalos da universidade, para mostrar aos meus amigos. É a sede de compartilhamento, nós fazemos algo e queremos mostrar.” Para ela, a internet sempre foi considerada uma ferramenta, não o fim. “É uma possibilidade de comunicação com as pessoas que gostam da mesma coisa. Marcelino Freire conta, por exemplo, que a maior distribuidora no Brasil, é o ‘sovaco’ – é colocar o livro debaixo dos braços e entregar. Com a pandemia, não pudemos fazer isso, mas caminhamos com o livro no sovaco virtual”, brincou. A agenda do Revolução Poética na Fábrica contou com oficinas, conversas literárias, debates e atividades artísticas. O evento celebrou o Dia da Literatura Brasileira, comemorado em 1º de maio, com a proposta de revolucionar a poesia na contemporaneidade, reunindo artistas da atualidade a partir de seis poetas significativos da história da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Manoel de Barros e Paulo Leminski. Foram cinco dias de atividades intensa e gratuita, com a participação de 14 autores e programações artísticas variadas. O bate-papo completo com Aline Bei pode ser conferido neste link, no canal da Fundação no Youtube.

















